{"id":9559,"date":"2012-03-02T07:27:37","date_gmt":"2012-03-02T07:27:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9559"},"modified":"2012-03-02T07:27:37","modified_gmt":"2012-03-02T07:27:37","slug":"aperta-e-afrouxa-pelo-acordo-energatico-entre-brasil-e-peru","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/america-latina\/aperta-e-afrouxa-pelo-acordo-energatico-entre-brasil-e-peru\/","title":{"rendered":"Aperta e afrouxa pelo acordo energ\u00c3\u00a9tico entre Brasil e Peru"},"content":{"rendered":"<p>Lima, Peru, 02\/03\/2012 &ndash; O Brasil precisa acelerar a constru&ccedil;&atilde;o de hidrel&eacute;tricas em pa\u00c3\u00adses vizinhos para atender sua demanda por energia, enquanto o Peru ainda d&aacute; passos de equilibrista sobre o acordo binacional  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9559\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e13.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9559\" class=\"size-medium wp-image-9559\" title=\"A passagem do Rio Ene pelo c&acirc;nion Pakitsapango, de grande import&acirc;ncia cultural e econ&ocirc;mica para os ash&aacute;ninka. - Cortesia da Care\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e13.jpg\" alt=\"A passagem do Rio Ene pelo c&acirc;nion Pakitsapango, de grande import&acirc;ncia cultural e econ&ocirc;mica para os ash&aacute;ninka. - Cortesia da Care\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9559\" class=\"wp-caption-text\">A passagem do Rio Ene pelo c&acirc;nion Pakitsapango, de grande import&acirc;ncia cultural e econ&ocirc;mica para os ash&aacute;ninka. - Cortesia da Care<\/p><\/div>  Quais interesses e reclama&ccedil;&otilde;es se movem em torno do conv&ecirc;nio? Em seus sete meses na Presid&ecirc;ncia do Peru, Ollanta Humala ainda n&atilde;o resolveu o que fazer com o acordo energ&eacute;tico que seu antecessor, Alan Garc\u00c3\u00ada, assinou em junho de 2010 entre aplausos e flashes com o ent&atilde;o presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva. Al&eacute;m disso, o acordo est&aacute; pendente de ratifica&ccedil;&atilde;o parlamentar.<\/p>\n<p>A rejei&ccedil;&atilde;o dos moradores da &aacute;rea \u00c3\u00a0 constru&ccedil;&atilde;o das cinco hidrel&eacute;tricas na selva peruana, inclu\u00c3\u00adda no conv&ecirc;nio, &eacute; um dos pontos que obrigou o governo de Humala a dilatar seu pronunciamento definitivo sobre o acordo, segundo alguns especialistas. A sociedade peruana est&aacute; muito sens\u00c3\u00advel a este tipo de projeto, principalmente pelos &uacute;ltimos protestos de mineradores, entre os quais se destaca a rejei&ccedil;&atilde;o ao projeto aur\u00c3\u00adfero Conga, na regi&atilde;o norte de Cajamarca, que no final de 2011 gerou, inclusive, uma crise no gabinete ministerial. As reclama&ccedil;&otilde;es n&atilde;o se limitaram a manifesta&ccedil;&otilde;es e greves.<\/p>\n<p>No dia 23 de fevereiro, a Central Ash&aacute;ninka do Rio Ene, encabe&ccedil;ada por l\u00c3\u00adderes ind\u00c3\u00adgenas dos povos da selva central, apresentou ao Superior Tribunal de Lima uma demanda de amparo contra o Congresso e o Minist&eacute;rio das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores, solicitando a suspens&atilde;o do acordo energ&eacute;tico com o Brasil. David Velazco, advogado da n&atilde;o governamental Funda&ccedil;&atilde;o da Paz, disse \u00c3\u00a0 IPS que a medida busca proteger direitos constitucionais dos povos ind\u00c3\u00adgenas, com o consentimento livre, pr&eacute;vio e informado de projetos de desenvolvimento que forem produzidos em seus territ&oacute;rios ancestrais.<\/p>\n<p>Os l\u00c3\u00adderes do povo ash&aacute;ninka, que tem seu habitat no Vale do Rio Ene, no departamento central de Jun\u00c3\u00adn, afirmam que o territ&oacute;rio ind\u00c3\u00adgena seria afetado pelo projeto Paquitzapango, desenvolvido com base no acordo com o Brasil.