{"id":9626,"date":"2012-03-15T09:28:03","date_gmt":"2012-03-15T09:28:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9626"},"modified":"2012-03-15T09:28:03","modified_gmt":"2012-03-15T09:28:03","slug":"oceanos-nao-resistirao-a-aeoemais-do-mesmoae%c2%9d","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/mundo\/oceanos-nao-resistirao-a-aeoemais-do-mesmoae%c2%9d\/","title":{"rendered":"Oceanos n&atilde;o resistir&atilde;o a \u00e2\u20ac\u0153mais do mesmo\u00e2\u20ac\u009d"},"content":{"rendered":"<p>Bruxelas, B\u00c3\u00a9lgica, 15\/03\/2012 &ndash; A acidifica&ccedil;&atilde;o dos oceanos, a perda de biodiversidade marinha, a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, a contamina&ccedil;&atilde;o e a superexplora&ccedil;&atilde;o dos recursos obrigam \u00c3\u00a0 busca de forma urgente de um novo modelo para proteg&ecirc;-los. <!--more--> Deixar as coisas como est&atilde;o, simplesmente, n&atilde;o &eacute; uma op&ccedil;&atilde;o, afirmam especialistas. As perspectivas para nossos oceanos nas pr&oacute;ximas d&eacute;cadas s&atilde;o desanimadoras, ressaltam. J&aacute; houve um grau de acidifica&ccedil;&atilde;o extremo como o atual, disse Carol Turley, do Laborat&oacute;rio Marinho da cidade brit&acirc;nica de Plymouth. Esta afirma&ccedil;&atilde;o pode ser um al\u00c3\u00advio, n&atilde;o fosse o fato de se referir \u00c3\u00a0 &eacute;poca em que foram extintos os dinossauros.<\/p>\n<p>O termo acidifica&ccedil;&atilde;o &eacute; usado para descrever a redu&ccedil;&atilde;o do pH (potencial de hidrog&ecirc;nio) oce&acirc;nico causado pelas emiss&otilde;es de di&oacute;xido de carbono (CO\u00c2\u00b2) produzidas pelas atividades humanas. Estamos diante de uma &quot;enorme crise ambiental&quot;\u009d, alertou Turley este m&ecirc;s aos participantes de uma sess&atilde;o informativa do Parlamento Europeu, onde falou sobre os desafios e as solu&ccedil;&otilde;es para os oceanos, com vistas \u00c3\u00a0 Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (Rio+20), que acontecer&aacute; em junho no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Turley brincou sobre o apelido que ganhou de &quot;rainha do &aacute;cido&quot;\u009d, por sua funesta mensagem, mas a dif\u00c3\u00adcil situa&ccedil;&atilde;o de 70% da superf\u00c3\u00adcie da Terra n&atilde;o &eacute; nada engra&ccedil;ada. Os oceanos absorvem cerca de 26% ao ano do total de emiss&otilde;es de CO\u00c2\u00b2, que aumentaram 30% desde o come&ccedil;o da Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial, em 1750, segundo o Grupo Internacional de Usu&aacute;rios de Refer&ecirc;ncia sobre Acidifica&ccedil;&atilde;o Oce&acirc;nica.<\/p>\n<p>A acidifica&ccedil;&atilde;o dos oceanos prejudica a vida marinha, e at&eacute; as mudan&ccedil;as de acidez menores deixam mais sens\u00c3\u00adveis os esqueletos e as conchas de carbonato de c&aacute;lcio. Tamb&eacute;m reduz a disponibilidade de c&aacute;lcio para o pl&acirc;ncton e as esp&eacute;cies com esqueleto, que constituem a base de toda a cadeia alimentar marinha, criando um efeito domin&oacute; desastroso, que pode aniquilar ecossistemas inteiros.<\/p>\n<p>&quot;O sistema terrestre est&aacute; realmente sob a influ&ecirc;ncia do homem&quot;\u009d, afirmou Wendy Watson-Wright, diretora-geral adjunta e secret&aacute;ria executiva da Comiss&atilde;o Oceanogr&aacute;fica Intergovernamental, da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Educa&ccedil;&atilde;o, a Ci&ecirc;ncia e a Cultura (Unesco). Os oceanos poder&atilde;o ter 150% mais acidez at&eacute; 2100, em rela&ccedil;&atilde;o a hoje, acrescentou Wendy. Isto significaria uma dr&aacute;stica redu&ccedil;&atilde;o na produ&ccedil;&atilde;o pesqueira e a maci&ccedil;a extin&ccedil;&atilde;o da vida marinha. O mundo perde recursos naturais a um grau que os humanos nem mesmo come&ccedil;aram a descrever, ressaltou.<\/p>\n<p>Infelizmente, &eacute; dif\u00c3\u00adcil obter a aten&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o para a necessidade de preservar os oceanos. A aten&ccedil;&atilde;o global se concentrou totalmente na economia, em especial ap&oacute;s a crise financeira que se generalizou em 2008, a partir dos Estados Unidos chegando \u00c3\u00a0 Europa. &quot;Nosso maior desafio &eacute; convencer os cidad&atilde;os de que os objetivos ambientais n&atilde;o se op&otilde;em ao progresso econ&ocirc;mico&quot;\u009d, insistiu a comiss&aacute;ria para Pesca e Assuntos Mar\u00c3\u00adtimos da Uni&atilde;o Europeia, a grega Maria Damanaki.