{"id":948,"date":"2005-08-29T00:00:00","date_gmt":"2005-08-29T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=948"},"modified":"2005-08-29T00:00:00","modified_gmt":"2005-08-29T00:00:00","slug":"desenvolvimento-o-abismo-da-desigualdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/08\/mundo\/desenvolvimento-o-abismo-da-desigualdade\/","title":{"rendered":"Desenvolvimento: O abismo da desigualdade"},"content":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 29\/08\/2005 &ndash; Apesar do crescimento econ&ocirc;mico sem precedentes dos &uacute;ltimos anos, os ricos enriqueceram e os pobre empobreceram, alertou a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas em um estudo que confirma as dificuldades sofridas pelas mulheres a respeito dos homens em todos os aspectos. O relat&oacute;rio &quot;Situa&ccedil;&atilde;o social mundial 2005: O gradua&ccedil;&atilde;o desigual&quot; foi divulgado na quinta-feira, tr&ecirc;s semanas antes da c&uacute;pula da ONU para resolver mecanismos contra a pobreza, a fome, a doen&ccedil;a e o analfabetismo. O documento se concentra no abismo entre economias formais e informais e entre trabalhadores treinados e aqueles sem capacidade, bem como as existentes em mat&eacute;ria de acesso &agrave; sa&uacute;de e &agrave; educa&ccedil;&atilde;o e de oportunidades de participa&ccedil;&atilde;o social, econ&ocirc;mica e pol&iacute;tica.<br \/> <!--more--> <br \/> Seus autores deram o alerta sobre a &quot;persistente e crescente&quot; desigualdade existente entre pa&iacute;ses e habitantes de uma mesma na&ccedil;&atilde;o. Segundo o estudo, o mundo est&aacute; mais polarizado hoje do que h&aacute; 10 anos e se necessita urgentemente de um compromisso mais profundo para cumprir os compromissos estabelecidos pelos chefes de Estado e de governo na C&uacute;pula sobre Desenvolvimento Social realizada em 1995 em Copenhague. Nessa reuni&atilde;o os l&iacute;deres prometeram enfrentar os intensos desafios sociais e colocar o ser humano no centro das pol&iacute;ticas de desenvolvimento. &quot;Mas as brechas sociais de algumas d&eacute;cadas de antiguidade aumentaram, particularmente as disparidades de g&ecirc;nero&quot;, uma das &quot;mais profundas&quot; formas de discrimina&ccedil;&atilde;o, disse ao apresentar o estudo Jos&eacute; Antonio Ocampo, subsecret&aacute;rio-geral da ONU encarregado do Departamento de Assuntos Sociais e Econ&ocirc;micos.<\/p>\n<p> Sessenta por cento dos trabalhadores informais do mundo s&atilde;o mulheres e carecem de prote&ccedil;&atilde;o legal, observou Ocampo. &quot;&Eacute; uma propor&ccedil;&atilde;o muito alta, j&aacute; que as mulheres t&ecirc;m menor participa&ccedil;&atilde;o na for&ccedil;a de trabalho do que os homens&quot;, explicou. Embora cada vez mais mulheres e meninas recebam educa&ccedil;&atilde;o, as participantes femininas no mercado formal de empregou ficou estagnada ou ent&atilde;o caiu em algumas regi&otilde;es do mundo, disse Ocampo. E a crescente participa&ccedil;&atilde;o das mulheres no setor informal torna a situa&ccedil;&atilde;o &quot;ainda mais problem&aacute;tica&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> O relat&oacute;rio de 158 p&aacute;ginas indica que a desigualdade entre pa&iacute;ses e dentro destes acompanha o processo de globaliza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica. Essas desigualdades tiveram conseq&uuml;&ecirc;ncias negativas em muitos indicadores, inclu&iacute;do emprego, seguran&ccedil;a no trabalho e sal&aacute;rios. &quot;Ignorar a diferen&ccedil;a em favor do crescimento e na gera&ccedil;&atilde;o de renda como estrat&eacute;gia de desenvolvimento &eacute; ineficaz, pois leva ao ac&uacute;mulo de riqueza nas m&atilde;os de uns poucos e aprofunda a pobreza de muitos&quot;, adverte. Em um mundo de crescente desenvolvimento e avan&ccedil;o econ&ocirc;mico que deveria beneficiar as sociedades, muitas enfrentam &quot;alarmantes aumentos&quot; na brecha entre ricos e pobres, segundo o documento.<\/p>\n<p> A tend&ecirc;ncia se constata, inclusive, em pa&iacute;ses relativamente ricos como Estados Unidos, Canad&aacute; e Gr&atilde;-Bretanha. China e &Iacute;ndia, os pa&iacute;ses mais povoados da &Aacute;sia e do mundo, alcan&ccedil;aram nos &uacute;ltimos anos um consider&aacute;vel crescimento econ&ocirc;mico, mas n&atilde;o conseguiram atacar a iniq&uuml;idade. Semelhantes padr&otilde;es de distribui&ccedil;&atilde;o de renda s&atilde;o detectados na &Aacute;sia, Am&eacute;rica Latina e &Aacute;frica. Segundo o documento, apenas na &Aacute;frica subsaariana a popula&ccedil;&atilde;o pobre aumentou 90 milh&otilde;es de pessoas entre 1990 e 2001. Na Am&eacute;rica Latina, o desemprego cresceu de quase 7% em 1995 para 9% em 2002, com muitos trabalhadores obrigados a passar para o setor informal, onde as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho s&atilde;o &quot;freq&uuml;entemente desumanas&quot; e &quot;os sal&aacute;rios s&atilde;o baixos&quot;.