{"id":9557,"date":"2012-03-02T07:24:48","date_gmt":"2012-03-02T07:24:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9557"},"modified":"2012-03-02T07:24:48","modified_gmt":"2012-03-02T07:24:48","slug":"camponesas-marcam-o-passo-o-mundo-as-seguira-ae-parte-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/africa\/camponesas-marcam-o-passo-o-mundo-as-seguira-ae-parte-2\/","title":{"rendered":"Camponesas marcam o passo. O mundo as seguir&aacute;? \u00e2\u20ac\u201c Parte 2"},"content":{"rendered":"<p>Mbarara, Uganda, 02\/03\/2012 &ndash; A 56\u00c2\u00aa sess&atilde;o da Comiss&atilde;o da Condi&ccedil;&atilde;o Jur\u00c3\u00addica e Social da Mulher (CSW) acontece na sede da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), em Nova York, tendo por prioridade o poder das camponesas.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9557\" style=\"width: 121px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e21.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9557\" class=\"size-medium wp-image-9557\" title=\"Uma mulher desmata um campo plantado com gergelim em Equatoria Oriental, no Sud&atilde;o do Sul. - Charlton Doki\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e21.jpg\" alt=\"Uma mulher desmata um campo plantado com gergelim em Equatoria Oriental, no Sud&atilde;o do Sul. - Charlton Doki\/IPS\" width=\"111\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9557\" class=\"wp-caption-text\">Uma mulher desmata um campo plantado com gergelim em Equatoria Oriental, no Sud&atilde;o do Sul. - Charlton Doki\/IPS<\/p><\/div>  Segundo comunicado de imprensa divulgado na semana passada pela ONU Mulheres, as camponesas &quot;constituem um quarto da popula&ccedil;&atilde;o mundial. Representam uma grande por&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a de trabalho agr\u00c3\u00adcola, produzem a maior parte dos alimentos cultivados, especialmente na agricultura de subsist&ecirc;ncia, e realizam a maior parte do trabalho de cuidado n&atilde;o pago nas &aacute;reas rurais&quot;\u009d.<\/p>\n<p>Entretanto, &quot;o sustento e o bem-estar das mulheres e meninas rurais est&atilde;o diretamente relacionados com o ambiente em que vivem&quot;\u009d, explicou \u00c3\u00a0 IPS a subsecreet&aacute;ria-geral e diretora executiva adjunta da ONU Mulheres, Lakshmi Puri. &quot;Em muitos pa\u00c3\u00adses, as mulheres e meninas rurais s&atilde;o diretamente impactadas pelos efeitos da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica. Ao longo da CSW (que se re&uacute;ne desde 27 de fevereiro at&eacute; o dia 9) ouviremos mulheres rurais de todos os continentes sobre as formas como s&atilde;o impactadas pela mudan&ccedil;a clim&aacute;tica&quot;\u009d, acrescentou Puri, lembrando que o objetivo &eacute; &quot;amplificar suas vozes para que possam ser ouvidas pelos l\u00c3\u00adderes mundiais&quot;\u009d.<\/p>\n<p>Enquanto acontece a confer&ecirc;ncia em Nova York, as mulheres no Sul global se encontram no olho da tempestade, ocupadas em empregar uma combina&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicas tradicionais e tecnologias agr\u00c3\u00adcolas de adapta&ccedil;&atilde;o para enfrentar os efeitos do aquecimento do planeta. Winfred Baryabamu, agricultora do distrito ugandense de Mbarara, passou meses economizando dinheiro duramente para comprar o tesouro que guarda atr&aacute;s de sua casa de teto de zinco: um tanque que usa para coletar &aacute;gua de chuva durante a esta&ccedil;&atilde;o &uacute;mida.<\/p>\n<p>Esta camponesa de 35 anos tamb&eacute;m trabalha como professora. Quando chega em casa, enche um tambor com &aacute;gua do tanque, suficiente para preparar a refei&ccedil;&atilde;o da fam\u00c3\u00adlia e dar de beber \u00c3\u00a0s suas cabras. &quot;Antes da constru&ccedil;&atilde;o desse tanque tinha que viajar cinco quil&ocirc;metros por dia durante a seca para conseguir &aacute;gua&quot;\u009d, contou. Agora, Baryabamu integra um grupo de cem mulheres em Mbarara que conseguiram um acesso maior a &aacute;gua durante todo o ano. O tanque foi constru\u00c3\u00addo por meio de um fundo comum de poupan&ccedil;a que ela e outras mulheres criaram, com apoio da Ag&ecirc;ncia para a Coopera&ccedil;&atilde;o, Pesquisa e Desenvolvimento (Acord), para enfrentar as secas que esgotam os po&ccedil;os e os mananciais da regi&atilde;o.