{"id":953,"date":"2005-08-30T00:00:00","date_gmt":"2005-08-30T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=953"},"modified":"2005-08-30T00:00:00","modified_gmt":"2005-08-30T00:00:00","slug":"desenvolvimento-a-ameaa-nuclear-e-seus-verdadeiros-responsveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/08\/america-latina\/desenvolvimento-a-ameaa-nuclear-e-seus-verdadeiros-responsveis\/","title":{"rendered":"Desenvolvimento: A amea&ccedil;a nuclear e seus verdadeiros respons&aacute;veis"},"content":{"rendered":"<p>Genebra, 30\/08\/2005 &ndash; Alemanha, Fran&ccedil;a e Gr&atilde;-Bretanha tentam dissuadir o Ir&atilde; de continuar com seu programa de produ&ccedil;&atilde;o de combust&iacute;vel nuclear. Os Estados Unidos n&atilde;o acreditam em uma solu&ccedil;&atilde;o negociada e Bush declarou que a op&ccedil;&atilde;o militar est&aacute; sobre a mesa. A alimenta&ccedil;&atilde;o a combust&iacute;vel das centrais nucleares requer a realiza&ccedil;&atilde;o do chamado ciclo do combust&iacute;vel, que tem entre suas etapas o enriquecimento do ur&acirc;nio. Muitos pa&iacute;ses possuidores de centrais nucleares n&atilde;o realizam o enriquecimento, mas compram o ur&acirc;nio enriquecido no exterior de um reduzido grupo de pa&iacute;ses que o produzem: Estados Unidos, Fran&ccedil;a, R&uacute;ssia, Reino Unido, Jap&atilde;o e Holanda. Isso tem um custo elevado e cria uma depend&ecirc;ncia em mat&eacute;ria energ&eacute;tica.<br \/> <!--more--> <br \/> O combust&iacute;vel nuclear serve para outros usos: em pesquisa cient&iacute;fica, como energia propulsora, em aplica&ccedil;&otilde;es terap&ecirc;uticas de seus derivados e, claro, para a fabrica&ccedil;&atilde;o de armas nucleares, embora neste &uacute;ltimo caso seja necess&aacute;rio um ur&acirc;nio muito mais enriquecido. Por exemplo, o Brasil, que tem a sexta reserva mundial de ur&acirc;nio e conta com duas centrais nucleares de energia el&eacute;trica, desenvolveu uma tecnologia pr&oacute;pria para enriquecer o ur&acirc;nio e decidiu utiliz&aacute;-la sem necessidade de recorrer a empresas estrangeiras. A Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional da Energia At&ocirc;mica (OIEA) autorizou o Brasil, em novembro de 2004, a realizar estas atividades, as mesmas que o Ir&atilde; pretende realizar, apesar de o Brasil ter colocado obst&aacute;culos para a inspe&ccedil;&atilde;o, alegando que queria preservar o segredo de sua tecnologia pr&oacute;pria de enriquecimento de ur&acirc;nio.<\/p>\n<p> O Tratado de N&atilde;o-prolifera&ccedil;&atilde;o (TNP), do qual o Ir&atilde; &eacute; parte e que se afirma que esse pa&iacute;s est&aacute; violando, tem por objetivo evitar a prolifera&ccedil;&atilde;o das armas nucleares (isto &eacute;, impedir que outros Estados, al&eacute;m dos que j&aacute; as possuam, contem com armas nucleares), fomentar a coopera&ccedil;&atilde;o para o uso pac&iacute;fico da energia nuclear e promover a meta de conseguir o desarmamento nuclear (que inclui os Estados que j&aacute; possuem armas nucleares), bem como o desarmamento geral e completo. O TNP entrou em vigor em 1970 e foi assinado por 188 pa&iacute;ses, incluindo os cinco que oficialmente possuem armas nucleares: China, Estados Unidos, Gr&atilde;-Bretanha, Fran&ccedil;a e R&uacute;ssia. As estimativas mais conservadoras atribuem atualmente aos Estados Unidos a posse de seis mil m&iacute;sseis nucleares, &agrave; R&uacute;ssia cinco mil, &agrave; China 400, &agrave; Fran&ccedil;a 350 e &agrave; Gr&atilde;-Bretanha 200. &Iacute;ndia, Israel e Paquist&atilde;o nunca assinaram o TNP, enquanto a Cor&eacute;ia do Norte se retirou do mesmo em 2003. Estima-se que a &Iacute;ndia possua cerca de 70 m&iacute;sseis nucleares, Israel entre cem e 300 e o Paquist&atilde;o 45.