{"id":9674,"date":"2012-03-23T11:11:41","date_gmt":"2012-03-23T11:11:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9674"},"modified":"2012-03-23T11:11:41","modified_gmt":"2012-03-23T11:11:41","slug":"petraleo-brasil-julgamento-penal-da-chevron-divide-aguas-turvas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/america-latina\/petraleo-brasil-julgamento-penal-da-chevron-divide-aguas-turvas\/","title":{"rendered":"PETR\u00c3\u201cLEO-BRASIL: Julgamento penal da Chevron divide &aacute;guas turvas"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 23\/03\/2012 &ndash; As opini&otilde;es se contrap&otilde;em no Brasil em torno do processo penal contra a firma norte-americana Chevron pelo vazamento de petr&oacute;leo em alto mar. <!--more--> Enquanto alguns consideram que &eacute; uma rea&ccedil;&atilde;o nacionalista exagerada, outros entendem que &eacute; uma puni&ccedil;&atilde;o exemplar e necess&aacute;ria. O Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal iniciou os autos esta semana no julgamento em que a Chevron &eacute; acusada de danos ao patrim&ocirc;nio p&uacute;blico e por falsidade ideol&oacute;gica pelo vazamento de 2.400 barris de petr&oacute;leo em novembro, e de outro menor este m&ecirc;s, na plataforma localizada no Oceano Atl&acirc;ntico, a 370 quil&ocirc;metros da costa do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A empresa assegura que o segundo vazamento do po&ccedil;o situado a 1.200 metros de profundidade e parte do Campo do Frade, na Bacia de Campos, foi de &quot;apenas cinco litros&quot;\u009d, mas especialistas calculam que &eacute; muito mais. A esteira chega a &quot;um quil&ocirc;metro de extens&atilde;o&quot;\u009d, segundo a Marinha. &quot;O que importa n&atilde;o &eacute; o tamanho da mancha&quot;\u009d, afirmou o secret&aacute;rio de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc, ao compar&aacute;-los com o acidente de 2010 no Golfo do M&eacute;xico, onde vazaram cerca de quatro milh&otilde;es de barris.<\/p>\n<p>&quot;O que precisa &eacute; se ter em conta que n&atilde;o tiveram (os executivos da Chevron) o equipamento necess&aacute;rio para cont&ecirc;-lo, que esconderam informa&ccedil;&atilde;o e que houve imprud&ecirc;ncia&quot;\u009d, explicou Minc ao ser consultado sobre o teor da rea&ccedil;&atilde;o das autoridades, em uma entrevista coletiva para correspondentes estrangeiros. &quot;Houve muita sede de lucro e pouco investimento em preven&ccedil;&atilde;o&quot;\u009d, ressaltou.<\/p>\n<p>As investiga&ccedil;&otilde;es preliminares dos dois acidentes consecutivos indicam que uma das causas do primeiro teria sido uma press&atilde;o na perfura&ccedil;&atilde;o superior ao limite estabelecido pelos estudos geol&oacute;gicos pr&eacute;vios, que alertavam para uma falha no lugar. O segundo seria consequ&ecirc;ncia do anterior. As rachaduras nas rochas submarinas fazem temer que um raio de aproximadamente sete quil&ocirc;metros possa estar afetado, com o risco de novos vazamentos, dizem informes que vazaram para a imprensa desde a Ag&ecirc;ncia Nacional do Petr&oacute;leo e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente.<\/p>\n<p>A Chevron e a Transocean, contratada para a perfura&ccedil;&atilde;o, &quot;instalaram uma bomba de contamina&ccedil;&atilde;o de efeito prolongado&quot;\u009d, disse o procurador Eduardo Santos de Oliveira, ao justificar a den&uacute;ncia contra 17 executivos das duas firmas, a maioria estrangeiros, entre os quais o presidente da filial da Chevron no Brasil, o norte-americano George Buck. Os processados est&atilde;o proibidos de deixar o pa\u00c3\u00ads e podem ser condenados a penas entre cinco e 31 anos e dez meses de pris&atilde;o, segundo a Lei de Crime Ambiental, al&eacute;m do pagamento de multas. &quot;Se est&atilde;o me chamando de exagerado por aplicar a Lei Ambiental, &eacute; verdade, sou&quot;\u009d, respondeu o promotor ao reafirmar que o Campo do Frade pode estar comprometido em sua totalidade. A empresa tamb&eacute;m teria cometido crime por ocultar informa&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>&quot;Nossa mensagem &eacute;: voc&ecirc;s s&atilde;o bem-vindos, n&atilde;o ser&atilde;o perseguidos nem discriminados&quot;\u009d, acrescentou Minc ao destacar que a inten&ccedil;&atilde;o do governo n&atilde;o &eacute; afugentar investidores estrangeiros na &aacute;rea do petr&oacute;leo. &quot;Entretanto, t&ecirc;m que tomar precau&ccedil;&otilde;es, utilizar a melhor tecnologia e serem transparentes. E se cometerem um erro, saibam que seremos rigorosos&quot;\u009d, assinalou, em refer&ecirc;ncia \u00c3\u00a0 necessidade de dar uma &quot;demonstra&ccedil;&atilde;o exemplar&quot;\u009d no combate ambiental, sobretudo quanto o Brasil se prepara para receber a Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (Rio+20), no Rio de Janeiro, em junho.<\/p>\n<p>Minc afirmou que o Oceano Atl&atilde;ntico, onde o Brasil concentra mais de 90% de sua produ&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo, &eacute; para o pa\u00c3\u00ads sua &quot;Amaz&ocirc;nia azul&quot;\u009d, em compara&ccedil;&atilde;o com a riqueza de biodiversidade dessa selva. Por outro lado, o especialista em energia Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura, entende que a rea&ccedil;&atilde;o oficial &quot;foi exagerada&quot;\u009d e questiona que a den&uacute;ncia penal tenha ocorrido antes de se contar com explica&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas suficientes.<\/p>\n<p>&quot;Se o governo dos Estados Unidos tivesse tido a mesma rea&ccedil;&atilde;o no acidente do Golfo do M&eacute;xico, o presidente da British Petroleum teria recebido pris&atilde;o perp&eacute;tua&quot;\u009d, comparou Pires em entrevista \u00c3\u00a0 IPS. Al&eacute;m disso, quando se trata de petr&oacute;leo, &quot;a quest&atilde;o pol\u00c3\u00adtica e nacionalista se imp&otilde;e sobre a t&eacute;cnica no Brasil&quot;\u009d, acrescentou. Desde sua funda&ccedil;&atilde;o em 1953, a estatal Petrobras teve o monop&oacute;lio do setor. Somente em 1997, no governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), as multinacionais foram autorizadas a participar do processo de explora&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A presidente Dilma Rousseff foi contundente ao indicar, sem mencionar a Chevron, que &quot;as empresas que vierem, bem como as j&aacute; instaladas aqui, t&ecirc;m de saber que os protocolos de seguran&ccedil;a existem para serem cumpridos&quot;\u009d. Por sua vez, o ministro de Minas e Energia, Edison Lob&atilde;o, disse que as regras aplicadas \u00c3\u00a0 Petrobras s&atilde;o as mesmas que regem as demais empresas. &quot;Se falham, t&ecirc;m que responder dentro dos limites&quot;\u009d, destacou, para afirmar em seguida que &quot;o capital &eacute; bem-vindo, mas tem que cumprir a lei&quot;\u009d.<\/p>\n<p>A Chevron negou em um comunicado ter sido imprudente ou negligente. &quot;A empresa segue as melhores pr&aacute;ticas da ind&uacute;stria no Brasil e em todos os lugares do mundo onde opera&quot;\u009d, declarou. A companhia descartou que o segundo vazamento esteja ligado ao primeiro, porque o petr&oacute;leo tem caracter\u00c3\u00adsticas diferentes. Al&eacute;m disso, no primeiro houve um &quot;aumento inesperado da press&atilde;o durante a perfura&ccedil;&atilde;o, enquanto no segundo n&atilde;o havia perfura&ccedil;&atilde;o em andamento&quot;\u009d, esclareceu.