{"id":9607,"date":"2012-03-13T07:08:50","date_gmt":"2012-03-13T07:08:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9607"},"modified":"2012-03-13T07:08:50","modified_gmt":"2012-03-13T07:08:50","slug":"destaques-transgaanicos-argentinos-respondem-ao-desafio-climatico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/america-latina\/destaques-transgaanicos-argentinos-respondem-ao-desafio-climatico\/","title":{"rendered":"DESTAQUES: Transg\u00c3\u00aanicos argentinos respondem ao desafio clim&aacute;tico"},"content":{"rendered":"<p>BUENOS AIRES, Argentina, 13\/03\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- Sementes transg&ecirc;nicas de milho, trigo e soja desenvolvidas na Argentina prometem suportar a falta de &aacute;gua e entregar rendimentos sustent&aacute;veis, inclusive na presen&ccedil;a de chuvas normais.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9607\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/568_cardones.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9607\" class=\"size-medium wp-image-9607\" title=\"Paisagem t\u00c3\u00adpica do noroeste, em Tilcara, prov\u00c3\u00adncia de Jujuy, que s&oacute; admite agricultura resistente \u00c3\u00a0 seca e pecu&aacute;ria de caprinos, o que agrava a degrada&ccedil;&atilde;o do solo - Juan Moseinco\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/568_cardones.jpg\" alt=\"Paisagem t\u00c3\u00adpica do noroeste, em Tilcara, prov\u00c3\u00adncia de Jujuy, que s&oacute; admite agricultura resistente \u00c3\u00a0 seca e pecu&aacute;ria de caprinos, o que agrava a degrada&ccedil;&atilde;o do solo - Juan Moseinco\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9607\" class=\"wp-caption-text\">Paisagem t\u00c3\u00adpica do noroeste, em Tilcara, prov\u00c3\u00adncia de Jujuy, que s&oacute; admite agricultura resistente \u00c3  seca e pecu&aacute;ria de caprinos, o que agrava a degrada&ccedil;&atilde;o do solo - Juan Moseinco\/IPS<\/p><\/div>  Pesquisadores da Argentina isolaram um gene do girassol e o implantaram no milho, no trigo e na soja para lhes dar maior toler&acirc;ncia \u00c3\u00a0 seca e \u00c3\u00a0 salinidade do solo, problemas associados ao aquecimento global nesta pot&ecirc;ncia agr\u00c3\u00adcola sul-americana. A descoberta foi de uma equipe liderada pela bi&oacute;loga molecular Raquel Chan, do Instituto de Agrobiotecnologia do Litoral, criado pelo Conselho Nacional de Pesquisas Cient\u00c3\u00adficas e T&eacute;cnicas (Conicet) e pela estatal Universidade Nacional do Litoral, na prov\u00c3\u00adncia de Santa F&eacute;.<\/p>\n<p>Os cientistas isolaram um dos 50 mil genes da estrutura do girassol, o HAHB4, que ajuda esta planta a resistir \u00c3\u00a0 escassez de &aacute;gua, e o introduziram em esp&eacute;cies de trigo, milho e soja. Os testes de campo consumiram tr&ecirc;s anos em regi&otilde;es de climas e solos diferentes deste pa\u00c3\u00ads. Segundo Raquel, a caracter\u00c3\u00adstica gen&eacute;tica introduzida em laborat&oacute;rio pode se combinar com outras, como a resist&ecirc;ncia a herbicidas j&aacute; presente em v&aacute;rios cultivos transg&ecirc;nicos.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m h&aacute; outros pontos positivos. &quot;As plantas melhoradas n&atilde;o s&oacute; resistiram \u00c3\u00a0 seca e \u00c3\u00a0 salinidade, como aumentaram significativamente sua produtividade&quot;\u009d, a caracter\u00c3\u00adstica mais nova da descoberta, explicou Raquel ao Terram&eacute;rica. O maior rendimento varia de 15% a 100%, segundo a qualidade do cultivo, da regi&atilde;o onde &eacute; plantado e das condi&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, mas em nenhum caso diminuiu. At&eacute; agora, n&atilde;o h&aacute; no mercado sementes resistentes \u00c3\u00a0 seca, destacou. A literatura cient\u00c3\u00adfica registra esp&eacute;cies melhoradas para tolerar maior estresse h\u00c3\u00addrico. Por&eacute;m, nos testes publicados por institui&ccedil;&otilde;es cient\u00c3\u00adficas, essas variedades perdem produtividade diante da ocorr&ecirc;ncia de chuva. Demonstram ser eficientes exclusivamente em condi&ccedil;&otilde;es de escassez ou falta de &aacute;gua, resumiu Raquel. As novas sementes driblam estas &quot;penalidades&quot;\u009d, afirmou. &quot;As plantas mostraram que aumentam a produtividade tamb&eacute;m em condi&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas normais, com chuvas mais frequentes&quot;\u009d, ressaltou.<\/p>\n<p>O HAHB4, patenteado para benef\u00c3\u00adcio da universidade e do Conicet, foi apresentado no final de fevereiro, e seu uso e explora&ccedil;&atilde;o foram cedidos por 20 anos \u00c3\u00a0 empresa argentina Bioceres, propriedade de mais de 230 produtores agropecu&aacute;rios. A Bioceres se associou com a norte-americana Arcadia Biosciences para criar a marca Verdeca, com a qual vender&atilde;o as novas sementes no mercado internacional.<\/p>\n<p>Para entrar no mercado, as sementes ainda devem ser aprovadas em uma s&eacute;rie de testes de efeitos no meio ambiente e na nutri&ccedil;&atilde;o, bem como seus graus de toxidade. O processo levar&aacute; de dois a tr&ecirc;s anos. O HAHB4 &eacute; importante para que a agricultura argentina suporte melhor algumas das manifesta&ccedil;&otilde;es da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, afirmou a destacada cientista Graciela Magrin, do Instituto de Clima e \u00c3\u0081gua. Por causa do aquecimento, &eacute; previsto &quot;um aumento na intensidade e frequ&ecirc;ncia de eventos extremos como as secas&quot;\u009d, disse ela ao Terram&eacute;rica.