{"id":9578,"date":"2012-03-06T08:19:49","date_gmt":"2012-03-06T08:19:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9578"},"modified":"2012-03-06T08:19:49","modified_gmt":"2012-03-06T08:19:49","slug":"amazania-integraa%c2%a7ao-para-mitigar-depressao-pa%c2%b3s-megaprojetos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/america-latina\/amazania-integraa%c2%a7ao-para-mitigar-depressao-pa%c2%b3s-megaprojetos\/","title":{"rendered":"AMAZ\u00c3\u201dNIA: Integra&ccedil;&atilde;o para mitigar depress&atilde;o p\u00c3\u00b3s-megaprojetos"},"content":{"rendered":"<p>Porto Velho, Brasil, 06\/03\/2012 &ndash; O com&eacute;rcio com o Peru, um mercado em acelerada expans&atilde;o, ajudar&aacute; Porto Velho, capital de Rond&ocirc;nia, a atenuar o impacto da perda de empregos e neg&oacute;cios gerados pela constru&ccedil;&atilde;o de duas centrais hidrel&eacute;tricas no Rio Madeira.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9578\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e33.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9578\" class=\"size-medium wp-image-9578\" title=\"Vila Teot&ocirc;nio, um dos lugares inundados pela represa da central de Santo Ant&ocirc;nio. - Mario Osava\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e33.jpg\" alt=\"Vila Teot&ocirc;nio, um dos lugares inundados pela represa da central de Santo Ant&ocirc;nio. - Mario Osava\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9578\" class=\"wp-caption-text\">Vila Teot&ocirc;nio, um dos lugares inundados pela represa da central de Santo Ant&ocirc;nio. - Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>  As obras das geradoras Jirau e Santo Ant&ocirc;nio tiveram seu apogeu em 2011, quando empregavam mais de 40 mil trabalhadores, equivalentes a 9% da popula&ccedil;&atilde;o total do munic\u00c3\u00adpio. Quando terminar sua constru&ccedil;&atilde;o, dentro de quatro anos, os funcion&aacute;rios encarregados da opera&ccedil;&atilde;o e administra&ccedil;&atilde;o das centrais ser&atilde;o centenas, n&atilde;o milhares.<\/p>\n<p>&quot;Haver&aacute; ressaca&quot;\u009d, admitiu o superintendente da Federa&ccedil;&atilde;o das Ind&uacute;strias do Estado de Rond&ocirc;nia, Gilberto Baptista.<\/p>\n<p>Produtores de alimentos perec\u00c3\u00adveis, como hortali&ccedil;as e ovos, perder&atilde;o a alta demanda que propiciaram os megaprojetos, sem possibilidade de encontrar outros mercados, reconheceu Baptista. Contudo, ressaltou, n&atilde;o ser&aacute; uma depress&atilde;o com desemprego e quebras generalizadas. O auge da constru&ccedil;&atilde;o em todo o Brasil, inclusive de hidrel&eacute;tricas absorver&aacute; grande parte da m&atilde;o de obra liberada. Na pr&oacute;pria Porto Velho, se vive um boom habitacional e est&aacute; sendo constru\u00c3\u00adda uma ponte de 975 metros sobre o Rio Madeira na rota para o norte, e mais tarde outra rumo ao sudoeste e ao Peru.<\/p>\n<p>Al&eacute;m da maci&ccedil;a capacita&ccedil;&atilde;o de trabalhadores, pr&aacute;tica indispens&aacute;vel diante do pleno emprego dos j&aacute; qualificados em outras partes do pa\u00c3\u00ads, &quot;as hidrel&eacute;tricas fortaleceram as empresas locais&quot;\u009d, ao buscarem por bens e servi&ccedil;os em grande escala, exigindo qualidade, prazos e normas r\u00c3\u00adgidas, disse Baptista. Assim, as empresas se prepararam para disputar em mercados mais exigentes, no Brasil ou no exterior, e ganharam &quot;musculatura para superar barreiras&quot;\u009d e competitividade, acrescentou o dirigente empresarial. As esperadas obras de melhoria e amplia&ccedil;&atilde;o das estradas e da hidrovia do Rio Madeira tamb&eacute;m facilitar&atilde;o estas &quot;exporta&ccedil;&otilde;es&quot;\u009d de trabalhadores locais.