{"id":9580,"date":"2012-03-06T08:22:21","date_gmt":"2012-03-06T08:22:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9580"},"modified":"2012-03-06T08:22:21","modified_gmt":"2012-03-06T08:22:21","slug":"aeoea-indignaa%c2%a7ao-social-pode-ser-muito-criativaae%c2%9d","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/america-latina\/aeoea-indignaa%c2%a7ao-social-pode-ser-muito-criativaae%c2%9d\/","title":{"rendered":"\u00e2\u20ac\u0153A indigna&ccedil;&atilde;o social pode ser muito criativa\u00e2\u20ac\u009d"},"content":{"rendered":"<p>Genebra, Su\u00c3\u00ad\u00c3\u00a7a, 06\/03\/2012 &ndash; As manifesta&ccedil;&otilde;es sociais de indigna&ccedil;&atilde;o e de exig&ecirc;ncia de mudan&ccedil;a n&atilde;o s&atilde;o negativas nos momentos de crise que vivemos, afirmou o intelectual, diplomata e pol\u00c3\u00adtico brasileiro Rubens Ricupero, em entrevista \u00c3\u00a0 IPS.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9580\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e23-300x199.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9580\" class=\"size-medium wp-image-9580\" title=\"Vivas aos homens e mulheres que lutam por uma economia com mais igualdade, justi&ccedil;a e equil\u00c3\u00adbrio, afirma o ex-secret&aacute;rio-geral da Unctad, Rubens Ricupero. - Unctad\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e23-300x199.jpg\" alt=\"Vivas aos homens e mulheres que lutam por uma economia com mais igualdade, justi&ccedil;a e equil\u00c3\u00adbrio, afirma o ex-secret&aacute;rio-geral da Unctad, Rubens Ricupero. - Unctad\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9580\" class=\"wp-caption-text\">Vivas aos homens e mulheres que lutam por uma economia com mais igualdade, justi&ccedil;a e equil\u00c3\u00adbrio, afirma o ex-secret&aacute;rio-geral da Unctad, Rubens Ricupero. - Unctad<\/p><\/div>  O ex-secret&aacute;rio-geral (1995-2004) da Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Com&eacute;rcio e Desenvolvimento (Unctad) prev&ecirc; que a recupera&ccedil;&atilde;o da crise econ&ocirc;mica vai demorar de quatro a cinco anos. Ricupero, que possui longa carreira na diplomacia brasileira, onde tamb&eacute;m foi ministro, considera que a paralisia de numerosas negocia&ccedil;&otilde;es multilaterais, com a Rodada de Doha na Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio (OMC), se prolongar&aacute; por um tempo. A causa desta paralisia se relaciona com um fen&ocirc;meno em curso: o deslocamento do poder mundial do Atl&acirc;ntico Norte para o Pac\u00c3\u00adfico asi&aacute;tico. Nestas circunst&acirc;ncias, &eacute; dif\u00c3\u00adcil obter consensos sobre temas profundos nos f&oacute;runs multilaterais, afirmou Ricupero.<\/p>\n<p>IPS: Qual &eacute; o seu diagn&oacute;stico da situa&ccedil;&atilde;o global?<\/p>\n<p>Rubens Ricupero: Nos pa\u00c3\u00adses industrializados, n&atilde;o creio que no curto prazo possa haver muita esperan&ccedil;a de uma recupera&ccedil;&atilde;o. Os europeus ainda n&atilde;o t&ecirc;m nem mesmo uma estrat&eacute;gia para enfrentar os problemas dos pa\u00c3\u00adses endividados. Ser&aacute; necess&aacute;rio bastante sofrimento antes de chegar a isso. O crescimento praticamente desapareceu na Alemanha, o pa\u00c3\u00ads que conta. Em outros h&aacute; recess&atilde;o, como It&aacute;lia e Holanda. Parece que este ser&aacute; outro ano perdido para a Europa.<\/p>\n<p>IPS: E nos Estados Unidos?<\/p>\n<p>RR: Muito vai depender da elei&ccedil;&atilde;o presidencial de novembro. N&atilde;o se pode fazer uma previs&atilde;o, mas me arrisco a dizer que o presidente Barack Obama ser&aacute; reeleito. A economia norte-americana come&ccedil;a a apresentar ind\u00c3\u00adcios de recupera&ccedil;&atilde;o, lenta e insuficiente na cria&ccedil;&atilde;o de empregos, mas tem condi&ccedil;&otilde;es de ganhar algum ritmo e conte&uacute;do nos pr&oacute;ximos anos.<\/p>\n<p>IPS: Um panorama desanimador, ent&atilde;o.