{"id":9577,"date":"2012-03-06T08:17:34","date_gmt":"2012-03-06T08:17:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9577"},"modified":"2012-03-06T08:17:34","modified_gmt":"2012-03-06T08:17:34","slug":"bancos-sao-os-financiadores-de-armas-nucleares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/mundo\/bancos-sao-os-financiadores-de-armas-nucleares\/","title":{"rendered":"Bancos s&atilde;o os financiadores de armas nucleares"},"content":{"rendered":"<p>Na\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es Unidas, 06\/03\/2012 &ndash; A ind&uacute;stria mundial de armas nucleares &eacute; financiada e mantida viva por mais de 300 bancos, fundos de pens&atilde;o, companhias de seguros e gestores de ativos, segundo um estudo divulgado pela Campanha Internacional para Abolir as Armas Nucleares (Ican). <!--more--> Estas institui&ccedil;&otilde;es realizam substanciais investimentos na produ&ccedil;&atilde;o de armas at&ocirc;micas. O estudo, de 180 p&aacute;ginas, diz que as na&ccedil;&otilde;es com poderio nuclear gastam mais de US$ 100 bilh&otilde;es ao ano fabricando novas ogivas, modernizando as velhas e construindo m\u00c3\u00adsseis bal\u00c3\u00adsticos, bombardeiros e submarinos para lan&ccedil;&aacute;-las.<\/p>\n<p>Grande parte deste trabalho &eacute; feito por corpora&ccedil;&otilde;es como BAE Systems e Babcock International, na Gr&atilde;-Bretanha, Lockheed Martin e Northrop Grumman, nos Estados Unidos, Thales e Safran, na Fran&ccedil;a, e Larsen &#038; Toubro, na \u00c3\u008dndia.<\/p>\n<p>&quot;Institui&ccedil;&otilde;es financeiras investem nestas companhias fornecendo empr&eacute;stimos e comprando a&ccedil;&otilde;es e b&ocirc;nus&quot;\u009d, afirma o documento, considerado o primeiro de seu tipo. Com o t\u00c3\u00adtulo Dont Bank on the Bomb: The Global Financing of Nuclear Weapons Producers (N&atilde;o confiem na bomba: o financiamento mundial dos produtores de armas nucleares), o estudo fornece detalhes das transa&ccedil;&otilde;es financeiras com 20 empresas intensamente envolvidas na fabrica&ccedil;&atilde;o, manuten&ccedil;&atilde;o e moderniza&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as at&ocirc;micas norte-americanas, brit&acirc;nicas, francesas e indianas.<\/p>\n<p>&Eacute; necess&aacute;ria uma urgente campanha coordenada mundial pelo desinvestimento em armas nucleares, destaca o informe. Um movimento assim poderia ajudar a frear os programas de moderniza&ccedil;&atilde;o e fortalecimento de armamentos e impulsionar as negocia&ccedil;&otilde;es para uma proibi&ccedil;&atilde;o universal desse tipo de bombas. &quot;Deixar de investir nas companhias de armas nucleares &eacute; uma forma efetiva de o mundo corporativo avan&ccedil;ar para a meta de uma aboli&ccedil;&atilde;o nuclear&quot;\u009d, indica o estudo.<\/p>\n<p>O trabalho exorta as institui&ccedil;&otilde;es financeiras a deixarem de investir na ind&uacute;stria armamentista at&ocirc;mica. &quot;Qualquer uso de armas nucleares violaria o direito internacional e teria catastr&oacute;ficas consequ&ecirc;ncias humanit&aacute;rias. Ao investir nos fabricantes, as institui&ccedil;&otilde;es financeiras est&atilde;o, na verdade, facilitando a constru&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as at&ocirc;micas&quot;\u009d, alerta. Na introdu&ccedil;&atilde;o do informe, o arcebispo anglicano sul-africano Desmond Tutu, pr&ecirc;mio Nobel da Paz, afirma: &quot;ningu&eacute;m deveria obter lucro com esta terr\u00c3\u00advel ind&uacute;stria da morte, que amea&ccedil;a a todos n&oacute;s&quot;\u009d.<\/p>\n<p>Tutu exorta as institui&ccedil;&otilde;es financeiras a apoiarem os esfor&ccedil;os para eliminar a amea&ccedil;a at&ocirc;mica, e destaca que o fim dos investimentos foi vital na campanha para acabar com o apartheid (sistema de segrega&ccedil;&atilde;o racial contra a maioria negra) na \u00c3\u0081frica do Sul. A mesma t&aacute;tica pode e deve ser empregada para enfrentar a cria&ccedil;&atilde;o mais maligna do homem: a bomba nuclear, sugere.