{"id":9684,"date":"2012-03-27T14:48:24","date_gmt":"2012-03-27T14:48:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9684"},"modified":"2012-03-27T14:48:24","modified_gmt":"2012-03-27T14:48:24","slug":"palestina-o-horror-nao-termina-na-prisao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/direitos-humanos\/palestina-o-horror-nao-termina-na-prisao\/","title":{"rendered":"PALESTINA: O horror n&atilde;o termina na pris&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>Beith Sahour, 27\/03\/2012 &ndash; &quot;Estava desesperado. N&atilde;o falava com ningu&eacute;m. N&atilde;o queria sair de casa. Estava muito nervoso e me irritava com qualquer coisa&quot;\u009d, contou o palestino Hamza, de 17 anos, que n&atilde;o passa um dia sem recordar seus sofrimentos na pris&atilde;o militar israelense de Ofer.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9684\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/PALESTINA.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9684\" class=\"size-medium wp-image-9684\" title=\"Hamza, que n&atilde;o quis mostrar o rosto, ainda n&atilde;o superou o trauma. - illian Kestler-D&quot;\u2122Amours\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/PALESTINA.jpg\" alt=\"Hamza, que n&atilde;o quis mostrar o rosto, ainda n&atilde;o superou o trauma. - illian Kestler-D&quot;\u2122Amours\/IPS\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9684\" class=\"wp-caption-text\">Hamza, que n&atilde;o quis mostrar o rosto, ainda n&atilde;o superou o trauma. - illian Kestler-D&quot;\u2122Amours\/IPS<\/p><\/div>  No ano passado, Hamza foi detido no meio da noite, acusado de ter jogado pedras contra colonos israelenses perto de sua escola na Cisjord&acirc;nia.<\/p>\n<p>O jovem disse \u00c3\u00a0 IPS que foi algemado, vendado e que recebeu socos enquanto era levado a um centro de interrogat&oacute;rio. &quot;Me perguntaram onde e como havia atirado as pedras, em que momento exato, se foi de noite ou de dia, e quem estava comigo&quot;\u009d, descreveu. &quot;Na pris&atilde;o fui colocado em uma pequena cela. A comida era passada por baixo da porta. Com\u00c3\u00adamos no mesmo lugar onde urin&aacute;vamos. \u00c3\u20acs vezes nos despiam e faziam piadas e, ao mesmo tempo, batiam na gente&quot;\u009d, acrescentou o adolescente.<\/p>\n<p>Hamza passou cinco meses na pris&atilde;o militar israelense de Ofer. N&atilde;o teve contato com seus pais nem outros familiares. Tr&ecirc;s meses ap&oacute;s ser libertado, entrou em um programa de reabilita&ccedil;&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o Crist&atilde; de Jovens (ACJ) em Beit Sahour, perto de sua casa na aldeia de Takoua, na Cisjord&acirc;nia. A mudan&ccedil;a, garantiu, foi quase imediata. &quot;Me senti bem com as sess&otilde;es de aconselhamento e percebi que estava cada vez melhor, melhor at&eacute; mesmo do que antes de ir para a pris&atilde;o&quot;\u009d, disse Hamza, que agora aprende carpintaria. &quot;Depois que comecei a trabalhar como carpinteiro fiquei mais forte, j&aacute; nada me assusta. Comecei a ver o futuro de maneira positiva&quot;\u009d, ressaltou.<\/p>\n<p>As &uacute;ltimas estimativas indicam que Israel prende e det&eacute;m cerca de 700 menores palestinos por ano. Isto obrigou organiza&ccedil;&otilde;es na Cisjord&acirc;nia e em Jerusal&eacute;m oriental a desenvolverem programas para amenizar os fortes traumas que estes jovens sofrem ao sair da pris&atilde;o. Criado em 1989, pouco depois da primeira Intifada (levante popular palestino contra a ocupa&ccedil;&atilde;o israelense), o programa de reabilita&ccedil;&atilde;o da ACJ em Jerusal&eacute;m oriental &eacute; o primeiro de seu tipo. Oferece apoio psicol&oacute;gico e procura fazer com que os adolescentes regressem \u00c3\u00a0 escola ou frequentem planos de capacita&ccedil;&atilde;o profissional.<\/p>\n<p>Segundo o diretor do programa, Nader Abu Amsha, o objetivo &eacute; dar aos menores mecanismos para evitar que revivam o trauma. &quot;Damos o melhor de n&oacute;s n&atilde;o apenas na terapia, mas tamb&eacute;m na constru&ccedil;&atilde;o de mecanismos de supera&ccedil;&atilde;o e em ajud&aacute;-los a que aprendam a se recuperar das experi&ecirc;ncias traum&aacute;ticas&quot;\u009d, explicou. &quot;Um trauma pode ocorrer uma vez na vida. Mas aqui, na Palestina, onde s&atilde;o vividas experi&ecirc;ncias dif\u00c3\u00adceis diariamente, com os postos de vigil&acirc;ncia, soldados por todos os lados, colonos atacando pessoas&quot;\u00a6 Tudo o que nos rodeia pode reviver um trauma do passado&quot;\u009d, acrescentou Amsha.