<\/p>\n<p>&quot;O novo governo n&atilde;o fez uma reflex&atilde;o s&eacute;ria sobre os pr&oacute;s e contras do acordo&quot;\u009d, afirmou \u00c3\u00a0 IPS o advogado ambientalista C&eacute;sar Gamboa, diretor de Pol\u00c3\u00adticas do n&atilde;o governamental Direito, Ambiente e Recursos Naturais.<\/p>\n<p>Quando era candidato \u00c3\u00a0 Presid&ecirc;ncia, que assumiu em julho de 2011, &quot;Humala criticou o governo de Garc\u00c3\u00ada por exportar o g&aacute;s da jazida de Camisea (departamento de Cusco) e n&atilde;o sustentar suas posi&ccedil;&otilde;es em estudos s&oacute;lidos, e agora ele faz o mesmo&quot;\u009d, protestou.<\/p>\n<p>Gamboa insistiu que as autoridades n&atilde;o sabem quanta energia o Peru necessita dos aproximadamente seis mil megawatts (MW), que seriam gerados pelas projetadas centrais, a serem constru\u00c3\u00addas na Amaz&ocirc;nia peruana. &quot;N&atilde;o h&aacute; planejamento energ&eacute;tico e, portanto, instrumentos para decidir qual a op&ccedil;&atilde;o ambiental, social e econ&ocirc;mica para atender nossa demanda de energia&quot;\u009d, acrescentou.<\/p>\n<p>Juan Pari, legislador da governante alian&ccedil;a Ganha Peru (GP), informou \u00c3\u00a0 IPS que o acordo com o Brasil ainda segue em avalia&ccedil;&atilde;o dentro da organiza&ccedil;&atilde;o. O governo enviou ao parlamento um projeto de lei sobre a ratifica&ccedil;&atilde;o do acordo, que desde outubro de 2011 espera sua discuss&atilde;o pela Comiss&atilde;o de Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores. Sua assessora t&eacute;cnica, Jazmina S&aacute;nchez, adiantou que n&atilde;o h&aacute; data para esse debate. &quot;Consideramos que se trata de um tema importante para os dois pa\u00c3\u00adses e que devemos apoiar um acordo de coopera&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica, mas, tamb&eacute;m, &eacute; preciso respeitar as normas ambientais e dialogar com a popula&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o se pode fazer algo \u00c3\u00a0s pressas&quot;\u009d, declarou Pari.<\/p>\n<p>O presidente do Congresso, Daniel Abugatt&aacute;s, duvida que o acordo entre em vigor. O legislador do GP acrescentou que n&atilde;o foi feita uma avalia&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica profunda sobre seus impactos. As opini&otilde;es est&atilde;o divididas e outros parlamentares e funcion&aacute;rios governamentais consideram que deve ser impulsionado para promover o investimento. Enquanto isto, o Brasil tem muito claro as proje&ccedil;&otilde;es de suas necessidades energ&eacute;ticas e a estrat&eacute;gia para cobri-la.<\/p>\n<p>O jornal Folha de S.Paulo assegurou, no dia 14 de fevereiro, que o governo de Dilma Rousseff tem pressa em concretizar a constru&ccedil;&atilde;o de hidrel&eacute;tricas nos pa\u00c3\u00adses vizinhos, porque no Brasil est&aacute; atrasado o programa de represas, tamb&eacute;m devido \u00c3\u00a0 rejei&ccedil;&atilde;o dos moradores locais. As necessidades energ&eacute;ticas de Brasil e Peru t&ecirc;m diferen&ccedil;as enormes e isto explicaria os diferentes ritmos dos dois governos sobre o acordo, afirmam especialistas.<\/p>\n<p>O Peru, com 28 milh&otilde;es de habitantes, tem uma demanda energ&eacute;tica anual de cinco mil MW, com crescimento anual m&aacute;ximo de 500 MW. Nesse ritmo, a demanda em 2020 n&atilde;o superaria o dobro da atual, segundo o ex-ministro de Minas e Energia, Carlos Herrera. Contudo, no Brasil, com quase 200 milh&otilde;es de habitantes, a proje&ccedil;&atilde;o oficial &eacute; de que em 2020 o consumo energ&eacute;tico supere os cem mil MW (730.073 gigawatts\/hora de eletricidade), com crescimento anual m&eacute;dio de 4,9%. O consumo anual brasileiro por pessoa passaria de 2,4 MW\/hora em 2011 para 3,5 MW\/h em 2020. Para atender essa demanda, o Brasil dever&aacute; aumentar sua capacidade instalada em 56%.