{"id":9529,"date":"2012-02-28T06:59:03","date_gmt":"2012-02-28T06:59:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9529"},"modified":"2012-02-28T06:59:03","modified_gmt":"2012-02-28T06:59:03","slug":"reportagem-lentidao-e-lucro-pautam-reconstrua%c2%a7ao-apa%c2%b3s-o-terremoto-chileno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/02\/america-latina\/reportagem-lentidao-e-lucro-pautam-reconstrua%c2%a7ao-apa%c2%b3s-o-terremoto-chileno\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Lentid&atilde;o e lucro pautam reconstru&ccedil;&atilde;o ap\u00c3\u00b3s o terremoto chileno"},"content":{"rendered":"<p>ILOCA, Chile, 28\/02\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- O presidente do Chile, Sebasti&aacute;n Pi\u00c3\u00b1era, n&atilde;o poder&aacute; cumprir sua promessa de reconstru&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s o terremoto de 2010: 110 mil moradias reparadas e 112 mil novas at&eacute; o final de seu mandato em 2014.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9529\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/566_FOTO1_Marianela_JarroudIPS.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9529\" class=\"size-medium wp-image-9529\" title=\"Casa no povoado costeiro de Iloca mostra, dois anos depois, a magnitude do tsunami - Marianela Jarroud\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/566_FOTO1_Marianela_JarroudIPS.jpg\" alt=\"Casa no povoado costeiro de Iloca mostra, dois anos depois, a magnitude do tsunami - Marianela Jarroud\/IPS\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9529\" class=\"wp-caption-text\">Casa no povoado costeiro de Iloca mostra, dois anos depois, a magnitude do tsunami - Marianela Jarroud\/IPS<\/p><\/div>  Dois anos depois do terremoto e tsunami que sacudiram a regi&atilde;o centro-sul do Chile, milhares de v\u00c3\u00adtimas esperam uma solu&ccedil;&atilde;o habitacional que os afaste da maior trag&eacute;dia natural deste pa\u00c3\u00ads em meio s&eacute;culo. O terremoto de 8,8 graus na escala Richter durou quase tr&ecirc;s minutos e foi seguido de um poderoso tsunami. Mais de 520 pessoas morreram e cerca de um milh&atilde;o foram afetadas, segundo dados oficiais.<\/p>\n<p>Na madrugada de 27 de fevereiro de 2010, Rosa N&uacute;\u00c3\u00b1ez, de 75 anos, n&atilde;o conseguia conciliar o sono. Ela vive no pequeno povoado tur\u00c3\u00adstico de Iloca, no litoral do Pac\u00c3\u00adfico, aonde se chega, a partir de Santiago, percorrendo 300 quil&ocirc;metros de carro na dire&ccedil;&atilde;o sul. Ali teve durante anos um pequeno restaurante em uma casa que a &aacute;gua levou. Como n&atilde;o dormia, quando come&ccedil;ou o terremoto saiu correndo de sua casa e o suportou na intemp&eacute;rie.<\/p>\n<p>A casa ficava a cerca de cem metros do mar e a 30 metros de um morro frondoso onde se refugiou junto com a fam\u00c3\u00adlia de seu filho mais velho. J&aacute; no morro, ficou de costas para o Oceano a fim de n&atilde;o presenciar a destrui&ccedil;&atilde;o. &quot;N&atilde;o esque&ccedil;o o som do mar destruindo tudo, levando tudo o que constru\u00c3\u00admos com tanto esfor&ccedil;o&quot;\u009d, contou ao Terram&eacute;rica. Duas horas depois, quando regressou com seu filho, comprovou que &quot;o mar levara tudo. N&atilde;o havia paredes, o mar havia engolido tudo&quot;\u009d. Hoje, vive em uma pequena casa s&oacute;lida que j&aacute; possu\u00c3\u00ada perto da que perdeu e que conseguiu recuperar com ajuda.