{"id":968,"date":"2005-09-05T00:00:00","date_gmt":"2005-09-05T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=968"},"modified":"2005-09-05T00:00:00","modified_gmt":"2005-09-05T00:00:00","slug":"eua-aumenta-a-pobreza-na-nica-potncia-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/america-latina\/eua-aumenta-a-pobreza-na-nica-potncia-mundial\/","title":{"rendered":"EUA: Aumenta a pobreza na &uacute;nica pot&ecirc;ncia mundial"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, 05\/09\/2005 &ndash; O ditado &quot;os ricos enriquecem e os pobres empobrecem&quot; costuma ser usada para ilustrar a situa&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses em desenvolvimento. Mas hoje descreve o panorama econ&ocirc;mico dos Estados Unidos, a &uacute;nica superpot&ecirc;ncia mundial. Os &uacute;ltimos estudos do Escrit&oacute;rio de Censos dos Estados Unidos a esse respeito refletem, segundo muitos economistas, o impacto negativo da &quot;sociedade de propriet&aacute;rios&quot;, uma plataforma program&aacute;tica proposta &agrave; popula&ccedil;&atilde;o pelo presidente George W. Bush. O esquema se caracteriza pela redu&ccedil;&atilde;o de impostos ao investimento de capital e &agrave; poupan&ccedil;a e a privatiza&ccedil;&atilde;o da previd&ecirc;ncia social. A tend&ecirc;ncia regressiva ficou evidente em todos os lares norte-americanos pelas imagens mostradas pela televis&atilde;o de desesperadas v&iacute;timas do furac&atilde;o Katrina no sudeste do pa&iacute;s, cuja esmagadora maioria &eacute; de pobres e negros.<br \/> <!--more--> <br \/> Muitos sobrevivem gra&ccedil;as &agrave; minguante previd&ecirc;ncia social e n&atilde;o podem gastar em combust&iacute;vel ou passagem de &ocirc;nibus para fugir do furac&atilde;o. &quot;Em geral, a pobreza n&atilde;o mata rapidamente. Mas &aacute;s vezes sim se, por exemplo, um furac&atilde;o monstruoso devasta uma regi&atilde;o&quot;, escreveu Bill Berlow, editor do jornal Tallahassee Democrat,em um coment&aacute;rio sobre o censo. &quot;Em meio ao terr&iacute;vel sofrimento que o Katrina produziu em poucas horas, e que atravessa um grande espectro s&oacute;cio-econ&ocirc;mico, nos inteiramos de que muitos pobres morrem simplesmente por terem menos op&ccedil;&otilde;es&quot;, afirmou Berlow. Os dados do Escrit&oacute;rio de Censos explicam isso com n&uacute;meros.<\/p>\n<p> No ano passado, a pobreza atingia 12,7% da popula&ccedil;&atilde;o. Foi o quarto ano consecutivo de aumento dessa porcentagem. Isso significa que 37 milh&otilde;es de pessoas vivem com renda inferior a US$ 19.157 anuais por fam&iacute;lia de quatro pessoas. Traduzindo em n&uacute;meros absolutos, isso quer dizer que no ano passado houve nos Estados Unidos 1,1 milh&atilde;o de pobres a mais do que em 2003. A iniq&uuml;idade econ&ocirc;mica em 2004 se aproximou do recorde: os 20% mais ricos da popula&ccedil;&atilde;o receberam 50,1% da renda total. Os 5% mais ricos foram o &uacute;nico setor que desfrutou de um aumento real em sua renda. A renda dos restantes 95% se manteve ou caiu. Mas a situa&ccedil;&atilde;o real de fato pode ser ainda pior, pois n&atilde;o fica claro se o Escrit&oacute;rio de Censos contabiliza os imigrantes ilegais.<\/p>\n<p> A renda m&eacute;dia por fam&iacute;lia de quatro membros se manteve em US$ 44.389, estancados desde 2003. Entre as comunidades &eacute;tnicas, os negros s&atilde;o os que recebem a mais baixa m&eacute;dia de renda, enquanto os asi&aacute;ticos recebem a maior m&eacute;dia. E entre as regi&otilde;es,o sul &#8211; no sudeste do pa&iacute;s, onde passou o furac&atilde;o &#8211; foi a que teve a renda m&eacute;dia menor, e o nordeste e oeste a maior. O aumento da pobreza se registra em meio a um forte crescimento econ&ocirc;mico de 3,8% ao ano, que permitiu em 2004 a cria&ccedil;&atilde;o de 2,2 milh&otilde;es de empregos. Por&eacute;m, a maioria desses postos de trabalho correspondiam ao setor de servi&ccedil;os, com sal&aacute;rios menores que os da ind&uacute;stria.<\/p>\n<p> Os empregos industriais desaparecem, ao mesmo tempo em que a for&ccedil;a de trabalho norte-americana continua carecendo dos conhecimentos necess&aacute;rios para ter acesso aos empregos que melhor remuneram no setor de servi&ccedil;os. A maioria dos trabalhadores deve ter dois empregos, para com o segundo cobrir as redu&ccedil;&otilde;es salariais que sofreram no primeiro. Como se n&atilde;o bastasse, boa parte do crescimento da riqueza econ&ocirc;mica dos &uacute;ltimos anos se canalizou puramente atrav&eacute;s de bens financeiros adquiridos por ricos na forma de entrada de capital, como juros, rendas e dividendos, segundo muitos economistas.<\/p>\n<p> A quantidade de pessoas sem seguro de sa&uacute;de aumentou de 45 milh&otilde;es para 45,8 milh&otilde;es. Mas o Escrit&oacute;rio de Censos afirmou que a respectiva porcentagem se mant&eacute;m inalterada, j&aacute; que um &quot;aumento na cobertura do governo&quot; implica &quot;uma queda na base sobre o emprego&quot;. Por&eacute;m, os programas p&uacute;blicos de sa&uacute;de, como o Medicaid, sofrem cortes em Estados que n&atilde;o podem financi&aacute;-los, o que deixa os pobres ainda com menos recursos sanit&aacute;rios. A paisagem econ&ocirc;mica desde a Casa Branca e o Capit&oacute;lio, sede do Congresso em Washington, &eacute;, obviamente, muito diferente da que se v&ecirc; desde abaixo da linha de pobreza.