{"id":9544,"date":"2012-03-01T07:50:16","date_gmt":"2012-03-01T07:50:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9544"},"modified":"2012-03-01T07:50:16","modified_gmt":"2012-03-01T07:50:16","slug":"camponesas-marcam-o-passo-o-mundo-as-seguira-ae-parte-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/economia\/camponesas-marcam-o-passo-o-mundo-as-seguira-ae-parte-1\/","title":{"rendered":"Camponesas marcam o passo. O mundo as seguir&aacute;? \u00e2\u20ac\u201c Parte 1"},"content":{"rendered":"<p>Anantapur, \u00c3\u008dndia\/Barind Tract, Bangladesh, 01\/03\/2012 &ndash; A agricultura &eacute; o sustento de aproximadamente 1,3 bilh&atilde;o de pequenos agricultores e trabalhadores sem terra no mundo, e 43% s&atilde;o mulheres.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9544\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e3-300x225.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9544\" class=\"size-medium wp-image-9544\" title=\"Camponesas limpam um terreno abandonado por causa da seca na aldeia de Nachol, norte de Bangladesh. - Naimul Haq\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e3-300x225.jpg\" alt=\"Camponesas limpam um terreno abandonado por causa da seca na aldeia de Nachol, norte de Bangladesh. - Naimul Haq\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9544\" class=\"wp-caption-text\">Camponesas limpam um terreno abandonado por causa da seca na aldeia de Nachol, norte de Bangladesh. - Naimul Haq\/IPS<\/p><\/div>  A grande maioria dessas 560 milh&otilde;es de mulheres vive no limite, e at&eacute; as menores mudan&ccedil;as ambientais podem lev&aacute;-las \u00c3\u00a0 fome cr&ocirc;nica e \u00c3\u00a0 mis&eacute;ria. Diante das consequ&ecirc;ncias sem precedentes da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, como a generalizada inseguran&ccedil;a alimentar de 2011 e este ano em v&aacute;rias regi&otilde;es do mundo, as camponesas s&atilde;o extremamente vulner&aacute;veis e ignoradas por seus governos e outras autoridades encarregadas de desenhar estrat&eacute;gias para erradicar a fome e a pobreza.<\/p>\n<p>Neste contexto, a 56\u00c2\u00aa sess&atilde;o da Comiss&atilde;o da Condi&ccedil;&atilde;o Jur\u00c3\u00addica e Social da Mulher (CSW), que est&aacute; reunida desde 27 de fevereiro, at&eacute; 9 de mar&ccedil;o, na sede da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) em Nova York, colocou como prioridade o poder das camponesas. Se elas tivessem acesso igualit&aacute;rio aos insumos, seu rendimento aumentaria entre 20% e 30%, e se elevaria a produ&ccedil;&atilde;o agr\u00c3\u00adcola do Sul em desenvolvimento de tal modo que entre cem milh&otilde;es e 150 milh&otilde;es de pessoas deixariam de passar fome, diz um comunicado de imprensa divulgado no dia 23 pela ONU Mulheres.<\/p>\n<p>Este ano, a CSW se prop&ocirc;s a analisar &quot;o poder de mulheres rurais e seu papel na erradica&ccedil;&atilde;o da pobreza e da fome, no desenvolvimento sustent&aacute;vel e nos desafios atuais, e acordar&aacute; medidas urgentes para marcar uma diferen&ccedil;a na vida de milh&otilde;es de camponesas&quot;\u009d.<\/p>\n<p>Mosammet Rini-Ara Begum mostra orgulhosa uma quantidade de arroz guardada em uma cobertura de lata provis&oacute;ria no jardim de sua casa, na regi&atilde;o &aacute;rida de Barind Tract, em Bangladesh. &quot;&Eacute; a terceira vez que tenho uma colheita t&atilde;o boa, apesar da seca&quot;\u009d, diz esta mulher de 34 anos e m&atilde;e de tr&ecirc;s filhos, enquanto abre a cerca de bambu de seu pequeno dep&oacute;sito e os gr&atilde;os de arroz brilham ao Sol. H&aacute; v&aacute;rios anos, milhares de agricultores desta regi&atilde;o de 7.500 quil&ocirc;metros quadrados abandonaram a produ&ccedil;&atilde;o, especialmente de arroz e trigo, devido ao calor e \u00c3\u00a0s secas incomuns.<\/p>\n<p>Assessorados por especialistas em cultivos resistentes a estas condi&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, Rini e seu marido cultivaram uma nova variedade, conhecida como BRRI-56, que tolera bem o excesso de calor e a escassez de &aacute;gua. Ao contr&aacute;rio de outras variedades que precisam de chuva imediata ap&oacute;s serem plantadas, a BRRI-56 cresce sem &aacute;gua durante v&aacute;rias semanas. Tamb&eacute;m sobrevive ao calor excessivo, que nesta regi&atilde;o costuma chegar aos 50 graus entre julho e novembro, quando o gr&atilde;o amadurece.<\/p>\n<p>&quot;Oferecemos todo tipo de apoio aos agricultores, especialmente \u00c3\u00a0s mulheres pobres, que costumam precisar de assessoria profissional e demonstra&ccedil;&atilde;o dos &ecirc;xitos obtidos por seus pares&quot;\u009d, explicou Mujibor Rahman, l\u00c3\u00adder do Clube de Gest&atilde;o Integrada de Pesticidas, uma rede de agricultores locais do distrito de Chapainawabganj, em Bangladesh. &quot;H&aacute; riscos meteorol&oacute;gicos quando se cultiva em condi&ccedil;&otilde;es extremas. Por&eacute;m, como temos suficiente conhecimento em mat&eacute;ria de adapta&ccedil;&atilde;o, estamos prontas para assumir o desafio&quot;\u009d, declarou \u00c3\u00a0 IPS a agricultora Joynab Banu, de 32 anos, do distrito de Rajshahi.