{"id":9593,"date":"2012-03-08T09:21:47","date_gmt":"2012-03-08T09:21:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9593"},"modified":"2012-03-08T09:21:47","modified_gmt":"2012-03-08T09:21:47","slug":"chile-mais-mulheres-no-poder-campanha-contra-uma-vergonha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/america-latina\/chile-mais-mulheres-no-poder-campanha-contra-uma-vergonha\/","title":{"rendered":"CHILE: Mais mulheres no poder, campanha contra uma vergonha"},"content":{"rendered":"<p>Santiago, Chile, 08\/03\/2012 &ndash; Um grupo de organiza&ccedil;&otilde;es sociais realiza no Chile a campanha Mais Mulheres no Poder, que busca maior incorpora&ccedil;&atilde;o feminina em cargos p&uacute;blicos de decis&atilde;o e representa&ccedil;&atilde;o popular, para avan&ccedil;ar rumo a uma democracia parit&aacute;ria.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9593\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e35.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9593\" class=\"size-medium wp-image-9593\" title=\"As promotoras da campanha Mais Mulheres no Poder, durante seu lan&ccedil;amento. - Mais Mulheres no Poder\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e35.jpg\" alt=\"As promotoras da campanha Mais Mulheres no Poder, durante seu lan&ccedil;amento. - Mais Mulheres no Poder\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9593\" class=\"wp-caption-text\">As promotoras da campanha Mais Mulheres no Poder, durante seu lan&ccedil;amento. - Mais Mulheres no Poder<\/p><\/div>  &quot;Mais Mulheres no Poder nasce da convic&ccedil;&atilde;o profunda, da an&aacute;lise e do diagn&oacute;stico da sub-representa&ccedil;&atilde;o das mulheres na tomada de decis&otilde;es e, em certa medida, dos retrocessos quanto \u00c3\u00a0 import&acirc;ncia da presen&ccedil;a de mulheres nos espa&ccedil;os de tomada de decis&otilde;es&quot;\u009d, explicou \u00c3\u00a0 IPS a soci&oacute;loga Teresa Vald&eacute;s.<\/p>\n<p>A diretora do Observat&oacute;rio de G&ecirc;nero e Igualdade explicou que esta luta &eacute; &quot;um velho desejo, mas hoje tem um novo impulso diante do retrocesso evidente do governo de Sebasti&aacute;n Pi\u00c3\u00b1era em mat&eacute;ria de igualdade e na perspectiva das elei&ccedil;&otilde;es municipais de outubro&quot;\u009d. A campanha se integra \u00c3\u00a0s a&ccedil;&otilde;es do movimento de mulheres organizadas no pa\u00c3\u00ads pela passagem do Dia internacional da Mulher.<\/p>\n<p>O Chile aprovou o voto feminino em sua legisla&ccedil;&atilde;o em 1934, quando as mulheres passaram a ter a faculdade para votar e serem votadas em elei&ccedil;&otilde;es municipais. Somente em 1949 as chilenas conseguiram um voto pol\u00c3\u00adtico, e em 1952 puderam pela primeira vez votar para presidente. E foi preciso passar mais de 50 anos para ser eleita a primeira presidenta, a socialista Michelle Bachelet (2006-2010), agora diretora-executiva da ONU Mulheres.<\/p>\n<p>As mulheres representam pouco mais da metade dos 17,5 milh&otilde;es de habitantes do Chile, 53% dos eleitores e 43% da for&ccedil;a de trabalho. Entretanto, sua participa&ccedil;&atilde;o em cargos de representa&ccedil;&atilde;o popular &eacute; de apenas 12,7% na c&acirc;mara baixa do Congresso e apenas de 5% no Senado. &quot;O Chile est&aacute; abaixo da m&eacute;dia da regi&atilde;o quanto a mulheres em espa&ccedil;os de tomada de decis&otilde;es, e em d&eacute;ficit quanto aos compromissos internacionais que assinamos como Estado para aumentar a representa&ccedil;&atilde;o&quot;\u009d, detalhou \u00c3\u00a0 IPS a coordenadora da campanha, Carolina Carrera, presidente da Corpora&ccedil;&atilde;o Humanas. Os n&uacute;meros da participa&ccedil;&atilde;o feminina chilena em espa&ccedil;os de representa&ccedil;&atilde;o &quot;s&atilde;o uma vergonha&quot;\u009d, ressaltou.