{"id":9533,"date":"2012-02-28T09:18:16","date_gmt":"2012-02-28T09:18:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9533"},"modified":"2012-02-28T09:18:16","modified_gmt":"2012-02-28T09:18:16","slug":"amarica-latina-banco-de-prova-da-moeda-chinesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/02\/america-latina\/amarica-latina-banco-de-prova-da-moeda-chinesa\/","title":{"rendered":"Am\u00c3\u00a9rica Latina, banco de prova da moeda chinesa"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 28\/02\/2012 &ndash; A China colocou a Am&eacute;rica Latina na al&ccedil;a de mira para experimentar testar sua moeda, yuan &quot;\u201c ou renminbil &quot;\u201c como divisa em substitui&ccedil;&atilde;o ao d&oacute;lar, aproveitando a crescente expans&atilde;o de seu com&eacute;rcio e de seus investimentos. <!--more--> Mas, como o volume ainda &eacute; insignificante, o impacto nas economias da regi&atilde;o &eacute; uma inc&oacute;gnita.<\/p>\n<p>O surgimento da crise financeira de 2008 nos Estados Unidos, que depois saltou fronteiras at&eacute; afetar, hoje em dia, especialmente o mundo industrializado, levou a China a impulsionar a utiliza&ccedil;&atilde;o de sua moeda nas transa&ccedil;&otilde;es com seus principais s&oacute;cios, explicou \u00c3\u00a0 IPS o economista brasileiro Rodrigo Branco.<\/p>\n<p>&quot;Esta mudan&ccedil;a se deu principalmente pela necessidade de garantir um abastecimento cont\u00c3\u00adnuo de mat&eacute;rias-primas e tamb&eacute;m pela instabilidade das economias industrializadas&quot;\u009d, acrescentou Branco, da Funda&ccedil;&atilde;o de Com&eacute;rcio Exterior.<\/p>\n<p>A China, que desde 2008 faz parte do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), aumentou seu interc&acirc;mbio comercial com os pa\u00c3\u00adses da Am&eacute;rica Latina e do Caribe quase 16 vezes desde uma d&eacute;cada atr&aacute;s at&eacute; alcan&ccedil;ar no ano passado US$ 188 bilh&otilde;es. S&oacute; com o Brasil, que tem na China seu principal investidor e s&oacute;cio comercial, o interc&acirc;mbio chegou em 2011 a US$ 77 bilh&otilde;es, 37,5% a mais do que em 2010.<\/p>\n<p>Neste contexto, &quot;a China se lan&ccedil;ou a financiar infraestrutura na regi&atilde;o para expandir sua produ&ccedil;&atilde;o e, assim, garantir suas fontes de mat&eacute;ria-prima, em lugar de tentar reduzir os pre&ccedil;os de suas importa&ccedil;&otilde;es&quot;\u009d, afirmou \u00c3\u00a0 IPS o diretor da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Com&eacute;rcio Exterior, economista Jos&eacute; Augusto de Castro.<\/p>\n<p>Neste financiamento e incremento comercial entra em jogo o yuan, nome da pe&ccedil;a de valor &quot;1&quot;\u009d da moeda chinesa, como &eacute; conhecida no exterior, embora sua denomina&ccedil;&atilde;o oficial seja renminbi. Essa coincid&ecirc;ncia se v&ecirc;, por exemplo, em empr&eacute;stimos a pa\u00c3\u00adses como a Venezuela, com o qual Pequim mant&eacute;m uma rela&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica, como afirmou o presidente Hugo Ch&aacute;vez.<\/p>\n<p>Um artigo do jornal The Wall Street Journal diz que os bancos estatais chineses buscam expandir seus cr&eacute;ditos a pa\u00c3\u00adses latino-americanos fornecedores de mat&eacute;rias-primas-chaves (minerais e alimentos), estimulando o uso do yuan frente ao d&oacute;lar como parte de uma estrat&eacute;gia para promover sua moeda no com&eacute;rcio internacional.<\/p>\n<p>O Banco de Exporta&ccedil;&otilde;es-Importa&ccedil;&otilde;es da China (China Exim) negocia com o BID a cria&ccedil;&atilde;o de um fundo em yuan, equivalente a US$ 1bilhao, para iniciativas de infraestrutura. As duas institui&ccedil;&otilde;es assinaram um acordo em setembro atrav&eacute;s do qual o China Exim se compromete a oferecer at&eacute; US$ 200 milh&otilde;es para financiar o com&eacute;rcio entre esse pa\u00c3\u00ads e a regi&atilde;o, sendo uma parte em yuan.