{"id":9592,"date":"2012-03-08T08:44:35","date_gmt":"2012-03-08T08:44:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9592"},"modified":"2012-03-08T08:44:35","modified_gmt":"2012-03-08T08:44:35","slug":"igualdade-de-gaanero-em-atraso-na-europa-central-e-oriental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/direitos-humanos\/igualdade-de-gaanero-em-atraso-na-europa-central-e-oriental\/","title":{"rendered":"Igualdade de g\u00c3\u00aanero em atraso na Europa central e oriental"},"content":{"rendered":"<p>Vars\u00c3\u00b3via, Pol\u00c3\u00b4nia, 08\/03\/2012 &ndash; Apesar da press&atilde;o de organismos internacionais, como a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) e a Uni&atilde;o Europeia (UE), no sentido de promover a igualdade de g&ecirc;nero na Europa central e oriental, o acesso ao financiamento para iniciativas que as apoiem continua enfrentando muitos obst&aacute;culos. <!--more--> Imediatamente ap&oacute;s a queda do comunismo em 1989, as organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais da Europa central e oriental dedicadas \u00c3\u00a0 igualdade de g&ecirc;nero receberam a maior quantidade hist&oacute;rica de recursos de funda&ccedil;&otilde;es privadas ou ag&ecirc;ncias governamentais dos Estados Unidos e da Europa ocidental. Contudo, quando esses ex-pa\u00c3\u00adses comunistas entraram para a UE, os doadores extrabloco retiraram seu financiamento, considerando que a regi&atilde;o j&aacute; estava bem coberta pelos fundos da Uni&atilde;o Europeia.<\/p>\n<p>As ONGs da Europa central e oriental, por&eacute;m, notaram que desde a entrada na UE t&ecirc;m mais dificuldades de acesso a financiamento, principalmente porque os fundos do bloco s&atilde;o cofinanciados pelos governos nacionais e distribu\u00c3\u00addos seguindo prioridades de cada Estado. Assim, as ONGs se veem presas \u00c3\u00a0 agenda de seus respectivos governos. Este problema foi destacado, pelas entidades que defendem os direitos femininos, como uma grande barreira para avan&ccedil;ar rumo \u00c3\u00a0 igualdade de g&ecirc;neros, na semana em que se comemorar o Dia Internacional da Mulher, hoje, 8 de mar&ccedil;o.<\/p>\n<p>&quot;Antes do fazermos parte da UE era, paradoxalmente, mais f&aacute;cil receber dinheiro para a&ccedil;&otilde;es e publica&ccedil;&otilde;es mais radicais&quot;\u009d, apontou Alina Synakiewicz, da ONG polonesa Feminoteka. &quot;Agora, ainda que haja dinheiro dispon\u00c3\u00advel, ele &eacute; entregue com a intermedia&ccedil;&atilde;o governamental, o que significa que o governo o canaliza como bem entende&quot;\u009d, esclareceu. No melhor dos casos, as ONGs &quot;se tornam criativas&quot;\u009d e conseguem alinhar suas prioridades com as agendas de seus governos. No pior, simplesmente os fundos lhes s&atilde;o negados.<\/p>\n<p>Um exemplo da marginaliza&ccedil;&atilde;o das iniciativas de g&ecirc;nero em uma agenda nacional conservadora ocorreu na Pol&ocirc;nia. Em 1993, o aborto foi colocado na ilegalidade nesse pa\u00c3\u00ads e, at&eacute; agora, o acesso a anticoncepcionais e a educa&ccedil;&atilde;o sexual continua restrito. Os m&eacute;dicos podem invocar uma &quot;cl&aacute;usula de consci&ecirc;ncia&quot;\u009d e se negar a dar receitas para o controle da natalidade. Ativistas pela igualdade de g&ecirc;nero afirmam que esses limites aos direitos reprodutivos se devem principalmente \u00c3\u00a0 forte influ&ecirc;ncia que a Igreja Cat&oacute;lica polonesa tem sobre o Estado e toda a sociedade.<\/p>\n<p>No ano passado, ativistas tentaram apresentar no parlamento um projeto de lei sobre direitos reprodutivos, tendo como principais pontos uma legisla&ccedil;&atilde;o sobre aborto, tornar os anticoncepcionais mais acess\u00c3\u00adveis e baratos, educa&ccedil;&atilde;o sexual cient\u00c3\u00adfica obrigat&oacute;ria nas escolas e apoio estatal para a fertiliza&ccedil;&atilde;o in vitro. Seu esfor&ccedil;o para reunir as cem mil assinaturas necess&aacute;rias fracassou devido ao bloqueio da m\u00c3\u00addia \u00c3\u00a0 iniciativa, bem como \u00c3\u00a0 falta de fundos e de apoio. Inclusive, algumas ONGs que trabalham em temas de mulheres se distanciaram deste esfor&ccedil;o, por desconfiarem de seu &ecirc;xito.<\/p>\n<p>&quot;O que lamentavelmente mudou nos &uacute;ltimos 20 anos na Pol&ocirc;nia &eacute; que todo espa&ccedil;o p&uacute;blico passou a ser dominado por terminologia propagada pela Igreja Cat&oacute;lica&quot;\u009d, disse Elzbieta Korolczuk, uma das promotoras da iniciativa. &quot;N&atilde;o s&oacute; o p&uacute;blico em geral, mas tamb&eacute;m grande parte de nossos c\u00c3\u00adrculos de ativistas n&atilde;o creem que seja poss\u00c3\u00advel mudar a lei quando se trata de direitos reprodutivos na Pol&ocirc;nia em um futuro pr&oacute;ximo&quot;\u009d, afirmou. No entanto, Korolczuk acrescentou que a luta continuar&aacute;, mesmo em um ambiente desfavor&aacute;vel.<\/p>\n<p>Enquanto isso, em toda Europa central e oriental ativistas pela igualdade de g&ecirc;nero ganham lutas diariamente, al&eacute;m da indiferen&ccedil;a ou da resist&ecirc;ncia de autoridades nacionais. Um dos temas mais dif\u00c3\u00adceis de encarar na regi&atilde;o durante as duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas &eacute; a viol&ecirc;ncia contra as mulheres e a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica. O financiamento com fontes nacionais continua sendo escasso para grupos que trabalham contra a viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero, o que reduz sua capacidade (algo j&aacute; muito problem&aacute;tico, considerando que s&atilde;o as ONGs as que mais trabalham nesse campo) e tamb&eacute;m o n&uacute;mero de abrigos para as v\u00c3\u00adtimas.