{"id":9515,"date":"2012-02-24T08:26:12","date_gmt":"2012-02-24T08:26:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9515"},"modified":"2012-02-24T08:26:12","modified_gmt":"2012-02-24T08:26:12","slug":"populaa%e2%80%a1a%c6%92o-asia-os-males-de-preferir-filhos-homens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/02\/mundo\/populaa%e2%80%a1a%c6%92o-asia-os-males-de-preferir-filhos-homens\/","title":{"rendered":"POPULA\u00c3\u2021&Atilde;O-ASIA: Os males de preferir filhos homens"},"content":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 24\/02\/2012 &ndash; Em 2005, havia na \u00c3\u0081sia 163 milh&otilde;es a mais de homens do que de mulheres, uma quantidade superior ao total da popula&ccedil;&atilde;o feminina dos Estados Unidos.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9515\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/046-300x199.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9515\" class=\"size-medium wp-image-9515\" title=\"Um grupo de meninos chineses brinca no barro. Em 2013, um em cada dez homens em idade de casar n&atilde;o encontrar&aacute; companheira. - Jimmiehomeschoolmom\/CC BY 2.0\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/046-300x199.jpg\" alt=\"Um grupo de meninos chineses brinca no barro. Em 2013, um em cada dez homens em idade de casar n&atilde;o encontrar&aacute; companheira. - Jimmiehomeschoolmom\/CC BY 2.0\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9515\" class=\"wp-caption-text\">Um grupo de meninos chineses brinca no barro. Em 2013, um em cada dez homens em idade de casar n&atilde;o encontrar&aacute; companheira. - Jimmiehomeschoolmom\/CC BY 2.0<\/p><\/div>  Este desequil\u00c3\u00adbrio, para o qual o Ocidente pode ter contribu\u00c3\u00addo, apresenta v&aacute;rios problemas, alertam especialistas. O forte crescimento populacional da \u00c3\u0081sia nos anos 1970 fez o governo dos Estados Unidos temer que uma onda de imigrantes dessas latitudes chegasse at&eacute; este pa\u00c3\u00ads, por isso priorizou iniciativas de controle da natalidade nessa regi&atilde;o, afirmou a especialista Mara Hvistendahl.<\/p>\n<p>A Ag&ecirc;ncia dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, o Banco Mundial e outras organiza&ccedil;&otilde;es multilaterais come&ccedil;aram a destinar dinheiro para atender o que era visto como um problema a combater. Tamb&eacute;m houve esfor&ccedil;os para legalizar o aborto, n&atilde;o em defesa dos direitos das mulheres, mas como m&eacute;todo de controle da popula&ccedil;&atilde;o, disse a autora de Unnatural Selection: Choosing Boys Over Girls and the Consequences of a World Full of Men (Sele&ccedil;&atilde;o Pouco Natural: Preferindo Meninos a Meninas e as Consequ&ecirc;ncias de um Mundo Cheio de Homens).<\/p>\n<p>Os pesquisadores observaram que os casais, especialmente na \u00c3\u0081sia, continuavam tendo filhos em busca do var&atilde;o.<\/p>\n<p>Ent&atilde;o, lhes pareceu &oacute;bvio que o melhor m&eacute;todo para reduzir a taxa de natalidade era o conseguirem na primeira tentativa. O fato coincidiu com o desenvolvimento das tecnologias de reprodu&ccedil;&atilde;o, especialmente a possibilidade de saber o sexo do feto mediante a amniocentese. Assim, m&eacute;dicos do Instituto Todo \u00c3\u008dndia de Ci&ecirc;ncias M&eacute;dicas, financiado pelos norte-americanos Instituto Rockfeller e Funda&ccedil;&atilde;o Ford, fizerem experimentos, em 1975, com exames feitos de forma gratuita em mulheres pobres. Cerca de mil mulheres com fetos femininos decidiram abortar, e os m&eacute;dicos proclamaram o aborto seletivo como m&eacute;todo de controle populacional, explicou Hvistendahl.<\/p>\n<p>O aborto seletivo se propagou pela China e \u00c3\u008dndia, em particular. O m&eacute;todo contou com apoio do ent&atilde;o presidente do norte-americano Conselho de Popula&ccedil;&atilde;o, Bernard Berelson, do cientista alem&atilde;o Paul Ehrlich, e, inclusive, de mulheres como a ex-legisladora norte-americana Clare Boothe Luce. Por&eacute;m, a professora de economia Lena Edlund, da Universidade de Columbia, considera um exagero responsabilizar o Ocidente pela prefer&ecirc;ncia sexual do feto na \u00c3\u0081sia. A tecnologia facilitou enormemente uma prefer&ecirc;ncia existente, mas o mais importante foram as normas culturais e a disposi&ccedil;&atilde;o de rejeitar fetos femininos.<\/p>\n<p>O desequil\u00c3\u00adbrio de g&ecirc;nero n&atilde;o &eacute; exclusivo da China e da \u00c3\u008dndia, mas aparece cada vez mais na Coreia do Sul, Taiwan, Vietn&atilde;, Alb&acirc;nia, Arm&ecirc;nia e em outros pa\u00c3\u00adses do C&aacute;ucaso. Um estudo do Instituto Gallup de 2011 concluiu que, mesmo nos Estados Unidos, os pais preferem filhos homens. Apesar das suposi&ccedil;&otilde;es, a prefer&ecirc;ncia sexual n&atilde;o &eacute; consequ&ecirc;ncia de problemas econ&ocirc;micos ou de pol\u00c3\u00adticas de filho &uacute;nico. Hvistendahl acredita que se trata de uma &quot;escolha interna&quot;\u009d.