{"id":9491,"date":"2012-02-16T13:23:29","date_gmt":"2012-02-16T13:23:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9491"},"modified":"2012-02-16T13:23:29","modified_gmt":"2012-02-16T13:23:29","slug":"oriente-ma%e2%80%b0dio-sa%c2%adria-deixa-israel-nervoso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/02\/politica\/oriente-ma%e2%80%b0dio-sa%c2%adria-deixa-israel-nervoso\/","title":{"rendered":"ORIENTE M\u00c3\u2030DIO: S\u00c3\u00adria deixa Israel nervoso"},"content":{"rendered":"<p>Jerusal\u00c3\u00a9m, 16\/02\/2012 &ndash; Temendo as repercuss&otilde;es de uma eventual queda do presidente s\u00c3\u00adrio, Bashar al-Assad, os l\u00c3\u00adderes de Israel flutuam entre a autocomplac&ecirc;ncia, o otimismo cauteloso e o medo. Na semana passada, quando disparou o n&uacute;mero de mortos na crise s\u00c3\u00adria, que j&aacute; dura 11 meses, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, destacou orgulhoso que seu pa\u00c3\u00ads era &quot;uma casa de campo na selva do Oriente M&eacute;dio&quot;\u009d. A situa&ccedil;&atilde;o na S\u00c3\u00adria &quot;nos faz recordar o tipo de vizinhan&ccedil;a em que vivemos&quot;\u009d, acrescentou. <!--more--> Israel adotou oficialmente uma pol\u00c3\u00adtica de n&atilde;o interfer&ecirc;ncia na crise s\u00c3\u00adria. Contudo, isto foi antes de a situa&ccedil;&atilde;o se agravar e o n&uacute;mero de civis mortos aumentar. A r&aacute;dio do ex&eacute;rcito perguntou ao ministro de Assuntos Estrat&eacute;gicos, Moshe Ya&quot;\u2122alon, se Israel mant&eacute;m contatos com a oposi&ccedil;&atilde;o s\u00c3\u00adria, mas este evitou dar uma resposta dizendo &quot;n&atilde;o espera que esses assuntos sejam discutidos nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o&quot;\u009d.<\/p>\n<p>H&aacute; apenas tr&ecirc;s meses, o ministro da Defesa, Ehud Barak, antecipou que a sa\u00c3\u00adda de Assad era quest&atilde;o &quot;n&atilde;o de meses&quot;\u009d, mas &quot;de semanas&quot;\u009d, e expressou sua satisfa&ccedil;&atilde;o porque a S\u00c3\u00adria deixaria de ser o eixo estrat&eacute;gico da alian&ccedil;a dos inimigos de Israel. &quot;Quando a fam\u00c3\u00adlia Assad cair, ser&aacute; um grande golpe para o eixo radical liderado pelo Ir&atilde;.<\/p>\n<p>Enfraquecer&aacute; o Hezbol&aacute; (Partido de Deus, movimento liban&ecirc;s), bem como o apoio ao Ham&aacute;s (Movimento de Resist&ecirc;ncia Isl&acirc;mica) e privar&aacute; os iranianos de um reduto no mundo &aacute;rabe. Isto &eacute; algo positivo para Israel&quot;\u009d, previu Barak em dezembro.<\/p>\n<p>Israel lan&ccedil;ou duas guerras contra aliados da S\u00c3\u00adria na frente norte e na frente sul: em 2006 contra o Hezbol&aacute; no L\u00c3\u00adbano e em 2008 (que se estendeu at&eacute; 2009) contra o Ham&aacute;s na Faixa de Gaza. Entretanto, a avalia&ccedil;&atilde;o de Barak &eacute; uma das tantas feitas pelos c\u00c3\u00adrculos de intelig&ecirc;ncia israelenses enquanto observam nervosamente como a regi&atilde;o se transforma. E nem todas s&atilde;o otimistas. Israel elaborou mais de uma vez planos de conting&ecirc;ncia para os piores cen&aacute;rios.<\/p>\n<p>Enquanto o triunfo eleitoral da Irmandade Mu&ccedil;ulmana no Egito, nas primeiras elei&ccedil;&otilde;es ap&oacute;s a queda de Hosni Mubarak, causava temores em Israel de que a Primavare \u00c3\u0081rabe se transformasse em um &quot;Inverno Isl&acirc;mico&quot;\u009d, a S\u00c3\u00adria era vista como uma muralha est&aacute;vel contra o poss\u00c3\u00advel avan&ccedil;o dos mu&ccedil;ulmanos fundamentalistas. Os funcion&aacute;rios israelenses gostam de lembrar como o pai do atual presidente s\u00c3\u00adrio, Hafez Al Assad, reprimiu violentamente uma insurg&ecirc;ncia da Irmandade Mu&ccedil;ulmana no come&ccedil;o da d&eacute;cada de 1980.<\/p>\n<p>At&eacute; h&aacute; pouco tempo, tamb&eacute;m destacavam que, desde o acordo de cessar-fogo assinado com a S\u00c3\u00adria ap&oacute;s a guerra de 1973, a calma prevaleceu nas colinas de Golan, ocupadas por Israel desde 1967. No entanto, em maio e junho, em meio \u00c3\u00a0 crise s\u00c3\u00adria, refugiados palestinos romperam os limites impostos pelo cessar-fogo e seguiram para a zona israelense. Isso desatou o caos: soldados israelenses mataram dezenas de manifestantes. Israel responsabilizou Assad pelos incidentes, j&aacute; que pouco antes advertira que uma interven&ccedil;&atilde;o estrangeira em seu pa\u00c3\u00ads desataria uma crise em toda a regi&atilde;o.