<\/p>\n<p> O objetivo do TNP &eacute; que os Estados que t&ecirc;m armas nucleares iniciem um processo de destrui&ccedil;&atilde;o at&eacute; sua total elimina&ccedil;&atilde;o e impedir que outros Estados comecem a fabric&aacute;-las . Ent&atilde;o n&atilde;o existe base jur&iacute;dica alguma para exigir que o Ir&atilde; n&atilde;o prossiga com seu programa de realiza&ccedil;&atilde;o completa do ciclo do combust&iacute;vel nuclear, inclu&iacute;do o enriquecimento do ur&acirc;nio, com o Brasil faz legitimamente, sem que a OIEA neste &uacute;ltimo caso, apresente obje&ccedil;&otilde;es. As raz&otilde;es da agita&ccedil;&atilde;o em torno do Ir&atilde; devem ser buscadas em outra parte:<\/p>\n<p> 1. O interesse de alguns pa&iacute;ses em conservar o oligop&oacute;lio do neg&oacute;cio do enriquecimento de ur&acirc;nio;<\/p>\n<p> 2. No fato de o Ir&atilde;, segundo Bush, fazer parte do &quot;eixo do mal&quot; e n&atilde;o poder receber o mesmo tratamento que os &quot;pa&iacute;ses amigos&quot; que enriqueceram ur&acirc;nio (com todo direito) ou que possuem bombas at&ocirc;micas, como Israel, este &uacute;ltimo em total contradi&ccedil;&atilde;o com o objetivo fixado de elimina&ccedil;&atilde;o de todas as armas nucleares;<\/p>\n<p> 3. A economia dos Estados Unidos aparece florescente gra&ccedil;as em parte aos excelentes neg&oacute;cios realizados por suas ind&uacute;strias militar e colaterais com as guerras do Golfo, da Iugosl&aacute;via, do Afeganist&atilde;o e do Iraque (quatro guerras em 14 anos);<\/p>\n<p> 4. Os pa&iacute;ses europeus que tentam negociar com o Ir&atilde;, incapazes ou carentes da vontade pol&iacute;tica de enfrentar os Estados Unidos e sua pol&iacute;tica militarista e agressiva, provavelmente optem por convencer o Ir&atilde; a ceder para tirar dos Estados Unidos o pretexto para desatar uma nova guerra. E a OIEA entra no jogo. Se repete, de alguma maneira, a hist&oacute;ria do Iraque e de suas supostas armas de destrui&ccedil;&atilde;o em massa;<\/p>\n<p> 5. Se existe amea&ccedil;a nuclear, s&atilde;o precisamente os cinco membros do &quot;clube nuclear&quot; seus &uacute;nicos autores. Os Estados Unidos s&atilde;o o &uacute;nico pa&iacute;s que utilizou a bomba at&ocirc;mica, e os cinco com seus testes nucleares contaminaram a si pr&oacute;prios e a estrangeiros. Washington continua com seus programas de armas nucleares e manifesta sua inten&ccedil;&atilde;o de utiliz&aacute;-las de maneira preventiva.