<\/p>\n<p>RR: Neste ano e no pr&oacute;ximo n&atilde;o teremos grandes diferen&ccedil;as quanto \u00c3\u00a0 dicotomia que vivemos nos &uacute;ltimos tempos. A economia do sul continua crescendo, particularmente na China, \u00c3\u008dndia e outros pa\u00c3\u00adses asi&aacute;ticos, e em consequ&ecirc;ncia tamb&eacute;m em pa\u00c3\u00adses latino-americanos e do Oriente M&eacute;dio. N&atilde;o vejo no horizonte nenhum perigo muito grande de uma cat&aacute;strofe como a de 2009, com a queda de Lehman Brothers, nem uma recupera&ccedil;&atilde;o muito folgada.<\/p>\n<p>IPS: Ser&aacute; uma longa espera?<\/p>\n<p>RR: Como ocorreu nos anos 1930, essa recupera&ccedil;&atilde;o tardar&aacute;. A plena recupera&ccedil;&atilde;o da economia mundial como um todo n&atilde;o acontecer&aacute; antes de quatro ou cinco anos.<\/p>\n<p>IPS: Tamb&eacute;m na Am&eacute;rica Latina?<\/p>\n<p>RR: N&atilde;o. Isto n&atilde;o significa que outras regi&otilde;es n&atilde;o possam se recuperar antes. &Eacute; preciso considerar que nada d&eacute;cada de 1930, com exce&ccedil;&atilde;o de alguns casos, como da Argentina, que sofreu mais por sua depend&ecirc;ncia das exporta&ccedil;&otilde;es para a Gr&atilde;-Bretanha e por sua decis&atilde;o de tentar pagar a d\u00c3\u00advida, os demais pa\u00c3\u00adses latino-americanos tiveram uma boa situa&ccedil;&atilde;o, como Brasil, Col&ocirc;mbia, Chile, Peru e M&eacute;xico.<\/p>\n<p>IPS: O panorama atual &eacute; parecido?<\/p>\n<p>RR: Hoje vejo duas diferen&ccedil;as a nosso favor. Primeiro. Em nos anos 1930 n&atilde;o havia o atual fen&ocirc;meno das economias de China, \u00c3\u008dndia e outros pa\u00c3\u00adses asi&aacute;ticos. O mundo dependia basicamente dos pa\u00c3\u00adses industrializados. A segunda diferen&ccedil;a &eacute; que os latino-americanos j&aacute; come&ccedil;avam aquela d&eacute;cada com um endividamento externo muito forte. Dessa maneira, a grande maioria dos pa\u00c3\u00adses da regi&atilde;o n&atilde;o podia pagar seus compromissos. Desta vez estamos come&ccedil;ando a d&eacute;cada em uma situa&ccedil;&atilde;o incomparavelmente melhor. Com boas reservas, baixo n\u00c3\u00advel de d\u00c3\u00advida e uma situa&ccedil;&atilde;o interna mais favor&aacute;vel em termos de crescimento, de emprego e de melhoria de \u00c3\u00adndices sociais. Falo da situa&ccedil;&atilde;o em pa\u00c3\u00adses como Brasil, Chile, Argentina e Peru, n&atilde;o tanto dos que dependem mais diretamente do mercado norte-americano, como os pa\u00c3\u00adses do norte da regi&atilde;o.<\/p>\n<p>IPS: As negocia&ccedil;&otilde;es internacionais trope&ccedil;am em s&eacute;rias dificuldades em quest&otilde;es como desarmamento, com&eacute;rcio e meio ambiente. Como v&ecirc; o sistema multilateral?<\/p>\n<p>RR: Muito mal, com certeza, praticamente em todos os grandes temas h&aacute; uma paralisia.<\/p>\n<p>IPS: As raz&otilde;es?<\/p>\n<p>RR: Existem dois fen&ocirc;menos que se sobrep&otilde;em. Um &eacute; de conjuntura: a crise econ&ocirc;mica que cedo ou tarde ter&aacute; que desaparecer. Outro &eacute; mais profundo. H&aacute; anos que assistimos uma mudan&ccedil;a do eixo da economia mundial e da demografia mundial, do Atl&acirc;ntico Norte para o Pac\u00c3\u00adfico asi&aacute;tico. Este &eacute; um fen&ocirc;meno que o grande historiador franc&ecirc;s Fernand Braudel (1902-1985) chamaria de uma tend&ecirc;ncia secular, de longo, largu\u00c3\u00adssimo prazo, como foi a mudan&ccedil;a do eixo do com&eacute;rcio mundial do Mediterr&acirc;neo para o Atl&acirc;ntico no S&eacute;culo 16, no momento das grandes descobertas.<\/p>\n<p>IPS: Esse deslocamento do poder &eacute; irrevers\u00c3\u00advel?<\/p>\n<p>RR: N&atilde;o vai parar. Pelo contr&aacute;rio, as crises de conjuntura o aceleram, o refor&ccedil;am. Na medida em que os Estados Unidos se enfraquecem economicamente, &eacute; &oacute;bvio que isto favorece muito o ac&uacute;mulo de reservas e de poder financeiro de pa\u00c3\u00adses como a China. &Eacute; nesses momentos da hist&oacute;ria, muito raros, que ocorrem uma vez a cada dois ou tr&ecirc;s s&eacute;culos, que ocorre uma mudan&ccedil;a na distribui&ccedil;&atilde;o mundial. E nesses momentos &eacute; dif\u00c3\u00adcil haver consenso para enfrentar as quest&otilde;es mais profundas nos f&oacute;runs multilaterais.