<\/p>\n<p>A agricultura representa 36% do produto interno bruto de Bangladesh e emprega cerca de 60% da for&ccedil;a de trabalho. O arroz cobre 75% das terras agr\u00c3\u00adcolas do pa\u00c3\u00ads. Com maior consci&ecirc;ncia sobre a resili&ecirc;ncia clim&aacute;tica, mais mulheres, em especial camponesas sem terra, vi&uacute;vas, divorciadas e outras em situa&ccedil;&atilde;o de isolamento no noroeste de Bangladesh, trabalham em terras abandonadas para contribuir com a produ&ccedil;&atilde;o e seguran&ccedil;a alimentar.<\/p>\n<p>A regi&atilde;o de Anantapur, no Estado indiano de Andhra Pradesh, &eacute; &aacute;rida, carece de &aacute;rvores e tem um pobre solo vermelho. A escassez de chuva, cerca de 553 mil\u00c3\u00admetros por ano, a converte no segundo distrito do pa\u00c3\u00ads mais vulner&aacute;vel a secas. As imprevis\u00c3\u00adveis chuvas de mon&ccedil;&atilde;o, por um lado, e a escassez de chuva, por outro, atribu\u00c3\u00addas a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, deixaram m&aacute;s colheitas ano ap&oacute;s ano, e no come&ccedil;o de 2000 eram milhares os agricultores endividados que haviam se suicidado.<\/p>\n<p>O desespero e a crescente produ&ccedil;&atilde;o por contrato entre produtores e agroempresas levaram a uma depend&ecirc;ncia insustent&aacute;vel de fertilizantes qu\u00c3\u00admicos, criando solos cada vez mais necessitados de &aacute;gua, um recurso escasso, e disparando os custos de produ&ccedil;&atilde;o. Entretanto, na localidade de Singanamala, subdivis&atilde;o administrativa de Anantapur, camponesas como Ramadevi, de 41 anos, Lingamma, de 38, e Katamayya, de 41, decidiram voltar aos pesticidas e fertilizantes org&acirc;nicos e, desde ent&atilde;o, fizeram grande economia.<\/p>\n<p>Nagamanamma, de 31 anos, tamb&eacute;m passou para a agricultura org&acirc;nica em 2009 em terras arrendadas que n&atilde;o chegam a um hectare. &quot;Optei pela org&acirc;nica por uma raz&atilde;o: exige trabalho familiar e n&atilde;o o tipo de investimento que demanda o cultivo com qu\u00c3\u00admicos&quot;\u009d, explicou \u00c3\u00a0 IPS. No primeiro ano aumentou sua produ&ccedil;&atilde;o de amendoim, plantada na metade do terreno, de sete para 15 sacas de 42 quilos, e reduziu seus custos de US$ 40 para US$ 12.<\/p>\n<p>Nesta regi&atilde;o s&atilde;o comuns os ataques de lagartas vermelhas peludas nas planta&ccedil;&otilde;es de melancia, colocadas junto \u00c3\u00a0s de amendoins. Antes, as mulheres tinham de pagar US$ 40 por uma dose de 80 mil\u00c3\u00admetros de um pesticida qu\u00c3\u00admico concentrado, mas os insumos org&acirc;nicos reduziram o custo para menos de um d&eacute;cimo. Com sementes de nim, coletada na selva vizinha, &eacute; elaborado um pesticida que custa apenas US$ 10 o saco de 50 quilos.<\/p>\n<p>Os benef\u00c3\u00adcios da agricultura org&acirc;nica chegaram at&eacute; aos camponeses sem terra. Um grupo de coletores, pequenos agricultores e mulheres de dez aldeias vizinhas mant&eacute;m a Cooperativa de Produtores de Singanamala, que prepara pesticidas org&acirc;nicos. Com ajuda de uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental, instalaram uma m&aacute;quina de pulverizar as sementes. Antes, os comerciantes locais exploravam as coletoras de sementes, mas agora dividem os benef\u00c3\u00adcios de forma equitativa. As mulheres lideram a marcha para um futuro org&acirc;nico mais justo. A pergunta para os governos e a comunidade internacional, inclu\u00c3\u00adda a CSW, &eacute; se o mundo as seguir&aacute;, ou n&atilde;o. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Com as colabora&ccedil;&otilde;es de Naimul Haq (Barind Tract, Bangladesh) e Manipadma Jena (Anantapur, \u00c3\u008dndia).<\/p>\n<p>** Este &eacute; o primeiro de dois artigos sobre mulheres rurais, mudan&ccedil;a clim&aacute;tica e seguran&ccedil;a alimentar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anantapur, \u00c3\u008dndia\/Barind Tract, Bangladesh, 01\/03\/2012 &ndash; A agricultura &eacute; o sustento de aproximadamente 1,3 bilh&atilde;o de pequenos agricultores e trabalhadores sem terra no mundo, e 43% s&atilde;o mulheres. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/economia\/camponesas-marcam-o-passo-o-mundo-as-seguira-ae-parte-1\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5,11],"tags":[17,21,24],"class_list":["post-9544","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica","tag-asia-e-pacifico","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9544","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9544"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9544\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9544"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9544"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9544"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}