<\/p>\n<p>As mudan&ccedil;as extremas do clima fazem com que as regi&otilde;es de Uganda propensas \u00c3\u00a0s secas sejam mais inseguras do que nunca. Grupos de mulheres colaboraram na constru&ccedil;&atilde;o do tanque, enquanto a Acord comprou materiais como cimento, tela met&aacute;lica e canos. O encarregado de projetos da Acord no distrito de Mbarara, Dunstan Ddamulira, declarou \u00c3\u00a0 IPS que a coleta de &aacute;gua de chuva deu mais seguran&ccedil;a \u00c3\u00a0s mulheres. &quot;Nossos filhos costumavam vir da escola e ir em busca de &aacute;gua. S&oacute; voltavam \u00c3\u00a0 noite&quot;\u009d, contou Baryabamu \u00c3\u00a0 IPS. &quot;Agora chegam da escola para descobrir que a &aacute;gua os espera&quot;\u009d, acrescentou.<\/p>\n<p>Por outro lado, no Sud&atilde;o do Sul, camponesas trabalham com v&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais em cultivos resistentes \u00c3\u00a0s varia&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, bem como em atividades sustent&aacute;veis como a cria&ccedil;&atilde;o de caprinos e apicultura. &quot;S&atilde;o as mulheres que aram a terra, desmatam, semeiam, colhem e vendem o produto no mercado em caso de excedente&quot;\u009d, afirmou William Taban, assessor agr\u00c3\u00adcola no Estado de Equatoria Central, no Sud&atilde;o do Sul.<\/p>\n<p>Com ajuda de organiza&ccedil;&otilde;es e ag&ecirc;ncias internacionais, as mulheres conseguiram formar grupos, &quot;destinados, em sua maioria, a vi&uacute;vas e fam\u00c3\u00adlias lideradas por mulheres, pois acreditamos que s&atilde;o as mais vulner&aacute;veis \u00c3\u00a0 pobreza e \u00c3\u00a0 fome&quot;\u009d, explicou Isaac Woja, agente de extens&atilde;o agr\u00c3\u00adcola em Equatoria Oriental. Alguns dos grupos que colaboram s&atilde;o Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Alimenta&ccedil;&atilde;o e a Agricultura (FAO), Norwegian People&quot;\u2122s Aid, Catholic Relief Services e Concern Worldwide.<\/p>\n<p>As mulheres cultivam alimentos como cereais, leguminosas e verduras para melhorar a nutri&ccedil;&atilde;o geral de seus filhos e gerar renda no mercado. A maior parte do territ&oacute;rio do Sud&atilde;o do Sul &eacute; semi&aacute;rida, e as precipita&ccedil;&otilde;es s&atilde;o insuficientes. Para mitigar os efeitos da seca na agricultura rural tradicional, as mulheres s&atilde;o estimuladas a cultivar produtos resistentes \u00c3\u00a0s secas. &quot;Planto mandioca porque n&atilde;o &eacute; afetada pela seca. Pode crescer bem mesmo com pouca chuva. Estou garantida de alimento mesmo quando n&atilde;o chove&quot;\u009d, disse \u00c3\u00a0 IPS a camponesa Alice Naponi, solteira e com quatro filhos, dona de uma &aacute;rea perto da capital Yuba.<\/p>\n<p>Na maioria das aldeias as mulheres agora plantam cereais como sorgo, junco e milho que, segundo os agricultores, em geral sobrevivem \u00c3\u00a0 escassez de chuva e amadurecem r&aacute;pido. Por&eacute;m, as mulheres est&atilde;o seriamente limitadas pelas disparidades de g&ecirc;nero em rela&ccedil;&atilde;o \u00c3\u00a0 propriedade da terra. &quot;Se uma mulher quer come&ccedil;ar uma grande planta&ccedil;&atilde;o, ainda tem que apelar para seu marido no sentido de contatar os l\u00c3\u00adderes da comunidade, que s&atilde;o os respons&aacute;veis pela concess&atilde;o da terra aos membros. Na maioria dos casos, eles, que s&atilde;o homens, nos frustram&quot;\u009d, lamentou Naponi \u00c3\u00a0 IPS.<\/p>\n<p>De fato, a ONU Mulheres reconheceu que, &quot;embora as mulheres tenham iguais direitos de propriedade em 115 pa\u00c3\u00adses e os mesmos direitos de heran&ccedil;a em 93 na&ccedil;&otilde;es, as disparidades de g&ecirc;nero na terra persistem em todo o mundo&quot;\u009d. Organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais no Sud&atilde;o do Sul est&atilde;o na vanguarda do apoio \u00c3\u00a0s atividades agr\u00c3\u00adcolas, fornecendo equipamento e sementes de variedades melhoradas, importadas da vizinha Uganda.