{"id":9471,"date":"2012-02-14T08:28:23","date_gmt":"2012-02-14T08:28:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9471"},"modified":"2012-02-14T08:28:23","modified_gmt":"2012-02-14T08:28:23","slug":"reportagem-experimento-maior-decifra-dialogo-entre-selva-amaza%c2%b4nica-e-agua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/02\/america-latina\/reportagem-experimento-maior-decifra-dialogo-entre-selva-amaza%c2%b4nica-e-agua\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Experimento maior decifra di&aacute;logo entre selva amaz\u00c3\u00b4nica e &aacute;gua"},"content":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, Brasil, 14\/02\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- O Experimento em Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amaz&ocirc;nia nasceu da necessidade de se entender e explicar a selva tropical integrando diferentes ci&ecirc;ncias.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9471\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/564_Torre_LBA_cortesia_de_Mario_Bentes.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9471\" class=\"size-medium wp-image-9471\" title=\"Torre de observa&ccedil;&atilde;o cient\u00c3\u00adfica em Boa Vista, capital do Estado de Roraima, fronteiri&ccedil;o com a Venezuela - Cortesia Mario Bentes\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/564_Torre_LBA_cortesia_de_Mario_Bentes.jpg\" alt=\"Torre de observa&ccedil;&atilde;o cient\u00c3\u00adfica em Boa Vista, capital do Estado de Roraima, fronteiri&ccedil;o com a Venezuela - Cortesia Mario Bentes\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9471\" class=\"wp-caption-text\">Torre de observa&ccedil;&atilde;o cient\u00c3\u00adfica em Boa Vista, capital do Estado de Roraima, fronteiri&ccedil;o com a Venezuela - Cortesia Mario Bentes<\/p><\/div>  Havendo altera&ccedil;&atilde;o na rela&ccedil;&atilde;o entre a selva amaz&ocirc;nica e os bilh&otilde;es de metros c&uacute;bicos de &aacute;gua que circulam pelo ar, desde o Oceano Atl&acirc;ntico equatorial at&eacute; os Andes, estar&aacute; em risco a resili&ecirc;ncia deste bioma crucial para o clima do planeta, alerta um experimento de duas d&eacute;cadas. A Amaz&ocirc;nia &eacute; um ser vivo de 6,5 milh&otilde;es de quil&ocirc;metros quadrados, que ocupa metade do territ&oacute;rio do Brasil e parte de outros oito pa\u00c3\u00adses (Bol\u00c3\u00advia, Col&ocirc;mbia, Equador, Guiana Francesa, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela), e abriga a maior reserva de &aacute;gua doce do planeta.<\/p>\n<p>Para entender plenamente esse complexo sistema, cientistas do Brasil e do mundo criaram o Experimento em Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amaz&ocirc;nia (LBA, sigla em ingl&ecirc;s). Ap&oacute;s 20 anos de pesquisas, os dados coletados constituem um alerta. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que participa do experimento, se nos pr&oacute;ximos anos n&atilde;o houver pol\u00c3\u00adticas efetivas para reduzir a emiss&atilde;o de gases causadores do efeito estufa, a Amaz&ocirc;nia chegar&aacute; ao final do S&eacute;culo 21 com 40% menos chuva, com temperaturas m&eacute;dias de at&eacute; oito graus acima do normal.<\/p>\n<p>Isso converteria a Amaz&ocirc;nia em uma fonte emissora de di&oacute;xido de carbono, em lugar de um dep&oacute;sito desse g&aacute;s-estufa. A Ag&ecirc;ncia Internacional de Energia estima que, em 2010, a popula&ccedil;&atilde;o mundial lan&ccedil;ou na atmosfera o recorde de 30,6 gigatoneladas de di&oacute;xido de carbono, principalmente procedente da queima de combust\u00c3\u00adveis f&oacute;sseis. &quot;As pesquisas nos mostram que a floresta tem um grande poder de resili&ecirc;ncia, mas tamb&eacute;m que este poder tem limites&quot;\u009d, disse ao Terram&eacute;rica o f\u00c3\u00adsico Paulo Artaxo, presidente do Comit&ecirc; Cient\u00c3\u00adfico Internacional do LBA.