{"id":949,"date":"2005-08-30T00:00:00","date_gmt":"2005-08-30T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=949"},"modified":"2005-08-30T00:00:00","modified_gmt":"2005-08-30T00:00:00","slug":"religio-debate-sobre-a-nova-constituio-do-qunia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/08\/america-latina\/religio-debate-sobre-a-nova-constituio-do-qunia\/","title":{"rendered":"Religi&atilde;o: Debate sobre a nova constitui&ccedil;&atilde;o do Qu&ecirc;nia"},"content":{"rendered":"<p>Nair&oacute;bi, 30\/08\/2005 &ndash; Um enfrentamento religioso &eacute; hoje o principal obst&aacute;culo para a aprova&ccedil;&atilde;o da nova Constitui&ccedil;&atilde;o do Qu&ecirc;nia. Mu&ccedil;ulmanos e crist&atilde;os se envolveram em uma pol&ecirc;mica sobre alguns artigos do texto, que ser&aacute; submetido a consulta popular em novembro. Os mu&ccedil;ulmanos querem que a nova Carta Magna d&ecirc; maior influ&ecirc;ncia &agrave; &quot;sharia&quot;, ou lei isl&acirc;mica que, entre outras coisas, ordena a&ccedil;oites como castigo para o consumo de &aacute;lcool, ou apedrejamento em caso de adult&eacute;rio. Isto desagradou os crist&atilde;os, que representam 73% dos 30 milh&otilde;es de quenianos. Vinte por cento seguem religi&otilde;es tradicionais e o restante o Isl&atilde;. Os l&iacute;deres do movimento crist&atilde;o A Igreja do Qu&ecirc;nia, reunidos em Nair&oacute;bi no &uacute;ltimo dia 25, anunciaram que exortar&atilde;o suas respectivas congrega&ccedil;&otilde;es a votar pelo N&Atilde;O ao novo texto constitucional.<br \/> <!--more--> <br \/> &quot;O que dizemos &eacute; que os tribunais religiosos n&atilde;o deve ser avalizados pela Constitui&ccedil;&atilde;o&quot;, afirmou David Githii, presidente da Igreja do Qu&ecirc;nia, uma alian&ccedil;a de 40 grupos crist&atilde;os. O inciso tr&ecirc;s do artigo 179 da nova Constitui&ccedil;&atilde;o, que entrar&aacute; em vigor em dezembro se for aprovada nas urnas, permite a instala&ccedil;&atilde;o de tribunais da sharia em comunidades locais. Mas ao mesmo tempo o inciso um do artigo 10 consagra a separa&ccedil;&atilde;o entre Estado e religi&atilde;o. &quot;Temos estrat&eacute;gias para ir aos povoados e fazer com que as pessoas votem N&Atilde;O. Temos muitos contatos nas aldeias e vamos trabalhar junto a grupos de base de maneira di&aacute;ria. Esta campanha pelo N&Atilde;O vai continuar mesmo depois do referendo, at&eacute; as pr&oacute;ximas elei&ccedil;&otilde;es gerais de 2007&quot;, disse o bispo Margaret Wanjiru, da igreja carism&aacute;tica Minist&eacute;rios Jesus Vive. &quot;Nosso voto e o de nossas congrega&ccedil;&otilde;es continuar&aacute; sendo N&Atilde;O enquanto n&atilde;o se mudar o artigo 179. Se o governo continuar inflex&iacute;vel, ent&atilde;o ser&aacute; sua escolha. A bola est&aacute; com ele&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> A pol&ecirc;mica come&ccedil;ou em 2003, quando na Confer&ecirc;ncia Constitucional Nacional (NCC) os mu&ccedil;ulmanos exigiram que os tribunais isl&acirc;micos, que funcionaram em diferentes comunidades durante d&eacute;cadas, ganhassem jurisdi&ccedil;&atilde;o nacional e fossem reconhecidos como autoridades sobre assuntos comerciais, civis e penais. Os crist&atilde;os rejeitaram a proposta e alertaram que a inclus&atilde;o desses tribunais na Constitui&ccedil;&atilde;o prepararia o caminho para a cria&ccedil;&atilde;o de um Estado isl&acirc;mico e levaria o pa&iacute;s a uma guerra religiosa, como ocorreu na Nig&eacute;ria e no Sud&atilde;o.<\/p>\n<p> Por sua vez, os mu&ccedil;ulmanos advertiram que n&atilde;o aceitariam um texto que n&atilde;o desse aos tribunais da sharia maior jurisdi&ccedil;&atilde;o. No vizinho Sud&atilde;o, a religi&atilde;o foi o motivo de um conflito desde 1955 entre Cartum, dominada pelos &aacute;rabes, e os crist&atilde;os do sul. O &uacute;ltimo epis&oacute;dio desta guerra interna que matou mais de dois milh&otilde;es de pessoas come&ccedil;ou em 1983, quando o ex-presidente Gaafar Nimeri imp&ocirc;s a sharia. No dia 9 de janeiro passado, as duas partes chegaram a um acordo de paz que p&ocirc;s fim a este conflito, at&eacute; ent&atilde;o o mais longo do continente. A aplica&ccedil;&atilde;o da sharia na Nig&eacute;ria tamb&eacute;m provocou uma s&eacute;rie de conflitos entre mu&ccedil;ulmanos e crist&atilde;os.