{"id":9584,"date":"2012-03-07T08:07:11","date_gmt":"2012-03-07T08:07:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9584"},"modified":"2012-03-07T08:07:11","modified_gmt":"2012-03-07T08:07:11","slug":"washington-nao-encontra-saa%c2%adda-para-a-sa%c2%adria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/direitos-humanos\/washington-nao-encontra-saa%c2%adda-para-a-sa%c2%adria\/","title":{"rendered":"Washington n&atilde;o encontra sa\u00c3\u00adda para a S\u00c3\u00adria"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 07\/03\/2012 &ndash; Enquanto o ex&eacute;rcito da S\u00c3\u00adria intensifica os ataques contra redutos da oposi&ccedil;&atilde;o, como a cidade de Homs, entre outros, os Estados Unidos e seus aliados n&atilde;o chegam a um acordo sobre o caminho a seguir para acabar com o conflito. <!--more--> Washington criticou duramente o regime de Bashar al-Assad pelo desproporcional uso da viol&ecirc;ncia contra a oposi&ccedil;&atilde;o, mas os dirigentes pol\u00c3\u00adticos deste pa\u00c3\u00ads n&atilde;o se p&otilde;em de acordo sobre quais medidas tomar al&eacute;m das san&ccedil;&otilde;es existentes e de coordenar a assist&ecirc;ncia humanit&aacute;ria. A organiza&ccedil;&atilde;o de direitos humanos Human Rights Watch estima que morreram mais de 700 pessoas em Homs no &uacute;ltimo m&ecirc;s.<\/p>\n<p>Muitos dirigentes reclamam de forma expl\u00c3\u00adcita uma interven&ccedil;&atilde;o militar estrangeira de for&ccedil;as norte-americanas ou, pelo menos, o fornecimento de armas ao Ex&eacute;rcito Livre da S\u00c3\u00adria, integrado por combatentes que mudaram a ess&ecirc;ncia da oposi&ccedil;&atilde;o, de manifesta&ccedil;&otilde;es n&atilde;o violentas a contra-ataques e ataques pontuais.<\/p>\n<p>No dia 5, o ex-candidato presidencial pelo opositor Partido Republicano, John McCain, foi o primeiro senador dos Estados Unidos a reclamar ataques a&eacute;reos contra as for&ccedil;as do presidente Al-Assad. &quot;O objetivo final dos ataques a&eacute;reos deve ser criar e defender zonas seguras na S\u00c3\u00adria, especialmente no norte, onde as for&ccedil;as da oposi&ccedil;&atilde;o possam se organizar e planejar suas atividades pol\u00c3\u00adticas e militares contra Al-Assad&quot;\u009d, afirmou no Senado.<\/p>\n<p>Em uma reuni&atilde;o do Congresso no dia 2, o diretor e fundador da controvertida empresa de seguran&ccedil;a privada Blackwater, James Smith, apresentou um plano para criar uma zona semelhante \u00c3\u00a0 estabelecida na cidade l\u00c3\u00adbia de Bengasi no nordeste da S\u00c3\u00adria, a partir da qual seria atacado o governo s\u00c3\u00adrio. Tamb&eacute;m prop&ocirc;s que as ag&ecirc;ncias militares e de intelig&ecirc;ncia dos Estados Unidos coordenassem, com a oposi&ccedil;&atilde;o e a descontente popula&ccedil;&atilde;o curda, a cria&ccedil;&atilde;o de zonas seguras a partir das quais as for&ccedil;as militares internacionais e as ag&ecirc;ncias humanit&aacute;rias possam operar.<\/p>\n<p>Junto com uma significativa quantidade de neoconservadores, Smith pediu uma interven&ccedil;&atilde;o na S\u00c3\u00adria como forma de &quot;confrontar o Ir&atilde; e o liban&ecirc;s Hezbol&aacute; (Partido de Deus) de forma indireta&quot;\u009d, e, assim, p&ocirc;r fim ao papel de Damasco no chamado &quot;eixo de resist&ecirc;ncia&quot;\u009d. Outras figuras pol\u00c3\u00adticas que apoiaram as a&ccedil;&otilde;es militares na L\u00c3\u00adbia mas que at&eacute; agora se mostraram reticentes a uma interven&ccedil;&atilde;o na S\u00c3\u00adria reconsideram sua posi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Em uma coluna escrita por Anne-Marie Slaughter, em 1\u00c2\u00ba de mar&ccedil;o no The Washington Post, a ex-diretora de planejamento do Departamento de Estado defende uma &quot;interven&ccedil;&atilde;o militar estrangeira&quot;\u009d como a &quot;melhor esperan&ccedil;a de reduzir uma longa e sangrenta guerra civil desestabilizadora&quot;\u009d. Slaughter, pr&oacute;xima da secret&aacute;ria de Estado, Hillary Clinton, tamb&eacute;m defendeu a cria&ccedil;&atilde;o de zonas &quot;sem mortos&quot;\u009d e &quot;corredores humanit&aacute;rios&quot;\u009d, garantidos pelas for&ccedil;as locais, mas com armas fornecidas pela comunidade internacional e avi&otilde;es n&atilde;o tripulados.