{"id":9479,"date":"2012-02-15T01:08:29","date_gmt":"2012-02-15T01:08:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9479"},"modified":"2012-02-15T01:08:29","modified_gmt":"2012-02-15T01:08:29","slug":"uganda-usar-uma-radio-comunitaria-depois-da-guerra-de-kony","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/02\/africa\/uganda-usar-uma-radio-comunitaria-depois-da-guerra-de-kony\/","title":{"rendered":"UGANDA: Usar uma r&aacute;dio comunit&aacute;ria depois da guerra de Kony"},"content":{"rendered":"<p>GULU, Uganda,, 15\/02\/2012 &ndash; A torre de transmiss&atilde;o em FM da R&aacute;dio Mega eleva-se do centro da cidade de Gulu, transmitindo debates e as &uacute;ltimas m&uacute;sicas mais populares para os ouvintes em todo o distrito. Mas tamb&eacute;m funciona como mem&oacute;ria informal do esfor&ccedil;os de paz efectuados pela r&aacute;dio durante a destrui&ccedil;&atilde;o causada pelo Ex&eacute;rcito de Resist&ecirc;ncia do Senhor (LRA) no norte do Uganda. <!--more--> O LRA iniciou a sua guerra contra o governo do Uganda em 1987. Em meados dos anos 90, o comandante do LRA, Joseph Kony, atacou o seu pr&oacute;prio povo, os Acholi. Os seus combatentes mataram milhares de alde&otilde;es, raptaram e recrutaram milhares de crian&ccedil;as para o seu ex&eacute;rcito e levaram \u00c3\u00a0 fuga de cerca de dois milh&otilde;es de pessoas para o campo para Deslocados Internos. Os l\u00c3\u00adderes Acholi e funcion&aacute;rios das ONG, respons&aacute;veis por comunicarem com uma popula&ccedil;&atilde;o em estado ca&oacute;tico com uma baixa taxa de alfabetiza&ccedil;&atilde;o e elevada pobreza, precisavam de uma forma de come&ccedil;ar a reorganizar as comunidades e a falar com os rebeldes acerca da paz e reconcilia&ccedil;&atilde;o. As esta&ccedil;&otilde;es da r&aacute;dio em Gulu &quot;\u201c o cora&ccedil;&atilde;o da Acholil&acirc;ndia &quot;\u201c tornaram-se o eixo condutor desses esfor&ccedil;os. Viraram-se para a r&aacute;dio porque &quot;pode chegar aos lugares mais long\u00c3\u00adnquos,&quot;\u009d disse Arthur Owor, director da Associa&ccedil;&atilde;o dos Meios de Comunica&ccedil;&atilde;o Social do Norte do Uganda, sediada em Gulu. Com um auscultador e uma bateria, os locutores podiam comunicar com dezenas de pessoas. &quot;Os retornos l\u00c3\u00adquidos eram muito elevados em termos da mensagem,&quot;\u009d disse. Nalgumas esta&ccedil;&otilde;es locais como a Mega, que existiam no in\u00c3\u00adcio dos anos 2000, a programa&ccedil;&atilde;o era usada para envolver os rebeldes num di&aacute;logo de paz, e proporcionar um f&oacute;rum para as comunidades come&ccedil;arem a discutir a tem&aacute;tica da justi&ccedil;a e para os membros da fam\u00c3\u00adlias suplicarem aos seus filhos raptados que fugissem do LRA e regressassem a casa. Okema Lazech Santo &eacute; o coordenador de programas de Ker Kwaro Acholi, uma organiza&ccedil;&atilde;o de l\u00c3\u00adderes Acholi, que se descreve a si pr&oacute;prio como estando &quot;no centro&quot;\u009d da guerra e dos esfor&ccedil;os de reconstru&ccedil;&atilde;o. Refere que a r&aacute;dio era &quot;&uacute;til para mobilizar as pessoas. Era &uacute;til para apelar aos que tinham sido raptados que regressassem a casa&#8230; A &uacute;nica ferramenta que realmente funcionava de forma eficaz para trazer a paz ao norte do Uganda.