<\/p>\n<p> Quase a metade dos 36 Estados desse ocidental pa&iacute;s africano, o mais populoso do continente, adotaram a lei isl&acirc;mica. No Qu&ecirc;nia, o enfrentamento religioso derivou nos &uacute;ltimos anos em v&aacute;rios incidentes, como o inc&ecirc;ndio de uma mesquita e de duas igrejas. Em 2000, um cl&eacute;rigo anglicano foi ferido em um ataque mu&ccedil;ulmano. Diante do desacordo entre crist&atilde;os e mu&ccedil;ulmanos, a NCC, que terminou suas delibera&ccedil;&otilde;es no ano passado, decidiu n&atilde;o conceder aos tribunais isl&acirc;micos jurisdi&ccedil;&atilde;o nacional e permitir-lhes que operem nas comunidades apenas em assuntos como div&oacute;rcios, heran&ccedil;as e casamentos. Mas os l&iacute;deres crist&atilde;os s&atilde;o contr&aacute;rios a que o novo texto constitucional sequer mencione os tribunais da sharia. <\/p>\n<p> No &uacute;ltimo dia 23, representantes do governo se reuniram com l&iacute;deres das igrejas crist&atilde;s para tentar convenc&ecirc;-los a votar a favor do texto, mas as conversa&ccedil;&otilde;es ficaram paralisadas devido &agrave; intransig&ecirc;ncia dos religiosos. &#039;Se disserem N&Atilde;O &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o, as repercuss&otilde;es ser&atilde;o terr&iacute;veis. O governo obviamente poderia perder o referendo&quot;, disse &agrave; IPS o analista pol&iacute;tico Mutahi Nguyi, do instituto independente Series on Alternative Research in East &Aacute;frica. Por sua vez, o governo do presidente Mwai Kibaki p&ocirc;s em marcha uma campanha a favor do SIM.<\/p>\n<p> Outro assunto de controv&eacute;rsia ligado &agrave; nova Constitui&ccedil;&atilde;o &eacute; o sistema de governo. A pol&ecirc;mica tamb&eacute;m causou uma divis&atilde;o dentro da governante Coaliz&atilde;o Nacional do Arco-&Iacute;ris. Uma ala do Partido Democr&aacute;tico Liberal (LDP) ap&oacute;ia a id&eacute;ia de que a presid&ecirc;ncia passe a ser um cargo n&atilde;o-executivo e que seja criado o posto de primeiro-ministro. Entretanto, o Partido da Alian&ccedil;a Nacional do Qu&ecirc;nia, outro integrante da coaliz&atilde;o de governo, prefere manter o sistema presidencialista. A Comiss&atilde;o para a Revis&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o do Qu&ecirc;nia realizar&aacute; uma campanha de informa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica sobre os alcances do referendo. Se este rascunho for rejeitado em novembro, o pa&iacute;s continuar&aacute; com a atual Constitui&ccedil;&atilde;o. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nair&oacute;bi, 30\/08\/2005 &ndash; Um enfrentamento religioso &eacute; hoje o principal obst&aacute;culo para a aprova&ccedil;&atilde;o da nova Constitui&ccedil;&atilde;o do Qu&ecirc;nia. Mu&ccedil;ulmanos e crist&atilde;os se envolveram em uma pol&ecirc;mica sobre alguns artigos do texto, que ser&aacute; submetido a consulta popular em novembro. Os mu&ccedil;ulmanos querem que a nova Carta Magna d&ecirc; maior influ&ecirc;ncia &agrave; &quot;sharia&quot;, ou lei isl&acirc;mica que, entre outras coisas, ordena a&ccedil;oites como castigo para o consumo de &aacute;lcool, ou apedrejamento em caso de adult&eacute;rio. Isto desagradou os crist&atilde;os, que representam 73% dos 30 milh&otilde;es de quenianos. Vinte por cento seguem religi&otilde;es tradicionais e o restante o Isl&atilde;. Os l&iacute;deres do movimento crist&atilde;o A Igreja do Qu&ecirc;nia, reunidos em Nair&oacute;bi no &uacute;ltimo dia 25, anunciaram que exortar&atilde;o suas respectivas congrega&ccedil;&otilde;es a votar pelo N&Atilde;O ao novo texto constitucional.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/08\/america-latina\/religio-debate-sobre-a-nova-constituio-do-qunia\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":472,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-949","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/949","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/472"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=949"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/949\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=949"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=949"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=949"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}