<\/p>\n<p> Na &uacute;ltima legislatura, o Congresso, pressionado por firmas emissoras de cart&otilde;es de cr&eacute;dito, aprovou uma lei que dificulta pessoas de baixa renda se declararem falidas para evitar as d&iacute;vidas. Por outro lado, essas companhias incentivam seus clientes a utilizar seus cart&otilde;es. Segundo organiza&ccedil;&otilde;es de defesa dos consumidores, seu objetivo &eacute; aumentar a possibilidade de inadimpl&ecirc;ncia, mais lucrativa por causa dos juros e das multas exorbitantes. Nesta semana, quando reiniciarem as sess&otilde;es, o Congresso analisar&aacute; projetos de lei que afetam os mais ricos (o imposto sobre bens de ra&iacute;zes ou redu&ccedil;&otilde;es de tributos nos investimentos) e os mais pobres (aumento do sal&aacute;rio m&iacute;nimo).<\/p>\n<p> Os legisladores tamb&eacute;m examinar&atilde;o propostas para reduzir ainda mais os programas de assist&ecirc;ncia aos mais pobres, como o Medicaid, cart&otilde;es para alimentos e empr&eacute;stimos estudantis. Por outro lado, a Casa Branca e o Congresso continuam paralisados em torno da reforma da previd&ecirc;ncia social, em parte porque, segundo as pesquisas, a maioria do p&uacute;blico n&atilde;o acredita que a privatiza&ccedil;&atilde;o aumente o valor das aposentadorias e pens&otilde;es por incapacidade f&iacute;sica, como assegura o presidente Bush. Nos &uacute;ltimos anos, o motor da economia norte-americana tem sido o gasto dos consumidores, mais do que nos investimentos dos ricos beneficiados pelo corte de impostos.<\/p>\n<p> O que acontece com o consumo quando os pobres ficam mais pobres? &Agrave; medida que caem os sal&aacute;rios e os cart&otilde;es de cr&eacute;dito ficam bloqueados, o consumo diminui, advertem economistas. Cada vez mais pessoas afundar&atilde;o em um abismo financeiro e sua sobreviv&ecirc;ncia se converter&aacute; em responsabilidade do governo e, por fim, de todos os contribuintes. Devido ao enorme d&eacute;ficit fiscal disposto por pol&iacute;ticos que defendem compromisso com a responsabilidade no gasto p&uacute;blico, os contribuintes &#8211; atuais e futuros &#8211; dever&atilde;o carregar o pesado fardo de financiar a d&iacute;vida acumulada pelo Estado. Pelo menos a metade dessa d&iacute;vida &eacute; propriedade de residentes no exterior que esperam receber os juros de seus investimentos.<\/p>\n<p> Isso implica em uma press&atilde;o adicional sobre a balan&ccedil;a internacional de pagamentos dos Estados Unidos e deprime o valor do d&oacute;lar, o que por sua vez deixa fora do alcance dos pobres muitos produtos importados de primeira necessidade. &quot;Definitivamente, os Estados Unidos n&atilde;o cumprem um crit&eacute;rio-chave do progresso econ&ocirc;mico: elevar a qualidade de vida do segmento mais pobre da sociedade&quot;, disse &agrave; IPS o ex-subsecret&aacute;rio de Com&eacute;rcio Jack Behrman, professor da Escola de Neg&oacute;cios da Universidade da Carolina do Norte. &quot;As atuais pol&iacute;ticas favorecem os ricos e se concentram mais no &ecirc;xito financeiro do que na produ&ccedil;&atilde;o de bens e servi&ccedil;os reais. &Eacute; uma receita mais para o conflito econ&ocirc;mico e social do que para a constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade unida&quot;, concluiu. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, 05\/09\/2005 &ndash; O ditado &quot;os ricos enriquecem e os pobres empobrecem&quot; costuma ser usada para ilustrar a situa&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses em desenvolvimento. Mas hoje descreve o panorama econ&ocirc;mico dos Estados Unidos, a &uacute;nica superpot&ecirc;ncia mundial. Os &uacute;ltimos estudos do Escrit&oacute;rio de Censos dos Estados Unidos a esse respeito refletem, segundo muitos economistas, o impacto negativo da &quot;sociedade de propriet&aacute;rios&quot;, uma plataforma program&aacute;tica proposta &agrave; popula&ccedil;&atilde;o pelo presidente George W. Bush. O esquema se caracteriza pela redu&ccedil;&atilde;o de impostos ao investimento de capital e &agrave; poupan&ccedil;a e a privatiza&ccedil;&atilde;o da previd&ecirc;ncia social. A tend&ecirc;ncia regressiva ficou evidente em todos os lares norte-americanos pelas imagens mostradas pela televis&atilde;o de desesperadas v&iacute;timas do furac&atilde;o Katrina no sudeste do pa&iacute;s, cuja esmagadora maioria &eacute; de pobres e negros.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/america-latina\/eua-aumenta-a-pobreza-na-nica-potncia-mundial\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":454,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-968","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/968","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/454"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=968"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/968\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=968"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=968"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=968"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}