{"id":9489,"date":"2012-02-16T13:16:37","date_gmt":"2012-02-16T13:16:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9489"},"modified":"2012-02-16T13:16:37","modified_gmt":"2012-02-16T13:16:37","slug":"ma%e2%80%b0xico-violaancia-manda-para-o-exa%c2%adlio-defensoras-dos-direitos-humanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/02\/america-latina\/ma%e2%80%b0xico-violaancia-manda-para-o-exa%c2%adlio-defensoras-dos-direitos-humanos\/","title":{"rendered":"M\u00c3\u2030XICO: Viol\u00c3\u00aancia manda para o ex\u00c3\u00adlio defensoras dos direitos humanos"},"content":{"rendered":"<p>Cidade do M\u00c3\u00a9xico, M\u00c3\u00a9xico, 16\/02\/2012 &ndash; Devido \u00c3\u00a0 onda de ataques que sofrem, as fundadoras da organiza&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria Nossas Filhas de Volta para Casa decidiram deixar o M&eacute;xico e operar limitadamente a partir do ex\u00c3\u00adlio. Ap&oacute;s mais de uma d&eacute;cada de luta diante da falta de a&ccedil;&atilde;o do Estado mexicano para proteger quem defende os direitos humanos, a organiza&ccedil;&atilde;o pioneira em investigar o feminic\u00c3\u00addio na fronteiri&ccedil;a Ciudad Ju&aacute;rez (norte do pa\u00c3\u00ads) deixar&aacute; de operar no pa\u00c3\u00ads, para continuar trabalhando no exterior. <!--more--> &quot;Sim, eu vou, mas continuarei na luta onde quer que esteja. N&atilde;o ficarei calada porque o governo tem uma d\u00c3\u00advida com meus filhos de quem tirou a m&atilde;e&quot;\u009d, afirma Norma Andrade, uma das fundadoras da organiza&ccedil;&atilde;o e que em menos de tr&ecirc;s meses sofreu dois atentados. Ela e sua fam\u00c3\u00adlia destacam que diante da impunidade pela onda de ataques e amea&ccedil;as que sofrem, que recrudesceu desde 2008, abandonam o pa\u00c3\u00ads.<\/p>\n<p>Norma, junto com sua filha Mal&uacute; Garc\u00c3\u00ada Andrade e Marisela Ortiz, fundou a Nossas Filhas de Volta para Casa, em 2001. As tr&ecirc;s foram intimidadas, perseguidas e amea&ccedil;adas de morte, bem como suas fam\u00c3\u00adlias. Marisela deixou o pa\u00c3\u00ads em fevereiro de 2011 e Mal&uacute; saiu de Ju&aacute;rez em mar&ccedil;o do mesmo ano, mas teve que regressar em dezembro passado, ap&oacute;s o primeiro ataque contra sua m&atilde;e.<\/p>\n<p>Com o anunciado ex\u00c3\u00adlio de m&atilde;e e filha, a organiza&ccedil;&atilde;o &quot;ficar&aacute; desmantelada. De fato, j&aacute; estamos desarticuladas&quot;\u009d, lamenta Norma. Ela conta que a partir de 2008, com as primeiras amea&ccedil;as contra sua filha e Marisela, decidiram trabalhar menos em gest&otilde;es jur\u00c3\u00addicas e legais para acelerar os processos das v\u00c3\u00adtimas e se concentrar na gest&atilde;o social.<\/p>\n<p>&quot;Desde 2008, come&ccedil;amos a trabalhar mais no social, e o jur\u00c3\u00addico deixamos com baixo perfil: j&aacute; n&atilde;o temos escrit&oacute;rios. Marisela, de onde se encontra, cuida de algumas atividades&quot;\u009d, conta a ativista. Acrescenta que &quot;em Ju&aacute;rez temos liga&ccedil;&otilde;es para implantar o Projeto A Esperan&ccedil;a, que consiste em pain&eacute;is para m&atilde;es de mulheres desaparecidas ou assassinadas&quot;\u009d.<\/p>\n<p>Desde sua cria&ccedil;&atilde;o, a organiza&ccedil;&atilde;o recebeu pelo menos 30 amea&ccedil;as e hostilidades, e seus escrit&oacute;rios foram invadidos por desconhecidos que levaram documentos e computadores com informa&ccedil;&atilde;o sobre seu trabalho, mas nada foi investigado. Por isso, a partir de 2008 decidiram n&atilde;o ter escrit&oacute;rios fixos, com cada integrante fazendo seu trabalho em separado. Diante do perigo que corriam as ativistas, em 13 de junho de 2008, a Comiss&atilde;o Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) pediu ao Estado mexicano que garantisse a vida e integridade f\u00c3\u00adsica delas e de suas fam\u00c3\u00adlias, por meio de medidas cautelares.