<\/p>\n<p> No plano normativo, a pol&iacute;tica norte-americana &eacute; o principal obst&aacute;culo ao objetivo de eliminar as armas nucleares. Na confer&ecirc;ncia da revis&atilde;o do TNP de 2000, Estados Unidos e outros pa&iacute;ses signat&aacute;rios acertaram 13 compromissos espec&iacute;ficos sobre desarmamento, come&ccedil;ando pelo fim dos testes de armas nucleares. O governo Bush declarou que n&atilde;o acataria esses compromissos. A pronta entrada em vigor do Tratado de Proibi&ccedil;&atilde;o Completa dos Testes Nucleares de 1996 foi uma das quest&otilde;es examinadas na VI Confer&ecirc;ncia do TNP de 2000. Em janeiro &uacute;ltimo esse tratado foi assinado por 174 Estados e ratificado por 120. Os cinco Pa&iacute;ses que possuem armas nucleares assinaram o documento. R&uacute;ssia, Fran&ccedil;a e Reino Unido o ratificaram. Estados Unidos e China, n&atilde;o.<\/p>\n<p> Embora a seguran&ccedil;a e estabilidade no Oriente M&eacute;dio exijam a total elimina&ccedil;&atilde;o de armas nucleares e de outros tipos de armas de destrui&ccedil;&atilde;o em massa, e ainda de existir uma Iniciativa &Aacute;rabe em favor da cria&ccedil;&atilde;o de uma Zona Livre de Armas de Destrui&ccedil;&atilde;o em Massa nessa regi&atilde;o, n&atilde;o existe tratado em perspectiva, pois a regra n&atilde;o escrita imposta pelos Estados Unidos &eacute; manter o statu quo que consiste em Israel possuir bombas at&ocirc;micas e seus vizinhos n&atilde;o poderem nem mesmo desenvolver uma tecnologia nuclear. A VII Confer&ecirc;ncia dos pa&iacute;ses signat&aacute;rios do TNP, realizado em maio passado, terminou em um fracasso total, pois n&atilde;o houve consenso entre os delegados de 188 pa&iacute;ses sobre os temas principais, em primeiro lugar o desarmamento nuclear. <\/p>\n<p> Uma esmagadora maioria de pa&iacute;ses expressou sua vontade de que as pot&ecirc;ncias nucleares declaradas levem a s&eacute;rio suas obriga&ccedil;&otilde;es com o TNP, realizando dr&aacute;sticos cortes em seus arsenais. Mas Washington preferiu manter o eixo das conversa&ccedil;&otilde;es no suposto desenvolvimento de armamento por parte do Ir&atilde; e da Cor&eacute;ia do Norte e limitou sua atua&ccedil;&atilde;o a destacar a import&acirc;ncia dos aspectos de n&atilde;o-prolifera&ccedil;&atilde;o do TNP. Conhecendo todos estes elementos, que n&atilde;o costumam aparecer nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa, &eacute; leg&iacute;timo perguntar se a amea&ccedil;a nuclear prov&eacute;m do Ir&atilde; ou dos Estados Unidos. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p> (*) Alejandro Teitelbaum, advogado, especialista em rela&ccedil;&otilde;es internacionais e Representante Permanente da Associa&ccedil;&atilde;o Americana de Juristas junto aos organismos das Na&ccedil;&otilde;es Unidas em Genebra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Genebra, 30\/08\/2005 &ndash; Alemanha, Fran&ccedil;a e Gr&atilde;-Bretanha tentam dissuadir o Ir&atilde; de continuar com seu programa de produ&ccedil;&atilde;o de combust&iacute;vel nuclear. Os Estados Unidos n&atilde;o acreditam em uma solu&ccedil;&atilde;o negociada e Bush declarou que a op&ccedil;&atilde;o militar est&aacute; sobre a mesa. A alimenta&ccedil;&atilde;o a combust&iacute;vel das centrais nucleares requer a realiza&ccedil;&atilde;o do chamado ciclo do combust&iacute;vel, que tem entre suas etapas o enriquecimento do ur&acirc;nio. Muitos pa&iacute;ses possuidores de centrais nucleares n&atilde;o realizam o enriquecimento, mas compram o ur&acirc;nio enriquecido no exterior de um reduzido grupo de pa&iacute;ses que o produzem: Estados Unidos, Fran&ccedil;a, R&uacute;ssia, Reino Unido, Jap&atilde;o e Holanda. 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