{"id":9496,"date":"2012-02-17T12:46:19","date_gmt":"2012-02-17T12:46:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9496"},"modified":"2012-02-17T12:46:19","modified_gmt":"2012-02-17T12:46:19","slug":"ocidente-da-tuna%c2%adsia-volta-a-se-rebelar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/02\/africa\/ocidente-da-tuna%c2%adsia-volta-a-se-rebelar\/","title":{"rendered":"Ocidente da Tun\u00c3\u00adsia volta a se rebelar"},"content":{"rendered":"<p>T\u00c3\u0161NIS, 17\/02\/2012 &ndash; m m&ecirc;s depois do primeiro anivers&aacute;rio de sua revolu&ccedil;&atilde;o, a Tun\u00c3\u00adsia &eacute; sacudida por protestos trabalhistas apoiados pela Uni&atilde;o Geral Tunisiana do Trabalho (UGTT), com epicentro nas regi&otilde;es pobres do ocidente do pa\u00c3\u00ads.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9496\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/TUNEZjpg.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9496\" class=\"size-medium wp-image-9496\" title=\"Gafsa, na Tun\u00c3\u00adsia, &eacute; uma localidade esquecida. - Jake Lippincott\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/TUNEZjpg.jpg\" alt=\"Gafsa, na Tun\u00c3\u00adsia, &eacute; uma localidade esquecida. - Jake Lippincott\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9496\" class=\"wp-caption-text\">Gafsa, na Tun\u00c3\u00adsia, &eacute; uma localidade esquecida. - Jake Lippincott\/IPS<\/p><\/div>  Historicamente, essa regi&atilde;o tem pouco desenvolvimento e &eacute; ignorada pelas regi&otilde;es costeiras dominantes. Esta desigualdade foi uma importante causa de mal-estar social desde, pelo menos, a independ&ecirc;ncia do pa\u00c3\u00ads, em 1956. A revolu&ccedil;&atilde;o do ano passado come&ccedil;ou na cidade de Sidi Bouzid, e muitos acreditam que uma greve organizada em 2008 pela ala insurgente da UGTT, na vizinha Gafsa, foi a precursora dos &uacute;ltimos levantes.            <\/p>\n<p> Gafsa e seus alde&otilde;es s&atilde;o conhecidos por sua riqueza em minas de fosfato. A minera&ccedil;&atilde;o &eacute; extremamente lucrativa, mas quem trabalha no setor e os moradores do lugar veem pouco desse lucro, que historicamente vai para as elites costeiras. A greve de 2008 rapidamente se viu diante da dura e fatal repress&atilde;o do governo. A popula&ccedil;&atilde;o de Gafsa esperava que a revolu&ccedil;&atilde;o do ano passado e as posteriores elei&ccedil;&otilde;es pusessem fim a d&eacute;cadas de corrup&ccedil;&atilde;o na regi&atilde;o. Mas se desiludiram.<\/p>\n<p>Na semana passada, duas irm&atilde;s de na faixa dos 20 anos de Gafsa, Sousou e Asma Didi, falaram com a IPS na &aacute;rea de cafeterias do hotel Jugorta, nos arredores da cidade. Apesar do luxuoso projeto do hotel, suas piscinas e fontes est&atilde;o secadas devido \u00c3\u00a0 escassez de &aacute;gua. Sousou nasceu em Gafsa e se mudou para a capital em busca de trabalho. Sua irm&atilde; Asma ainda vive em sua cidade natal. &quot;N&atilde;o h&aacute; nenhuma mudan&ccedil;a. Tomara que dentro de dez anos vejamos alguma&quot;\u00a6&quot;\u009d, disse Asma.<\/p>\n<p>Ambas votaram no Hizb Muqtamar (Congresso da Rep&uacute;blica), partido centrista que integra a coaliz&atilde;o governante junto com o esquerdista Ettakatol e o isl&acirc;mico Ennahda. Perguntada se pensa que a coaliz&atilde;o de governo faz um bom trabalho, Asma disse que n&atilde;o acredita nisto, acrescentando que os novos partidos deveriam combater mais a corrup&ccedil;&atilde;o end&ecirc;mica. A popula&ccedil;&atilde;o j&aacute; empobrecida tem de pagar para contar com servi&ccedil;os b&aacute;sicos e emprego, reclamou.<\/p>\n<p>Apesar dessa frustra&ccedil;&atilde;o, as duas irm&atilde;s se apressaram em culpar a velha ditadura pelos problemas de Gafsa. &quot;Estamos no zero. N&atilde;o &eacute; f&aacute;cil fazer mudan&ccedil;as agora&quot;\u009d, ponderou Asma. Os problemas n&atilde;o terminam com a emigra&ccedil;&atilde;o para regi&otilde;es da costa, comparativamente pr&oacute;speras. Os moradores de Gafsa e regi&otilde;es vizinhas s&atilde;o facilmente reconhecidos porque falam um dialeto do &aacute;rabe. Assim, sofrem uma discrimina&ccedil;&atilde;o flagrante e generalizada.