<\/p>\n<p>A decis&atilde;o chinesa de fortalecer o BID tamb&eacute;m mostra, segundo Castro, seu interesse priorit&aacute;rio em melhorar a infraestrutura latino-americana. Para Branco, &quot;o mais importante neste assunto &eacute; a mudan&ccedil;a de postura do governo chin&ecirc;s, que antes n&atilde;o queria converter o yuan em uma moeda de circula&ccedil;&atilde;o internacional porque sua poss\u00c3\u00advel volatilidade faria o pa\u00c3\u00ads ficar ref&eacute;m da situa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica externa&quot;\u009d.<\/p>\n<p>&quot;O efeito nas economias latino-americanas de um yuan convertido em divisa internacional ainda &eacute; incerto. N&atilde;o temos como avaliar os impactos enquanto n&atilde;o houver um mercado j&aacute; formado e negociando a moeda livremente&quot;\u009d, afirmou Branco.<\/p>\n<p>O economista recordou que a China demonstrou interesse na regi&atilde;o de tr&ecirc;s maneiras: pela compra direta de minerais e produtos agropecu&aacute;rios de pa\u00c3\u00adses com vantagens comparativas, como Brasil, Argentina e Chile; na fus&atilde;o ou cria&ccedil;&atilde;o de empresas binacionais, e em cr&eacute;ditos e aportes de capitais, com linhas em yuan, para financiar importa&ccedil;&otilde;es e infraestruturas.<\/p>\n<p>O aumento das negocia&ccedil;&otilde;es em yuan tem como finalidade diversificar o risco em rela&ccedil;&atilde;o ao d&oacute;lar e ao euro, diante da volatilidade destas duas &uacute;ltimas moedas&quot;\u009d, ressaltou Branco. &quot;Al&eacute;m disso, o aumento na circula&ccedil;&atilde;o internacional da moeda chinesa busca a implanta&ccedil;&atilde;o de uma nova divisa, que j&aacute; est&aacute; sendo negociada em mercados importantes como o de Hong Kong&quot;\u009d, acrescentou.<\/p>\n<p>Castro tampouco acredita que o aporte em yuan dos novos cr&eacute;ditos tenha efeitos no com&eacute;rcio ou nas pol\u00c3\u00adticas monet&aacute;rias da regi&atilde;o no curto prazo, pois para essa moeda se converter em uma divisa internacional teriam que existir outras condi&ccedil;&otilde;es pol\u00c3\u00adticas na China. &quot;O sistema chin&ecirc;s e fechado. Todos sabemos que o governo ajusta a taxa de c&acirc;mbio segundo seus interesses. Teria que criar credibilidade internacional para que a conversibilidade de sua moeda fosse aplicada na pr&aacute;tica, e n&atilde;o na teoria&quot;\u009d, concluiu.<\/p>\n<p>O economista Mauricio Claveri, da consultoria Abeceb, considera que para analisar eventuais efeitos da introdu&ccedil;&atilde;o do yuan no com&eacute;rcio regional &eacute; preciso se voltar ao que ocorreu dentro do Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. &quot;A experi&ecirc;ncia de com&eacute;rcio em moedas locais entre Brasil e Argentina &eacute; que apenas um setor muito reduzido, de 2% a 2,5% do interc&acirc;mbio, &eacute; feito em moedas locais. Mas as grandes empresas continuam usando do d&oacute;lar&quot;\u009d, afirmou. Inclusive, Brasil e Argentina tinham a ideia de somar a essa iniciativa Uruguai e Chile, mas n&atilde;o o fizeram, e &quot;o sistema nunca decolou, porque as companhias est&atilde;o muito apegadas ao d&oacute;lar&quot;\u009d, disse o especialista \u00c3\u00a0 IPS.<\/p>\n<p>Mas a poss\u00c3\u00advel expans&atilde;o do yuan na Am&eacute;rica Latina apresenta outras d&uacute;vidas. Por exemplo, o que se faria com essa divisa? Branco disse que a primeira utiliza&ccedil;&atilde;o do yuan seria em futuras negocia&ccedil;&otilde;es com a pr&oacute;pria China. &quot;Essa moeda poderia ser usada como garantir de contratos em momentos em que o euro ou o d&oacute;lar apresentem maior volatilidade, como ocorreu ultimamente&quot;\u009d, afirmou. Por&eacute;m, a cria&ccedil;&atilde;o de reserva em yuan ocorreria em um segundo momento, depois da solidifica&ccedil;&atilde;o do mercado financeiro global nessa moeda, ressaltou.