{"id":9462,"date":"2012-02-13T07:35:44","date_gmt":"2012-02-13T07:35:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9462"},"modified":"2012-02-13T07:35:44","modified_gmt":"2012-02-13T07:35:44","slug":"argentina-rio-parana-perde-seu-antigo-vigor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/02\/america-latina\/argentina-rio-parana-perde-seu-antigo-vigor\/","title":{"rendered":"ARGENTINA: Rio Paran&aacute; perde seu antigo vigor"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 13\/02\/2012 &ndash; Um volume menor de &aacute;gua e uma crescente press&atilde;o de capturas no Rio Paran&aacute;, que cruza a Argentina de norte a sul, provocam uma in&eacute;dita redu&ccedil;&atilde;o nesta pesca, considerada a segunda mais diversa da Am&eacute;rica do Sul, depois da amazonense.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9462\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/041-300x199.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9462\" class=\"size-medium wp-image-9462\" title=\"Pescador no Rio Paran&aacute;, perto do Porto Antequera. - Funda&ccedil;&atilde;o Proteger.\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/041-300x199.jpg\" alt=\"Pescador no Rio Paran&aacute;, perto do Porto Antequera. - Funda&ccedil;&atilde;o Proteger.\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9462\" class=\"wp-caption-text\">Pescador no Rio Paran&aacute;, perto do Porto Antequera. - Funda&ccedil;&atilde;o Proteger.<\/p><\/div>  As dificuldades que afetam o Paran&aacute; foram apontadas \u00c3\u00a0 IPS por especialistas que estudam os recursos deste rio que nasce no sul do Brasil, na conflu&ecirc;ncia dos rios Grande e Parna\u00c3\u00adba, depois serve de fronteira com o Paraguai para, finalmente, entrar na Argentina e desembocar em forma de delta no Rio da Prata, em conflu&ecirc;ncia com o Rio Uruguai e ap&oacute;s percorrer quase quatro mil quil&ocirc;metros.<\/p>\n<p>At&eacute; meados da d&eacute;cada de 1990, a Argentina n&atilde;o tinha cotas de exporta&ccedil;&atilde;o para pescado de &aacute;gua doce. Desde ent&atilde;o, e mais ainda ap&oacute;s a desvaloriza&ccedil;&atilde;o do peso frente ao d&oacute;lar, no come&ccedil;o de 2002, as autoridades viram a necessidade de colocar limites. Assim, proliferaram os frigor\u00c3\u00adficos que compram s&aacute;vel em grandes volumes para exportar. Em 2003, somaram 45 mil toneladas e foi preciso fixar uma cota, que na &uacute;ltima temporada foi de 16 mil toneladas.<\/p>\n<p>Essa cota foi estabelecida pelo governo federal para dividi-la entre as prov\u00c3\u00adncias de Santa F&eacute;, Entre Rios e Buenos Aires, por onde passa o Paran&aacute;. Santa F&eacute; foi autorizada a exportar sete mil das 16 mil toneladas, mas o governo provincial, consciente do risco de depreda&ccedil;&atilde;o, sobre o qual alertam organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais, estabeleceu um m&aacute;ximo de 4,5 mil toneladas. Mesmo assim, especialistas consideram que a press&atilde;o &eacute; enorme. &quot;Se exporta mais s&aacute;vel do que o sistema suporta.<\/p>\n<p>Este foi o primeiro ano em que a esp&eacute;cie praticamente n&atilde;o se reproduziu. &Eacute; algo que nunca aconteceu&quot;\u009d, afirmou \u00c3\u00a0 IPS o bi&oacute;logo Norberto Oldani, da prov\u00c3\u00adncia de Santa F&eacute;.