{"id":9504,"date":"2012-02-22T06:17:22","date_gmt":"2012-02-22T06:17:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9504"},"modified":"2012-02-22T06:17:22","modified_gmt":"2012-02-22T06:17:22","slug":"mega-obras-facilitam-insera%c2%a7ao-de-haitianos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/02\/america-latina\/mega-obras-facilitam-insera%c2%a7ao-de-haitianos\/","title":{"rendered":"Mega obras facilitam inser&ccedil;&atilde;o de haitianos"},"content":{"rendered":"<p>Porto Velho, Brasil, 22\/02\/2012 &ndash; O haitiano Pierre estava na vizinha Rep&uacute;blica Dominicana quando o terremoto de janeiro de 2010 destruiu metade de Porto Pr\u00c3\u00adncipe e matou 200 mil compatriotas, entre eles sua mulher e sua m&atilde;e.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9504\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/0110-300x225.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9504\" class=\"size-medium wp-image-9504\" title=\"Hidrel&eacute;trica de Santo Antonio em plena constru&ccedil;&atilde;o, em outubro de 2010. - Mario Osava\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/0110-300x225.jpg\" alt=\"Hidrel&eacute;trica de Santo Antonio em plena constru&ccedil;&atilde;o, em outubro de 2010. - Mario Osava\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9504\" class=\"wp-caption-text\">Hidrel&eacute;trica de Santo Antonio em plena constru&ccedil;&atilde;o, em outubro de 2010. - Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>  Sobreviveram seus dois filhos, de 13 e 14 anos, os quais deixou com amigos para emigrar para o Brasil. A trag&eacute;dia de Pierre n&atilde;o terminou nesse dia. Depois seu filho mais novo morreu de fome. Agora, em meio ao desespero, envia tudo o que sobra de seu sal&aacute;rio de carregador de caminh&otilde;es ao filho que lhe resta. Enquanto isso tenta traz&ecirc;-lo para seu novo lugar no mundo, Porto Velho, capital de Rond&ocirc;nia.<\/p>\n<p>Este &eacute; um caso a mais entre os haitianos que chegam ao Brasil em busca de uma nova vida, em particular atr&aacute;s de dinheiro suficiente n&atilde;o apenas para sobreviver, mas tamb&eacute;m para ajudar suas fam\u00c3\u00adlias, que continuam sofrendo os danos do terremoto em seu pa\u00c3\u00ads, contou Marilia Pimentel, doutora em lingu\u00c3\u00adstica e volunt&aacute;ria em um grupo de apoio a imigrantes.<\/p>\n<p>Porto Velho se converteu em ponto de atra&ccedil;&atilde;o pelos empregos que oferece a constru&ccedil;&atilde;o pr&oacute;xima de duas grandes centrais hidrel&eacute;tricas no Rio Madeira, um dos grandes afluentes do Amazonas, al&eacute;m de pontes e amplia&ccedil;&atilde;o de estradas na regi&atilde;o. A hidrel&eacute;trica de Santo Antonio, que ter&aacute; capacidade para gerar 3.150 megawatts, a sete quil&ocirc;metros da cidade, acaba de contratar cem haitianos para os cargos de carpinteiro, pedreiro, eletricista e na &aacute;rea de hidr&aacute;ulica.<\/p>\n<p>Contudo, h&aacute; cerca de 700 desses novos imigrantes em Porto Velho e outros chegam diariamente, disse Geraldo Cotinguiba, antrop&oacute;logo que, com sua mulher Marilia, ajuda os haitianos a superarem a barreira profissional e social que implicam uma l\u00c3\u00adngua e uma cultura distintas. Ambos trabalham em colabora&ccedil;&atilde;o com a par&oacute;quia de S&atilde;o Jo&atilde;o Bosco, um bairro central, que oferece aos imigrantes alimenta&ccedil;&atilde;o e cursos de portugu&ecirc;s.<\/p>\n<p>&Eacute; tamb&eacute;m nessa igreja cat&oacute;lica que Samuel Dorvilus, haitiano de 30 anos, desempenha um papel importante. Ap&oacute;s ter ensinado ingl&ecirc;s e franc&ecirc;s aos brasileiros desde que chegou a Porto Velho, em mar&ccedil;o de 2011, agora &eacute; tradutor de creole (l\u00c3\u00adngua haitiana) e professor de portugu&ecirc;s para seus compatriotas. Nesta condi&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m foi contratado pela Odebrecht, empresa que lidera a constru&ccedil;&atilde;o da represa hidrel&eacute;trica de Santo Antonio em Porto Velho, e outros numerosos projetos dispersos pelo Brasil e em outros 34 pa\u00c3\u00adses em mais de quatro continentes.<\/p>\n<p>Al&eacute;m dos cem haitianos contratados para Santo Antonio, a Odebrecht tamb&eacute;m empregou 42 pessoas da mesma origem em Teles Pires, outra hidrel&eacute;trica que constr&oacute;i 800 quil&ocirc;metros a leste de Porto Velho; 40 para prepara uma base em Itagua\u00c3\u00ad, perto do Rio de Janeiro, para a Marinha fabricar submarinos; e 22 para uma unidade a&ccedil;ucareira em Goi&aacute;s. Estes trabalhadores recebem sal&aacute;rio e benef\u00c3\u00adcios semelhantes aos demais empregados, enquanto s&atilde;o capacitados profissionalmente e em l\u00c3\u00adngua portuguesa em cursos intensivos, para que assim possam manter suas fam\u00c3\u00adlias no Haiti e pagar as d\u00c3\u00advidas contra\u00c3\u00addas na longa viagem at&eacute; o Brasil, informou a empresa.