{"id":9583,"date":"2012-03-07T08:05:32","date_gmt":"2012-03-07T08:05:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9583"},"modified":"2012-03-07T08:05:32","modified_gmt":"2012-03-07T08:05:32","slug":"paquista%c6%92o-pobreza-leva-mulheres-a-casamentos-precoces","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/ultimas-noticias\/paquista%c6%92o-pobreza-leva-mulheres-a-casamentos-precoces\/","title":{"rendered":"PAQUIST&Atilde;O: Pobreza leva mulheres a casamentos precoces"},"content":{"rendered":"<p>Dusamb\u00c3\u00a9, Tajiquist\u00c3\u00a3o, 07\/03\/2012 &ndash; Quando Kibriyo Khaitova tinha 16 anos seus pais lhe disseram que se n&atilde;o casasse se converteria em uma solteirona. <!--more--> Assim, como muitas jovens do Tajiquist&atilde;o, casou-se com o homem sugerido pela sua fam\u00c3\u00adlia. Agora tem 20 anos, dois filhos e foi abandonada pelo marido. &quot;Meus pais me disseram que j&aacute; tinha idade e que precisava casar&quot;\u009d, contou a jovem, que vive no Vale de Ferghana, zona da \u00c3\u0081sia central onde seguem fortemente arraigados costumes sociais conservadores.<\/p>\n<p>&quot;Eu disse a eles que queria continuar estudando, mas responderam que os homens n&atilde;o gostam de jovens educadas e que n&atilde;o &eacute; preciso estudar para ser uma boa esposa. A primeira vez que vi meu marido foi no casamento. Tinha muito medo, mas minha av&oacute; me falou que tudo sairia bem&quot;\u009d, recordou. A propagada pobreza no Tajiquist&atilde;o &eacute; uma das principais causas dos casamentos precoces, segundo um informe da Funda&ccedil;&atilde;o Eur&aacute;sia. Nas fam\u00c3\u00adlias rurais, os filhos homens se convertem no sustento da fam\u00c3\u00adlia, e as meninas s&atilde;o, em geral, consideradas uma carga financeira.<\/p>\n<p>Amanh&atilde;, 8 de mar&ccedil;o se comemora o Dia Internacional da Mulher, como uma jornada para destacar a luta delas por seus direitos e a persistente discrimina&ccedil;&atilde;o que sofrem. Este ano, as Na&ccedil;&otilde;es Unidas deram &ecirc;nfase ao impacto dessa discrimina&ccedil;&atilde;o nas mulheres pobres. &quot;Alguns pais acreditam que suas filhas podem ser melhor mantidas por um marido, e cas&aacute;-las cedo &eacute; uma forma de conservar seus limitados recursos&quot;\u009d, explicou \u00c3\u00a0 EurasiaNet.org a autora do estudo, Azita Ranjbar.<\/p>\n<p>As fam\u00c3\u00adlias tamb&eacute;m fazem com que os filhos homens se casem com adolescentes. Quando as jovens do Tajiquist&atilde;o contraem matrim&ocirc;nio se convertem em &quot;kelins&quot;\u009d (noras) e, em geral, passam a viver com a fam\u00c3\u00adlia de seu marido.<\/p>\n<p>Delas espera-se que &quot;sejam obedientes, ajudem as sogras nos trabalhos dom&eacute;sticos e, em algumas regi&otilde;es do pa\u00c3\u00ads, tamb&eacute;m colaborem na agricultura de subsist&ecirc;ncia&quot;\u009d, explicou Ranjbar. Somente as mulheres que podem estudar est&atilde;o em condi&ccedil;&otilde;es de desafiar o papel submisso que lhes &eacute; imposto.<\/p>\n<p>Desde julho de 2010, a lei do Tajiquist&atilde;o estabelece 18 anos como idade m\u00c3\u00adnima para o casamento, tanto para homens como para mulheres. Entretanto, na pr&aacute;tica, o casamento precoce ainda &eacute; comum. De fato, a lei teve um efeito n&atilde;o desejado. Quando um casal n&atilde;o pode se unir porque uma das partes tem menos de 18 anos, procura um l\u00c3\u00adder religioso local para que realize a uni&atilde;o. Mais tarde, sem a certid&atilde;o de casamento, a esposa tem poucos direitos perante a justi&ccedil;a.<\/p>\n<p>&quot;S&atilde;o necess&aacute;rios severos castigos para reduzir a incid&ecirc;ncia de casamentos de menores&quot;\u009d, disse Azim Bayzoev, professor de estudos de g&ecirc;nero na Universidade Nacional do Tajiquist&atilde;o. &quot;Por&eacute;m, aumentando as puni&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m se provoca uma redu&ccedil;&atilde;o dos registros civis&quot;\u009d, reconheceu. &quot;Para ser efetiva, a lei deve ser aplicada de forma r\u00c3\u00adgida, mas existe uma falta de capacidade e de vontade dos governos locais para isso&quot;\u009d, ressaltou.<\/p>\n<p>No Tajiquist&atilde;o cresce a depend&ecirc;ncia do Isl&atilde; para cumprir fun&ccedil;&otilde;es que o Estado n&atilde;o pode realizar. Em muitas &aacute;reas rurais, onde as autoridades locais n&atilde;o t&ecirc;m poder, nem motiva&ccedil;&atilde;o e nem apoio, s&atilde;o os l\u00c3\u00adderes religiosos que d&atilde;o solu&ccedil;&otilde;es para os problemas di&aacute;rios. &quot;A lei isl&acirc;mica apoia o casamento precoce, pois oferece \u00c3\u00a0s fam\u00c3\u00adlias uma sa\u00c3\u00adda para o problema de ter que manter suas filhas&quot;\u009d, esclareceu Bayzoev.