<\/p>\n<p>O s&aacute;vel &eacute; a primeira esp&eacute;cie comercial em import&acirc;ncia no Paran&aacute; e a que mais se exporta. Tamb&eacute;m &eacute; valioso recurso ecol&oacute;gico, porque suas ovas e larvas servem de alimento para peixes predadores, como surubi e dourado. &quot;Para haver reprodu&ccedil;&atilde;o, tem que haver reprodutores. H&aacute; algum tempo se pescava exemplares de sete ou oito anos de idade e agora a pesca se baseia em animais de dois anos, quando come&ccedil;am a p&ocirc;r ovos&quot;\u009d, explicou Oldani.<\/p>\n<p>Este bi&oacute;logo &eacute; pesquisador da estatal Universidade do Litoral e do Conselho Nacional de Pesquisas Cient\u00c3\u00adficas e T&eacute;cnicas. Desde 1976, realiza acompanhamento peri&oacute;dico da pesca nas costas da cidade de Paran&aacute;, em Entre Rios. &quot;Vemos ano a ano como os recursos se degradam, desaparecem esp&eacute;cies, diminui o tamanho e cada vez os exemplares pesam menos, ou seja, h&aacute; perda de biomassa&quot;\u009d, ressaltou.<\/p>\n<p>Oldani tamb&eacute;m alertou que este fen&ocirc;meno n&atilde;o ocorre apenas com o s&aacute;vel. &quot;Com o surubi, o que acontece &eacute; catastr&oacute;fico. &Eacute; uma esp&eacute;cie emblem&aacute;tica do Paran&aacute; do ponto de vista da pesca esportiva e comercial. Pode pesar at&eacute; 20 quilos e todos querem pescar um, mas se v&ecirc; que n&atilde;o suporta a press&atilde;o&quot;\u009d, destacou. E esclareceu que o surubi precisa que 80% de sua biomassa seja de reprodutores e atualmente esta porcentagem chega a apenas 8%. &quot;S&atilde;o necess&aacute;rios crit&eacute;rios de manejo, porque o neg&oacute;cio &eacute; peixes no rio&quot;\u009d, afirmou o bi&oacute;logo.<\/p>\n<p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao Rio Amazonas, onde habitam cerca de duas mil esp&eacute;cies, no Paran&aacute; se multiplicam cerca de 400, disse Oldani. E este fluxo de &aacute;gua doce &eacute; mais produtivo por unidade do que seu irm&atilde;o maior. &quot;A pesca &eacute; fonte de alimenta&ccedil;&atilde;o de milhares de pescadores, e o sistema tem boa capacidade de recupera&ccedil;&atilde;o, mas os atuais crit&eacute;rios n&atilde;o est&atilde;o funcionando&quot;\u009d, alertou.<\/p>\n<p>Por sua vez, o bi&oacute;logo Claudio Baig&uacute;n declarou que &eacute; &quot;bastante pessimista, porque existe uma conflu&ecirc;ncia de fatores, que para alguns podem ser manejados e para outros n&atilde;o&quot;\u009d. O &quot;regime hidrol&oacute;gico &eacute; desfavor&aacute;vel desde 1998, e isto n&atilde;o se pode manejar&quot;\u009d, acrescentou em conversa com a IPS. Assim se referiu a um prolongado per\u00c3\u00adodo de chuvas escassas, que obrigam as represas da parte alta a reter &aacute;gua e evitar cheias.<\/p>\n<p>O Paran&aacute; come&ccedil;a a subir em novembro e chega ao seu m&aacute;ximo em mar&ccedil;o. Por&eacute;m, este ano ainda n&atilde;o encheu e pode n&atilde;o faz&ecirc;-lo. &quot;Quando h&aacute; menos volume de &aacute;gua, as represas seguram a &aacute;gua e liberam o indispens&aacute;vel, e na parte baixa isso &eacute; sentido&quot;\u009d, explicou Baig&uacute;n, que &eacute; pesquisador do Laborat&oacute;rio de Ecologia e Produ&ccedil;&atilde;o Pesqueira do Instituto Tecnol&oacute;gico Chascom&uacute;s, na prov\u00c3\u00adncia de Buenos Aires.<\/p>\n<p>O bi&oacute;logo explicou que, do ponto de vista ecol&oacute;gico, o melhor &eacute; que um rio transborde periodicamente. &quot;Os moradores dessas regi&otilde;es sabem, salvo casos extraordin&aacute;rios, que a inunda&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; uma trag&eacute;dia, pois convivem com este ciclo natural, e, se n&atilde;o ocorre, isto tem impacto na pesca&quot;\u009d, insistiu.