{"id":9667,"date":"2012-03-22T11:40:59","date_gmt":"2012-03-22T11:40:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9667"},"modified":"2012-03-22T11:40:59","modified_gmt":"2012-03-22T11:40:59","slug":"a%c2%81frica-conflitos-freiam-avana%c2%a7os-em-saaode-materna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/africa\/a%c2%81frica-conflitos-freiam-avana%c2%a7os-em-saaode-materna\/","title":{"rendered":"\u00c3\u0081FRICA: Conflitos freiam avan&ccedil;os em sa\u00c3\u00bade materna"},"content":{"rendered":"<p>Abidj\u00c3\u00a3, Costa do Marfim, 22\/03\/2012 &ndash; A instabilidade pol\u00c3\u00adtica, as guerras civis e as crises humanit&aacute;rias da \u00c3\u0081frica reverteram nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, segundo especialistas, os inumer&aacute;veis &ecirc;xitos alcan&ccedil;ados em mat&eacute;ria de sa&uacute;de materna.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9667\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e117.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9667\" class=\"size-medium wp-image-9667\" title=\"A sa&uacute;de materna n&atilde;o &eacute; priorit&aacute;ria na \u00c3\u0081frica. - Kristin Palitza\/IPS.\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e117.jpg\" alt=\"A sa&uacute;de materna n&atilde;o &eacute; priorit&aacute;ria na \u00c3\u0081frica. - Kristin Palitza\/IPS.\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9667\" class=\"wp-caption-text\">A sa&uacute;de materna n&atilde;o &eacute; priorit&aacute;ria na \u00c3\u0081frica. - Kristin Palitza\/IPS.<\/p><\/div>  &quot;Os pa\u00c3\u00adses africanos com boas estat\u00c3\u00adsticas sobre sa&uacute;de materna costumam ser os que t&ecirc;m uma prolongada estabilidade pol\u00c3\u00adtica&quot;\u009d, explicou \u00c3\u00a0 IPS o diretor da Funda&ccedil;&atilde;o Internacional de Planejamento Familiar na \u00c3\u0081frica, Lucien Kuaku. &quot;Isto mostra que a estabilidade &eacute; uma base fundamental para o desenvolvimento. Se n&atilde;o existe, fica atr&aacute;s de outras prioridades&quot;\u009d, afirmou.<\/p>\n<p>Pa\u00c3\u00adses ricos em recursos naturais, mas com conflitos internos, como Nig&eacute;ria e Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo, continuam tendo altas taxas de mortalidade materna, a ponto de chegarem a mil casos para cada cem mil nascidos vivos, segundo estat\u00c3\u00adsticas de 2011 da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS). Em pa\u00c3\u00adses afetados pela guerra, como a Som&aacute;lia, a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; ainda pior, com 1.200 mulheres mortas a cada cem mil beb&ecirc;s nascidos vivos.<\/p>\n<p>&quot;Regi&otilde;es com muita instabilidade pol\u00c3\u00adtica, como o centro e o oeste da \u00c3\u0081frica, t&ecirc;m as taxas mais baixas da \u00c3\u0081frica nesta mat&eacute;ria, apesar de muitos dos pa\u00c3\u00adses serem ricos em recursos naturais&quot;\u009d, destacou Kuaku. Mais de 550 mulheres morrem no parto por dia na \u00c3\u0081frica subsaariana, segundo a OMS, dado desproporcional em rela&ccedil;&atilde;o aos pa\u00c3\u00adses de alta renda. O risco de uma mulher em um pa\u00c3\u00ads em desenvolvimento morrer em decorr&ecirc;ncia da gravidez e do parto &eacute; 36 vezes maior do que para a mulher que mora em um pa\u00c3\u00ads industrializado.<\/p>\n<p>A morte de uma m&atilde;e deixa um vazio que incide em toda a comunidade e, especialmente, &quot;tem um impacto negativo em todos os aspectos da vida das crian&ccedil;as, incluindo nutri&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o&quot;\u009d, afirmou Edith Boni-Ouattara, vice-representante na Costa do Marfim do Fundo de Popula&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (UNFPA). Como a m&atilde;e costuma ser a principal respons&aacute;vel pelos cuidados de seu entorno, sua sa&uacute;de, e em especial sua morte, tem rela&ccedil;&atilde;o direta com o bem-estar de sua fam\u00c3\u00adlia-n&uacute;cleo e a expandida. Al&eacute;m disso, a economia nacional se ressente com a morte de m&atilde;es, destacou Boni-Ouattara. &quot;Perdemos US$ 15 bilh&otilde;es ao ano em produtividade por este problema&quot;\u009d, informou.<\/p>\n<p>Apesar dos indicadores, a sa&uacute;de materna est&aacute; longe de ser uma prioridade nacional para os pa\u00c3\u00adses africanos. Quando os governos enfrentam amea&ccedil;as pol\u00c3\u00adticas ou emerg&ecirc;ncias humanit&aacute;rias, os primeiros cortes s&atilde;o sentidos na sa&uacute;de materno-infantil e no planejamento familiar, segundo Kuaku. Mais de um ter&ccedil;o das gr&aacute;vidas da \u00c3\u0081frica subsaariana n&atilde;o recebe aten&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-natal, enquanto 70% carecem de cuidados p&oacute;s-parto, segundo o UNFPA. Al&eacute;m disso, menos de 15% das mulheres da \u00c3\u0081frica central e ocidental t&ecirc;m acesso a m&eacute;todos anticoncepcionais e a servi&ccedil;os de planejamento familiar.<\/p>\n<p>Esta situa&ccedil;&atilde;o se deve \u00c3\u00a0 desproporcional quantidade de recursos destinados \u00c3\u00a0 defesa, lamentou Kuaku. &quot;A maioria dos hospitais p&uacute;blicos tem problemas de abastecimento e continuamente fica sem medicamentos, e, se formos a um acampamento militar do mesmo pa\u00c3\u00ads, veremos armas de &uacute;ltima gera&ccedil;&atilde;o&quot;\u009d, exemplificou.