<\/p>\n<p>A Comiss&atilde;o Econ&ocirc;mica para a Am&eacute;rica Latina e o Caribe (Cepal) indica que a representa&ccedil;&atilde;o de mulheres no Poder Legislativo do Chile &eacute; de 14,2%, bem abaixo da m&eacute;dia da regi&atilde;o, de 22,4%. O pa\u00c3\u00ads fica \u00c3\u00a0 frente de Col&ocirc;mbia (12,7%), Paraguai (12,5%), ou Brasil (8,6%), mas atr&aacute;s de Cuba (43,2%), Costa Rica (38,6%) e Argentina (38,5%).<\/p>\n<p>Por&eacute;m, Vald&eacute;s esclareceu que a campanha n&atilde;o acredita que o caminho para aumentar a presen&ccedil;a feminina no poder pol\u00c3\u00adtico no Chile seja uma lei de cotas, como as que permitiram a alta participa&ccedil;&atilde;o na Argentina e Costa Rica, por exemplo. &quot;A quest&atilde;o das cotas ficou velha&quot;\u009d, afirmou. Como &quot;a sociedade est&aacute; composta por homens e mulheres por igual, n&atilde;o cabe falar de lei de cotas, mas falar de uma representa&ccedil;&atilde;o equilibrada em todos os espa&ccedil;os&quot;\u009d, explicou. A diretora do Observat&oacute;rio destacou que &quot;as cotas foram instrumento para avan&ccedil;ar rumo a uma sociedade parit&aacute;ria&quot;\u009d.<\/p>\n<p>De acordo com Vald&eacute;s, o preocupante &eacute; que, at&eacute; 2010, o Chile aparecia como o pa\u00c3\u00ads mais avan&ccedil;ado na regi&atilde;o em mat&eacute;ria de pol\u00c3\u00adticas p&uacute;blicas para a igualdade, ap&oacute;s 20 anos de pol\u00c3\u00adticas continuadas na mat&eacute;ria, que foram aceleradas no governo de Bachelet. &quot;&Eacute;ramos tomados como modelo na Am&eacute;rica Latina, mas, ao mesmo tempo, somos um pa\u00c3\u00ads que n&atilde;o consegue avan&ccedil;ar na representa&ccedil;&atilde;o das mulheres no sistema pol\u00c3\u00adtico&quot;\u009d, observou.<\/p>\n<p>Devido a isto, Mais Mulheres no Poder pede reformas substanciais no sistema pol\u00c3\u00adtico eleitoral vigente no Chile, que foi desenhado em 1980 pela ditadura do falecido general Augusto Pinochet (1973-1990). A campanha pede uma nova Constitui&ccedil;&atilde;o, mudan&ccedil;a do sistema eleitoral binominal que privilegia a exist&ecirc;ncia e o dom\u00c3\u00adnio de dois grandes partidos, leis para a igualdade, partidos pol\u00c3\u00adticos democr&aacute;ticos, transparentes e parit&aacute;rios, e financiamento p&uacute;blico preferencial para campanhas de mulheres.<\/p>\n<p>As coordenadoras da campanha consideram este o momento prop\u00c3\u00adcio para sua difus&atilde;o, principalmente quando nas elei&ccedil;&otilde;es municipais de outubro o padr&atilde;o eleitoral passar&aacute; de oito milh&otilde;es para 12,5 milh&otilde;es de pessoas, ao entrar em vigor uma reforma do sistema eleitoral que estabelece a inscri&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica e o voto volunt&aacute;rio. Do total de 4,5 milh&otilde;es de novos eleitores, 80% ter&atilde;o menos de 35 anos.<\/p>\n<p>Apesar da reforma, Carrera garantiu que os temas da igualdade se mant&ecirc;m exclu\u00c3\u00addos da discuss&atilde;o pol\u00c3\u00adtica. &quot;N&atilde;o vimos an&aacute;lise nenhuma de como as reformas poderiam impactar a participa&ccedil;&atilde;o pol\u00c3\u00adtica das mulheres&quot;\u009d, explicou. Carrera ressaltou que &quot;por isso a campanha n&atilde;o fala apenas de representa&ccedil;&atilde;o parit&aacute;ria, mas tamb&eacute;m de uma nova Constitui&ccedil;&atilde;o, porque queremos a paridade n&atilde;o s&oacute; num&eacute;rica, mas que existam leis de igualdade&quot;\u009d.