{"id":9487,"date":"2012-02-16T13:11:08","date_gmt":"2012-02-16T13:11:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9487"},"modified":"2012-02-16T13:11:08","modified_gmt":"2012-02-16T13:11:08","slug":"aeoeano-catastra%c2%b3ficoae%c2%9d-para-o-sahel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/02\/africa\/aeoeano-catastra%c2%b3ficoae%c2%9d-para-o-sahel\/","title":{"rendered":"\u00e2\u20ac\u0153Ano catastr\u00c3\u00b3fico\u00e2\u20ac\u009d para o Sahel"},"content":{"rendered":"<p>Ouakchott, Maurit\u00c3\u00a2nia, 16\/02\/2012 &ndash; Sete dos oito pa\u00c3\u00adses do Sahel, zona &aacute;rida africana entre o Deserto do Saara e as savanas do Sud&atilde;o, deram o passo sem precedentes de se declararem em emerg&ecirc;ncia: 12 milh&otilde;es de pessoas na regi&atilde;o est&atilde;o amea&ccedil;adas pela fome. Burkina Faso, Chade, Mali, Maurit&acirc;nia, N\u00c3\u00adger, Camar&otilde;es e Nig&eacute;ria pediram ajuda.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9487\" style=\"width: 143px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/africa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9487\" class=\"size-medium wp-image-9487\" title=\"Secas recorrentes destroem o Sahel. - Kristin Palitza\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/africa.jpg\" alt=\"Secas recorrentes destroem o Sahel. - Kristin Palitza\/IPS\" width=\"133\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9487\" class=\"wp-caption-text\">Secas recorrentes destroem o Sahel. - Kristin Palitza\/IPS<\/p><\/div>  O Senegal, que realizar&aacute; elei&ccedil;&otilde;es presidenciais no final deste m&ecirc;s, n&atilde;o o fez, em boa parte por raz&otilde;es pol\u00c3\u00adticas.<\/p>\n<p>&quot;&Eacute; ano catastr&oacute;fico. A seca &eacute; severa. Precisamos de uma urgente interven&ccedil;&atilde;o para prevenir a epidemia de fome&quot;\u009d, alertou Ahmed Weddady, diretor nacional do Minist&eacute;rio de \u00c3\u0081gua e Saneamento da Maurit&acirc;nia, pa\u00c3\u00ads com menor quantidade de &aacute;gua pot&aacute;vel do mundo e que sofreu a pior escassez de colheitas na regi&atilde;o. Um ter&ccedil;o de sua popula&ccedil;&atilde;o, de 3,1 milh&otilde;es de habitantes, j&aacute; sofre uma severa inseguran&ccedil;a alimentar.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s uma seca destruir a maioria dos cultivos no Sahel, no final do ano passado, as popula&ccedil;&otilde;es rurais em toda a regi&atilde;o come&ccedil;aram a ficar sem alimento h&aacute; algumas semanas, quando faltam seis meses para as pr&oacute;ximas colheitas. Contudo, as na&ccedil;&otilde;es ricas do mundo, afetadas pela crise financeira e por terem gasto milh&otilde;es de d&oacute;lares em ajuda de emerg&ecirc;ncia durante a fome do ano passado na Som&aacute;lia, agora demoram em atender ao chamado.<\/p>\n<p>At&eacute; agora foi comprometida apenas metade dos US$ 650 milh&otilde;es que a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) necessita. Outras ag&ecirc;ncias de ajuda informaram que est&atilde;o igualmente carentes de fundos. Quanto mais os doadores demorarem, mais vidas ser&atilde;o perdidas e mais cara ficar&aacute; a assist&ecirc;ncia, alertou Jos&eacute; Luis Fern&aacute;ndez, coordenador regional de emerg&ecirc;ncias da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Alimenta&ccedil;&atilde;o e a Agricultura (FAO). &quot;&Eacute; a li&ccedil;&atilde;o que aprendemos na Som&aacute;lia. N&atilde;o temos tempo a perder. Precisamos mobilizar apoio agora&quot;\u009d, ressaltou.<\/p>\n<p>Custa entre dez e 20 vezes mais enviar alimentos por ar a uma &aacute;rea afetada do que por mar. Al&eacute;m disso, s&atilde;o necess&aacute;rios US$ 80 por dia para atender crian&ccedil;as desnutridas, enquanto &eacute; necess&aacute;rio apenas US$ 1 por dia para tomar medidas que impe&ccedil;am os menores de ca\u00c3\u00adrem nesse estado, por meio de programas de desenvolvimento. Justamente, o problema no Sahel &eacute; que esses programas de longo prazo quase n&atilde;o existem. A regi&atilde;o sofre secas c\u00c3\u00adclicas que afetam a capacidade de resist&ecirc;ncia da popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Mesmo em um ano &quot;normal&quot;\u009d, metade dos menores de cinco anos, os mais vulner&aacute;veis, sofre desnutri&ccedil;&atilde;o cr&ocirc;nica. Isto significa que a dist&acirc;ncia para a fome plena &eacute; muito curta. Os efeitos da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, o crescimento populacional, a pobreza aguda, o limitado acesso aos servi&ccedil;os b&aacute;sicos, a mudan&ccedil;a dos padr&otilde;es migrat&oacute;rios, a m&aacute; governan&ccedil;a, a competi&ccedil;&atilde;o pelos escassos recursos e os conflitos b&eacute;licos s&atilde;o problemas que se intensificaram em uma regi&atilde;o onde a maioria de seus habitantes depende da agricultura e do gado para sobreviver.