{"id":9548,"date":"2012-03-01T07:58:15","date_gmt":"2012-03-01T07:58:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9548"},"modified":"2012-03-01T07:58:15","modified_gmt":"2012-03-01T07:58:15","slug":"brasil-promove-seu-modelo-de-cooperaa%c2%a7ao-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/america-latina\/brasil-promove-seu-modelo-de-cooperaa%c2%a7ao-internacional\/","title":{"rendered":"Brasil promove seu modelo de coopera&ccedil;&atilde;o internacional"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 01\/03\/2012 &ndash; O Brasil come&ccedil;a a promover seu modelo de ajuda Sul-Sul em busca de consolidar sua presen&ccedil;a como doador e sua influ&ecirc;ncia internacional.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9548\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/100255-20120229.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9548\" class=\"size-medium wp-image-9548\" title=\"Pal&aacute;cio do Itamaraty, de onde o Brasil irradia seu modelo de coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul. - Dom\u00c3\u00adnio p&uacute;blico\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/100255-20120229.jpg\" alt=\"Pal&aacute;cio do Itamaraty, de onde o Brasil irradia seu modelo de coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul. - Dom\u00c3\u00adnio p&uacute;blico\" width=\"200\" height=\"134\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9548\" class=\"wp-caption-text\">Pal&aacute;cio do Itamaraty, de onde o Brasil irradia seu modelo de coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul. - Dom\u00c3\u00adnio p&uacute;blico<\/p><\/div>  J&aacute; chega com recursos a 65 pa\u00c3\u00adses e sua coopera&ccedil;&atilde;o financeira triplicou nos &uacute;ltimos sete anos. N&atilde;o foi seu batismo como doador internacional, mas a iniciativa de estender a cinco pa\u00c3\u00adses da \u00c3\u0081frica o financiamento para compra de alimentos permitiu confirmar que o pa\u00c3\u00ads, tradicional receptor de recursos, passou para o grupo dos emissores de ajuda externa.<\/p>\n<p>A Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) anunciou no m&ecirc;s passado que o Brasil entregar&aacute; US$ 2,37 milh&otilde;es para um programa de compra local de alimentos, para benef\u00c3\u00adcio de camponeses e setores vulner&aacute;veis das popula&ccedil;&otilde;es de Eti&oacute;pia, Malawi, Mo&ccedil;ambique, N\u00c3\u00adger e Senegal. Assim, o projeto, implementado pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Alimenta&ccedil;&atilde;o e a Agricultura (FAO) e pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA), estender&aacute; aos benefici&aacute;rios a experi&ecirc;ncia adquirida pelo Brasil com seu pr&oacute;prio Programa de Aquisi&ccedil;&atilde;o de Alimentos (PAA).<\/p>\n<p>O PAA se baseia na compra da produ&ccedil;&atilde;o dos pequenos produtores agr\u00c3\u00adcolas e sua distribui&ccedil;&atilde;o para setores em risco alimentar, incluindo crian&ccedil;as e adolescentes, por interm&eacute;dio de programas de merenda escolar. Al&eacute;m de ajudar a combater a fome, a iniciativa busca fortalecer os mercados locais de alimentos. O PAA &eacute; um dos pilares do programa Fome Zero, institu\u00c3\u00addo pelo governo de Luiz In&aacute;cio Lula da Silva (2003-2011) e seguido pelo de Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>Esse programa, acompanhado de outras pol\u00c3\u00adticas p&uacute;blicas para a redu&ccedil;&atilde;o da pobreza, contribuiu para reduzir a desnutri&ccedil;&atilde;o em 25% e tirar da mis&eacute;ria extrema cerca de 24 milh&otilde;es de pessoas, de acordo com avalia&ccedil;&otilde;es do governo Lula. &quot;&Eacute; uma maneira de ajudar outros governos a desenvolverem pol\u00c3\u00adticas de apoio ao agricultor familiar, que no Brasil responde pela produ&ccedil;&atilde;o de 60% dos alimentos consumidos no pa\u00c3\u00ads&quot;\u009d, explicou \u00c3\u00a0 IPS o diretor da Ag&ecirc;ncia Brasileira de Coopera&ccedil;&atilde;o (ABC), vinculada ao Itamaraty, Marco Farani.