<\/p>\n<p>A forma como Israel v&ecirc; Assad sofreu profundas mudan&ccedil;as na &uacute;ltima d&eacute;cada. Em 2005, quando o presidente norte-americano George W. Bush promovia uma &quot;mudan&ccedil;a de regime&quot;\u009d em v&aacute;rios pa\u00c3\u00adses &aacute;rabes, o ent&atilde;o primeiro-ministro israelense Ariel Sharon alertou sobre os riscos de aplicar essa estrat&eacute;gia a Assad, a quem chamou de &quot;mal conhecido&quot;\u009d. Segundo Sharon, era melhor para Israel preservar um l\u00c3\u00adder previs\u00c3\u00advel como Assad do que promover a chegada de um sucessor incerto.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, dois anos depois, quando ficou claro que a S\u00c3\u00adria tentava construir um reator nuclear com conhecimentos norte-coreanos, Assad deixou de ser considerado um l\u00c3\u00adder convencional. O incipiente reator foi bombardeado por Israel em 2007. Agora a pergunta &eacute;: o que acontecer&aacute; no dia em que Assad for derrubado?<\/p>\n<p>Ap&oacute;s o veto de China e R&uacute;ssia a uma resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) que pedia a ren&uacute;ncia de Assad, especialistas em defesa de Israel analisam novamente se a S\u00c3\u00adria poderia arrastar seu pa\u00c3\u00ads a uma guerra. Alguns especulam que Assad poderia (seguindo a filosofia &quot;se caio, voc&ecirc; cai comigo&quot;\u009d) transferir seus avan&ccedil;ados m\u00c3\u00adsseis terra-terra e seus supostos arsenais de armas qu\u00c3\u00admicas e biol&oacute;gicas ao Hezbol&aacute;.<\/p>\n<p>&quot;A preocupa&ccedil;&atilde;o imediata &eacute; o grande arsenal de armas qu\u00c3\u00admicas e biol&oacute;gicas&quot;\u009d de Damasco, disse \u00c3\u00a0 imprensa no m&ecirc;s passado o comandante da For&ccedil;a A&eacute;rea israelense, Amir Eshel. No entanto, o destacado analista de defesa Ron Bem-Yishai, afirmou no jornal Yedioth Aharonoth que, &quot;no momento, n&atilde;o h&aacute; ind\u00c3\u00adcios de que isso tenha se materializado, nem de que Assad tente iniciar uma guerra com Israel&quot;\u009d.<\/p>\n<p>Segundo as &uacute;ltimas estimativas do chefe de intelig&ecirc;ncia militar, Aviv Kochavi, Hezbol&aacute; e Ham&aacute;s j&aacute; contam com um arsenal de aproximadamente 200 mil m\u00c3\u00adsseis e foguetes fornecidos pela S\u00c3\u00adria e pelo Ir&atilde;, destinados serem usados contra Israel. Outro temor &eacute; que, ap&oacute;s uma eventual queda de Assad, essas armas sejam contrabandeadas e cheguem a m&atilde;os de combatentes isl&acirc;micos, da mesma forma que armas l\u00c3\u00adbias terminaram em poder do Ham&aacute;s depois da queda de Muammar Gadafi.<\/p>\n<p>Por fim, os l\u00c3\u00adderes israelenses conjeturam que o Ocidente poderia intervir na S\u00c3\u00adria para deter o derramamento de sangue, e consideram que tal mostra de determina&ccedil;&atilde;o poderia dissuadir Teer&atilde; de continuar com seu programa nuclear por medo de que lhe ocorra a mesma sorte. &quot;Alguns acreditam que um ataque contra a S\u00c3\u00adria em nome dos direitos humanos poderia prevenir uma guerra com o Ir&atilde; para que detenha seu programa nuclear&quot;\u009d, escreveu o analista Zvi Barel na semana passada no jornal progressista Haaretz. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jerusal\u00c3\u00a9m, 16\/02\/2012 &ndash; Temendo as repercuss&otilde;es de uma eventual queda do presidente s\u00c3\u00adrio, Bashar al-Assad, os l\u00c3\u00adderes de Israel flutuam entre a autocomplac&ecirc;ncia, o otimismo cauteloso e o medo. Na semana passada, quando disparou o n&uacute;mero de mortos na crise s\u00c3\u00adria, que j&aacute; dura 11 meses, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, destacou orgulhoso que seu pa\u00c3\u00ads era &quot;uma casa de campo na selva do Oriente M&eacute;dio&quot;\u009d. 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