{"id":965,"date":"2005-09-05T00:00:00","date_gmt":"2005-09-05T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=965"},"modified":"2005-09-05T00:00:00","modified_gmt":"2005-09-05T00:00:00","slug":"iraque-o-poludo-lago-azul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/america-latina\/iraque-o-poludo-lago-azul\/","title":{"rendered":"Iraque: O polu&iacute;do &quot;lago azul&quot;"},"content":{"rendered":"<p>ASSUN&Ccedil;&Atilde;O, 05\/09\/2005 &ndash; Coliformes fecais, mat&eacute;ria org&acirc;nica, f&oacute;sforo e nitrog&ecirc;nio poluem o Lago Ypacara&iacute;, a principal atra&ccedil;&atilde;o do turismo interno no Paraguai. Resultados de um estudo da Ag&ecirc;ncia Japonesa de Coopera&ccedil;&atilde;o Internacional ser&atilde;o divulgados em breve.<br \/> <!--more--> &quot;Uma noite morna nos conhecemos, junto ao lago azul de Ypacara&iacute;&quot;, assim come&ccedil;a a mais famosa can&ccedil;&atilde;o folcl&oacute;rica do Paraguai. Na principal atra&ccedil;&atilde;o do turismo interno paraguaio aumenta a polui&ccedil;&atilde;o, que as autoridades negam, mas novos estudos confirmam. Cinq&uuml;enta quil&ocirc;metros a leste de Assun&ccedil;&atilde;o, Ypacara&iacute; (Lago do Senhor, na l&iacute;ngua guarani), tem uma bacia de 1.017 quil&ocirc;metros quadrados e atrai anualmente centenas de milhares de veranistas. Segundo a Secretaria Nacional de Turismo, na &uacute;ltima temporada de ver&atilde;o, mais de 300 mil pessoas foram &agrave; &quot;villa veranista&quot; de San Bernardino, na costa leste do Lago. Na margem oposta fica a cidade de Aregu&aacute;.<\/p>\n<p> A grande bacia &eacute; alimentada por outras quatro menores, formadas pelos rios Yukyry, Piray&uacute;, San Bernardino e Aregu&aacute;. O Lago des&aacute;g&uuml;a no Rio Paraguai atrav&eacute;s do Rio Salado. Dez por cento dos habitantes do pa&iacute;s, cerca de 600 mil pessoas, vivem em sua &aacute;rea de influ&ecirc;ncia. Oitenta por cento dessa popula&ccedil;&atilde;o vive nas margens do Yukyry, disse ao Terram&eacute;rica Elena Ben&iacute;tez, diretora-geral de Recursos H&iacute;dricos da Secretaria do Ambiente (Seam). Ben&iacute;tez explicou que &quot;os mangues atuam como descontaminantes da mat&eacute;ria org&acirc;nica&quot; contida no esgoto que chega ao Lago.<\/p>\n<p> A cobertura de saneamento &eacute; muito baixa no Paraguai, atendendo apenas 22% de Assun&ccedil;&atilde;o e sua &aacute;rea metropolitana, e apenas 10% de todo o pa&iacute;s, disse a funcion&aacute;ria. &quot;O resto &eacute; despejado diretamente nos cursos de &aacute;gua ou no len&ccedil;ol fre&aacute;tico, atrav&eacute;s dos po&ccedil;os e fossas s&eacute;pticas&quot;, acrescentou. Na bacia do Yapacara&iacute;, a Seam registra 145 ind&uacute;strias em atividade, incluindo matadouros, frigor&iacute;ficos, f&aacute;bricas de sab&atilde;o e curtumes. Tamb&eacute;m funcionam ali grandes hospitais p&uacute;blicos. Contudo, a Secretaria n&atilde;o conta com dados sobre volumes de descargas de dejetos industriais e esgotos. &quot;O estudo estat&iacute;stico est&aacute; em execu&ccedil;&atilde;o&quot;, justificou Ben&iacute;tez.