<\/p>\n<p>O PAA &eacute; um programa que, segundo Farani, &quot;funciona muito bem e mant&eacute;m o homem no campo, cuidando de seu pequeno peda&ccedil;o de terra e fazendo disso sua forma de vida e subsist&ecirc;ncia&quot;\u009d. O projeto para os pa\u00c3\u00adses africanos estabelece a colabora&ccedil;&atilde;o da FAO e do PMA na produ&ccedil;&atilde;o e no fornecimento de sementes e fertilizantes, e a organiza&ccedil;&atilde;o das compras e da distribui&ccedil;&atilde;o de alimentos, entre outros aspectos. Precisamente, a FAO &eacute; presidida desde janeiro pelo brasileiro Jos&eacute; Graziano da Silva.<\/p>\n<p>Em entrevista dada \u00c3\u00a0 IPS em dezembro, Graziano se comprometeu em levar para essa organiza&ccedil;&atilde;o sua experi&ecirc;ncia como um dos gestores do programa Fome Zero, em &aacute;reas como fortalecimento dos circuitos locais para produzir alimentos de maior qualidade, desperdi&ccedil;ar menos e baratear seus custos. Agora, em associa&ccedil;&atilde;o com organiza&ccedil;&otilde;es da ONU ou de maneira bilateral, o Brasil quer ajudar a expandir pelo Sul em desenvolvimento iniciativas que, como o PAA, tiveram &ecirc;xito dentro do pa\u00c3\u00ads. Trata-se de um modelo de coopera&ccedil;&atilde;o que, na verdade, se consolida desde 2005.<\/p>\n<p>Naquele ano, a agora sexta pot&ecirc;ncia mundial destinou US$ 158,1 milh&otilde;es \u00c3\u00a0 coopera&ccedil;&atilde;o externa, quantia que em 2009 passou para US$ 362,8 milh&otilde;es. A ABC estima que em 2010 a ajuda internacional oficial atingiu US$ 400 milh&otilde;es, mas a conta exata ainda n&atilde;o foi fechada. No entanto, Bras\u00c3\u00adlia prev&ecirc; destinar US$ 125 milh&otilde;es \u00c3\u00a0 coopera&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica no pr&oacute;ximo tri&ecirc;nio, mais que o dobro do que o pr&oacute;prio pa\u00c3\u00ads receber&aacute; como receptor de ajuda internacional nessa &aacute;rea.<\/p>\n<p>&quot;Hoje, atuamos em mais de 65 pa\u00c3\u00adses, enquanto h&aacute; tr&ecirc;s ou quatro anos s&oacute; o faz\u00c3\u00adamos nos pa\u00c3\u00adses de l\u00c3\u00adngua portuguesa da \u00c3\u0081frica. Atualmente, temos projetos de coopera&ccedil;&atilde;o em 38 na&ccedil;&otilde;es africanas e na Am&eacute;rica Latina&quot;\u009d, destacou Farani. A regi&atilde;o latino-americana recebe 45% dos recursos da ajuda externa. O restante &eacute; distribu\u00c3\u00addo para outras zonas do Sul em desenvolvimento, a maior parte canalizada de forma bilateral, mas tamb&eacute;m por meio da ONU, como no caso do novo fundo de alimentos para os cinco pa\u00c3\u00adses africanos.<\/p>\n<p>O Brasil integra a lista dos dez maiores pa\u00c3\u00adses doadores do PMA. A diferen&ccedil;a, segundo o diretor da ABC, &eacute; que &quot;em nossa pr&aacute;tica de coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul n&atilde;o impomos modelos fechados ou solu&ccedil;&otilde;es. Buscamos reconhecer a experi&ecirc;ncia dos outros pa\u00c3\u00adses e estender a nossa de acordo com suas possibilidades&quot;\u009d. Dentro deste contexto, o Brasil estabeleceu uma esp&eacute;cie de manual da coopera&ccedil;&atilde;o internacional. &quot;Somos um pa\u00c3\u00ads em desenvolvimento, em primeiro lugar, e por isso nossa atitude frente ao resto do desenvolvimento &eacute; de humildade, porque o desenvolvimento ainda &eacute; um desafio para o Brasil&quot;\u009d, afirmou Farani.