<\/p>\n<p>Por sua vez, Tim Wright, diretor de campanhas da Ican e coautor do estudo, disse \u00c3\u00a0 IPS que algumas das institui&ccedil;&otilde;es identificadas no trabalho j&aacute; expressaram sua &quot;inten&ccedil;&atilde;o de adotar pol\u00c3\u00adticas proibindo os investimentos em fabricantes de armas at&ocirc;micas&quot;\u009d. A campanha para que cessem os investimentos &quot;provavelmente ter&aacute; maior &ecirc;xito em pa\u00c3\u00adses onde a oposi&ccedil;&atilde;o \u00c3\u00a0s armas &eacute; mais forte&quot;\u009d, por exemplo, nos escandinavos e no Jap&atilde;o, acrescentou. Wright destacou que cada vez mais bancos reconhecem que se deve aplicar algum tipo de crit&eacute;rio &eacute;tico aos investimentos, e que apoiar a fabrica&ccedil;&atilde;o de armas capazes de destruir cidades inteiras em um instante &eacute; algo claramente contr&aacute;rio \u00c3\u00a0 &eacute;tica.<\/p>\n<p>Das 322 institui&ccedil;&otilde;es financeiras identificadas no informe, cerca da metade tem sede nos Estados Unidos e um ter&ccedil;o na Europa. O estudo tamb&eacute;m denuncia institui&ccedil;&otilde;es da \u00c3\u0081sia, Austr&aacute;lia e Oriente M&eacute;dio. As mais envolvidas com a ind&uacute;stria de armas nucleares s&atilde;o Bank of America, BlackRock e JP Morgan Chase, nos Estados Unidos, BNP Paribas, na Fran&ccedil;a, Allianz e Deutsche Bank, na Alemanha, Mitsubishi UFJ Financial, no Jap&atilde;o, BBVA e Banco Santander, na Espanha, Credit Suisse e UBS, na Su\u00c3\u00ad&ccedil;a, e Barclays, HSBC, Lloyds e Royal Bank of Scotland, na Gr&atilde;-Bretanha.<\/p>\n<p>Consultado sobre se seria vi&aacute;vel uma campanha para boicotar estas entidades, Wright declarou \u00c3\u00a0 IPS que &quot;se os bancos resistirem a ceder, os clientes ter&atilde;o que buscar alternativas &eacute;ticas&quot;\u009d. Muitos outros bancos, particularmente pequenos, negam-se a ter qualquer liga&ccedil;&atilde;o com esta ind&uacute;stria, destacou. &quot;Se as pessoas come&ccedil;arem a debandar em massa, isto enviar&aacute; um forte sinal ao banco, de que seu apoio \u00c3\u00a0s companhias de armas nucleares &eacute; inaceit&aacute;vel. No caso das institui&ccedil;&otilde;es multinacionais, uma campanha coordenada de boicote em v&aacute;rios pa\u00c3\u00adses seria efetiva&quot;\u009d, acrescentou.<\/p>\n<p>O estudo tamb&eacute;m cita Setsuko Thurlow, sobrevivente da bomba at&ocirc;mica lan&ccedil;ada pelos Estados Unidos sobre a cidade japonesa de Hiroshima em 1945, que fez um apelo para que se invista de forma &eacute;tica e para n&atilde;o se contribuir com atividades que ameacem a Terra. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es Unidas, 06\/03\/2012 &ndash; A ind&uacute;stria mundial de armas nucleares &eacute; financiada e mantida viva por mais de 300 bancos, fundos de pens&atilde;o, companhias de seguros e gestores de ativos, segundo um estudo divulgado pela Campanha Internacional para Abolir as Armas Nucleares (Ican). <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/mundo\/bancos-sao-os-financiadores-de-armas-nucleares\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":202,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10,4,11],"tags":[],"class_list":["post-9577","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-energia","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9577","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/202"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9577"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9577\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9577"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9577"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9577"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}