<\/p>\n<p>&quot;Se continuarmos queimando tanto carbono, o cen&aacute;rio clim&aacute;tico para a regi&atilde;o amaz&ocirc;nica ser&aacute; bastante desfavor&aacute;vel a qualquer resili&ecirc;ncia que a selva possa desenvolver. Dificilmente sobreviver&aacute; a um estresse clim&aacute;tico t&atilde;o grande&quot;\u009d, acrescentou Paulo. Para a coleta de dados o LBA contou, entre outros instrumentos, com 13 torres de 40 a 55 metros de altura, instaladas em diferentes pontos da selva, para medir o fluxo de gases, o funcionamento das propriedades b&aacute;sicas do ecossistema, a radia&ccedil;&atilde;o e muitos outros par&acirc;metros ambientais. A informa&ccedil;&atilde;o coletada &eacute; analisada por cientistas de v&aacute;rias &aacute;reas, com a finalidade de entender a selva como um sistema interrelacionado.<\/p>\n<p>&quot;A percep&ccedil;&atilde;o da comunidade cient\u00c3\u00adfica, de que os estudos individuais ou disciplinares n&atilde;o eram competentes para explicar a Amaz&ocirc;nia, levou ao LBA. Percebia que era necess&aacute;rio um esfor&ccedil;o integrado para explicar a floresta tropical, a partir das ci&ecirc;ncias f\u00c3\u00adsicas, qu\u00c3\u00admicas, biol&oacute;gicas e humanas, e tamb&eacute;m da rela&ccedil;&atilde;o entre elas&quot;\u009d, disse ao Terram&eacute;rica o engenheiro agr&ocirc;nomo Ant&ocirc;nio Nobre, destacado cientista que tamb&eacute;m integra o LBA. &quot;Quando comecei os estudos no LBA, minha parte principal no projeto era o carbono. Mas o carbono sem &aacute;gua fica seco e a floresta pega fogo. Se n&atilde;o h&aacute; transpira&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o h&aacute; sequestro de carbono, porque n&atilde;o ocorre a fotoss\u00c3\u00adntese. Percebi que o ciclo da &aacute;gua e o do carbono s&atilde;o insepar&aacute;veis&quot;\u009d, afirmou Ant&ocirc;nio.<\/p>\n<p>Essa an&aacute;lise integrada demonstrou que a Amaz&ocirc;nia est&aacute; absorvendo uma pequena quantidade de di&oacute;xido de carbono da atmosfera, estimada em meia tonelada por hectare ao ano. Contudo, esta fixa&ccedil;&atilde;o varia muito por regi&atilde;o, segundo o grau das altera&ccedil;&otilde;es ambientais. Em &aacute;reas pr&oacute;ximas a lugares onde a a&ccedil;&atilde;o humana causou uma degrada&ccedil;&atilde;o significativa, a absor&ccedil;&atilde;o diminui, e a Amaz&ocirc;nia, em lugar de incorporar carbono, o emite.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, a absor&ccedil;&atilde;o de di&oacute;xido de carbono enfrenta &quot;as emiss&otilde;es causadas pelo desmatamento e pelas queimadas&quot;\u009d provocadas para expandir a agricultura, destacou Paulo. Como nos &uacute;ltimos anos as queimadas diminu\u00c3\u00adram drasticamente, de 27 mil quil&ocirc;metros quadrados em 2005 para cerca de sete mil quil&ocirc;metros quadrados em 2010, &quot;hoje a selva tem como caracter\u00c3\u00adstica predominante a absor&ccedil;&atilde;o&quot;\u009d, explicou. Por&eacute;m, com as mudan&ccedil;as causadas pelo efeito estufa e o aquecimento da selva, a esta&ccedil;&atilde;o seca tende a aumentar, criando um cen&aacute;rio prop\u00c3\u00adcio para mais inc&ecirc;ndios e mais emiss&otilde;es de di&oacute;xido de carbono.<\/p>\n<p>Segundo Paulo, &quot;o lan&ccedil;amento na atmosfera de part\u00c3\u00adculas s&oacute;lidas pelas queimadas altera a microf\u00c3\u00adsica das nuvens e o regime de precipita&ccedil;&otilde;es. Em um dos estudos do experimento se constatou que o aumento das queimadas em Rond&ocirc;nia estende de duas a tr&ecirc;s semanas a esta&ccedil;&atilde;o seca, retroalimentando a incid&ecirc;ncia das queimadas e piorando ainda mais seu efeito sobre o funcionamento do ecossistema&quot;\u009d. Na &quot;muito severa&quot;\u009d seca de 2005, &quot;a Amaz&ocirc;nia perdeu muito carbono&quot;\u009d, contou Paulo. Em uma situa&ccedil;&atilde;o de &quot;grandes secas&quot;\u009d mais frequentes, &eacute; poss\u00c3\u00advel que a selva se converta em &quot;emissora de di&oacute;xido de carbono e deixe de cumprir um importante servi&ccedil;o ambiental&quot;\u009d, alertou.