<\/p>\n<p>O Peru, com crescimento econ&ocirc;mico superior ao brasileiro e a eleva&ccedil;&atilde;o da renda de sua popula&ccedil;&atilde;o, constitui um &quot;mercado promissor&quot;\u009d de consumo crescente, agora que a Estrada Interoce&acirc;nica coloca todo o sul peruano, at&eacute; o Pac\u00c3\u00adfico, em conex&atilde;o vi&aacute;ria r&aacute;pida com o Brasil, explicou o superintendente. Carne, leite e seus derivados s&atilde;o alguns produtos que Rond&ocirc;nia pode exportar, em troca de cebola, aspargo, frutas e pescados de clima temperado, destacou.<\/p>\n<p>Rond&ocirc;nia n&atilde;o fica t&atilde;o perto do Peru. Entre sua capital e a fronteira s&atilde;o 880 quil&ocirc;metros de estrada, cruzando o fronteiri&ccedil;o Estado do Acre. Entretanto, este Estado protagonizar&aacute; a integra&ccedil;&atilde;o com os andinos, por sua economia diversificada, suas facilidades log\u00c3\u00adsticas para o norte e o centro-sul do Brasil e seus 1,6 milh&atilde;o de habitantes, acredita Baptista. O Acre tem menos da metade dessa popula&ccedil;&atilde;o, que tamb&eacute;m &eacute; mais pobre. Com a Bol\u00c3\u00advia, que tem extensas fronteiras com Rond&ocirc;nia, s&atilde;o poucas as possibilidades de neg&oacute;cios devido ao limitado mercado do norte boliviano, de acordo com Baptista.<\/p>\n<p>De todo modo, ser&aacute; necess&aacute;rio muito mais que exporta&ccedil;&otilde;es para evitar a decad&ecirc;ncia de Porto Velho. &quot;Esperamos forte desemprego no pr&oacute;ximo ano&quot;\u009d, com o consequente aumento da viol&ecirc;ncia e de outros efeitos sociais, declarou Pedro Beber, secret&aacute;rio extraordin&aacute;rio de Programas Especiais do munic\u00c3\u00adpio. Sua secretaria foi criada em 2007, para acompanhar e promover a melhor execu&ccedil;&atilde;o poss\u00c3\u00advel dos investimentos que as hidrel&eacute;tricas est&atilde;o legalmente obrigadas a oferecer ao munic\u00c3\u00adpio e \u00c3\u00a0s comunidades, para mitigar e compensar os impactos de suas obras.<\/p>\n<p>Os programas socioambientais das duas centrais somam R$ 2,1 bilh&otilde;es, mas metade se destina ao reassentamento de quase tr&ecirc;s mil fam\u00c3\u00adlias que ter&atilde;o suas casas ou terras inundadas pelas represas. &quot;Isto n&atilde;o &eacute; compensa&ccedil;&atilde;o, mas custo de qualquer obra&quot;\u009d, como a compra do terreno para uma edifica&ccedil;&atilde;o ou &quot;substituir a bateria do autom&oacute;vel&quot;\u009d, e n&atilde;o remedia os danos, questionou Aluildo Leite, promotor do Minist&eacute;rio P&uacute;blico Estadual que coordena um grupo que monitora os impactos das hidrel&eacute;tricas.<\/p>\n<p>Entretanto, Leite v&ecirc; &quot;um saldo positivo&quot;\u009d na constru&ccedil;&atilde;o de 22 postos de sa&uacute;de e reformas de outros, bem como novas escolas, pavimenta&ccedil;&atilde;o de ruas e saneamento b&aacute;sico que foram proporcionados pelos recursos entregues pelos cons&oacute;rcios que ganharam a concess&atilde;o de Santo Ant&ocirc;nio e Jirau, em constru&ccedil;&atilde;o a sete e 130 quil&ocirc;metros de Porto Velho, respectivamente. As compensa&ccedil;&otilde;es est&atilde;o previstas nas chamadas condicionantes, a&ccedil;&otilde;es impostas pela autoridade ambiental para conceder as licen&ccedil;as para implanta&ccedil;&atilde;o e opera&ccedil;&atilde;o das hidrel&eacute;tricas pelas empresas concession&aacute;rias.