{"id":9639,"date":"2012-03-19T10:06:51","date_gmt":"2012-03-19T10:06:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9639"},"modified":"2012-03-19T10:06:51","modified_gmt":"2012-03-19T10:06:51","slug":"brasil-trabalho-precario-cai-como-legado-hidrelatrico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/america-latina\/brasil-trabalho-precario-cai-como-legado-hidrelatrico\/","title":{"rendered":"BRASIL: Trabalho prec&aacute;rio cai como legado hidrel\u00c3\u00a9trico"},"content":{"rendered":"<p>Porto Velho, Brasil, 19\/03\/2012 &ndash; Um ano depois da rebeli&atilde;o que paralisou por meses a obra da hidrel&eacute;trica de Jirau e for&ccedil;ou uma negocia&ccedil;&atilde;o para melhorar as condi&ccedil;&otilde;es trabalhistas no setor da constru&ccedil;&atilde;o, outra greve reacendeu a tens&atilde;o nesse projeto no noroeste do Brasil.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9639\" style=\"width: 161px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e212.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9639\" class=\"size-medium wp-image-9639\" title=\"Panor&acirc;mica das obras na represa de Jirau. - Mario Osava \/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e212.jpg\" alt=\"Panor&acirc;mica das obras na represa de Jirau. - Mario Osava \/IPS\" width=\"151\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9639\" class=\"wp-caption-text\">Panor&acirc;mica das obras na represa de Jirau. - Mario Osava \/IPS<\/p><\/div>  A greve iniciada no dia 8 por 1.500 oper&aacute;rios da Enesa Engenharia, empresa respons&aacute;vel pela instala&ccedil;&atilde;o das unidades geradoras, se estendeu na semana seguinte a todos os trabalhadores da obra, cerca de 20 mil, e j&aacute; produziu um novo contexto trabalhista.<\/p>\n<p>Desde 1\u00c2\u00ba deste m&ecirc;s vigora um Compromisso Nacional para Aperfei&ccedil;oar as Condi&ccedil;&otilde;es de Trabalho na Ind&uacute;stria da Constru&ccedil;&atilde;o, com medidas que favorecem a preven&ccedil;&atilde;o de conflitos nos canteiros de obras, que foi assinado pelo governo, nove construtoras e seis centrais sindicais. Este acordo estabelece uma representa&ccedil;&atilde;o permanente dos trabalhadores para negociar com os administradores na pr&oacute;pria obra e a forma&ccedil;&atilde;o de comiss&otilde;es de sa&uacute;de e seguran&ccedil;a, al&eacute;m da contrata&ccedil;&atilde;o pelo sistema oficial de emprego, eliminando o recrutador ilegal &quot;\u201c &quot;gato&quot;\u009d &quot;\u201c e seus abusos.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, a Enesa n&atilde;o aderiu ao compromisso e n&atilde;o atendeu as reclama&ccedil;&otilde;es de seus empregados em Jirau, especialmente por melhores alojamentos e espa&ccedil;os de conviv&ecirc;ncia, informou Cl&aacute;udio Gomes, presidente da Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores nas Ind&uacute;strias de Constru&ccedil;&atilde;o e Madeira (Conticom). &quot;S&atilde;o oito pessoas em cada alojamento, sem nenhuma privacidade&quot;\u009d, enquanto seus vizinhos, os oper&aacute;rios da construtora Camargo Corr&ecirc;a, gozam de melhores condi&ccedil;&otilde;es, disse Gomes, para justificar a greve. Ele viajou desde S&atilde;o Paulo para apoiar o sindicato local nas negocia&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Os grevistas tamb&eacute;m reivindicam aumento de sal&aacute;rio e outros benef\u00c3\u00adcios, em um adiantamento de pontos que v&atilde;o negociar em maio. Uma assembleia dos trabalhadores, no dia 16, decidiu continuar a greve, embora a justi&ccedil;a a tenha considerado ilegal, em uma senten&ccedil;a impondo ao sindicato local multa equivalente a US$ 111 mil para cada dia de paralisa&ccedil;&atilde;o. H&aacute; muita tens&atilde;o no canteiro de obras, segundo Gomes, mas a forma pac\u00c3\u00adfica do movimento contrastou com a viol&ecirc;ncia que eclodiu na mesma obra de Jirau em 15 de mar&ccedil;o de 2011, quando trabalhadores enfurecidos incendiaram 60 &ocirc;nibus e outros ve\u00c3\u00adculos e a maior parte dos alojamentos em que viviam 16 mil oper&aacute;rios.<\/p>\n<p>O caos se espalhou, agravado pela repress&atilde;o igualmente violenta e indiscriminada da pol\u00c3\u00adcia, e milhares de trabalhadores fugiram de forma desordenada para Porto Velho, a cidade mais pr&oacute;xima, a 130 quil&ocirc;metros, e tiveram que ser alojados em sua maioria em um gin&aacute;sio de esportes. A rebeli&atilde;o provocou tamb&eacute;m a interrup&ccedil;&atilde;o das obras da hidrel&eacute;trica de Santo Ant&ocirc;nio, no rio Madeira, a apenas sete quil&ocirc;metros de Porto Velho, capital de Rond&ocirc;nia. De uma hora para outra, mais de 40 mil trabalhadores cruzaram os bra&ccedil;os e muitos regressaram para suas distantes terras de origem, em outros Estados.