<\/p>\n<p>Alguns acreditam que o problema &eacute; &quot;que o que os olhos n&atilde;o veem o cora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o sente&quot;\u009d, opinou Wendy, argumentando que as pessoas n&atilde;o d&atilde;o prioridade aos oceanos porque vivem em terra firme. Mesmo os pa\u00c3\u00adses sem sa\u00c3\u00adda para o mar t&ecirc;m muito em jogo na sustentabilidade oce&acirc;nica, ressaltou. Faltando poucos meses para a Rio+20, onde se comemorar&aacute; os 20 anos da primeira Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, ou C&uacute;pula da Terra, acabou o tempo de discutir solu&ccedil;&otilde;es, advertiu.<\/p>\n<p>Rapha\u00c3\u00abl Bill&eacute;, diretor de programa para a biodiversidade e adapta&ccedil;&atilde;o do Instituto de Desenvolvimento Sustent&aacute;vel e Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais (IDDRI), pediu mais firmeza em mat&eacute;ria de objetivos ambientais para melhorar o impulso pol\u00c3\u00adtico nos temas priorit&aacute;rios, que foram articulados pelos organizadores da Confer&ecirc;ncia. A Rio+20 n&atilde;o ter&aacute; nada de concreto em termos de acordos pol\u00c3\u00adticos, mas &eacute; uma oportunidade para avaliar o progresso e renovar os compromissos pol\u00c3\u00adticos, com a esperan&ccedil;a de preparar o caminho para, depois, tomar as decis&otilde;es dif\u00c3\u00adceis, argumentou Bill&eacute;.<\/p>\n<p>Os oceanos ser&atilde;o um dos temas desse encontro, que tamb&eacute;m incluir&aacute; alimenta&ccedil;&atilde;o, energia, cidades, &aacute;gua e desastres. Desde a primeira reuni&atilde;o no Rio de Janeiro, h&aacute; 20 anos foram alcan&ccedil;ados progressos em mat&eacute;ria de prote&ccedil;&atilde;o dos oceanos, segundo a Unesco, os quais incluem decis&otilde;es dentro do Plano de Implementa&ccedil;&atilde;o de Johannesburgo, acordado na C&uacute;pula da Terra de 2002. Os planos para os oceanos na Rio+20 se concentram em dez propostas sob quatro objetivos principais, segundo a Comiss&atilde;o Oceanogr&aacute;fica Internacional.<\/p>\n<p>Estes objetivos s&atilde;o: adotar a&ccedil;&otilde;es concretas para reduzir o fator gerador de estresse e restaurar a estrutura e o funcionamento dos ecossistemas marinhos, apoiar uma economia &quot;azul e verde&quot;\u009d, avan&ccedil;ar para reformas pol\u00c3\u00adticas, legais e institucionais, e apoiar pesquisas e controles marinhos, avalia&ccedil;&atilde;o e tecnologia.<\/p>\n<p>A preocupa&ccedil;&atilde;o por nossos oceanos n&atilde;o &eacute; nova, segundo a IDDRI em um artigo para as Na&ccedil;&otilde;es Unidas, em novembro de 2011. A maioria dos problemas foi identificada h&aacute; d&eacute;cadas. &quot;A &uacute;nica forma de avan&ccedil;ar &eacute; reconhecer o fracasso geral em mat&eacute;ria de governan&ccedil;a oce&acirc;nica, estudar os &ecirc;xitos obtidos e desenvolver estrat&eacute;gias que considerem os dois aspectos&quot;\u009d, afirma o texto. O artigo tamb&eacute;m menciona os conflitos entre a governan&ccedil;a oce&acirc;nica e a resist&ecirc;ncia em torn&aacute;-los sustent&aacute;veis, especialmente quando os custos aumentam.<\/p>\n<p>V&aacute;rios especialistas expressam d&uacute;vidas sobre a capacidade da Rio+20 para conseguir resultados suficientes e ben&eacute;ficos para o planeta. Por&eacute;m, ativistas e cientistas aumentam a press&atilde;o sobre os representantes que participar&atilde;o da Confer&ecirc;ncia para levar o poder pol\u00c3\u00adtico a tomar decis&otilde;es fortes e duradouras, que ofere&ccedil;am uma oportunidade para que os oceanos e seus ecossistemas essenciais sobrevivam. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruxelas, B\u00c3\u00a9lgica, 15\/03\/2012 &ndash; A acidifica&ccedil;&atilde;o dos oceanos, a perda de biodiversidade marinha, a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, a contamina&ccedil;&atilde;o e a superexplora&ccedil;&atilde;o dos recursos obrigam \u00c3\u00a0 busca de forma urgente de um novo modelo para proteg&ecirc;-los. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/mundo\/oceanos-nao-resistirao-a-aeoemais-do-mesmoae%c2%9d\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1192,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[18],"class_list":["post-9626","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9626","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1192"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9626"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9626\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9626"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9626"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9626"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}