<\/p>\n<p>No entanto, &eacute; pouco prov&aacute;vel que esses planos re&uacute;nam o apoio necess&aacute;rio para que Washington garanta que sua participa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o exacerbe muitos problemas que afetam a revolta S\u00c3\u00adria e o aumento de grupos isl&acirc;micos radicais. No Comit&ecirc; de Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores do Senado, o secret&aacute;rio de Estado-adjunto para Assuntos do Oriente Pr&oacute;ximo, Jeffrey Feltman, defendeu, no dia 1\u00c2\u00ba, o &quot;plano claro e confi&aacute;vel&quot;\u009d do Conselho Nacional S\u00c3\u00adrio, apoiado pelos &quot;l\u00c3\u00adderes &aacute;rabes&quot;\u009d, mas tamb&eacute;m reconheceu que a oposi&ccedil;&atilde;o continua viciada por &quot;divis&otilde;es competitivas&quot;\u009d, inclu\u00c3\u00addo o elemento isl&acirc;mico.<\/p>\n<p>Esse temor colocou muitas autoridades de Washington em uma posi&ccedil;&atilde;o inc&ocirc;moda ao terem que apoiar organiza&ccedil;&otilde;es da oposi&ccedil;&atilde;o como o Conselho Nacional S\u00c3\u00adrio e o Ex&eacute;rcito Livre da S\u00c3\u00adria, ao mesmo tempo que se preocupa com a viabilidade da era p&oacute;s-Assad. Muitos analistas se apressaram em responder \u00c3\u00a0s reclama&ccedil;&otilde;es de uma interven&ccedil;&atilde;o militar do Ocidente dando a L\u00c3\u00adbia como exemplo, onde a disponibilidade de armas e as divis&otilde;es entre os l\u00c3\u00adderes opositores parecem ter contribu\u00c3\u00addo para aumentar a viol&ecirc;ncia ap&oacute;s a guerra civil. Tambem acrescentam que isso contribuiu para a incapacidade do novo governo para controlar a grande quantidade de homens armados que participaram do conflito.<\/p>\n<p>Em um painel patrocinado pela Funda&ccedil;&atilde;o Century em Nova York, no final de fevereiro, Michael Hanna alertou que &quot;lan&ccedil;ar armas neste conflito sem organiza&ccedil;&atilde;o, somente o tornar&aacute; mais sangrento e, claramente, o prolongar&aacute;&quot;\u009d. As figuras a favor de um papel mais direto da comunidade internacional no conflito da S\u00c3\u00adria trabalham para aumentar a coordena&ccedil;&atilde;o e a lideran&ccedil;a entre os diversos integrantes da oposi&ccedil;&atilde;o, que segue dividida, e n&atilde;o s&oacute; entre as diferentes organiza&ccedil;&otilde;es, mas dentro de cada uma.<\/p>\n<p>Hanna descreveu o Ex&eacute;rcito Livre da S\u00c3\u00adria como &quot;apelido de insurg&ecirc;ncia local&quot;\u009d que ainda carece de ordem e controle. O Conselho Nacional S\u00c3\u00adrio tamb&eacute;m sofreu graves divis&otilde;es depois que uma grande quantidade de figuras destacadas anunciou sua ren&uacute;ncia por falta de progressos e por insuficiente coordena&ccedil;&atilde;o com os manifestantes a p&eacute;. A reuni&atilde;o &quot;Amigos da S\u00c3\u00adria&quot;\u009d, realizada na Tun\u00c3\u00adsia em 24 de fevereiro, foi um exemplo das v&aacute;rias contradi&ccedil;&otilde;es que cercam o conflito da S\u00c3\u00adria.