<\/p>\n<p>Como h&aacute; tempos o Paran&aacute; n&atilde;o cresce, o gado bovino, empurrado pela expans&atilde;o da monocultura da soja, se situa em vales do delta do Paran&aacute;, pr&oacute;ximo \u00c3\u00a0 desembocadura no Rio da Prata, e os animais comem talos e folhas, destroem a costa e contaminam a &aacute;gua, advertiu Baig&uacute;n. &quot;A quantidade de bovinos nessa regi&atilde;o passou de 30 mil para 70 mil&quot;\u009d, informou, acrescentando que para proteg&ecirc;-los os produtores levantam barreiras ilegais. Assim, perde-se a liga&ccedil;&atilde;o entre o rio e os vales aluviais, onde o s&aacute;vel e outras esp&eacute;cies se procriam.<\/p>\n<p>&quot;Essas lagoas de cria&ccedil;&atilde;o, isoladas, se perdem como habitat de esp&eacute;cies&quot;\u009d, disse o especialista, que tamb&eacute;m coordena o Programa de Peixes da Wetlands International, organiza&ccedil;&atilde;o ambientalista cuja sede latino-americana fica em Buenos Aires. Baig&uacute;n alertou que a este problema somam-se outros, como o mau manejo da pr&oacute;pria pesca. &quot;N&atilde;o concordo que se exporte peixe de &aacute;gua doce. Isto n&atilde;o beneficia os pescadores nem o meio ambiente&quot;\u009d, assegurou.<\/p>\n<p>Os frigor\u00c3\u00adficos pagam pre&ccedil;os abusivos ao pescador artesanal, que se v&ecirc; obrigado a aumentar a press&atilde;o sobre o recurso, ponderou Baig&uacute;n. &quot;Talvez fosse melhor pescar menos e pagarem mais&quot;\u009d, sugeriu. Sobre a cota de exporta&ccedil;&atilde;o de 16 mil toneladas, Baig&uacute;n comemorou que o governo de Santa F&eacute; tenha decidido ser mais cuidadoso, mas questionou a fixa&ccedil;&atilde;o do limite. &quot;Como se justifica essa quantidade? N&atilde;o se sabe, n&atilde;o h&aacute; informa&ccedil;&atilde;o&quot;\u009d, disse.<\/p>\n<p>O bi&oacute;logo explicou que algumas normas existentes s&atilde;o boas, outras podem melhorar e outras est&atilde;o defasadas. &quot;O Paran&aacute; j&aacute; n&atilde;o &eacute; o dos anos 1980 ou 1990, quando havia cheias regulares e harmonia entre pesca comercial e esportiva&quot;\u009d, contou. Agora, e j&aacute; h&aacute; mais de uma d&eacute;cada, faltam &aacute;gua e peixes, os exemplares perdem tamanho e h&aacute; menos reprodu&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de se intensificarem os conflitos entre pescadores, que se culpam por capturas cada vez mais pobres, finalizou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 13\/02\/2012 &ndash; Um volume menor de &aacute;gua e uma crescente press&atilde;o de capturas no Rio Paran&aacute;, que cruza a Argentina de norte a sul, provocam uma in&eacute;dita redu&ccedil;&atilde;o nesta pesca, considerada a segunda mais diversa da Am&eacute;rica do Sul, depois da amazonense. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/02\/america-latina\/argentina-rio-parana-perde-seu-antigo-vigor\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12],"tags":[],"class_list":["post-9462","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9462","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9462"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9462\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9462"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9462"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9462"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}