&quot;\u009d Os membros da fraternidade da r&aacute;dio do norte do Uganda assumem o seu papel de construtores da paz de forma muito s&eacute;ria. Frequentemente contrastam a resposta ao conflito na sua comunidade ao genoc\u00c3\u00addio no Ruanda, onde a r&aacute;dio foi usada para incitar ao assassinato. A Mega, que foi fundada em 2002 e rapidamente contou com o apoio do governo do Uganda e do Departamento Brit&acirc;nico para o Desenvolvimento Internacional, foi criada &quot;com a finalidade de ajudar a acabar com o conflito na regi&atilde;o,&quot;\u009d de acordo com Nicky Afa-Ei, o funcion&aacute;rio respons&aacute;vel pelos programas na esta&ccedil;&atilde;o. Trabalha na esta&ccedil;&atilde;o desde o seu in\u00c3\u00adcio. A mensagem principal da Mega era que a regi&atilde;o queria paz. E o p&uacute;blico-alvo n&atilde;o era necessariamente a comunidade mas antes os rebeldes que &quot;tinham os seus pr&oacute;prios auscultadores&quot;\u009d e que recebiam as transmiss&otilde;es da esta&ccedil;&atilde;o, refere Afa-Ei. A Mega criou programas para discutir a amnistia e a justi&ccedil;a tradicional, por vezes com o apoio das ONG, convidando as pessoas de &quot;todos os quadrantes&quot;\u009d a gravarem mensagens de paz: l\u00c3\u00adderes tradicionais, pais e mesmo alunos. E a Mega encontrou o seu p&uacute;blico. Um dia, no auge do conflito em Dezembro de 2002 &quot;\u201c dois meses depois das esta&ccedil;&otilde;es terem come&ccedil;ado a transmitir &quot;\u201c Afa-Ei estava a orientar um programa de entrevistas quando recebeu uma chamada do pr&oacute;prio Kony. &quot;Foi a\u00c3\u00ad que as pessoas ouviram a sua voz pela primeira vez depois de muito, muito tempo,&quot;\u009d disse Afa-Ei. &quot;Falou de forma cordial mas culpou o governo a certo momento, dizendo que n&atilde;o estava a ser realista.&quot;\u009d A conversa iniciou um comportamento pr&oacute;prio de Kony e os seus subalternos que usavam as esta&ccedil;&otilde;es de r&aacute;dio locais para comunicarem com funcion&aacute;rios &quot;\u201c e directamente com as pessoas &quot;\u201c at&eacute; que o governo considerou que os comunicados rebeldes se estavam a tornar em propaganda e recusou autorizar as esta&ccedil;&otilde;es de r&aacute;dio de emitirem entrevistas sem estar presente um representante oficial. O programa emblem&aacute;tico da Mega &quot;Regressa a Casa&quot;\u009d &quot;\u201c Dwag Paco na l\u00c3\u00adngua Luo local &quot;\u201c ainda &eacute; referido de forma respeitosa pela comunidade, mesmo pelos funcion&aacute;rios das esta&ccedil;&otilde;es rivais. O programa tentou ultrapassar a propaganda do LRA e encorajar as crian&ccedil;as que tinham sido recrutadas \u00c3\u00a0 for&ccedil;a a regressar \u00c3\u00a0s suas aldeias. O anfitri&atilde;o do programa, John Lacambel, trouxe antigas crian&ccedil;as-soldado ao programa para descreverem o seu regresso, a fim de contrariar a afirma&ccedil;&atilde;o do LRA de que seriam mortas se regressassem \u00c3\u00a0s suas fam\u00c3\u00adlias. Dwag Paco foi fundamental para os esfor&ccedil;os de reconcilia&ccedil;&atilde;o na regi&atilde;o, afirmou Santo. Fez &quot;com que muitos dos rebeldes desertassem, tendo depois regressado a casa.