<\/p>\n<p>Representantes de 70 pa\u00c3\u00adses e de organiza&ccedil;&otilde;es internacionais se reuniram para discutir formas de coordenar esfor&ccedil;os para acabar com o regime de Al-Assad, mas n&atilde;o chegaram a um consenso significativo sobre temas espec\u00c3\u00adficos, a n&atilde;o ser a cont\u00c3\u00adnua aplica&ccedil;&atilde;o de san&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas e diplom&aacute;ticas. Parece existir um consenso generalizado sobre a necessidade de coordenar a ajuda humanit&aacute;ria para o crescente n&uacute;mero de refugiados e as inumer&aacute;veis quantidades de pessoas sem alimento e sem calefa&ccedil;&atilde;o suficiente, mas conseguir uma participa&ccedil;&atilde;o maior parecer ser um assunto altamente divisor.<\/p>\n<p>O chanceler saudita, Saud al-Faisal, saiu uma f&uacute;ria da reuni&atilde;o, revoltado pela falta de disposi&ccedil;&atilde;o dos participantes em tomarem medidas mais duras. Sua proposta foi armar diretamente a oposi&ccedil;&atilde;o. China e R&uacute;ssia n&atilde;o participaram do encontro, e muitos dirigentes se mostraram reticentes em reconhecer que &eacute; prov&aacute;vel que Moscou desempenhe um papel mais significativo na resolu&ccedil;&atilde;o do conflito, apesar de sua aparente intransig&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>&quot;A &uacute;nica forma de resolver isto &eacute; por meio dos russos&quot;\u009d, opinou o embaixador turco, Morton Abramowitz, em seu discurso na Funda&ccedil;&atilde;o Century. Talvez Vladimir Putin esteja mais disposto a se comprometer ap&oacute;s as elei&ccedil;&otilde;es de domingo, quando o primeiro-ministro russo ganhou seu retorno \u00c3\u00a0 Presid&ecirc;ncia do pa\u00c3\u00ads. Um informe, divulgado no dia 5 pelo Grupo Internacional de Crise, alertava para o quanto &eacute; essencial a coopera&ccedil;&atilde;o russa para uma boa transi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&quot;Se Moscou se convencer de que a situa&ccedil;&atilde;o atual maximiza o risco de produzir essa situa&ccedil;&atilde;o que diz tanto temer, que &eacute; o caos&quot;\u009d, ent&atilde;o se poderia criar um contexto em que &quot;o regime s\u00c3\u00adrio se veja confrontado com a op&ccedil;&atilde;o de concordar em negociar de boa f&eacute; ou ficar quase totalmente isolado e perder um aliado fundamental&quot;\u009d, diz o documento. Feltman, que acaba de regressar de uma viagem \u00c3\u00a0 R&uacute;ssia para tentar resolver as diferen&ccedil;as com Moscou sobre o conflito, informou que &quot;se mant&ecirc;m os contatos com Moscou em todos os n\u00c3\u00adveis&quot;\u009d. Contudo, ser&aacute; uma tarefa tit&acirc;nica encontrar pontos de contato com a R&uacute;ssia, devido ao grau de compromisso posto pelo Kremlin ao defender Al-Assad. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 07\/03\/2012 &ndash; Enquanto o ex&eacute;rcito da S\u00c3\u00adria intensifica os ataques contra redutos da oposi&ccedil;&atilde;o, como a cidade de Homs, entre outros, os Estados Unidos e seus aliados n&atilde;o chegam a um acordo sobre o caminho a seguir para acabar com o conflito. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/direitos-humanos\/washington-nao-encontra-saa%c2%adda-para-a-sa%c2%adria\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":768,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11],"tags":[14,18,16],"class_list":["post-9584","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-politica","tag-america-do-norte","tag-europa","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9584","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/768"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9584"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9584\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9584"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9584"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9584"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}