<\/p>\n<p> Por&eacute;m, &quot;n&atilde;o &eacute; nenhum segredo que h&aacute; mais de 30 anos o Lago Ypacara&iacute; tem coliformes fecais&quot;, embora &quot;se for feito um monitoramento em toda &aacute;rea poderemos dizer que, na m&eacute;dia, n&atilde;o est&aacute; contaminado&quot;. Entretanto, a Ag&ecirc;ncia Japonesa de Coopera&ccedil;&atilde;o Internacional (Jica, sigla em ingl&ecirc;s) &quot;detectou, em 2000, ind&iacute;cios sobre a exist&ecirc;ncia de algumas algas que poderiam ser t&oacute;xicas&quot;, disse a funcion&aacute;ria. Em janeiro, plena temporada tur&iacute;stica, surgiu no centro do Lago grande quantidade de espuma, enquanto era divulgado o informe da Jica.<\/p>\n<p> Este fato levou &agrave; interven&ccedil;&atilde;o do promotor ambiental, Isacio Cuevas, que ordenou a realiza&ccedil;&atilde;o de an&aacute;lises a tr&ecirc;s laborat&oacute;rios: o do Minist&eacute;rio da Agricultura e Pecu&aacute;ria, o do Instituto Nacional de Tecnologia e Normaliza&ccedil;&atilde;o e o do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Foram encontrados &quot;coliformes fecais, cromo e merc&uacute;rio, entre outros componentes, mas em n&iacute;veis insignificantes&quot;, disse Cuevas, acrescentando com ironia: &quot;Observando estas an&aacute;lises, eu tomo banho no lago&quot;. O promotor espera comparar esses resultados com os de uma quarta s&eacute;rie de estudos, de especialistas do escrit&oacute;rio da Jica no Brasil, sobre a grande bacia do Ypacara&iacute;.<\/p>\n<p> Hideo Kawai, t&eacute;cnico &agrave; frente desse estudo, disse ao Terram&eacute;rica que os resultados ainda n&atilde;o est&atilde;o dispon&iacute;veis, mas adiantou que foram encontradas concentra&ccedil;&otilde;es muito superiores &agrave;s toler&aacute;veis de coliformes fecais, mat&eacute;ria org&acirc;nica, f&oacute;sforo e nitrog&ecirc;nio. As &aacute;guas do Lago s&atilde;o muito ricas em nutrientes, que favorecem a r&aacute;pida reprodu&ccedil;&atilde;o de cianobact&eacute;rias t&oacute;xicas, com a alga Microcystis aeruginosa, encontrada no Ypacara&iacute;. Kawai explicou que a alga produz uma toxina cancer&iacute;gena, capaz de afetar o f&iacute;gado humano em caso de consumo constante, acrescentando que na &aacute;gua pot&aacute;vel, processada pela empresa sanit&aacute;ria estatal Essap, n&atilde;o foram encontrados sinais de microcystis. A &aacute;gua pot&aacute;vel chega a 87% da popula&ccedil;&atilde;o de Assun&ccedil;&atilde;o e sua &aacute;rea metropolitana.<\/p>\n<p> Quando os estudos estiverem conclu&iacute;dos, Kawai far&aacute; uma s&eacute;rie de recomenda&ccedil;&otilde;es &agrave;s autoridades, que incluir&atilde;o a execu&ccedil;&atilde;o de um plano-diretor e a busca de recursos t&eacute;cnicos e financeiros para tratamento do esgoto, fator primordial para a reprodu&ccedil;&atilde;o de cianobact&eacute;rias. Al&eacute;m disso, &eacute; recomend&aacute;vel que moradores e turistas evitem o contato direto da pele com as &aacute;guas do Lago, afirmou. Miguela Gonz&aacute;lez, propriet&aacute;ria de uma casa de fim de semana em San Bernardino, disse ao Terram&eacute;rica que n&atilde;o permite que seus filhos, de sete e dez anos, se banhem nas &aacute;guas quando visitam o lugar. &quot;Agora, com as algas, &eacute; muito mais perigoso do que antes&quot;, acrescentou. <\/p>\n<p> * O autor &eacute; colaborador do Terram&eacute;rica.<\/p>\n<p>Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ASSUN&Ccedil;&Atilde;O, 05\/09\/2005 &ndash; Coliformes fecais, mat&eacute;ria org&acirc;nica, f&oacute;sforo e nitrog&ecirc;nio poluem o Lago Ypacara&iacute;, a principal atra&ccedil;&atilde;o do turismo interno no Paraguai. 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