<\/p>\n<p>Norma &eacute; m&atilde;e de Lilia Alejandra Garc\u00c3\u00ada, de 17 anos e m&atilde;e de dois menores de idade, que desapareceu em 14 de fevereiro de 2001 e cujo corpo foi encontrado com sinais de tortura sexual em 21 de fevereiro do ano seguinte em um terreno baldio pr&oacute;ximo \u00c3\u00a0 avenida Tecnol&oacute;gico e Ex&eacute;rcito Nacional, em Ju&aacute;rez. Desde ent&atilde;o, e em demanda de justi&ccedil;a, a organiza&ccedil;&atilde;o &quot;\u201c integrada principalmente por m&atilde;es de jovens desaparecidas e assassinadas &quot;\u201c denuncia nacional e internacionalmente os assassinatos de mulheres nessa cidade, convertendo-se em uma refer&ecirc;ncia de ajuda e reabilita&ccedil;&atilde;o para as sobreviventes de viol&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Um dos &ecirc;xitos mais importantes foi recorrer, junto com outras organiza&ccedil;&otilde;es civis, ao Tribunal Interamericano de Direitos Humanos, para denunciar os assassinatos de mulheres ocorridos no Campo Algodoeiro, em Ju&aacute;rez. O Tribunal condenou o Estado mexicano por n&atilde;o proteger a vida da popula&ccedil;&atilde;o feminina. Tamb&eacute;m apresentou ao CIDH, em 2002, os casos de Lilia Alejandra Andrade e de Silvia Elena Rivera; ambos esperando para serem analisados.<\/p>\n<p>Em 2001, a organiza&ccedil;&atilde;o denunciou mais de 200 raptos de meninas e adolescentes, supostamente vinculados a redes de tr&aacute;fico de pessoas. Norma trabalhava nesses expedientes quando aumentaram as agress&otilde;es contra ela. No come&ccedil;o desse ano, Mal&uacute; revelou a exist&ecirc;ncia de uma rede de tr&aacute;fico que opera no centro de Ju&aacute;rez, a qual responsabilizou pelo desaparecimento de dezenas de jovens.<\/p>\n<p>Disse, ent&atilde;o, contar com informes de mulheres que ap&oacute;s seu desaparecimento foram vistas em bord&eacute;is de Puebla, Tlaxcala e Tijuana. Acrescentou que os resultados destas investiga&ccedil;oes seriam divulgados no mesmo ano, mas saiu de Ju&aacute;rez depois que, no dia 17 de fevereiro de 2011, desconhecidos queimaram o telhado de sua casa, quando ela participava de um ato em apoio \u00c3\u00a0 fam\u00c3\u00adlia Reyes Salazar, outros defensores dos direitos humanos agredidos.<\/p>\n<p>Norma recorda que n&atilde;o s&oacute; ela sofreu agress&otilde;es; tamb&eacute;m ativistas como Irma P&eacute;rez, Eva Arce, Ramona Morales, Cipriana Jurado e Benita Mon&aacute;rrez. Esta &uacute;ltima foi uma das primeiras a deixar o pa\u00c3\u00ads e se refugiar em Los Angeles, nos Estados Unidos. &quot;A realidade &eacute; que n&atilde;o h&aacute; nenhuma prote&ccedil;&atilde;o para quem defende os direitos humanos; em 14 deste m&ecirc;s, completaram 11 anos de busca por justi&ccedil;a para milha filha, durante os quais vivi acossada o tempo todo e protegendo a vida&quot;\u009d, disse Norma.<\/p>\n<p>As hostilidades, amea&ccedil;as e viol&ecirc;ncias contra as defensoras de direitos humanos no M&eacute;xico t&ecirc;m por objetivo for&ccedil;&aacute;-las a renunciar a esse trabalho, segundo se depreende de um diagn&oacute;stico sobre os riscos que enfrentam as ativistas em seu trabalho. &quot;Em algumas ocasi&otilde;es as agress&otilde;es tem &ecirc;xito e as defensoras deixam completamente seu trabalho ou suas organiza&ccedil;&otilde;es se desintegram&quot;\u009d, diz o estudo &quot;Defensoras dos Direitos Humanos no M&eacute;xico; Diagn&oacute;stico 2010-2011 sobre as condi&ccedil;&otilde;es e riscos que enfrentam no exerc\u00c3\u00adcio de seu trabalho&quot;\u009d.