{"id":9590,"date":"2012-03-08T08:41:56","date_gmt":"2012-03-08T08:41:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9590"},"modified":"2012-03-08T08:41:56","modified_gmt":"2012-03-08T08:41:56","slug":"aeoeas-portuguesas-ainda-nao-conseguiram-a-cidadania-plenaae%c2%9d","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/direitos-humanos\/aeoeas-portuguesas-ainda-nao-conseguiram-a-cidadania-plenaae%c2%9d\/","title":{"rendered":"\u00e2\u20ac\u0153As portuguesas ainda n&atilde;o conseguiram a cidadania plena\u00e2\u20ac\u009d"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, Portugal, 08\/03\/2012 &ndash; A conquista de uma s&eacute;rie de direitos fundamentais tem sido para as mulheres de Portugal uma quest&atilde;o &aacute;rdua e lenta, uma luta que ainda continua, apesar de passados 37 anos desde a instaura&ccedil;&atilde;o da democracia, disse \u00c3\u00a0 IPS a destacada feminista Manuela G&oacute;is.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9590\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e25.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9590\" class=\"size-medium wp-image-9590\" title=\"Manuela G&oacute;is, em uma manifesta&ccedil;&atilde;o contra a precariedade no trabalho. - Mario Queiroz \/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e25.jpg\" alt=\"Manuela G&oacute;is, em uma manifesta&ccedil;&atilde;o contra a precariedade no trabalho. - Mario Queiroz \/IPS\" width=\"150\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9590\" class=\"wp-caption-text\">Manuela G&oacute;is, em uma manifesta&ccedil;&atilde;o contra a precariedade no trabalho. - Mario Queiroz \/IPS<\/p><\/div>  Em 25 de abril de 1974, em menos de 24 horas, 144 capit&atilde;es democratas do ex&eacute;rcito portugu&ecirc;s puseram fim a um regime corporativista e cat&oacute;lico, que governava o pa\u00c3\u00ads desde 1926.<\/p>\n<p>A chamada Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos decretou o fim do arcaico imp&eacute;rio portugu&ecirc;s que se havia fundado na \u00c3\u0081frica em 1415 e na \u00c3\u0081sia em 1498. Por&eacute;m, a revolu&ccedil;&atilde;o de mentalidades e tradi&ccedil;&otilde;es arraigadas &eacute; muito mais lenta, especialmente quanto \u00c3\u00a0 igualdade de g&ecirc;nero, explicou G&oacute;is ao analisar a situa&ccedil;&atilde;o das portuguesas por ocasi&atilde;o do Dia Internacional da Mulher.<\/p>\n<p>Tenaz resistente \u00c3\u00a0 ditadura de &quot;O Estado Novo&quot;\u009d, de Antonio de Oliveira Salazar e Marcello das Neves Caetano, a vice-presidente da Uni&atilde;o de Mulheres Alternativa e Resposta (Umar), Manuela G&oacute;is, &eacute; uma das mais dedicadas defensoras dos direitos femininos neste pa\u00c3\u00ads. A ativista reconhece o que foi conquistado em quase quatro d&eacute;cadas de democracia, mas destaca que as mulheres &quot;ainda devem percorrer um longo caminho para obter a cidadania plena&quot;\u009d.<\/p>\n<p>G&oacute;is, que nasceu em Lisboa em 1951, &eacute; professora de economia no ensino secund&aacute;rio, autora de v&aacute;rios artigos e coautora do livro Roteiros Feministas: Lisboa tamb&eacute;m &eacute; das mulheres. Esta obra &quot;fazia falta, j&aacute; que n&atilde;o havia um olhar feminista sobre Lisboa e porque a hist&oacute;ria tradicional converte em invis\u00c3\u00advel o papel das mulheres&quot;\u009d, afirmou.<\/p>\n<p>IPS: Quais progressos destaca para as mulheres desde a Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos?