{"id":9687,"date":"2012-03-29T13:31:27","date_gmt":"2012-03-29T13:31:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9687"},"modified":"2012-03-29T13:31:27","modified_gmt":"2012-03-29T13:31:27","slug":"mudana%e2%80%a1a-clima%c2%81tica-venezuela-no-vermelho-por-causa-do-desperda%c2%adcio-de-petra%c2%b3leo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/america-latina\/mudana%e2%80%a1a-clima%c2%81tica-venezuela-no-vermelho-por-causa-do-desperda%c2%adcio-de-petra%c2%b3leo\/","title":{"rendered":"MUDAN\u00c3\u2021A CLIM\u00c3\u0081TICA- VENEZUELA: No vermelho por causa do desperd\u00c3\u00adcio de petr\u00c3\u00b3leo"},"content":{"rendered":"<p>Caracas, 29\/03\/2012 &ndash; Se a China &eacute; o pa\u00c3\u00ads que emite mais di&oacute;xido de carbono (CO\u00c2\u00b2) no planeta, a Venezuela e alguns de seus vizinhos no Caribe, empapados em petr&oacute;leo, a ultrapassam nessa destrutiva tarefa quando as emiss&otilde;es s&atilde;o medidas por habitantes.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9687\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/PETROLEO.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9687\" class=\"size-medium wp-image-9687\" title=\"O consumo de gasolina na Venezuela, a mais barata do mundo, &eacute; respons&aacute;vel por grande parte das emiss&otilde;es de di&oacute;xido de carbono. - Fidel M&aacute;rquez\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/PETROLEO.jpg\" alt=\"O consumo de gasolina na Venezuela, a mais barata do mundo, &eacute; respons&aacute;vel por grande parte das emiss&otilde;es de di&oacute;xido de carbono. - Fidel M&aacute;rquez\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9687\" class=\"wp-caption-text\">O consumo de gasolina na Venezuela, a mais barata do mundo, &eacute; respons&aacute;vel por grande parte das emiss&otilde;es de di&oacute;xido de carbono. - Fidel M&aacute;rquez\/IPS<\/p><\/div>  O gigante asi&aacute;tico lan&ccedil;ou 7,032 bilh&otilde;es de toneladas de CO\u00c2\u00b2, 23% do total mundial, segundo dados referentes a 2008 do Centro de An&aacute;lise de Informa&ccedil;&atilde;o sobre Di&oacute;xido de Carbono (CDIAC) do Departamento de Energia dos Estados Unidos. Essa quantia representa 5,3 toneladas por habitante.<\/p>\n<p>A Venezuela responde por 0,56% do total mundial desse g&aacute;s-estufa: 169,5 milh&otilde;es de toneladas, mas este n&uacute;mero equivale a seis toneladas por habitantes. O setor energ&eacute;tico &eacute; respons&aacute;vel por 95% das emiss&otilde;es venezuelanas de CO\u00c2\u00b2, sendo que 35% destas correspondem ao transporte, 48% \u00c3\u00a0 ind&uacute;stria do petr&oacute;leo e usinas termoel&eacute;tricas, e 17% ao restante do parque industrial, detalhou \u00c3\u00a0 IPS o engenheiro Juan Carlos S&aacute;nchez, integrante do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica (IPCC), organismo que em 2007 recebeu o pr&ecirc;mio Nobel da Paz.<\/p>\n<p>&quot;Destaca-se o desperd\u00c3\u00adcio no consumo de combust\u00c3\u00advel, o mais barato do mundo, US$ 0,02 por litro, sem cobrir nem mesmo o custo da produ&ccedil;&atilde;o. Isto mata qualquer plano de economia ou de efici&ecirc;ncia no uso do recurso&quot;\u009d, advertiu S&aacute;nchez. Ao elevado consumo &quot;deve-se agregar o desmatamento &quot;\u201c que priva o corpo florestal de absorver CO\u00c2\u00b2 &quot;\u201c, que na Venezuela chega a 240 mil hectares por ano. Embora metade de sua superf\u00c3\u00adcie esteja coberta por florestas, a degrada&ccedil;&atilde;o atinge 0,6% ao ano&quot;\u009d, explicou o especialista florestal Julio C&eacute;sar Centeno, professor de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o na Universidade de Los Andes, no sudoeste do pa\u00c3\u00ads.