{"id":9495,"date":"2012-02-17T12:43:33","date_gmt":"2012-02-17T12:43:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9495"},"modified":"2012-02-17T12:43:33","modified_gmt":"2012-02-17T12:43:33","slug":"china-novo-la%c2%adder-nao-a-o-paladino-de-washington","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/02\/economia\/china-novo-la%c2%adder-nao-a-o-paladino-de-washington\/","title":{"rendered":"CHINA: Novo l\u00c3\u00adder n&atilde;o \u00c3\u00a9 o paladino de Washington"},"content":{"rendered":"<p>WASHINGTON, 17\/02\/2012 &ndash; Quando Hu Jintao assumiu as r&eacute;deas da China em 2002, v&aacute;rias empresas dos Estados Unidos viram nisso um bom sinal. Analistas pol\u00c3\u00adticos o descreveram como membro da quarta gera&ccedil;&atilde;o de l\u00c3\u00adderes do Partido Comunista que poderia ser &quot;um liberal no arm&aacute;rio&quot;\u009d. Entretanto, n&atilde;o o foi. Com certa cautela, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o procuraram retrat&aacute;-lo como um enigma pragm&aacute;tico. <!--more--> Depois dos atentados que em 11 de setembro de 2001, que deixaram tr&ecirc;s mil mortos em Nova York e Washington, Hu (presidente de seu pa\u00c3\u00ads, onde tamb&eacute;m &eacute; secret&aacute;rio-geral do Partido Comunista) demonstrou ser um s&oacute;cio confi&aacute;vel para os Estados Unidos. Isto tamb&eacute;m incentivou, em 2003, o ent&atilde;o secret&aacute;rio de Estado, Colin Powell, a destacar que as rela&ccedil;&otilde;es entre seu pa\u00c3\u00ads e a China eram as melhores desde 1972.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, n&atilde;o demorou muito para que a m\u00c3\u00addia e especialistas vissem Hu de uma perspectiva mais &aacute;cida. Em 2005, a revista The Economist o rotulou como &quot;um autorit&aacute;rio conservador&quot;\u009d, por intensificar a disciplina partid&aacute;ria e atacar os intelectuais. Hu foi criticado por se manter firme contra os Estados Unidos em disputas sobre com&eacute;rcio, moeda, propriedade intelectual e direitos humanos.<\/p>\n<p>Em mat&eacute;ria antiterrorista, os interesses de Estados Unidos e China convergiram. Contudo, tanto nesta &aacute;rea como na maioria das outras, Hu se mostrou n&atilde;o ser um liberal no arm&aacute;rio, em absoluto. Agora, com a China se preparando para outra transi&ccedil;&atilde;o de poder, seu prov&aacute;vel sucessor, Xi Jinping, embarca em sua pr&oacute;pria viagem pelos Estados Unidos. Como ocorreu com Hu, fontes ocidentais admitem n&atilde;o saber muito sobre Xi &quot;\u201c atual vice-presidente chin&ecirc;s &quot;\u201c al&eacute;m de seu enfoque &quot;pr&oacute;-empresarial&quot;\u009d. Apenas que tem uma esposa famosa e que se op&otilde;e \u00c3\u00a0 corrup&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Fora esses detalhes, os jornalistas s&atilde;o obrigados a peneirar suas apari&ccedil;&otilde;es recentes (as reuni&otilde;es de Xi com o governo do presidente Barack Obama, seu regresso ao povoado de Iowa que visitou h&aacute; 25 anos, sua presen&ccedil;a em uma partida de basquete do Los Angeles Lakers) para conseguir pistas sobre a verdadeira natureza pol\u00c3\u00adtica do novo l\u00c3\u00adder chin&ecirc;s. Jinping faz o que pode para frustrar a imprensa. Suas declara&ccedil;&otilde;es em Washington foram pensadas para atender tanto seus anfitri&otilde;es ocidentais como seus correligion&aacute;rios ao regressar ao seu pa\u00c3\u00ads.<\/p>\n<p>Por exemplo, falou das rela&ccedil;&otilde;es entre Estados Unidos e China como &quot;um rio insepar&aacute;vel que segue avan&ccedil;ando&quot;\u009d, e destacou a vontade de Pequim de se comprometer com Washington em uma agenda ampla de temas que v&atilde;o desde antiterrorismo at&eacute; Coreia do Norte. Tamb&eacute;m foi cuidadoso em advertir seus anfitri&otilde;es sobre a import&acirc;ncia de &quot;respeitar os interesses e as preocupa&ccedil;&otilde;es da China&quot;\u009d. Por mais que um dirigente chin&ecirc;s goste de basquete ou admire as empresas norte-americanas, ele lidera um aparato pol\u00c3\u00adtico, econ&ocirc;mico e militar dedicado a preservar a si mesmo e a integridade territorial de seu pa\u00c3\u00ads.<\/p>\n<p>O mesmo se pode dizer dos l\u00c3\u00adderes da maioria dos pa\u00c3\u00adses. Sem d&uacute;vidas, em Pequim, ningu&eacute;m espera que das elei&ccedil;&otilde;es norte-americanas deste ano surja um presidente que abrace uma ordem comercial que favore&ccedil;a desproporcionalmente o crescimento econ&ocirc;mico chin&ecirc;s ou que os Estados Unidos cedam \u00c3\u00a0 pot&ecirc;ncia asi&aacute;tica seu poderio militar no Pac\u00c3\u00adfico. &Eacute; poss\u00c3\u00advel que os interesses nacionais da China sejam mais vis\u00c3\u00adveis em torno dos assuntos de seguran&ccedil;a. Nos primeiros anos de gest&atilde;o de Hu, o debate no Ocidente se centrou na &quot;ascens&atilde;o pac\u00c3\u00adfica&quot;\u009d da China.