<\/p>\n<p>Manuela G&oacute;is: Nestes 37 anos de democracia, as mulheres conquistaram um conjunto de direitos fundamentais, como votar e serem candidatas em elei&ccedil;&otilde;es legislativas, presidenciais e municipais. A lei da paridade para as elei&ccedil;&otilde;es estabelece a cota de um ter&ccedil;o, no m\u00c3\u00adnimo, para as mulheres, que agora podem exercer profiss&otilde;es que antes da revolu&ccedil;&atilde;o de 1974 n&atilde;o podiam exercer sem autoriza&ccedil;&atilde;o dos maridos, como serem magistradas, ju\u00c3\u00adzas, diplomatas ou comerciantes.<\/p>\n<p>IPS: Tamb&eacute;m diminuiu o peso da Igreja Cat&oacute;lica na vida das mulheres. O div&oacute;rcio, e depois o aborto, uma longa batalha da Umar conclu\u00c3\u00adda apenas em 2007&quot;\u00a6<\/p>\n<p>MG: Devido ao Concordato, assinado em 1940 entre o regime de Salazar-Caetano e o Vaticano, os casais unidos pela Igreja Cat&oacute;lica n&atilde;o podiam se divorciar. S&oacute; havia este direito para os casados no civil. A revolu&ccedil;&atilde;o de 25 de abril deu a todos o direito ao div&oacute;rcio. Atualmente, as mulheres em Portugal podem abortar livremente, com garantias de seguran&ccedil;a e gratuitamente, at&eacute; a d&eacute;cima semana de gesta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>IPS: Uma queixa frequente &eacute; a desigualdade nas remunera&ccedil;&otilde;es trabalhistas. Esta n&atilde;o foi tamb&eacute;m uma conquista da revolu&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p>MG: De fato, se conquistou o direito de &quot;sal&aacute;rio igual para trabalho igual&quot;\u009d, estipulado no Artigo 13 da Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica. No entanto, ainda h&aacute; setores que n&atilde;o aplicam este princ\u00c3\u00adpio constitucional da consagra&ccedil;&atilde;o do direito \u00c3\u00a0 igualdade de g&ecirc;neros.<\/p>\n<p>IPS: Quais outros &ecirc;xitos da luta das mulheres merecem ser destacados por ocasi&atilde;o do Dia Internacional da Mulher?<\/p>\n<p>MG: Existe uma lei sobre a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica que a considera crime p&uacute;blico, a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Estas conquistas s&atilde;o causa e consequ&ecirc;ncia das lutas das mulheres. Por&eacute;m, ainda h&aacute; muito a ser feito pela cidadania plena, pois as mulheres est&atilde;o sub-representadas na esfera p&uacute;blica e a presen&ccedil;a no setor privado ainda &eacute; muito insuficiente.<\/p>\n<p>IPS: Por exemplo?<\/p>\n<p>MG: As mulheres, apesar de representarem 59% nas profiss&otilde;es intelectuais e cient\u00c3\u00adficas, continuam sendo minorit&aacute;rias nos quadros superiores, com presen&ccedil;a de 32,5%. Por outro lado, representam 73% do total da m&atilde;o de obra n&atilde;o qualificada. O direito \u00c3\u00a0 sa&uacute;de sexual e reprodutiva, o acesso das l&eacute;sbicas e das solteiras \u00c3\u00a0 procria&ccedil;&atilde;o com assist&ecirc;ncia m&eacute;dica e o direito \u00c3\u00a0 ado&ccedil;&atilde;o para todas as pessoas, independente de sua orienta&ccedil;&atilde;o sexual, s&atilde;o alguns exemplos dos direitos pendentes de cumprimento. No dia 26 de fevereiro, o parlamento vetou um projeto de lei do Bloco de Esquerda (BE), sobre a ado&ccedil;&atilde;o por parte de casais homossexuais, o que &eacute; um retrocesso, ao colocar em xeque o princ\u00c3\u00adpio da igualdade entre todas as pessoas, e revela o conservadorismo da maioria dos partidos, inclu\u00c3\u00addo o Partido Comunista e alguns deputados socialistas. Apenas o Bloco e o Partido Ecologista Verde (PEV) votaram a favor. H&aacute; muitas fam\u00c3\u00adlias homossexuais que n&atilde;o poder&atilde;o legalizar a situa&ccedil;&atilde;o existente.