<\/p>\n<p>&quot;O desejo de controlar a reprodu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; tudo. Por exemplo, um dia ser&aacute; poss\u00c3\u00advel escolher a altura. Como as pessoas altas costumam estar melhor na maioria das sociedades, &eacute; razo&aacute;vel pensar que com o tempo haver&aacute; um aumento de meninos e meninas de maior altura. Isso foi, mais ou menos, o que ocorreu com a prefer&ecirc;ncia pelo homem&quot;\u009d, detalhou a especialista.<\/p>\n<p>Agora aparecem as consequ&ecirc;ncias. Os homens nascidos na d&eacute;cada de 1980 na China n&atilde;o encontram mulheres, apontou Hvistendahl. Em 2013, um em cada dez chineses em idade de se casar n&atilde;o encontrar&aacute; companheira. Estima-se que, em 2020, no noroeste da \u00c3\u008dndia, entre 15% e 20% dos homens enfrentar&atilde;o o mesmo problema.<\/p>\n<p>&quot;Alguns economistas norte-americanos preveem que, na medida em que escasseiam as mulheres, estas ser&atilde;o mais valorizadas. Contudo, o que ocorreu &eacute; que, especialmente as mais pobres e em situa&ccedil;&otilde;es de risco, s&atilde;o consideradas cada vez mais como mercadoria valiosa. &Eacute; uma diferen&ccedil;a cr\u00c3\u00adtica&quot;\u009d, alertou Hvistendahl \u00c3\u00a0 IPS.<\/p>\n<p>Para Edlud, &eacute; errado considerar que o problema &eacute; s&oacute; a escassez de mulheres. &quot;A perspectiva masculina &eacute; que n&atilde;o h&aacute; mulheres suficientes para se casar ou ter uma companheira. A perspectiva feminina est&aacute; perdida porque, para elas, o problema &eacute; que as reduzem a uma propriedade produzida pelos pobres e vendida aos homens ricos&quot;\u009d, afirmou. &quot;Creio que a corre&ccedil;&atilde;o do desequil\u00c3\u00adbrio de g&ecirc;nero atende o problema dos homens, que n&atilde;o podem encontrar companheira, mas n&atilde;o a preocupa&ccedil;&atilde;o pelo bem-estar das mulheres&quot;\u009d, acrescentou.<\/p>\n<p>O informe sobre Tr&aacute;fico de Pessoas, do Departamento de Estado dos Estados Unidos de 2009, diz que o maior desequil\u00c3\u00adbrio na \u00c3\u0081sia &eacute; motivo do aumento do tr&aacute;fico sexual. H&aacute; uma tend&ecirc;ncia crescente neste continente para casamentos impostos, prostitui&ccedil;&atilde;o for&ccedil;ada e casamentos transfronteiri&ccedil;os, em que as mulheres de &aacute;reas pobres s&atilde;o entregues a homens de regi&otilde;es ricas. Algumas fam\u00c3\u00adlias pobres de pa\u00c3\u00adses como Vietn&atilde; preferem ter filhas com a esperan&ccedil;a de vend&ecirc;-las, o que leva a outro problema: n&atilde;o haver mulheres suficientes para os homens pobres. O que &eacute; preocupante, opinou Edlund, &eacute; que esta situa&ccedil;&atilde;o confinar&aacute; as mulheres a uma permanente &quot;subclasse&quot;\u009d.<\/p>\n<p>As pessoas pobres &quot;estar&atilde;o melhores com filhas, como no Vietn&atilde;, pois elas podem se casar com taiwaneses ou japoneses ou coreanos, em lugar de ter um filho que n&atilde;o poder&atilde;o fazer com mulheres vietnamitas porque v&atilde;o para outro pa\u00c3\u00ads&quot;\u009d, explicou. &quot;Depois teremos uma situa&ccedil;&atilde;o em que os pa\u00c3\u00adses ricos produzir&atilde;o homens, e as mulheres ser&atilde;o uma &quot;\u02dcsubclasse&quot;\u2122 dos setores pobres. Creio que &eacute; um grave problema&quot;\u009d, advertiu.<\/p>\n<p>Os governos tentam atender o problema proibindo o ultrassom que mostra o sexo do feto, mas, segundo Edlund, n&atilde;o &eacute; certo. &quot;Os exames pr&eacute;-natais fazem parte da aten&ccedil;&atilde;o para preservar a sa&uacute;de da m&atilde;e e do beb&ecirc; e &eacute; muito dif\u00c3\u00adcil proibir a determina&ccedil;&atilde;o do sexo do feto. Uma vez feita a identifica&ccedil;&atilde;o, &eacute; dif\u00c3\u00adcil o aborto seletivo sem ser totalmente proibido&quot;\u009d, afirmou. &quot;Creio que estas pr&aacute;ticas s&atilde;o fundamentalmente sem efici&ecirc;ncia, &eacute; poss\u00c3\u00advel que enviem um sinal, mas penso que &eacute; importante analisar as formas em que os pais discriminam as meninas e tentar retificar isso&quot;\u009d, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 24\/02\/2012 &ndash; Em 2005, havia na \u00c3\u0081sia 163 milh&otilde;es a mais de homens do que de mulheres, uma quantidade superior ao total da popula&ccedil;&atilde;o feminina dos Estados Unidos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/02\/mundo\/populaa%e2%80%a1a%c6%92o-asia-os-males-de-preferir-filhos-homens\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1186,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5,4],"tags":[17,25],"class_list":["post-9515","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","tag-asia-e-pacifico","tag-ibsa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9515","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1186"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9515"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9515\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9515"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9515"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9515"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}