<\/p>\n<p>&Eacute; por isto que especialistas em desenvolvimento destacam o fato de a ajuda de emerg&ecirc;ncia s&oacute; poder ser &uacute;til ao Sahel no curto prazo, e que s&atilde;o necess&aacute;rios planos estruturais de longo alcance para que a regi&atilde;o gere resist&ecirc;ncia \u00c3\u00a0s secas. &quot;Esses programas deveriam incluir investimentos no desenvolvimento agr\u00c3\u00adcola, na prote&ccedil;&atilde;o social e nos servi&ccedil;os de sa&uacute;de, na &aacute;gua e no saneamento, bem com na adapta&ccedil;&atilde;o \u00c3\u00a0 mudan&ccedil;a clim&aacute;tica&quot;\u009d, disse Johannes Schoors, diretor da organiza&ccedil;&atilde;o internacional de ajuda Care para o N\u00c3\u00adger, onde cada vez mais pessoas s&atilde;o arrastadas para a fome devido \u00c3\u00a0 seca.<\/p>\n<p>Mesmo se fossem comprometidos todos os fundos necess&aacute;rios, estender a ajuda humanit&aacute;ria seria dif\u00c3\u00adcil e complexo. O Sahel &eacute; uma regi&atilde;o vasta e desconectada, com muitas aldeias em lugares isolados, por isto ser&aacute; um pesadelo log\u00c3\u00adstico distribuir alimentos e outros suprimentos. &quot;Como as pessoas vivem dispersas, a log\u00c3\u00adstica &eacute; complicada e cara. As dist&acirc;ncias para alcan&ccedil;ar as pessoas s&atilde;o enormes, as estradas s&atilde;o muito ruins e \u00c3\u00a0s vezes nem existem&quot;\u009d, disse Schoors.<\/p>\n<p>A situa&ccedil;&atilde;o &eacute; agravada pelos &uacute;ltimos focos de viol&ecirc;ncia. Em janeiro surgiu um conflito entre o ex&eacute;rcito de Mali e rebeldes do grupo &eacute;tnico n&ocirc;made tuaregue, que reclamam um Estado independente na zona de Azawad (norte do pa\u00c3\u00ads). J&aacute; a Nig&eacute;ria sofre os atentados do grupo isl&acirc;mico Boko Haram, bem como opera&ccedil;&otilde;es da rede Al Qaeda, segundo o Fundo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Inf&acirc;ncia (Unicef), que tenta salvar meninas e meninos severamente desnutridos na regi&atilde;o, o primeiro comboio de caminh&otilde;es com suprimentos n&atilde;o p&ocirc;de entrar nas &aacute;reas inseguras do norte da Nig&eacute;ria, fronteiri&ccedil;a com N\u00c3\u00adger.<\/p>\n<p>&quot;Fica cada vez mais dif\u00c3\u00adcil alcan&ccedil;ar as pessoas necessitadas. Enfrentamos dificuldades semelhantes no norte de Mali. Prevemos um per\u00c3\u00adodo de grande instabilidade na regi&atilde;o&quot;\u009d, disse a conselheira regional do Unicef sobre nutri&ccedil;&atilde;o para a \u00c3\u0081frica Ocidental e Central, Felicit&eacute; Tchibindat. Os conflitos causaram grande deslocamento de pessoas. Pelo menos 22 mil refugiados chegaram a Maurit&acirc;nia, Burkina Faso e N\u00c3\u00adger no come&ccedil;o deste m&ecirc;s, e se instalaram em &aacute;reas com maior inseguran&ccedil;a alimentar nesses pa\u00c3\u00adses.<\/p>\n<p>&quot;O deslocamento de pessoas para &aacute;reas onde os residentes j&aacute; sofrem torna mais dif\u00c3\u00adcil o envio de ajuda, al&eacute;m de gerar tens&otilde;es sociais e aumentar o potencial de conflitos&quot;\u009d, disse Fern&aacute;ndez. O problema de quatro pontos: seca, falhas estruturais, viol&ecirc;ncia e refugiados exige uma resposta urgente, acrescentou. Por&eacute;m, pelo menos agora, muitas ag&ecirc;ncias de ajuda n&atilde;o podem acelerar seus esfor&ccedil;os, a menos que recebam os fundos necess&aacute;rios. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ouakchott, Maurit\u00c3\u00a2nia, 16\/02\/2012 &ndash; Sete dos oito pa\u00c3\u00adses do Sahel, zona &aacute;rida africana entre o Deserto do Saara e as savanas do Sud&atilde;o, deram o passo sem precedentes de se declararem em emerg&ecirc;ncia: 12 milh&otilde;es de pessoas na regi&atilde;o est&atilde;o amea&ccedil;adas pela fome. 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