<\/p>\n<p>A indigna&ccedil;&atilde;o por essa injusti&ccedil;a frequentemente se fez presente, inclusive durante a ditadura, quando o regime de Zine El Abidine Ben Ali (1987-2011) apoiou com firmeza o statu quo. Ap&oacute;s uma onda de demiss&otilde;es em 2008, os moradores de Gafsa organizaram uma greve maci&ccedil;a que s&oacute; terminou quando a pol\u00c3\u00adcia come&ccedil;ou a prender e torturar os organizadores, bem com a atirar contra os manifestantes nas ruas.<\/p>\n<p>A UGTT teve um papel amb\u00c3\u00adguo, tanto no levante de Gafsa de 2008 como na posterior revolu&ccedil;&atilde;o. Essa central sindical era reconhecida pela ditadura, e seus principais cargos sempre foram ocupados por aduladores mais leais ao regime do que aos seus pr&oacute;prios integrantes. Apesar disto, as bases da UGTT foram conhecidas por serem abertamente progressistas e pr&oacute;-democr&aacute;ticas. Antes da revolu&ccedil;&atilde;o, era a &uacute;nica institui&ccedil;&atilde;o nacional importante onde os cr\u00c3\u00adticos do regime podiam alcan&ccedil;ar certo grau de autoridade. Desde a revolu&ccedil;&atilde;o, a Uni&atilde;o esteve na primeira linha das demandas por maior igualdade regional e econ&ocirc;mica.<\/p>\n<p>Por telefone, de seu escrit&oacute;rio em Gafsa, o secret&aacute;rio-geral regional da UGTT, Mohamed Sghaiyer Miraoui, apoiou as manifesta&ccedil;&otilde;es e transmitiu as queixas de outras pessoas em sua regi&atilde;o. &quot;Os oper&aacute;rios da mina j&aacute; se dirigiram ao governo anterior reclamando mais direitos&quot;\u009d, contou \u00c3\u00a0 IPS. &quot;Exigimos o direito ao emprego (o desemprego se aproxima de 60% em certas &aacute;reas de Gafsa), compensa&ccedil;&otilde;es para fam\u00c3\u00adlias dos m&aacute;rtires (que morreram nos levantes de 2008 e 2011), seguro m&eacute;dico por acidente de trabalho e seguridade social para os aposentados. Nenhum governo jamais nos respondeu. S&oacute; palavras&quot;\u009d, denunciou.<\/p>\n<p>&quot;A UGTT d&aacute; as boas-vindas e apoia manifesta&ccedil;&otilde;es pacificas e que n&atilde;o alterem a ordem p&uacute;blica, bem como o funcionamento das empresas, e condena toda greve que bloqueie estradas e pro\u00c3\u00adba que outros trabalhadores fa&ccedil;am sua tarefa&quot;\u009d, acrescentou Miraoui. Em Gafsa e nas &aacute;ridas aldeias vizinhas, a pobreza e os persistentes grafites revolucion&aacute;rios s&atilde;o lembran&ccedil;as de quanto a Tun\u00c3\u00adsia avan&ccedil;ou no &uacute;ltimo ano, e de quanto ainda falta percorrer. O governo trava uma dura batalha para criar empregos e combater a desigualdade. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>T\u00c3\u0161NIS, 17\/02\/2012 &ndash; m m&ecirc;s depois do primeiro anivers&aacute;rio de sua revolu&ccedil;&atilde;o, a Tun\u00c3\u00adsia &eacute; sacudida por protestos trabalhistas apoiados pela Uni&atilde;o Geral Tunisiana do Trabalho (UGTT), com epicentro nas regi&otilde;es pobres do ocidente do pa\u00c3\u00ads. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/02\/africa\/ocidente-da-tuna%c2%adsia-volta-a-se-rebelar\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":656,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,6,11],"tags":[],"class_list":["post-9496","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-direitos-humanos","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9496","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/656"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9496"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9496\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9496"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9496"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9496"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}