<\/p>\n<p>&quot;No entanto, n&atilde;o s&atilde;o proporcionais aos danos e ao gigantismo das obras&quot;\u009d, que atraem &quot;viol&ecirc;ncia, drogas e prostitui&ccedil;&atilde;o&quot;\u009d, afirmou o padre Miguel de Moura, de um grupo cat&oacute;lico que d&aacute; assist&ecirc;ncia &quot;aos pobres que sofrem&quot;\u009d, especialmente em Jacy-Paran&aacute;, o povoado mais afetado por ficar entre as duas hidrel&eacute;tricas, a 90 quil&ocirc;metros de Porto Velho. A cidade sofre &quot;duas vezes o impacto&quot;\u009d de projetos t&atilde;o grandes, primeiro a invas&atilde;o do in\u00c3\u00adcio e auge da constru&ccedil;&atilde;o e depois a &quot;queda do dinamismo&quot;\u009d e o desemprego, resumiu Cleiton Silva, presidente em Rond&ocirc;nia da Central \u00c3\u0161nica dos Trabalhadores (CUT), a maior organiza&ccedil;&atilde;o sindical do pa\u00c3\u00ads.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, as compensa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o mant&ecirc;m a s&uacute;bita prosperidade vivida por Porto Velho nos &uacute;ltimos anos, refletida nos hot&eacute;is lotados. Pr&eacute;dios de escrit&oacute;rios e inclusive um hospital se converteram em hot&eacute;is, para receber oper&aacute;rios e visitantes de neg&oacute;cios. Ser&aacute; necess&aacute;rio promover o desenvolvimento econ&ocirc;mico, impulsionando as &quot;voca&ccedil;&otilde;es&quot;\u009d de Rond&ocirc;nia que, al&eacute;m da agricultura e pecu&aacute;ria, compreendem a piscicultura e a madeira, que pode ser extra\u00c3\u00adda de florestas nativas de forma sustent&aacute;vel e por meio de projetos de reflorestamento, explicou Beber, agr&ocirc;nomo especializado em manejo florestal.<\/p>\n<p>&quot;Falta incentivo&quot;\u009d, destacou, ao argumentar que a soja, em tr&ecirc;s d&eacute;cadas, se converteu no principal cultivo brasileiro, gra&ccedil;as ao &quot;cr&eacute;dito f&aacute;cil&quot;\u009d do Banco do Brasil. As planta&ccedil;&otilde;es de eucalipto melhorado geneticamente s&atilde;o &quot;mais rent&aacute;veis do que a soja&quot;\u009d, acrescentou. No entanto, todas essas alternativas n&atilde;o oferecem empregos em massa como a constru&ccedil;&atilde;o de grandes hidrel&eacute;tricas. Tampouco o fazem ind&uacute;strias como uma grande metal&uacute;rgica, instalada em Porto Velho para produzir equipamentos mec&acirc;nicos para hidreletricidade na Amaz&ocirc;nia, e uma f&aacute;brica de cimento.<\/p>\n<p>Assim, a capital de Rond&ocirc;nia vive o desafio de amortizar sua queda. A constru&ccedil;&atilde;o de edif\u00c3\u00adcios j&aacute; n&atilde;o custar&aacute; US$ 1,75 mil o metro quadrado e a cidade n&atilde;o manter&aacute; o primeiro lugar no ranking de venda proporcional de motocicletas, o que se traduz atualmente em sete acidentes di&aacute;rios com fratura exposta de motociclistas, ressaltou Beber. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Porto Velho, Brasil, 06\/03\/2012 &ndash; O com&eacute;rcio com o Peru, um mercado em acelerada expans&atilde;o, ajudar&aacute; Porto Velho, capital de Rond&ocirc;nia, a atenuar o impacto da perda de empregos e neg&oacute;cios gerados pela constru&ccedil;&atilde;o de duas centrais hidrel&eacute;tricas no Rio Madeira. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/america-latina\/amazania-integraa%c2%a7ao-para-mitigar-depressao-pa%c2%b3s-megaprojetos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5],"tags":[27],"class_list":["post-9578","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9578","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9578"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9578\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9578"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9578"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9578"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}