<\/p>\n<p>Nos &uacute;ltimos tempos a perspectiva se tornou mais obscura. Os pessimistas dizem que a pot&ecirc;ncia asi&aacute;tica acaba de remo&ccedil;ar um velho porta-avi&otilde;es ucraniano e destacam suas ambi&ccedil;&otilde;es no Mar da China, seu confronto com o Jap&atilde;o sobre as disputadas Ilhas Senkaky\/Diaoyu e, naturalmente, seu elevado gasto militar. Segundo a consultoria IHS Jane&quot;\u2122s, o gasto militar chin&ecirc;s chegar&aacute; a US$ 238 bilh&otilde;es at&eacute; 2015, mais do que o projetado em toda a regi&atilde;o asi&aacute;tica.<\/p>\n<p>No entanto, n&atilde;o h&aacute; sinais reais de que Pequim tenha abandonado seu enfoque de &quot;ascens&atilde;o pac\u00c3\u00adfica&quot;\u009d. O reformado porta-avi&otilde;es n&atilde;o &eacute; de muito impacto (particularmente se comparado com os dez da marinha norte-americana), e Coreia do Sul e Jap&atilde;o tamb&eacute;m t&ecirc;m sua pr&oacute;pria disputa por uma ilha. As reclama&ccedil;&otilde;es chinesas sobre ilhas do Mar da China s&atilde;o de longa data e desde a era pr&eacute;-comunista. E j&aacute; se passaram mais de 30 anos desde que a China realizou uma importante interven&ccedil;&atilde;o militar de ultramar, o que indicaria que pretende manter seu costume de evitar riscos.<\/p>\n<p>Enquanto isso, os Estados Unidos continuam gastando pelo menos cinco vezes mais do que a China em quest&otilde;es militares, o que faz com que sua pol\u00c3\u00adtica de seguran&ccedil;a se afaste do Oriente M&eacute;dio e se aproxime da \u00c3\u0081sia. Uma maior coopera&ccedil;&atilde;o militar de Washington com Austr&aacute;lia, Filipinas, e inclusive Vietn&atilde;, deixam a China nervosa. Em termos gerais, as prioridades dos l\u00c3\u00adderes chineses s&atilde;o nacionalistas: manter unido um pa\u00c3\u00ads vasto e rebelde, preservar a influ&ecirc;ncia em Taiwan e garantir um fornecimento est&aacute;vel de energia em suas regi&otilde;es vizinhas para manter um elevado crescimento econ&ocirc;mico.<\/p>\n<p>Primeiro Hu e agora Xi dizem aos seus interlocutores norte-americanos que &eacute; poss\u00c3\u00advel e desej&aacute;vel que as rela&ccedil;&otilde;es entre os dois pa\u00c3\u00adses sejam mais pr&oacute;ximas, sempre e quando Washington reconhecer estes imperativos nacionais. Entretanto, a amea&ccedil;a subjacente da China, naturalmente, n&atilde;o &eacute; militar, mas econ&ocirc;mica. Atualmente, &eacute; a segunda maior economia do mundo e poder&aacute; superar os Estados Unidos durante o pr&oacute;ximo governo. Washington se queixa de pr&aacute;ticas comerciais desleais, manipula&ccedil;&atilde;o da divisa e uma cultura de pirataria intelectual.<\/p>\n<p>Seguindo exemplo de Jap&atilde;o e Coreia do Sul, a China se deu conta de que passar de pa\u00c3\u00ads em desenvolvimento a industrializado exige romper com algumas regras. Os cr\u00c3\u00adticos destacam que a China, enquanto pot&ecirc;ncia econ&ocirc;mica, j&aacute; n&atilde;o &eacute; uma desvalida. Por&eacute;m, boa parte do pa\u00c3\u00ads continua subdesenvolvida. E o poderia econ&ocirc;mico chin&ecirc;s n&atilde;o se reflete no poder de voto nas institui&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas internacionais.<\/p>\n<p>Tanto no Banco Mundial quanto no Fundo Monet&aacute;rio Internacional, os Estados Unidos comandam cerca de 16% dos votos, enquanto a China tem por volta de 4%. Em outras palavras, Pequim n&atilde;o determina as regras do jogo. Sem d&uacute;vidas, Xi tem suas pr&oacute;prias ideias sobre como manter o que os chineses poderiam chamar de os &quot;tr&ecirc;s equil\u00c3\u00adbrios&quot;\u009d: harmonia interna da China, suas rela&ccedil;&otilde;es com o exterior pr&oacute;ximo e a din&acirc;mica de &quot;aperta e afrouxa&quot;\u009d dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Entretanto, n&atilde;o &eacute; essa m\u00c3\u00adtica figura que o Ocidente espera que algum dia se produza na China. Xi &eacute; em parte seu pr&oacute;prio homem e em parte um homem do Partido. E, sob nenhum conceito, &eacute; o homem de Washington em Pequim. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>WASHINGTON, 17\/02\/2012 &ndash; Quando Hu Jintao assumiu as r&eacute;deas da China em 2002, v&aacute;rias empresas dos Estados Unidos viram nisso um bom sinal. 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