<\/p>\n<p>Seu filho mais velho mora ao lado, em uma pequena constru&ccedil;&atilde;o que levantou a partir da metade de uma meia-&aacute;gua (casa pr&eacute;-fabricada, de madeira, sem banheiro) que recebeu em doa&ccedil;&atilde;o. Seu filho mais novo, pescador de of\u00c3\u00adcio, ocupa uma cabana de madeira com banheiro em um pequeno conjunto habitacional doado por um estrangeiro. Na parte posterior, est&aacute; construindo uma casa mais s&oacute;lida. Perdido o restaurante, Rosa sobrevive da ajuda de seus filhos.<\/p>\n<p>A paisagem de Iloca, na regi&atilde;o central do Maule, n&atilde;o recuperou sua tranquila beleza. Os escombros continuam na costa. Casas que foram luxuosos abrigos de veraneio ainda se erguem com vista para o mar, mas com danos irrepar&aacute;veis. Apenas a metros delas, pescadores e trabalhadores rurais vivem em acampamentos de meia-&aacute;gua. Segundo dados oficiais, foram feitas 76 mil obras de repara&ccedil;&atilde;o e reconstru&ccedil;&atilde;o de moradias nas seis regi&otilde;es afetadas (B\u00c3\u00ado-B\u00c3\u00ado, La Araucan\u00c3\u00ada, Maule, O&quot;\u2122Higgins, Santiago e Valpara\u00c3\u00adso) e outras 140 mil est&atilde;o em execu&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Entretanto, esses dados s&atilde;o refugados pelas v\u00c3\u00adtimas, que se queixam da lentid&atilde;o na reconstru&ccedil;&atilde;o. Lorena Arce, porta-voz das v\u00c3\u00adtimas do povoado costeiro e tur\u00c3\u00adstico de Dichato, em B\u00c3\u00ado-B\u00c3\u00ado, no sul, afirma que apenas 10% das casas derrubadas ali foram reconstru\u00c3\u00addas, e correspondem a pessoas de escassos recursos que habitam em acampamentos ou aldeias. Os outros 90% das fam\u00c3\u00adlias que ficaram sem teto s&atilde;o de classe m&eacute;dia, e muitas n&atilde;o foram atendidas pelo programa de reconstru&ccedil;&atilde;o do governo, assegurou Lorena.<\/p>\n<p>Para a senadora Ximena Rinc&oacute;n, do opositor Partido Democrata Crist&atilde;o, &quot;o governo fixou n&uacute;meros para poder medir um maior avan&ccedil;o mesclando subs\u00c3\u00addios de reconstru&ccedil;&atilde;o com subs\u00c3\u00addios ordin&aacute;rios&quot;\u009d. H&aacute; &quot;uma mistura pouco transparente, que n&atilde;o permite dimensionar qual &eacute; progresso real&quot;\u009d, disse ao Terram&eacute;rica. O presidente Sebasti&aacute;n Pi\u00c3\u00b1era se comprometeu a entregar 110 mil casas reparadas e 112 mil novas ao t&eacute;rmino de seu mandato em mar&ccedil;o de 2014. Esta promessa n&atilde;o ser&aacute; cumprida, afirmou Ximena, senadora pelo Maule. &quot;Haver&aacute; muita frustra&ccedil;&atilde;o na popula&ccedil;&atilde;o por causa das promessas n&atilde;o cumpridas&quot;\u009d, ressaltou.<\/p>\n<p>Em viagem por cinco das seis regi&otilde;es afetadas, entre os dias 21 e 27 deste m&ecirc;s, o presidente repetiu seu compromisso de que &quot;nenhuma fam\u00c3\u00adlia passar&aacute; mais do que dois invernos vivendo em aldeias que eram solu&ccedil;&otilde;es de emerg&ecirc;ncia e transit&oacute;rias&quot;\u009d. Contudo, reconheceu que isto &quot;n&atilde;o ser&aacute; poss\u00c3\u00advel antes de come&ccedil;ar o pr&oacute;ximo inverno&quot;\u009d austral. Enquanto isso, a televis&atilde;o divulga uma campanha publicit&aacute;ria que custou US$ 805 mil sobre os progressos na reconstru&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O territ&oacute;rio afetado &eacute; uma faixa de 600 quil&ocirc;metros de extens&atilde;o. Rosa e grande parte dos moradores de Iloca e seus arredores asseguram que n&atilde;o viram a ajuda do governo. Como puderam, se colocaram de p&eacute; lan&ccedil;ando m&atilde;o de suas economias e com doa&ccedil;&otilde;es privadas de meia-&aacute;gua e utens\u00c3\u00adlios dom&eacute;sticos para os mais necessitados. Os especialistas acreditam que o problema est&aacute; no modelo da reconstru&ccedil;&atilde;o, centrado na promo&ccedil;&atilde;o da constru&ccedil;&atilde;o de casas por meio da destina&ccedil;&atilde;o de subs\u00c3\u00addios que devem ser executados pela ind&uacute;stria imobili&aacute;ria.