<\/p>\n<p>A legisla&ccedil;&atilde;o sobre viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica tamb&eacute;m avan&ccedil;a aos trope&ccedil;&otilde;es. A maioria dos pa\u00c3\u00adses da Europa central e oriental aprovou leis desse tipo, mas os textos, em geral, carecem de provid&ecirc;ncias como ordem de restri&ccedil;&atilde;o contra agressores. No final de fevereiro, ap&oacute;s dois anos de intensa campanha por parte das ONGs, o parlamento da Rom&ecirc;nia finalmente aprovou uma emenda \u00c3\u00a0 lei nacional que regula a aplica&ccedil;&atilde;o de ordens de restri&ccedil;&atilde;o para os que cometem viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica.<\/p>\n<p>H&aacute; dois anos, Cristina Horia, da Funda&ccedil;&atilde;o Sensiblu, um dos principais grupos que trabalham contra a viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero e dom&eacute;stica na Rom&ecirc;nia, informou \u00c3\u00a0 IPS que &quot;a participa&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es estatais no tema da viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica &eacute; limitado, sendo elas, no fundo, partid&aacute;rias e s&oacute;cias, mas nunca iniciando as campanhas&quot;\u009d. Nos &uacute;ltimos dois anos, as autoridades nacionais e locais melhoraram sua atitude, embora &quot;brechas sist&ecirc;micas&quot;\u009d continuem impedindo um pleno envolvimento no problema da viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero, explicou Horia, cuja funda&ccedil;&atilde;o organizou uma campanha p&uacute;blica sobre o assunto em 2009.<\/p>\n<p>Entre as brechas, Horia aponta &quot;o escasso financiamento dos sistemas de assist&ecirc;ncia social, o n&uacute;mero insuficiente de abrigos para mulheres afetadas, falta de uma estrat&eacute;gia nacional para enfrentar a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica e a falha das autoridades na hora de proteger as v\u00c3\u00adtimas e punir os agressores&quot;\u009d. Al&eacute;m disso, h&aacute; &quot;insuficiente prepara&ccedil;&atilde;o da pol\u00c3\u00adcia e dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos para atuarem de forma competente&quot;\u009d.<\/p>\n<p>Existe uma sensa&ccedil;&atilde;o de que as ONGs a favor dos direitos das mulheres na Europa oriental e central operam em uma realidade muito diferente da descrita por suas autoridades nacionais em informes aos organismos internacionais, cheios de boa inten&ccedil;&atilde;o e compromissos sobre igualdade de g&ecirc;nero.<\/p>\n<p>Uma prova da dicotomia entre declara&ccedil;&otilde;es e realidade pode ser a an&aacute;lise de como &eacute; aplicada na regi&atilde;o uma das ferramentas mais avan&ccedil;adas da ONU sobre o assunto: os or&ccedil;amentos sens\u00c3\u00adveis ao g&ecirc;nero (PSG). Esta ferramenta prop&otilde;e transformar os or&ccedil;amentos nacionais e locais para que registrem especificamente as cotas dedicadas ao avan&ccedil;o das mulheres e a eliminar as barreiras para a igualdade de g&ecirc;nero. N&atilde;o significa necessariamente destinar mais recursos em temas de seguran&ccedil;a, mas usar os existentes de forma que beneficiem a igualdade.<\/p>\n<p>Segundo a economista Elizabeth Villagomez, que trabalhou v&aacute;rios anos em ag&ecirc;ncias da ONU avaliando a possibilidade de introduzir esta ferramenta na Europa central e oriental, &quot;os PSG n&atilde;o s&atilde;o um tema forte nesses pa\u00c3\u00adses porque a ideia e os princ\u00c3\u00adpios sobre igualdade de g&ecirc;nero ainda s&atilde;o fracos ali. Nos ex-pa\u00c3\u00adses comunistas, a ideia da igualdade como valor geral, mesmo quando se trata de g&ecirc;nero, n&atilde;o &eacute; muito bem aceita ou ainda &eacute; mal entendida devido ao passado recente socialista&quot;\u009d, afirmou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vars\u00c3\u00b3via, Pol\u00c3\u00b4nia, 08\/03\/2012 &ndash; Apesar da press&atilde;o de organismos internacionais, como a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) e a Uni&atilde;o Europeia (UE), no sentido de promover a igualdade de g&ecirc;nero na Europa central e oriental, o acesso ao financiamento para iniciativas que as apoiem continua enfrentando muitos obst&aacute;culos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/direitos-humanos\/igualdade-de-gaanero-em-atraso-na-europa-central-e-oriental\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":43,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[18,21,24],"class_list":["post-9592","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","tag-europa","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9592","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/43"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9592"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9592\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9592"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9592"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9592"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}