<\/p>\n<p>O diretor da ABC tamb&eacute;m explicou que &quot;al&eacute;m disso, temos realidades e desafios parecidos&quot;\u009d e, como pa\u00c3\u00adses em desenvolvimento, &quot;um olhar de que &eacute; poss\u00c3\u00advel vencer esses desafios, enquanto o olhar de um pa\u00c3\u00ads do Norte (industrial) &eacute; &quot;\u02dcvamos ajudar para que n&atilde;o se deteriorem ainda mais&quot;\u2122&quot;\u009d. O analista Maur\u00c3\u00adcio Santoro, da Funda&ccedil;&atilde;o Getulio Vargas, do Rio de Janeiro, acrescenta raz&otilde;es pol\u00c3\u00adticas \u00c3\u00a0 estrat&eacute;gia expansiva do Brasil como doador. O pa\u00c3\u00ads aspira um lugar permanente no Conselho de Seguran&ccedil;a da ONU e maior poder de decis&atilde;o em f&oacute;runs multilaterais como Fundo Monet&aacute;rio Internacional e Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio.<\/p>\n<p>&quot;O objetivo pol\u00c3\u00adtico &eacute; aumentar a influ&ecirc;ncia do Brasil em outros pa\u00c3\u00adses em desenvolvimento, em particular na Am&eacute;rica Latina e na \u00c3\u0081frica. &Eacute; parte da consolida&ccedil;&atilde;o da lideran&ccedil;a internacional brasileira frente \u00c3\u00a0s na&ccedil;&otilde;es do chamado Sul global&quot;\u009d, destacou Santoro. No entanto, estabelece uma diferen&ccedil;a com rela&ccedil;&atilde;o aos doadores tradicionais que utilizam a coopera&ccedil;&atilde;o como instrumento para abrir novos mercados e para consolid&aacute;-los.<\/p>\n<p>Empresas brasileiras, como a Petrobras e grupos privados dos setores da constru&ccedil;&atilde;o e minera&ccedil;&atilde;o, operam de maneira crescente em pa\u00c3\u00adses da Am&eacute;rica Latina e de outras regi&otilde;es. &quot;O foco est&aacute; mais na pol\u00c3\u00adtica do que na economia. A coopera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute;, necessariamente, mais forte com grandes s&oacute;cios comerciais&quot;\u009d, afirmou Santoro \u00c3\u00a0 IPS. &quot;Funciona como uma esp&eacute;cie de amortecedor de tens&otilde;es entre pa\u00c3\u00adses como Bol\u00c3\u00advia, Paraguai ou Mo&ccedil;ambique, onde &eacute; forte a presen&ccedil;a de empresas brasileiras&quot;\u009d, ressaltou. Outra diferen&ccedil;a, explicou o especialista, &eacute; que a coopera&ccedil;&atilde;o do Brasil n&atilde;o imp&otilde;e condi&ccedil;&otilde;es e, em geral, promove projetos que priorizam a forma&ccedil;&atilde;o de recursos humanos, como a capacita&ccedil;&atilde;o de funcion&aacute;rios p&uacute;blicos. Trata-se do famoso conceito de &quot;ensinar a pescar, em lugar de dar o peixe&quot;\u009d, afirmou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 01\/03\/2012 &ndash; O Brasil come&ccedil;a a promover seu modelo de ajuda Sul-Sul em busca de consolidar sua presen&ccedil;a como doador e sua influ&ecirc;ncia internacional. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/america-latina\/brasil-promove-seu-modelo-de-cooperaa%c2%a7ao-internacional\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5,11],"tags":[27,25],"class_list":["post-9548","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica","tag-brasil","tag-ibsa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9548","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9548"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9548\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9548"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9548"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9548"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}