<\/p>\n<p>A investiga&ccedil;&atilde;o feita pelas organiza&ccedil;&otilde;es civis Rede Mesa de Mulheres, Associadas pelo Justo e Cons&oacute;rcio para o Di&aacute;logo Parlamentar e a Igualdade, estabelece que o impacto desta viol&ecirc;ncia n&atilde;o afeta apenas elas. Tamb&eacute;m s&atilde;o v\u00c3\u00adtimas suas fam\u00c3\u00adlias e os movimentos sociais, que veem diminu\u00c3\u00adda sua capacidade e condi&ccedil;&otilde;es para avan&ccedil;ar em suas agendas e propostas em favor dos direitos humanos.<\/p>\n<p>O Diagn&oacute;stico 2010-2011 diz que 84% das defensoras ouvidas afirmaram que um dos principais impactos da viol&ecirc;ncia contra elas &eacute; o dano emocional. Isto surge tanto pelo medo como pela soma de a&ccedil;&otilde;es e desgastes que implicam se defender, ao mesmo tempo em que mant&ecirc;m seu trabalho de defesa e promo&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos. O estudo explica que, em casos extremos, a viol&ecirc;ncia as for&ccedil;a a deslocamentos for&ccedil;ados e mudan&ccedil;a de resid&ecirc;ncia, seja em outra cidade do pa\u00c3\u00ads ou no exterior.<\/p>\n<p>No diagn&oacute;stico se nota que, cada vez que uma organiza&ccedil;&atilde;o fecha ou um movimento &eacute; desarticulado, ocorre um dano mai&uacute;sculo nas pessoas beneficiadas por seu trabalho, bem como nos processos democr&aacute;ticos de cada comunidade e do pa\u00c3\u00ads. &quot;O trabalho a favor dos direitos humanos das mulheres &eacute; um bem social que ainda n&atilde;o foi valorizado em sua justa dimens&atilde;o; n&atilde;o apoiar as defensoras reproduz a cultura de viol&ecirc;ncia e discrimina&ccedil;&atilde;o de g&ecirc;nero&quot;\u009d, conclui o documento. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Este artigo foi publicado originalmente pela ag&ecirc;ncia mexicana de not\u00c3\u00adcias Comunica&ccedil;&atilde;o e Informa&ccedil;&atilde;o da Mulher AC, Cimac.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidade do M\u00c3\u00a9xico, M\u00c3\u00a9xico, 16\/02\/2012 &ndash; Devido \u00c3\u00a0 onda de ataques que sofrem, as fundadoras da organiza&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria Nossas Filhas de Volta para Casa decidiram deixar o M&eacute;xico e operar limitadamente a partir do ex\u00c3\u00adlio. Ap&oacute;s mais de uma d&eacute;cada de luta diante da falta de a&ccedil;&atilde;o do Estado mexicano para proteger quem defende os direitos humanos, a organiza&ccedil;&atilde;o pioneira em investigar o feminic\u00c3\u00addio na fronteiri&ccedil;a Ciudad Ju&aacute;rez (norte do pa\u00c3\u00ads) deixar&aacute; de operar no pa\u00c3\u00ads, para continuar trabalhando no exterior. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/02\/america-latina\/ma%e2%80%b0xico-violaancia-manda-para-o-exa%c2%adlio-defensoras-dos-direitos-humanos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1357,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,6],"tags":[21,24],"class_list":["post-9489","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-direitos-humanos","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9489","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1357"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9489"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9489\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9489"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9489"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9489"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}