<\/p>\n<p>IPS: D&ecirc; mais detalhes desse fen&ocirc;meno.<\/p>\n<p>RR: At&eacute; recentemente o mundo tinha nos Estados Unidos o &aacute;rbitro que decidia. Era a pot&ecirc;ncia hegem&ocirc;nica que garantia a ordem econ&ocirc;mico-liberal. Desempenhou este papel desde o final da Segunda Guerra Mundial com a reorganiza&ccedil;&atilde;o do sistema econ&ocirc;mico e financeiro &quot;\u201c a cria&ccedil;&atilde;o do Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI), do Banco Mundial e do antecessor da OMC, o Acordo Geral de Com&eacute;rcio e Tarifas Alfandeg&aacute;rias (GATT) &quot;\u201c e do sistema pol\u00c3\u00adtico por meio da Carta da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU). Durante o longo per\u00c3\u00adodo da Guerra Fria, os Estados Unidos continuaram sendo o pa\u00c3\u00ads que garantia a produ&ccedil;&atilde;o de resultados nas grandes confer&ecirc;ncias das quais sa\u00c3\u00adram os chamados regimes internacionais. Tanto &eacute; assim que, quando Washington se abstinha, como no caso do direito do mar, o assunto n&atilde;o seguia adiante.<\/p>\n<p>IPS: Qual &eacute; a nova realidade?<\/p>\n<p>RR: Hoje os Estados Unidos come&ccedil;am a reavaliar suas posi&ccedil;&otilde;es, a sentir-se mais chamado para os problemas internos, a mudar sua estrat&eacute;gia militar. Os norte-americanos est&atilde;o trasladando a &ecirc;nfase do Oriente M&eacute;dio, dos temas isl&acirc;micos, para a \u00c3\u0081sia. E come&ccedil;am a se dar conta de que o grande advers&aacute;rio estrat&eacute;gico, no longo prazo, &eacute; a China, n&atilde;o a Al Qaeda, nem os isl&acirc;micos. Ent&atilde;o, neste processo n&atilde;o aparece ningu&eacute;m que possa desempenhar esse papel de &aacute;rbitro. &Eacute; o que se v&ecirc; nos epis&oacute;dios da S\u00c3\u00adria no Conselho de Seguran&ccedil;a da ONU. E tamb&eacute;m nas outras grandes negocia&ccedil;&otilde;es internacionais.<\/p>\n<p>IPS: &Eacute; uma passagem de poder iminente?<\/p>\n<p>RR: N&atilde;o, n&atilde;o vejo no curto prazo a possibilidade de mudan&ccedil;a. Se Obama for reeleito estar&aacute; mais atento aos problemas internos, como vem fazendo. E chineses e indianos ainda t&ecirc;m desafios muito grandes em seus pa\u00c3\u00adses. N&atilde;o est&atilde;o prontos, nem querem assumir esse peso de responsabilidade. &Eacute; um momento muito dif\u00c3\u00adcil, que corresponde \u00c3\u00a0 defini&ccedil;&atilde;o de crise do grande pensador marxista italiano Antonio Gramsci (1891-1937). Dizia Gramsci que a crise &eacute; o momento intermedi&aacute;rio em que o mundo velho acaba morrendo e o novo tem dificuldade para nascer. Nesta etapa, todo tipo de sintoma de morbidez sobe \u00c3\u00a0 superf\u00c3\u00adcie. &Eacute; o que estamos vivendo. Inclusive o fato de que os pa\u00c3\u00adses industrializados ainda come&ccedil;am a discutir a crise do capitalismo. Mas n&atilde;o encontram uma sa\u00c3\u00adda porque s&atilde;o as mesmas pessoas que criaram a crise e continuam dando as cartas.<\/p>\n<p>IPS: Acredita que haver&aacute; rea&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p>RR: Vamos ter uma hist&oacute;ria muito agitada nos pr&oacute;ximos anos. N&atilde;o no sentido de um conflito mundial, mas nesse tipo de coisas que estamos vivendo: insatisfa&ccedil;&atilde;o, indigna&ccedil;&atilde;o, desejo de mudan&ccedil;a. O que n&atilde;o &eacute; negativo, porque nunca se deve perder de vista que a hist&oacute;ria se move em momentos de dificuldades. N&atilde;o chego ao ponto de dizer, como os marxistas, que a viol&ecirc;ncia &eacute; que faz mover a hist&oacute;ria. Mas a insatisfa&ccedil;&atilde;o sim. &Eacute; a raiz das grandes mudan&ccedil;as mundiais, como a Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa, a Reforma religiosa, o Renascimento. Havia, ent&atilde;o, uma insatisfa&ccedil;&atilde;o com a vida que se levava.