<\/p>\n<p>No entanto, Woja alerta que nem todos os programas de desenvolvimento agr\u00c3\u00adcola s&atilde;o infal\u00c3\u00adveis. Algumas &quot;sementes melhoradas importadas foram testadas em Uganda mas n&atilde;o no Sud&atilde;o do Sul. O que estamos aplicando atualmente &eacute; um m&eacute;todo de teste e erro que n&atilde;o deveria ser estimulado&quot;\u009d, afirmou. &quot;Se cultivarmos colheitas que n&atilde;o v&atilde;o bem aqui e os agricultores fracassarem em determinada temporada, se criar&aacute; uma situa&ccedil;&atilde;o de inseguran&ccedil;a alimentar&quot;\u009d, destacou Woja, ressaltando que h&aacute; um grave problema de planejamento de pol\u00c3\u00adticas.<\/p>\n<p>No M&eacute;xico, camponesas agrupam-se para lutar contra a crise financeira e ambiental. Em muitos casos, organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais locais colaboram com este processo construindo estruturas formais e desenvolvendo capacidades. &quot;Buscamos mulheres que sejam capazes de produzir em suas pr&oacute;prias hortas, e as ajudamos a conservarem ou venderem suas verduras, come&ccedil;ando com uma microempresa&quot;\u009d, explicou \u00c3\u00a0 IPS a encarregada de produ&ccedil;&atilde;o e comercializa&ccedil;&atilde;o do Cons&oacute;rcio Valor Rural, Magal\u00c3\u00ad Costa.<\/p>\n<p>Cada vez mais as mulheres t&ecirc;m um papel importante nas atividades econ&ocirc;micas, plantando, economizando sementes e vendendo o que produzem, al&eacute;m de continuarem realizando praticamente 100% do trabalho dom&eacute;stico, que quase nunca &eacute; pago. Cerca de 13 milh&otilde;es de mulheres vivem em zonas rurais no M&eacute;xico, segundo o Instituto Nacional das Mulheres. Desde 2008, a pobreza prolifera em todo o pa\u00c3\u00ads, alcan&ccedil;ando 52 milh&otilde;es de pessoas, afetando principalmente as camponesas. Das 19 milh&otilde;es de fam\u00c3\u00adlias mexicanas, 39% s&atilde;o rurais, e destas 11% chefiadas por mulheres, a maioria pobre.<\/p>\n<p>Isto significa que as mulheres levam, em geral, a carga da escassez de alimentos ou das flutua&ccedil;&otilde;es dos pre&ccedil;os das mat&eacute;rias-primas e tamb&eacute;m das mudan&ccedil;as no clima, que podem ter efeitos de longo alcance em toda a popula&ccedil;&atilde;o rural. Estas estat\u00c3\u00adsticas justificam o poder das camponesas, cuja lideran&ccedil;a gera efeitos mais positivos e amplos do que os esfor&ccedil;os de comunidades lideradas por homens.<\/p>\n<p>&quot;As mulheres d&atilde;o mais apoio \u00c3\u00a0s fam\u00c3\u00adlias. Qualquer apoio que recebam sempre repercute em todos os membros da fam\u00c3\u00adlia&quot;\u009d, e eventualmente no resto da comunidade, ressaltou Woja \u00c3\u00a0 IPS. Enquanto acontece a CSW, as mulheres de todo o mundo s&oacute; podem esperar que os l\u00c3\u00adderes finalmente reconhe&ccedil;am o papel que t&ecirc;m as camponesas nos esfor&ccedil;os para um futuro mais est&aacute;vel. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Com colabora&ccedil;&otilde;es de Charlton Doki (Juba, Sud&atilde;o do Sul), Wambi Michael (Mbarara, Uganda) e Emilio Godoy (Cidade do M&eacute;xico).<\/p>\n<p>** Este &eacute; o segundo de dois artigos sobre mulheres rurais, mudan&ccedil;a clim&aacute;tica e seguran&ccedil;a alimentar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mbarara, Uganda, 02\/03\/2012 &ndash; A 56\u00c2\u00aa sess&atilde;o da Comiss&atilde;o da Condi&ccedil;&atilde;o Jur\u00c3\u00addica e Social da Mulher (CSW) acontece na sede da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), em Nova York, tendo por prioridade o poder das camponesas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/africa\/camponesas-marcam-o-passo-o-mundo-as-seguira-ae-parte-2\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,8,12,5,4,11],"tags":[21,24],"class_list":["post-9557","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","category-politica","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9557","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9557"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9557\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9557"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9557"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9557"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}