<\/p>\n<p>A Folha de S.Paulo assegurou que o governo brasileiro precisa importar entre 70% e 80\u00c2\u00ba% da energia produzida por Peru, Bol\u00c3\u00advia, Col&ocirc;mbia, Guiana, Suriname e Venezuela, e a raz&atilde;o, al&eacute;m da demanda, &eacute; que a energia dos vizinhos &eacute; mais barata. Daniel Falc&oacute;n, chefe da Divis&atilde;o de Recursos Energ&eacute;ticos N&atilde;o Renov&aacute;veis do Minist&eacute;rio das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores do Brasil, disse \u00c3\u00a0 IPS que a integra&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica sul-americana &eacute; positiva porque os pa\u00c3\u00adses da regi&atilde;o contam com energia &quot;suficiente para a demanda total&quot;\u009d. Por&eacute;m, t&ecirc;m hist&oacute;rias e matrizes diferentes, e recursos desiguais. &quot;Uns t&ecirc;m recursos, mas n&atilde;o capital nem tecnologia, outros, vice-versa. O Brasil disp&otilde;e de tudo&quot;\u009d, ressaltou.<\/p>\n<p>Os peruanos Gamboa e Pari consideram que Humala dever&aacute; ter clara sua posi&ccedil;&atilde;o antes da visita neste ano de Dilma a Lima, ainda sem data. Falc&oacute;n reconheceu que os projetos energ&eacute;ticos que o Brasil tem em territ&oacute;rios vizinhos devem seguir &quot;as leis de cada pa\u00c3\u00ads e est&atilde;o sujeitos \u00c3\u00a0s suas regras&quot;\u009d. Entretanto, afirmou que acima dessas normas est&atilde;o &quot;os tratados que podem disciplinar a atividade ou leis supranacionais&quot;\u009d.<\/p>\n<p>Funcion&aacute;rios da chancelaria e do Minist&eacute;rio de Energia e Minas do Peru &quot;n&atilde;o estavam dispon\u00c3\u00adveis&quot;\u009d para responder \u00c3\u00a0 IPS sobre a situa&ccedil;&atilde;o do acordo com o Brasil, segundo suas assessorias de imprensa. Para o ex-ministro Herrera, o governo deve considerar duas coisas em sua avalia&ccedil;&atilde;o: que n&atilde;o pode insistir em que o acordo siga de todas as maneiras, como o fez com o projeto aur\u00c3\u00adfero Conga, e que deve proteger os interesses do Estado.<\/p>\n<p>&quot;O Brasil sabe bem o que quer e se nos equivocamos o pre&ccedil;o pode ser muito alto&quot;\u009d, advertiu Herrera, ap&oacute;s recordar que Dilma tem vantagens sobre Humala para lidar com temas energ&eacute;ticos, porque foi ministra do setor no governo Lula e sabe bem o que est&aacute; em jogo. Envolverde\/IPS * Com colabora&ccedil;&atilde;o de Mario Osava (Rio de Janeiro).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lima, Peru, 02\/03\/2012 &ndash; O Brasil precisa acelerar a constru&ccedil;&atilde;o de hidrel&eacute;tricas em pa\u00c3\u00adses vizinhos para atender sua demanda por energia, enquanto o Peru ainda d&aacute; passos de equilibrista sobre o acordo binacional <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/america-latina\/aperta-e-afrouxa-pelo-acordo-energatico-entre-brasil-e-peru\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":141,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5,10,11],"tags":[27],"class_list":["post-9559","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","category-politica","tag-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9559","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/141"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9559"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9559\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9559"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9559"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9559"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}