<\/p>\n<p> O estudo sugere que em pa&iacute;ses como Brasil, Guatemala e Bol&iacute;via, o fato de pertencer a determinadas ra&ccedil;as e etnias continua sendo um fator determinante das oportunidades econ&ocirc;micas. Ind&iacute;genas e negros ganham, em m&eacute;dia, sal&aacute;rio entre 35% e 65% menores do que os dos brancos e t&ecirc;m menos possibilidades de acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o e moradia, segundo o informe. Os autores do estudo recomendam um ajuste das assimetrias econ&ocirc;micas n&atilde;o apenas entre as na&ccedil;&otilde;es, mas tamb&eacute;m dentro delas. Oitenta por cento do produto interno bruto mundial pertencem a um bilh&atilde;o de habitantes do norte industrial, enquanto os 20% restantes s&atilde;o compartilhados por cinco bilh&otilde;es do Sul em desenvolvimento.<\/p>\n<p> Preocupado com o ritmo do avan&ccedil;o para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, o secret&aacute;rio-geral da ONU, Kofi Annan, pediu urg&ecirc;ncia &agrave;s na&ccedil;&otilde;es ricas para cumprirem o compromisso de destinar pelo menos 0,7% de seu PIB &agrave; ajuda oficial ao desenvolvimento dos pa&iacute;ses do Sul. O assunto &eacute; motivo de controv&eacute;rsia nas negocia&ccedil;&otilde;es para reda&ccedil;&atilde;o do rascunho de declara&ccedil;&atilde;o da c&uacute;pula que acontecer&aacute; em setembro, por ocasi&atilde;o da abertura da sess&atilde;o anual da Assembl&eacute;ia Geral da ONU. Os Estados Unidos manifestaram fortes reservas em rela&ccedil;&atilde;o a esse documento no qual se avalia o cumprimento das metas do mil&ecirc;nio, cinco anos depois de estabelecidas em uma reuni&atilde;o semelhante de chefes de Estado e de governo na sede da ONU em Nova York.<\/p>\n<p> Washington apresentou mais de 750 emendas ao rascunho, que se fossem aceitas eliminariam novos compromissos de ajuda a pa&iacute;ses pobres e introduziriam um enfoque voltado para a seguran&ccedil;a e a luta contra o terrorismo. Com as metas do mil&ecirc;nio da ONU, adotadas em setembro de 2000 por 189 chefes de Estado e de governo, tanto os pa&iacute;ses ricos quanto pobres assumiram o compromisso de reduzir pela metade a popula&ccedil;&atilde;o pobre e faminta do mundo, conseguir o ensino prim&aacute;rio universal e promover a igualdade de g&ecirc;nero e a autonomia da mulher.<\/p>\n<p> Os oito desafios assumidos pelos governantes se completam com a redu&ccedil;&atilde;o da mortalidade infantil, melhorar a sa&uacute;de materna, combater o v&iacute;rus da defici&ecirc;ncia imunol&oacute;gica adquirida (aids), a mal&aacute;ria e outras doen&ccedil;as, garantir a sustentabilidade do meio ambiente e fomentar uma associa&ccedil;&atilde;o mundial para o desenvolvimento. Quase todos os objetivos espec&iacute;ficos devem ser cumpridos antes de 2015 e t&ecirc;m como refer&ecirc;ncia os n&iacute;veis de 1990. &quot;O governo norte-americano chamou a atacar qualquer men&ccedil;&atilde;o &agrave;s metas do mil&ecirc;nio e a administra&ccedil;&atilde;o se queixou publicamente de que a parte sobre pobreza do documento &eacute; muito longa&quot;, informou o jornal The Washington Post na semana passada. O documento da ONU indica que o crescente abismo entre ricos e pobres representa uma grande amea&ccedil;a &agrave;s democracias de todo o mundo, pois incentiva a viol&ecirc;ncia e o terror se a tend&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; revertida. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 29\/08\/2005 &ndash; Apesar do crescimento econ&ocirc;mico sem precedentes dos &uacute;ltimos anos, os ricos enriqueceram e os pobre empobreceram, alertou a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas em um estudo que confirma as dificuldades sofridas pelas mulheres a respeito dos homens em todos os aspectos. O relat&oacute;rio &quot;Situa&ccedil;&atilde;o social mundial 2005: O gradua&ccedil;&atilde;o desigual&quot; foi divulgado na quinta-feira, tr&ecirc;s semanas antes da c&uacute;pula da ONU para resolver mecanismos contra a pobreza, a fome, a doen&ccedil;a e o analfabetismo. O documento se concentra no abismo entre economias formais e informais e entre trabalhadores treinados e aqueles sem capacidade, bem como as existentes em mat&eacute;ria de acesso &agrave; sa&uacute;de e &agrave; educa&ccedil;&atilde;o e de oportunidades de participa&ccedil;&atilde;o social, econ&ocirc;mica e pol&iacute;tica.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/08\/mundo\/desenvolvimento-o-abismo-da-desigualdade\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":87,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-948","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/948","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/87"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=948"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/948\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=948"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=948"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=948"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}