<\/p>\n<p>&quot;As reformas pol\u00c3\u00adticas que vierem n&atilde;o poder&atilde;o ser pensadas sem os efeitos diferenciados que estas t&ecirc;m na incorpora&ccedil;&atilde;o de homens e mulheres no espa&ccedil;o da pol\u00c3\u00adtica p&uacute;blica. Acreditamos que o pa\u00c3\u00ads deve romper com esta l&oacute;gica machista de que o espa&ccedil;o p&uacute;blico &eacute; particularmente masculino&quot;\u009d, ressaltou Carrera. Nessa linha, Vald&eacute;s destacou que, em 2006, quando Bachelet assumiu, atingiu a paridade num&eacute;rica (50%) no gabinete ministerial, uma paridade relativa que se manteve at&eacute; 2010 (40%-60%). &quot;Contudo, o governo atual conta apenas com 18% de mulheres nesses cargos&quot;\u009d, afirmou.<\/p>\n<p>Carrera citou ainda avan&ccedil;os durante o governo de Bachelet, uma mulher de esquerda, separada, torturada e exilada pela ditadura, que foi questionada por seu modo &quot;t&atilde;o feminino&quot;\u009d de governar, sem &quot;m&atilde;o dura&quot;\u009d. O &quot;avan&ccedil;o mais simb&oacute;lico &eacute; que a presen&ccedil;a da mulher no poder abre a ideia no imagin&aacute;rio das crian&ccedil;as do pa\u00c3\u00ads de que se pode chegar \u00c3\u00a0 Presid&ecirc;ncia sendo mulher&quot;\u009d, afirmou.<\/p>\n<p>Atualmente, a Am&eacute;rica Latina e o Caribe contam com quatro chefes de governos: Dilma Rousseff no Brasil, Cristina Fern&aacute;ndez na Argentina, Laura Chinchilla na Costa Rica, e Kamla Persad-Bissessar em Trinidad e Tobago. Para Vald&eacute;s, este &eacute; o resultado da luta das mulheres durante todo o S&eacute;culo 20. &quot;No come&ccedil;o do s&eacute;culo passado as mulheres nem mesmo eram cidad&atilde;s&quot;\u009d, enquanto atualmente s&atilde;o cinco presidentes, se incluirmos Bachelet, acrescentou Vald&eacute;s. &quot;S&atilde;o mulheres tremendas, com uma trajet&oacute;ria de luta&quot;\u009d, destacou. Por isso, prosseguiu, a luta para abrir espa&ccedil;os se mant&eacute;m, como se faz h&aacute; d&eacute;cadas. &quot;Talvez sejam outras as l\u00c3\u00adderes que levar&atilde;o as bandeiras, mas a luta continua at&eacute; conseguirmos a democracia parit&aacute;ria que tanto nos faz falta&quot;\u009d, concluiu. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santiago, Chile, 08\/03\/2012 &ndash; Um grupo de organiza&ccedil;&otilde;es sociais realiza no Chile a campanha Mais Mulheres no Poder, que busca maior incorpora&ccedil;&atilde;o feminina em cargos p&uacute;blicos de decis&atilde;o e representa&ccedil;&atilde;o popular, para avan&ccedil;ar rumo a uma democracia parit&aacute;ria. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/america-latina\/chile-mais-mulheres-no-poder-campanha-contra-uma-vergonha\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,11],"tags":[21,24],"class_list":["post-9593","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-politica","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9593","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9593"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9593\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9593"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9593"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9593"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}