<\/p>\n<p>A organiza&ccedil;&atilde;o Save the Children e o programa da ACJ apresentaram, no dia 11, um relat&oacute;rio sobre o impacto das pris&otilde;es israelenses de menores palestinos. As organiza&ccedil;&otilde;es estimam que desde 2000 Israel deteve mais de oito mil crian&ccedil;as e adolescentes palestinos em Jerusal&eacute;m oriental e na Cisjord&acirc;nia, entre eles alguns de apenas 12 anos. Com as m&atilde;os atadas e vendados, meninos e meninas, em geral presos acusados de jogarem pedras, s&atilde;o levados para pris&otilde;es israelenses ou assentamentos na Cisjord&acirc;nia para interrogat&oacute;rio, que quase sempre s&atilde;o realizados sem a presen&ccedil;a dos pa\u00c3\u00ads ou do advogado do detido, segundo o documento.<\/p>\n<p>Todos os palestinos na Cisjord&acirc;nia est&atilde;o submetidos a um sistema de tribunais militares criado desde que Israel ocupou o territ&oacute;rio em 1967. Segundo o informe, estes tribunais &quot;n&atilde;o t&ecirc;m a miss&atilde;o de funcionar como um completo sistema legal, mas como um bra&ccedil;o judicial&quot;\u009d da pot&ecirc;ncia ocupante, o que significa que d&aacute; maior &ecirc;nfase \u00c3\u00a0 seguran&ccedil;a do que \u00c3\u00a0 justi&ccedil;a.<\/p>\n<p>O informe tamb&eacute;m concluiu que quase todas as crian&ccedil;as (98%) foram v\u00c3\u00adtimas de viol&ecirc;ncia f\u00c3\u00adsica ou psicol&oacute;gica durante sua pris&atilde;o, e que 90% sofrem desordem de estresse p&oacute;s-traum&aacute;tico, com pesadelos, enurese noturna, ansiedade e outros sinais de trauma. &quot;Todos estes sintomas podem ser superados. Devem ser tratados, e nosso interesse principal &eacute; ajud&aacute;-los a superar o impacto psicol&oacute;gico da pris&atilde;o e da dura experi&ecirc;ncia que sofreram. Seu direito e o de ser reabilitado&quot;\u009d, destacou Amsha.<\/p>\n<p>No caso de Mouath, de 19 anos, que tamb&eacute;m passou oito meses na pris&atilde;o de Ofer acusado de jogar pedras, o processo de reabilita&ccedil;&atilde;o foi ben&eacute;fico n&atilde;o apenas para ele, mas tamb&eacute;m para sua fam\u00c3\u00adlia e seus amigos. &quot;Fui \u00c3\u00a0 escola depois de libertado, mas se negaram a me matricular. Fiquei sem fazer nada em casa. Tinha problemas com meus pais e com meus amigos o tempo todo. Me sentia deprimido, sufocado. Tinha pensamentos frequentes sobre a pris&atilde;o. Estava muito assustado&quot;\u009d, contou \u00c3\u00a0 IPS.<\/p>\n<p>Mas hoje, depois das sess&otilde;es de aconselhamento, n&atilde;o sente mais medo. &quot;A ocupa&ccedil;&atilde;o israelense continua, mas agora os soldados n&atilde;o me molestam. Estou muito mais aliviado. Meus problemas diminu\u00c3\u00adram e minhas dificuldades psicol&oacute;gicas e os pensamentos negativos desapareceram&quot;\u009d, afirmou Mouath, que agora trabalha em eletr&ocirc;nica automotiva. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Beith Sahour, 27\/03\/2012 &ndash; &quot;Estava desesperado. N&atilde;o falava com ningu&eacute;m. N&atilde;o queria sair de casa. Estava muito nervoso e me irritava com qualquer coisa&quot;\u009d, contou o palestino Hamza, de 17 anos, que n&atilde;o passa um dia sem recordar seus sofrimentos na pris&atilde;o militar israelense de Ofer. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/direitos-humanos\/palestina-o-horror-nao-termina-na-prisao\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11],"tags":[16],"class_list":["post-9684","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-politica","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9684","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9684"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9684\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9684"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9684"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9684"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}