<\/p>\n<p>A segunda prioridade dos governos costuma ser a luta contra a pobreza e a fome, o primeiro dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio que os pa\u00c3\u00adses se comprometeram a cumprir at&eacute; 2015. A diminui&ccedil;&atilde;o da propor&ccedil;&atilde;o de pessoas que vivem com menos de US$ 1,25 por dia na \u00c3\u0081frica subsaariana foi desprez\u00c3\u00advel nas duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, ao cair apenas de 58%, em 1990, para 51%, em 2005, segundo estat\u00c3\u00adsticas do Banco Mundial. Enquanto as na&ccedil;&otilde;es africanas continuarem sendo pobres, os fundos destinados \u00c3\u00a0 sa&uacute;de materna, sexual e reprodutiva ser&atilde;o m\u00c3\u00adnimos, afirmam especialistas.<\/p>\n<p>Muitos pa\u00c3\u00adses se esfor&ccedil;ar&atilde;o para cumprir os tr&ecirc;s objetivos de sa&uacute;de nos tr&ecirc;s anos restantes. Estes s&atilde;o: reduzir a mortalidade infantil em dois ter&ccedil;os, a materna em tr&ecirc;s quartos e conseguir acesso universal \u00c3\u00a0 sa&uacute;de reprodutiva, em rela&ccedil;&atilde;o aos dados de 1990, al&eacute;m de combater o HIV\/aids, a mal&aacute;ria e outras doen&ccedil;as. &quot;A maioria dos pa\u00c3\u00adses se concentra na erradica&ccedil;&atilde;o da pobreza e da fome, e descuidam da sa&uacute;de materna. &Eacute; uma quest&atilde;o de prioridades&quot;\u009d, disse El Allassane Baguia, especialista em ODM do Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento, na Costa do Marfim.<\/p>\n<p>Pouqu\u00c3\u00adssimos governos s&atilde;o suficientemente conscientes da estreita rela&ccedil;&atilde;o entre sa&uacute;de materna e pobreza, ressaltou Baguia. &Eacute; necess&aacute;ria uma forte lideran&ccedil;a dentro de um pa\u00c3\u00ads para mudar as prioridades, destinar maiores recursos \u00c3\u00a0 sa&uacute;de materna e infantil, e conseguir uma implanta&ccedil;&atilde;o efetiva das pol\u00c3\u00adticas existentes e dos acordos internacionais, acrescentou. O acesso ao planejamento familiar e, por extens&atilde;o, aos direitos sexuais e reprodutivos, por exemplo, est&atilde;o inclu\u00c3\u00addos no contexto dos direitos humanos da ONU desde 1974.<\/p>\n<p>Mas isso n&atilde;o acontece nos servi&ccedil;os de sa&uacute;de p&uacute;blica em muitos pa\u00c3\u00adses africanos. &quot;Os servi&ccedil;os de planejamento familiar poderiam reduzir em um quinto a mortalidade materna e infantil. O acesso a uma aten&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica qualificada poderia baixar a mortalidade durante a gravidez e no parto em 75%&quot;\u009d, destacou Boni-Ouattara. Nas regi&otilde;es austral e oriental do continente, a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; ligeiramente diferente. A maioria dos pa\u00c3\u00adses nessas &aacute;reas gozam de relativa estabilidade pol\u00c3\u00adtica e sofreram menos desastres humanit&aacute;rios em compara&ccedil;&atilde;o com seus vizinhos do centro e do oeste da \u00c3\u0081frica.<\/p>\n<p>A mortalidade materna e infantil diminuiu at&eacute; que o HIV (v\u00c3\u00adrus causador da aids) se converteu em uma amea&ccedil;a para a sa&uacute;de das mulheres. Em consequ&ecirc;ncia, pa\u00c3\u00adses com estabilidade pol\u00c3\u00adtica e uma relativamente baixa propor&ccedil;&atilde;o de infec&ccedil;&otilde;es por HIV, como Botsuana, t&ecirc;m a menor mortalidade materna do continente, inferior a 300 mortos para cada cem mil nascidos vivos, segundo a OMS. Entretanto, em pa\u00c3\u00adses como a \u00c3\u0081frica do Sul, o HIV\/aids minou os esfor&ccedil;os neste sentido. A mortalidade materna supera os 549 casos em cem mil nascidos vivos, apesar da grande estabilidade pol\u00c3\u00adtica e econ&ocirc;mica. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abidj\u00c3\u00a3, Costa do Marfim, 22\/03\/2012 &ndash; A instabilidade pol\u00c3\u00adtica, as guerras civis e as crises humanit&aacute;rias da \u00c3\u0081frica reverteram nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, segundo especialistas, os inumer&aacute;veis &ecirc;xitos alcan&ccedil;ados em mat&eacute;ria de sa&uacute;de materna. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/africa\/a%c2%81frica-conflitos-freiam-avana%c2%a7os-em-saaode-materna\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":117,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,12,6,5,7],"tags":[21,24],"class_list":["post-9667","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-desenvolvimento","category-direitos-humanos","category-economia","category-saude","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9667","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/117"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9667"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9667\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9667"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9667"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9667"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}