<\/p>\n<p>IPS: E atualmente?<\/p>\n<p>RR: Essa insatisfa&ccedil;&atilde;o social pode ser altamente criativa. &Eacute; perturbadora para os que vivem nesses momentos, pois &eacute; algo que questiona todos os valores, todos os h&aacute;bitos, mas &eacute; criativa. N&atilde;o creio que seja ruim as pessoas n&atilde;o se sentirem satisfeitas com um sistema baseado na injusti&ccedil;a e na falta de igualdade. H&aacute; que se rebelar contra o que fizeram e continuam fazendo os banqueiros. Por isto digo: vivas aos homens e \u00c3\u00a0s mulheres que lutam por uma economia com mais igualdade, justi&ccedil;a e equil\u00c3\u00adbrio. N&atilde;o h&aacute; que se resignar a isso.<\/p>\n<p>IPS: A crise pode afetar a sobreviv&ecirc;ncia das organiza&ccedil;&otilde;es multilaterais?<\/p>\n<p>RR: Particularmente, a ONU demonstrou uma grande flexibilidade. Cito dois epis&oacute;dios. Em 1971, quando a China comunista foi admitida e passou a ser membro permanente do Conselho de Seguran&ccedil;a, se dizia ent&atilde;o, na &eacute;poca posterior \u00c3\u00a0 Revolu&ccedil;&atilde;o Cultural, que haveria uma grande instabilidade no mundo. E n&atilde;o foi o que ocorreu. O segundo: o fim do comunismo produziu uma mudan&ccedil;a total no mapa do mundo. A Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica se desfez em n&atilde;o sei quantos peda&ccedil;os. A federa&ccedil;&atilde;o iugoslava tamb&eacute;m. E tudo isso aconteceu com seu grau de viol&ecirc;ncia relativamente contido, menos no caso dos iugoslavos, por outras raz&otilde;es. Nesses dois momentos o que se viu foi que as organiza&ccedil;&otilde;es, em particular as da ONU, souberam acomodar-se \u00c3\u00a0s mudan&ccedil;as. O ruim &eacute; quando a organiza&ccedil;&atilde;o &eacute; t&atilde;o r\u00c3\u00adgida que n&atilde;o pode se amoldar e morre. A ONU tem essa flexibilidade, o que \u00c3\u00a0s vezes causa muita perplexidade e insatisfa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>IPS: Acredita que as organiza&ccedil;&otilde;es financeiras, como FMI, Banco Mundial e OMC, sobreviver&atilde;o intactas?<\/p>\n<p>RR: N&atilde;o. Espero que esse movimento de mudan&ccedil;a modifique n&atilde;o s&oacute; a economia interna dos pa\u00c3\u00adses, em um sentido que a afaste desse fundamentalismo de mercado, mas que tamb&eacute;m mudem as institui&ccedil;&otilde;es que representam esse esp\u00c3\u00adrito fundamentalista. E para isto o papel principal caber&aacute; \u00c3\u00a0s pessoas no mundo &quot;\u201c n&atilde;o somente no sul &quot;\u201c, que t&ecirc;m consci&ecirc;ncia desse problema, de que n&atilde;o se pode continuar com uma organiza&ccedil;&atilde;o que leva a um crescimento maior da desigualdade. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Genebra, Su\u00c3\u00ad\u00c3\u00a7a, 06\/03\/2012 &ndash; As manifesta&ccedil;&otilde;es sociais de indigna&ccedil;&atilde;o e de exig&ecirc;ncia de mudan&ccedil;a n&atilde;o s&atilde;o negativas nos momentos de crise que vivemos, afirmou o intelectual, diplomata e pol\u00c3\u00adtico brasileiro Rubens Ricupero, em entrevista \u00c3\u00a0 IPS. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/america-latina\/aeoea-indignaa%c2%a7ao-social-pode-ser-muito-criativaae%c2%9d\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":86,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5,4,11],"tags":[],"class_list":["post-9580","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9580","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/86"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9580"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9580\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9580"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9580"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9580"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}