<\/p>\n<p>Se as empresas estimam que os subs\u00c3\u00addios governamentais est&atilde;o abaixo do valor que cobram pela casa constru\u00c3\u00adda, o neg&oacute;cio n&atilde;o &eacute; lucrativo para elas, e o Estado n&atilde;o pode responder. Al&eacute;m da lentid&atilde;o, segundo Lorena, as empresas entregam casas de menor qualidade para compensar a rentabilidade que consideram reduzida. O Chile conta com normas antiterremotos para a constru&ccedil;&atilde;o, mas elas n&atilde;o existem em rela&ccedil;&atilde;o a tsunami. Neste aspecto, a localiza&ccedil;&atilde;o das edifica&ccedil;&otilde;es e a proximidade da costa s&atilde;o cruciais.<\/p>\n<p>Lorena afirma que h&aacute; expropria&ccedil;&atilde;o de terrenos na borda costeira, mas, ao mesmo tempo, s&atilde;o erguidos nestas &aacute;reas grandes edif\u00c3\u00adcios ao estilo de complexos tur\u00c3\u00adsticos. Por&eacute;m, ela n&atilde;o perde a esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p>&quot;Esperamos que o governo trabalhe com consci&ecirc;ncia, que reconhe&ccedil;a que ainda h&aacute; muito por construir, que d&ecirc; mais recursos porque s&atilde;o necess&aacute;rios, n&atilde;o pode fazer uma reconstru&ccedil;&atilde;o de papel&atilde;o, que aplique mais esfor&ccedil;os, que tenha pol\u00c3\u00adticas de Estado que sejam cont\u00c3\u00adnuas e transpassem para o novo governo que come&ccedil;ar&aacute; em 2014&quot;\u009d, manifestou ao Terram&eacute;rica.<\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; dados oficiais sobre escolas danificadas ou destru\u00c3\u00addas, mas muitas foram substitu\u00c3\u00addas por salas modulares pr&eacute;-fabricadas, com a de Iloca, que foi doada por privados. Estudantes secundaristas, que em 2011 protagonizaram o maior protesto social em 20 anos de democracia, preparam mobiliza&ccedil;&otilde;es contra a lenta reconstru&ccedil;&atilde;o das escolas, e organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil aprontam uma pesquisa p&uacute;blica nacional sobre os avan&ccedil;os no tema.<\/p>\n<p>* A autora &eacute; colaboradora da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ILOCA, Chile, 28\/02\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- O presidente do Chile, Sebasti&aacute;n Pi\u00c3\u00b1era, n&atilde;o poder&aacute; cumprir sua promessa de reconstru&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s o terremoto de 2010: 110 mil moradias reparadas e 112 mil novas at&eacute; o final de seu mandato em 2014. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/02\/america-latina\/reportagem-lentidao-e-lucro-pautam-reconstrua%c2%a7ao-apa%c2%b3s-o-terremoto-chileno\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5],"tags":[21],"class_list":["post-9529","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9529","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9529"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9529\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9529"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9529"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9529"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}