<\/p>\n<p>A maioria dos cl&eacute;rigos mu&ccedil;ulmanos est&aacute; disposta a realizar uma cerim&ocirc;nia religiosa sem importar se o casal n&atilde;o se registrou em um cart&oacute;rio civil. &quot;O Alcor&atilde;o n&atilde;o define uma idade m\u00c3\u00adnima para o casamento&quot;\u009d, disse \u00c3\u00a0 EurasiaNet.org um im&atilde; de Dusamb&eacute;, capital do Tajiquist&atilde;o que pediu para n&atilde;o ser identificado. Pelo contr&aacute;rio, &quot;o Isl&atilde; estimula as mulheres a casarem cedo. Isto significa que podem ter filhos, o que &eacute; seu dever&quot;\u009d, acrescentou.<\/p>\n<p>As mulheres que entram em casamentos pol\u00c3\u00adgamos, avaliados pelo Isl&atilde; mas proibidos pelas leis do Tajiquist&atilde;o, tampouco podem se registrar no cart&oacute;rio civil. Quando Dilnoza Rahimova tinha 15 anos, sua fam\u00c3\u00adlia a obrigou a casar com um homem que tinha o dobro de sua idade. Ela passou a ser a terceira esposa do marido, e era hostilizada pela primeira, que se sentia amea&ccedil;ada. &quot;Uma noite ele chegou b&ecirc;bado e me for&ccedil;ou a ter rela&ccedil;&otilde;es sexuais&quot;\u009d, contou \u00c3\u00a0 EurasiaNet.com. &quot;Eu disse que n&atilde;o queria, e que ele estava me machucando, mas n&atilde;o adiantou&quot;\u009d, contou. A m&atilde;e de Rahimova disse a ela que esse tipo de abuso &eacute; parte normal do casamento.<\/p>\n<p>A viola&ccedil;&atilde;o marital n&atilde;o &eacute; algo incomum no Tajiquist&atilde;o. Um informe de 2009 da Anistia Internacional revela que, embora apenas 11% dos homens admitam ter for&ccedil;ado suas mulheres a praticarem sexo, 42,5% das mulheres disseram que foram violadas por seus maridos. O div&oacute;rcio &eacute;, muitas vezes, o &uacute;ltimo recurso. Contudo, &quot;sem uma certid&atilde;o de casamento, &eacute; extremamente dif\u00c3\u00adcil para a mulher reclamar os direitos sobre os bens adquiridos em conjunto, bem como pens&otilde;es para seus filhos&quot;\u009d, alertou Ranjbar.<\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; estat\u00c3\u00adsticas oficiais sobre casamentos de menores. Bayzoev, da Universidade Nacional, disse que a pr&aacute;tica ficou mais comum durante a guerra civil nesse pa\u00c3\u00ads, entre 1992 e 1997, quando &quot;as meninas eram obrigadas a se casar para evitar que fossem v\u00c3\u00adtimas de viola&ccedil;&otilde;es ou que perdessem sua honra&quot;\u009d. Entretanto, a pr&aacute;tica tamb&eacute;m era comum quando o Tajiquist&atilde;o integrava a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica. Hoje, um aumento dos casamentos precoces significa mais div&oacute;rcios, disse Bayzoev. &quot;A imaturidade dos casais jovens e a natureza for&ccedil;ada de muitos casamentos, sem d&uacute;vida, contribuem para o crescente n&uacute;mero de div&oacute;rcios no pa\u00c3\u00ads&quot;\u009d, acrescentou.<\/p>\n<p>Pouco depois de ter se casado, o marido de Khaitova uniu-se \u00c3\u00a0s legi&otilde;es de jovens que emigram para a R&uacute;ssia em busca de trabalho. Ap&oacute;s tr&ecirc;s anos voltou com uma nova mulher. &quot;Me disse que queria o div&oacute;rcio e que eu tinha dois dias para ir embora&quot;\u009d, contou \u00c3\u00a0 EurasiaNet.org. &quot;Para onde posso ir? Tenho dois filhos, n&atilde;o estudei, fui obrigada a viver da caridade de meus familiares. Ganho 100 somonis (US$ 21) por m&ecirc;s consertando roupas, mas n&atilde;o posso manter meus filhos, lamentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Este artigo foi publicado originalmente pela EurasiaNet.org.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dusamb\u00c3\u00a9, Tajiquist\u00c3\u00a3o, 07\/03\/2012 &ndash; Quando Kibriyo Khaitova tinha 16 anos seus pais lhe disseram que se n&atilde;o casasse se converteria em uma solteirona. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/ultimas-noticias\/paquista%c6%92o-pobreza-leva-mulheres-a-casamentos-precoces\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[17,21,24],"class_list":["post-9583","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","tag-asia-e-pacifico","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9583","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9583"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9583\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9583"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9583"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9583"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}