<\/p>\n<p>A entidade na qual trabalha integra o estatal Instituto Nacional de Tecnologia Agropecu&aacute;ria (Inta), onde s&atilde;o estudados o impacto das condi&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas sobre a produ&ccedil;&atilde;o rural e as formas de adapta&ccedil;&atilde;o. Os cen&aacute;rios clim&aacute;ticos para a Argentina preveem per\u00c3\u00adodos de fortes precipita&ccedil;&otilde;es, concentradas em pouco tempo, e per\u00c3\u00adodos mais prolongados de escassez h\u00c3\u00addrica, explicou Graciela.<\/p>\n<p>Neste ver&atilde;o, a falta de chuvas provocou uma queda na colheita de gr&atilde;os, que n&atilde;o chegaria aos cem milh&otilde;es de toneladas (com grandes perdas em milho), quando se esperava uma produ&ccedil;&atilde;o de 111 milh&otilde;es de toneladas. A seca de 2008-2009, a mais severa em cem anos, fez cair a produ&ccedil;&atilde;o agr\u00c3\u00adcola em 37%. A variabilidade natural e os eventos extremos &quot;\u201c d&eacute;ficit ou excesso de &aacute;gua, geadas, tempestades severas, granizo &quot;\u201c foram observados nos &uacute;ltimos anos com maior frequ&ecirc;ncia e intensidade, segundo estudos do Inta.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, h&aacute; uma ocorr&ecirc;ncia peri&oacute;dica de falta ou excesso de chuvas, associada \u00c3\u00a0s fases fria (La Ni\u00c3\u00b1a) e quente (El Ni\u00c3\u00b1o) da Oscila&ccedil;&atilde;o do Sul, um fen&ocirc;meno oce&acirc;nico-atmosf&eacute;rico de escala planet&aacute;ria. Os especialistas do Inta recomendam um manejo de cultivos que contemple esses desafios e o desenvolvimento de esp&eacute;cies e variedades resistentes. Graciela alertou que, onde a &aacute;gua come&ccedil;ar a escassear, o solo poder&aacute; ficar mais salino, e neste aspecto o HAHB4 tamb&eacute;m &eacute; bem-vindo.<\/p>\n<p>De fato, 75% dos solos argentinos s&atilde;o &aacute;ridos, semi&aacute;ridos e sub&uacute;midos secos, o que os torna prop\u00c3\u00adcios a se degradarem e, eventualmente, se transformarem em desertos. O Inta alerta para uma crescente desertifica&ccedil;&atilde;o na Patag&ocirc;nia e manifesta&ccedil;&otilde;es graves no sudoeste da prov\u00c3\u00adncia de Buenos Aires. No entanto, os solos &aacute;ridos n&atilde;o s&atilde;o inf&eacute;rteis. Metade das planta&ccedil;&otilde;es deste pa\u00c3\u00ads ocorrem nesses sistemas, segundo a Avalia&ccedil;&atilde;o da Degrada&ccedil;&atilde;o de Terras em Zonas \u00c3\u0081ridas (Lada) na Argentina, publicada no final de 2011. Contudo, recomenda-se um manejo cuidadoso.<\/p>\n<p>As variedades melhoradas podem ajudar a agricultura a se adaptar melhor a este cen&aacute;rio. Os testes em zonas &aacute;ridas nas prov\u00c3\u00adncias de Chaco (nordeste) e San Luis (centro-leste) deram bons rendimentos, informou Raquel. Organiza&ccedil;&otilde;es ambientalistas n&atilde;o veem as sementes transg&ecirc;nicas com tanto entusiasmo. Para a filial argentina do Greenpeace, podem ser o motor de um novo avan&ccedil;o da agricultura sobre as florestas. Este pa\u00c3\u00ads j&aacute; perdeu 70% de suas &aacute;reas florestais originais. &quot;Se n&atilde;o for adotada uma pol\u00c3\u00adtica que pro\u00c3\u00adba totalmente o desmatamento, esta semente transg&ecirc;nica implicar&aacute; o fim das &uacute;ltimas florestas nativas&quot;\u009d, alertou em um impresso Hern&aacute;n Giardini, coordenador da campanha de florestas do Greenpeace. Para a diretora da equipe de pesquisa, o cuidado com a natureza &eacute; inestim&aacute;vel, mas deve estar combinado com uma produ&ccedil;&atilde;o maior de alimentos que o mundo demanda. &quot;Somos bi&oacute;logos moleculares e nosso desafio &eacute; produzir mais em menos hectares. N&atilde;o nos compete decidir at&eacute; onde se pode estender estes cultivos, mas sim ao Estado&quot;\u009d, declarou Raquel. Graciela, do Inta, ressaltou que o novo desenvolvimento exige &quot;um ordenamento territorial muito r\u00c3\u00adgido, que defina onde se pode expandir um cultivo e onde h&aacute; risco&quot;\u009d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BUENOS AIRES, Argentina, 13\/03\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- Sementes transg&ecirc;nicas de milho, trigo e soja desenvolvidas na Argentina prometem suportar a falta de &aacute;gua e entregar rendimentos sustent&aacute;veis, inclusive na presen&ccedil;a de chuvas normais. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/america-latina\/destaques-transgaanicos-argentinos-respondem-ao-desafio-climatico\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12],"tags":[21],"class_list":["post-9607","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9607","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9607"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9607\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9607"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9607"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9607"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}