<\/p>\n<p>IPS: Como situa Portugal em compara&ccedil;&atilde;o com o resto da Europa?<\/p>\n<p>MG: Em algumas &aacute;reas, as portuguesas, com rela&ccedil;&atilde;o a outras europeias, t&ecirc;m uma situa&ccedil;&atilde;o mais igualit&aacute;ria e, em outras, menos. Quanto ao aborto, o prazo para a interrup&ccedil;&atilde;o da gravidez ainda &eacute; curto, a lei de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, apesar de ter sido melhorada, deveria for&ccedil;ar o agressor a se afastar e n&atilde;o fazer com que a mulher mude de domic\u00c3\u00adlio e de emprego. Na Uni&atilde;o Europeia, as mulheres ganham, em m&eacute;dia, 17,5% menos do que os homens. Em Portugal, essa diferen&ccedil;a hoje &eacute; de 21%. Com exce&ccedil;&atilde;o do BE e do PEV, e com muitas limita&ccedil;&otilde;es os socialistas, nenhum partido pratica a paridade, j&aacute; que s&atilde;o estruturas patriarcais onde o dom\u00c3\u00adnio masculino &eacute; imenso. No movimento sindical, a presen&ccedil;a feminina n&atilde;o &eacute; relevante, j&aacute; que os sindicatos mant&ecirc;m estruturas de dom\u00c3\u00adnio masculino, onde as mulheres s&atilde;o pouco representadas. Em 2011, a sa&uacute;de e os sal&aacute;rios foram os fatores que mais penalizaram as mulheres em Portugal. De acordo com o F&oacute;rum sobre a Igualdade de G&ecirc;nero (inciativa da Unesco sobre igualdade de g&ecirc;nero e os Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio), Portugal aparece na posi&ccedil;&atilde;o 35, entre 135 pa\u00c3\u00adses.<\/p>\n<p>IPS: Ent&atilde;o, a luta continua&quot;\u00a6<\/p>\n<p>MG: Continuamos lutando pela igualdade de direitos, e ampliamos a batalha contra todas as opress&otilde;es. Isto porque a identidade &eacute; intersetorial. Est&aacute; plenamente associada ao g&ecirc;nero, etnia, classe, orienta&ccedil;&atilde;o sexual, capacidade f\u00c3\u00adsica, nacionalidade, estatuto da imigra&ccedil;&atilde;o, religi&atilde;o e identidade. Assim, &eacute; question&aacute;vel a heterossexualidade normativa associada ao bin&aacute;rio sexo\/g&ecirc;nero, colocando-a acima do espec\u00c3\u00adfico da experi&ecirc;ncia das pessoas, que s&atilde;o submetidas a m&uacute;ltiplas formas de subordina&ccedil;&atilde;o na sociedade e n&atilde;o apenas essa. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, Portugal, 08\/03\/2012 &ndash; A conquista de uma s&eacute;rie de direitos fundamentais tem sido para as mulheres de Portugal uma quest&atilde;o &aacute;rdua e lenta, uma luta que ainda continua, apesar de passados 37 anos desde a instaura&ccedil;&atilde;o da democracia, disse \u00c3\u00a0 IPS a destacada feminista Manuela G&oacute;is. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/direitos-humanos\/aeoeas-portuguesas-ainda-nao-conseguiram-a-cidadania-plenaae%c2%9d\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":919,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11],"tags":[18,21,24],"class_list":["post-9590","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-politica","tag-europa","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9590","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/919"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9590"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9590\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9590"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9590"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9590"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}