<\/p>\n<p>Para Castro, &quot;como o yuan n&atilde;o &eacute; uma moeda convers\u00c3\u00advel, teria dificuldades para ser negociada no mercado interno&quot;\u009d. No caso do Brasil, o Banco Central deveria absorver os yuans e depois tentar coloc&aacute;-los no mercado internacional, o que implica um risco financeiro, afirmou.<\/p>\n<p>Um informe do centro norte-americano de an&aacute;lises Di&aacute;logo Interamericano publicado este m&ecirc;s mostra que a China concedeu cr&eacute;ditos de US$ 37 bilh&otilde;es \u00c3\u00a0 Am&eacute;rica Latina em 2010, mais do que emprestaram juntos Banco Mundial, BID e o banco de exporta&ccedil;&otilde;es e importa&ccedil;&otilde;es dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Mais de 90% desse valor foram destinados a Brasil, Venezuela, Argentina e Equador, especialmente para financiar a compra de mat&eacute;ria-primas e para empresas com capital chin&ecirc;s com investimentos nesses pa\u00c3\u00adses. Na&ccedil;&otilde;es como Venezuela e Equador, para os quais n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil obter empr&eacute;stimos multilaterais, se beneficiam particularmente dessa assist&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Dentro de um plano estrat&eacute;gico de pelo menos 20 anos, a China emprestou desde 2007 \u00c3\u00a0 Venezuela mais de US$ 40 bilh&otilde;es. O primeiro empr&eacute;stimo foi de US$ 4 bilh&otilde;es, do qual foram feitas reposi&ccedil;&otilde;es para um &quot;fundo sino-venezuelano&quot;\u009d para investimentos em infraestrutura e programas sociais cujas cifras exatas n&atilde;o s&atilde;o conhecidas.<\/p>\n<p>Em 2010 foi negociada uma linha de cr&eacute;dito de US$ 20 bilh&otilde;es, metade deles nesta moeda e metade em yans, destinada fundamentalmente \u00c3\u00a0 compra de bens e ao pagamento de servi&ccedil;os \u00c3\u00a0 China. tamb&eacute;m as corpora&ccedil;&otilde;es petroleiras chinesas CNPC e CNOOC puseram \u00c3\u00a0 disposi&ccedil;&atilde;o da estatal Petr&oacute;leos Venezuelanos v&aacute;rios milhares de milh&otilde;es de d&oacute;lares para projetos do setor.<\/p>\n<p>Os investimentos chineses na Venezuela v&atilde;o desde produ&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo at&eacute; ferrovias, obras de infraestrutura, constru&ccedil;&atilde;o habitacional e unidades de montagem de carros, motos e telefones celulares, entre outras. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>*Com as colabora&ccedil;&otilde;es de Marcela Valente (Buenos Aires) e Humberto M&aacute;rquez (Caracas).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 28\/02\/2012 &ndash; A China colocou a Am&eacute;rica Latina na al&ccedil;a de mira para experimentar testar sua moeda, yuan &quot;\u201c ou renminbil &quot;\u201c como divisa em substitui&ccedil;&atilde;o ao d&oacute;lar, aproveitando a crescente expans&atilde;o de seu com&eacute;rcio e de seus investimentos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/02\/america-latina\/amarica-latina-banco-de-prova-da-moeda-chinesa\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5,11],"tags":[25],"class_list":["post-9533","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica","tag-ibsa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9533","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9533"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9533\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9533"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9533"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9533"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}