&quot;\u009d Agora o Norte &quot;\u201c especialmente Gulu &quot;\u201c est&aacute; a come&ccedil;ar uma fase de expans&atilde;o. O fim das hostilidades &quot;\u201c resultado de conversa&ccedil;&otilde;es de paz inconsistentes e do esfor&ccedil;o envidado pelas for&ccedil;as do Uganda em 2008 &quot;\u201c assim como a migra&ccedil;&atilde;o das pessoas dos campos de Deslocados Internos de regresso \u00c3\u00a0s aldeias abriram caminho para a renova&ccedil;&atilde;o de infraestruturas e novos neg&oacute;cios. A torre da r&aacute;dio Mega j&aacute; n&atilde;o chama a aten&ccedil;&atilde;o numa linha do horizonte congestionada por bancos reluzentes, hot&eacute;is e mercearias. Outras sete esta&ccedil;&otilde;es de r&aacute;dio comunit&aacute;rias est&atilde;o igualmente em funcionamento. &quot;Estamos agora ocupados com o processo de recupera&ccedil;&atilde;o e estabilidade,&quot;\u009d afimou Qswor. Isso significa que as esta&ccedil;&otilde;es de r&aacute;dio tamb&eacute;m viram o seu papel alterar-se por forma a ajudar a reconstru&ccedil;&atilde;o e o entretenimento de Guku. Em vez de programas das ONG, h&aacute; agora mais programas de entrevistas na televis&atilde;o e programas de not\u00c3\u00adcias regionais. Os programas de m&uacute;sica com telefonemas por parte p&uacute;blico preenchem a hora do almo&ccedil;o. Mas a programa&ccedil;&atilde;o continua a lidar principalmente com as repercuss&otilde;es da guerra, afirmou Willy Chowoo, locutor na r&aacute;dio Choice FM. Isso inclui a quest&atilde;o da amnistia para os soldados que regressam. Uma das pr&aacute;ticas mais horr\u00c3\u00adveis do LRA era obrigar os soldados a regressar \u00c3\u00a0s suas comunidades para pilhar, raptar e assassinar. Estes actos ajudavam a romper os la&ccedil;os entre os soldados e as suas comunidades. Sem local para onde pudessem regressar, os soldados ficavam mais firmemente presos ao ex&eacute;rcito. Ma,s com o LRA em fuga, alguns dos rebeldes &quot;\u201c muitos dos quais foram v\u00c3\u00adtimas de raptos quando crian&ccedil;as &quot;\u201c est&atilde;o a regressar gradualmente \u00c3\u00a0s suas aldeias. Os dramas gravados previamente criam situa&ccedil;&otilde;es onde as aldeias s&atilde;o confrontadas com a quest&atilde;o de como lidar com o problema. A mensagem, afirmou Chowoo, &eacute; &quot;que n&atilde;o se deve retaliar. As pessoas n&atilde;o devem vingar-se. E as pessoas n&atilde;o devem responder ao pior com algo negativo.&quot;\u009d O trabalho que as esta&ccedil;&otilde;es est&atilde;o a fazer ajusta-se perfeitamente \u00c3\u00a0 quarta das quatro interven&ccedil;&otilde;es &quot;\u201c a reintegra&ccedil;&atilde;o de antigos rebeldes &quot;\u201c que o Presidente Barack Obama j&aacute; tinha planeado para a regi&atilde;o antes do envio da tropas americanas para ajudar a ca&ccedil;ar Kony no in\u00c3\u00adcio do ano. Tamb&eacute;m h&aacute; as quest&otilde;es do confisco das terras \u00c3\u00a0 medida que as pessoas regressam dos campos de Deslocados Internos, para descobrir que as suas casas foram ocupadas por outras pessoas, assim como da seguran&ccedil;a alimentar na comunidade que durante muito tempo foi provida pelas ONG e dos cuidados de sa&uacute;de b&aacute;sicos devido \u00c3\u00a0 falta de infraestruturas. Os l\u00c3\u00adderes tradicionais e os membros da comunidade discutem estes problemas em debates p&uacute;blicos, com especialistas a oferecerem solu&ccedil;&otilde;es durante os programas educativos. Embora os Ugandeses do norte sejam constantemente confrontados com o legado do passado, Afa-Ei disse que as esta&ccedil;&otilde;es de r&aacute;dio comunit&aacute;rias est&atilde;o a tentar &quot;construir um caminho para o futuro.&quot;\u009d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GULU, Uganda,, 15\/02\/2012 &ndash; A torre de transmiss&atilde;o em FM da R&aacute;dio Mega eleva-se do centro da cidade de Gulu, transmitindo debates e as &uacute;ltimas m&uacute;sicas mais populares para os ouvintes em todo o distrito. 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