<\/p>\n<p>A Odebrecht mant&eacute;m o Programa Acreditar de forma&ccedil;&atilde;o profissional para a m&atilde;o de obra local de onde atua. Cerca de 70% dos quase 20 mil trabalhadores de Santo Antonio passaram por estes cursos. A presen&ccedil;a haitiana em Rond&ocirc;nia &eacute; pequena, comparada com as comunidades de bolivianos e peruanos, mas se destaca por chegar de um pa\u00c3\u00ads distante, de popula&ccedil;&atilde;o negra e l\u00c3\u00adngua menos conhecida no Brasil do que o espanhol. &quot;S&atilde;o estrangeiros, n&atilde;o vizinhos&quot;\u009d, e, em geral, s&oacute; falam creole e franc&ecirc;s, explicou Marilia.<\/p>\n<p>Essa nova imigra&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m recorda o nascimento de Porto Velho, quando outros caribenhos tiveram grande participa&ccedil;&atilde;o. H&aacute; cem anos, alguns milhares de antilhanos de l\u00c3\u00adngua inglesa, chamados &quot;barbadianos&quot;\u009d porque a maioria era de Barbados, junto com brasileiros e estrangeiros de outras origens, como do resto da Am&eacute;rica, da \u00c3\u0081sia e da Europa, constru\u00c3\u00adram a ferrovia Madeira-Mamor&eacute; atrav&eacute;s de uma &aacute;rea in&oacute;spita de p&acirc;ntanos e florestas, entre o que depois seria Porto Velho e a fronteira com a Bol\u00c3\u00advia.<\/p>\n<p>Agora s&atilde;o os haitianos que restabelecem esse fio que une Porto Velho ao Caribe. Fugindo da mis&eacute;ria em seu pa\u00c3\u00ads, entram no Brasil pelas cidades amaz&ocirc;nicas de Brasileia e Tabatinga, nas fronteiras com Bol\u00c3\u00advia e Col&ocirc;mbia, respectivamente, aproveitando a falta de controle. Da\u00c3\u00ad se dispersam, buscando emprego nas mais variadas empresas, especialmente na constru&ccedil;&atilde;o civil, que vive um auge sem precedentes no Brasil, tanto de moradias como de infraestrutura energ&eacute;tica e transporte.<\/p>\n<p>Samuel fez o trajeto usual: de avi&atilde;o do Haiti ao Equador, e dali at&eacute; Brasileia, que exige passar por Peru e Bol\u00c3\u00advia. &quot;Primeiro tentei viajar para os Estados Unidos e depois para a Fran&ccedil;a, mas n&atilde;o consegui visto em nenhum dos casos&quot;\u009d, contou. Ent&atilde;o, optou pelo Brasil, baseado em informa&ccedil;&otilde;es sobre o &quot;povo acolhedor&quot;\u009d desse pa\u00c3\u00ads e a abund&acirc;ncia de empregos. Conseguiu visto de entrada e assim entrou legalmente no Brasil, acrescentou.<\/p>\n<p>Escolheu Porto Velho por ser um lugar &quot;tranquilo, onde se pode viver em paz&quot;\u009d. Uma cidade de 436 mil habitantes, sem a agita&ccedil;&atilde;o de grandes metr&oacute;poles. Este imigrante, que agora sonha trazer do Haiti sua mulher e o filho de dois anos, estima que 15% de seus compatriotas no Brasil ainda est&atilde;o sem trabalho.<\/p>\n<p>Cerca de cinco mil haitianos chegaram ao Brasil nos dois &uacute;ltimos anos, 3.500 deles se concentraram no Estado do Amazonas, especialmente em Manaus, segundo Marilia e Geraldo. Ambos pretendem criar um centro de estudos migrat&oacute;rios junto \u00c3\u00a0 estatal Universidade Federal de Rond&ocirc;nia, alegando que uma diversificada presen&ccedil;a nacional e estrangeira ajudou a formar a atual popula&ccedil;&atilde;o brasileira. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Porto Velho, Brasil, 22\/02\/2012 &ndash; O haitiano Pierre estava na vizinha Rep&uacute;blica Dominicana quando o terremoto de janeiro de 2010 destruiu metade de Porto Pr\u00c3\u00adncipe e matou 200 mil compatriotas, entre eles sua mulher e sua m&atilde;e. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/02\/america-latina\/mega-obras-facilitam-insera%c2%a7ao-de-haitianos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,6,5],"tags":[27,15,21],"class_list":["post-9504","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-direitos-humanos","category-economia","tag-brasil","tag-caribe","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9504","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9504"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9504\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9504"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9504"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9504"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}