<\/p>\n<p>O advogado da multinacional, Nilo Batista, desmentiu que esta v&aacute; deixar o Brasil, e afirmou que somente suspendeu preventivamente sua produ&ccedil;&atilde;o no Campo do Frade. Contudo, questionou a &quot;despropor&ccedil;&atilde;o legal&quot;\u009d que o caso ganhou, com componentes de &quot;manique\u00c3\u00adsmo&quot;\u009d e um &quot;tom xenof&oacute;bico que me surpreendeu muitas vezes&quot;\u009d. Outro advogado defensor, Oscar Couto, destacou que o acidente n&atilde;o causou preju\u00c3\u00adzos a nenhum ser humano nem comprometeu a sa&uacute;de de ningu&eacute;m, bem como n&atilde;o provocou &quot;danos mensur&aacute;veis na fauna ou flora&quot;\u009d. A natureza &quot;n&atilde;o foi afetada nem houve mortes de cet&aacute;ceos, baleias, golfinhos, tartarugas ou aves. Na verdade, nem mesmo uma sardinha morreu por causa do acidente&quot;\u009d, ironizou Couto, segundo o jornal O Globo.<\/p>\n<p>O desafio submarino<\/p>\n<p>O acidente da Chevron e outros menores deixam em evid&ecirc;ncia algo mais grave: se o pa\u00c3\u00ads tem capacidade para enfrentar os riscos da explora&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo em &aacute;guas profundas do Oceano Atl&acirc;ntico. &Eacute; o que afirma o ocean&oacute;grafo David Zee, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, que insiste em que o desafio ambiental e tecnol&oacute;gico &eacute; maior ap&oacute;s a descoberta de jazidas de hidrocarbonos nas camadas pr&eacute;-sal, localizadas at&eacute; sete mil metros de profundidade, sob uma camada de rochas e sal.<\/p>\n<p>O governo estima que as novas reservas chegam a um volume seis vezes maior do que as exist&ecirc;ncias j&aacute; comprovadas de 14 bilh&otilde;es de barris. Segundo Zee, a explora&ccedil;&atilde;o no pr&eacute;-sal implica um risco maior, &quot;porque estaremos explorando em profundidades abaixo do solo submarino. Chegaremos a regi&otilde;es onde nunca chegamos e isso pode trazer algumas incertezas: bolhas de sobrepress&atilde;o e eventualmente fragilidades da geologia submarina&quot;\u009d.<\/p>\n<p>&quot;Explorar o pr&eacute;-sal (que &eacute; muito importante para o pa\u00c3\u00ads em termos econ&ocirc;micos, estrat&eacute;gicos e energ&eacute;ticos) tem que ser feito com precau&ccedil;&atilde;o e seguran&ccedil;a, de modo a termos credibilidade e seguran&ccedil;a em termos mundiais que garantam essa explora&ccedil;&atilde;o&quot;\u009d, concluiu Zee. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 23\/03\/2012 &ndash; As opini&otilde;es se contrap&otilde;em no Brasil em torno do processo penal contra a firma norte-americana Chevron pelo vazamento de petr&oacute;leo em alto mar. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/america-latina\/petraleo-brasil-julgamento-penal-da-chevron-divide-aguas-turvas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,10,11],"tags":[14,27,25],"class_list":["post-9674","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-energia","category-politica","tag-america-do-norte","tag-brasil","tag-ibsa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9674","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9674"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9674\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9674"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9674"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9674"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}