<\/p>\n<p>A extens&atilde;o da temporada seca causa outro fen&ocirc;meno, a emiss&atilde;o de carbono dos rios, que tamb&eacute;m foi estudado no LBA. &quot;Os cursos de &aacute;gua de pequeno e m&eacute;dio portes emitem quantidades significativas de g&aacute;s. Ocorre o que chamo evas&atilde;o de di&oacute;xido de carbono dos corpos aqu&aacute;ticos, e isto acontece porque a maior parte desses rios est&aacute; saturada de carbono dissolvido na &aacute;gua&quot;\u009d, afirmou Paulo. Com o passar do tempo, este carbono &quot;&eacute; lan&ccedil;ado na atmosfera em quantidades bastante significativas. Todos os fen&ocirc;menos que alteram o ecossistema amaz&ocirc;nico t&ecirc;m um forte impacto na evas&atilde;o de gases dos rios. Com o aumento da temperatura, aumenta a emiss&atilde;o de g&aacute;s&quot;\u009d, acrescentou.<\/p>\n<p>Para ilustrar as consequ&ecirc;ncias que um desequil\u00c3\u00adbrio da Amaz&ocirc;nia poderia acarretar ao clima mundial, Ant&ocirc;nio citou a pesquisa que se popularizou com o nome de &quot;rios voadores&quot;\u009d, iniciada na d&eacute;cada de 1970 e convertida em um projeto consolidado desde 2007. &quot;Descobrimos que a a&ccedil;&atilde;o do Sol sobre a regi&atilde;o equatorial do Oceano Atl&acirc;ntico evapora grande quantidade de &aacute;gua. Esta umidade &eacute; transportada pelos ventos para o norte do Brasil. S&atilde;o cerca de dez bilh&otilde;es de metros c&uacute;bicos de &aacute;gua por ano, que chegam \u00c3\u00a0 Amaz&ocirc;nia em forma de vapor. Parte cai como chuva, e parte segue at&eacute; encontrar a muralha da Cordilheira dos Andes&quot;\u009d, descreveu Ant&ocirc;nio.<\/p>\n<p>Na regi&atilde;o andina, o vapor cai como neve e, ao derreter, &quot;alimenta os rios da bacia amaz&ocirc;nica. A maior parte da chuva que cai sobre a floresta volta a evaporar&quot;\u009d, esclareceu Ant&ocirc;nio. Esta umidade flutua sobre Bol\u00c3\u00advia, Paraguai e os Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, no oeste; Minas Gerais, no leste; S&atilde;o Paulo no sudeste e inclusive at&eacute; Paran&aacute;, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, no sul. &quot;E leva a maior parte das chuvas para todas essas regi&otilde;es&quot;\u009d, explicou. A seca da Amaz&ocirc;nia prejudicaria esse rio a&eacute;reo e &quot;o ciclo de chuvas nessas regi&otilde;es, que s&atilde;o muito ricas em agricultura&quot;\u009d, alertou Ant&ocirc;nio.<\/p>\n<p>O LBA &eacute; hoje um programa do Minist&eacute;rio de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz&ocirc;nia, com apoio de outras entidades. Seus pesquisadores est&atilde;o ampliando esse trabalho para outras &aacute;reas, como os sistemas agropastoris e o comportamento do di&oacute;xido de carbono nas planta&ccedil;&otilde;es de soja. &quot;Temos um trabalho enorme pela frente para compreender os processos naturais e o que os humanos fazem quanto \u00c3\u00a0 altera&ccedil;&atilde;o dos ecossistemas&quot;\u009d, concluiu Paulo.<\/p>\n<p>* A autora &eacute; colaboradora do Terram&eacute;rica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, Brasil, 14\/02\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- O Experimento em Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amaz&ocirc;nia nasceu da necessidade de se entender e explicar a selva tropical integrando diferentes ci&ecirc;ncias. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/02\/america-latina\/reportagem-experimento-maior-decifra-dialogo-entre-selva-amaza%c2%b4nica-e-agua\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":994,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5],"tags":[21],"class_list":["post-9471","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9471","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/994"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9471"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9471\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9471"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9471"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9471"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}