<\/p>\n<p>A constru&ccedil;&atilde;o de Jirau s&oacute; recome&ccedil;ou gradualmente tr&ecirc;s meses depois e sua entrada em opera&ccedil;&atilde;o foi adiada por nove meses da data inicial, neste mesmo m&ecirc;s, segundo seus administradores. A crise de 2011 motivou a interven&ccedil;&atilde;o do governo federal para impulsionar negocia&ccedil;&otilde;es com construtoras e centrais sindicais, para evitar novos conflitos e garantir os projetos priorit&aacute;rios de infraestrutura e das obras para a Copa Mundial de Futebol, que ser&aacute; disputada em 12 cidades brasileiras em 2014.<\/p>\n<p>H&aacute; cinco anos, os sindicalistas tentavam negociar um conv&ecirc;nio coletivo nacional para a constru&ccedil;&atilde;o, a fim de superar a precariedade do trabalho nesse estrat&eacute;gico setor, mas sem obter resposta das empresas, recordou Luiz Carlos Queiroz, secret&aacute;rio-geral da Conticom. A rebeli&atilde;o de Jirau de um ano atr&aacute;s tamb&eacute;m provocou uma onda de greves em outras grandes obras, propiciou &quot;o di&aacute;logo que antes n&atilde;o havia&quot;\u009d e deu lugar ao compromisso alcan&ccedil;ado, ressaltou. &quot;Foi o acordo poss\u00c3\u00advel, n&atilde;o atende a tudo que quer\u00c3\u00adamos, mas &eacute; um avan&ccedil;o que pode melhorar com mobiliza&ccedil;&atilde;o e monitoramento&quot;\u009d, ressaltou.<\/p>\n<p>Come&ccedil;ou com apenas nove empresas, duas das quais respondem pelas constru&ccedil;&otilde;es de Jirau e Santo Ant&ocirc;nio. A ades&atilde;o das demais &eacute; volunt&aacute;ria. No pa\u00c3\u00ads existem 170 empresas construtoras, segundo a C&acirc;mara Brasileira da Ind&uacute;stria de Constru&ccedil;&atilde;o. Os sindicatos consideram &quot;t\u00c3\u00admido&quot;\u009d o acordo, mas desata um processo que permite solucionar velhos problemas para trabalhadores historicamente &quot;marginalizados&quot;\u009d e que agora conquistaram &quot;uma for&ccedil;a espetacular&quot;\u009d pelo boom na constru&ccedil;&atilde;o civil no pa\u00c3\u00ads, que gerou um d&eacute;ficit de m&atilde;o de obra, apontou Gomes.<\/p>\n<p>Atualmente, estimou o secret&aacute;rio da Conticom, h&aacute; mais de quatro milh&otilde;es de trabalhadores no setor, uma for&ccedil;a de trabalho que &quot;triplicou em dez anos&quot;\u009d. A informalidade afetava mais de 60% dos ocupados pelas construtoras, e uma d&eacute;cada depois esta &quot;n&atilde;o passa dos 30%&quot;\u009d, assegurou. Somam-se &quot;todos os que est&atilde;o na atividade&quot;\u009d, inclu\u00c3\u00addos os aut&ocirc;nomos, a redu&ccedil;&atilde;o &eacute; igualmente forte, mas a informalidade oscila entre &quot;40% e 45%&quot;\u009d, admitiu.<\/p>\n<p>Lutar por um trabalho decente o setor, superando sua tradicional precariedade e baixa remunera&ccedil;&atilde;o, &eacute; dificultado pela &quot;intensa rotatividade&quot;\u009d, baixa qualidade e frequente migra&ccedil;&atilde;o, que n&atilde;o favorecem a organiza&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores, disse Queiroz, filho de um imigrante do Nordeste pobre do Brasil. Muitos aceitam &quot;qualquer trabalho&quot;\u009d, sujeitando-se a jornadas extenuantes para ganhar mais, com risco de ficar doente ou se acidentar, reduzindo seu horizonte profissional, lamentou.<\/p>\n<p>No entanto, a realidade do oper&aacute;rio da constru&ccedil;&atilde;o est&aacute; mudando no Brasil. Em S&atilde;o Paulo sua base salarial &eacute; superior \u00c3\u00a0 dos metal&uacute;rgicos, e foi conquistada &quot;ap&oacute;s greves e lutas&quot;\u009d que tamb&eacute;m garantiram o direito ao caf&eacute; da manh&atilde; e \u00c3\u00a0 refei&ccedil;&atilde;o, disse Queiroz. A rebeli&atilde;o de Jirau, em sua opini&atilde;o, foi um &quot;ponto de partida&quot;\u009d para um per\u00c3\u00adodo mais promissor. A concentra&ccedil;&atilde;o de muitos trabalhadores em diferentes instala&ccedil;&otilde;es onde se constr&oacute;i grandes projetos de infraestrutura favorece o fortalecimento dos sindicatos, explicou Queiroz.<\/p>\n<p>O Sindicato de Trabalhadores da Ind&uacute;stria da Constru&ccedil;&atilde;o Civil de Rond&ocirc;nia, por exemplo, ganhou renovado poder pelo grande aumento de seus filiados desde o come&ccedil;o das obras das hidrel&eacute;tricas de Santo Ant&ocirc;nio e Jirau, em 2008. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Porto Velho, Brasil, 19\/03\/2012 &ndash; Um ano depois da rebeli&atilde;o que paralisou por meses a obra da hidrel&eacute;trica de Jirau e for&ccedil;ou uma negocia&ccedil;&atilde;o para melhorar as condi&ccedil;&otilde;es trabalhistas no setor da constru&ccedil;&atilde;o, outra greve reacendeu a tens&atilde;o nesse projeto no noroeste do Brasil. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/america-latina\/brasil-trabalho-precario-cai-como-legado-hidrelatrico\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5],"tags":[27],"class_list":["post-9639","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9639","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9639"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9639\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9639"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9639"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9639"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}