<\/p>\n<p>A Venezuela combina a atividade de extra&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo &quot;\u201c um s\u00c3\u00admbolo da degrada&ccedil;&atilde;o &eacute; que ao fim de um s&eacute;culo de explora&ccedil;&atilde;o ainda se queima g&aacute;s em chamin&eacute;s junto aos po&ccedil;os &quot;\u201c com um parque automotivo voraz e a instala&ccedil;&atilde;o de usinas termoel&eacute;tricas, pelo fato de a hidreletricidade ser insuficiente. Pelas ruas e estradas da Venezuela rodam cinco milh&otilde;es de ve\u00c3\u00adculos, que consomem cerca de 300 mil barris (de 159 litros cada) de gasolina por dia, &quot;com a agravante de o rendimento ser de dez, ou menos, quil&ocirc;metros por litro, o que lan&ccedil;a na atmosfera 250 gramas de CO\u00c2\u00b2 por quil&ocirc;metro percorrido, contra, por exemplo, 140 gramas na Europa, que tem planos de baixar a emiss&atilde;o para 95 gramas at&eacute; 2020&quot;\u009d, comparou Centeno.<\/p>\n<p>Talvez a Venezuela possa se consolar se voltar o olhar para o Caribe ou para seus s&oacute;cios na Organiza&ccedil;&atilde;o de Pa\u00c3\u00adses Exportadores de Petr&oacute;leo (Opep). Trinidad e Tobago lan&ccedil;a na atmosfera &quot;apenas&quot;\u009d 49,7 milh&otilde;es de toneladas de CO\u00c2\u00b2 por ano, mas isso equivale a 37,3 toneladas por habitante, o que torna este pa\u00c3\u00ads o segundo emissor mundial, em lista que Antilhas Holandesas (com Cura&ccedil;ao, at&eacute; 2010) ocupa o quarto lugar com 31,9 toneladas por habitante, e Aruba, outra ilha holandesa, o nono lugar, com 21,7 toneladas por habitante.<\/p>\n<p>No caso de Cura&ccedil;ao, incide a presen&ccedil;a de uma refinaria de petr&oacute;leo que opera desde 1918. Quanto a Trinidad e Tobago, a explica&ccedil;&atilde;o est&aacute; na extra&ccedil;&atilde;o e liquefa&ccedil;&atilde;o de g&aacute;s, enquanto no caso de outras pequenas ilhas &eacute; o emprego intensivo de combust\u00c3\u00advel de avia&ccedil;&atilde;o nos aeroportos que levam e trazem viajantes. Ocorre o mesmo em outros territ&oacute;rios pequenos com uso intenso de combust\u00c3\u00advel por diferentes raz&otilde;es, como Luxemburgo (oitavo emissor por habitante), o brit&acirc;nico penhasco de Gibraltar, o arquip&eacute;lago franc&ecirc;s Saint-Pierre et Miquelon ou as dinamarquesas Ilhas Feroe.<\/p>\n<p>O l\u00c3\u00adder emissor por habitante &eacute; o Catar, com 53,5 toneladas por habitante, e entre os 20 primeiros figuram outros grandes na economia dos hidrocarbonos: Emirados \u00c3\u0081rabes Unidos, Bahrein, Brunei, Kuwait, Estados Unidos, Ar&aacute;bia Saudita, Om&atilde; e Cazaquist&atilde;o. Neste &quot;clube&quot;\u009d, a Venezuela se destaca pela falta de pol\u00c3\u00adticas e medidas dirigidas a reverter ou compensar as emiss&otilde;es, &quot;em contraste com um discurso ambiental grandiloquente em f&oacute;runs internacionais&quot;\u009d, apontou S&aacute;nchez, ap&oacute;s recordar que este pa\u00c3\u00ads &eacute; o &uacute;nico da Opep que, por exemplo, ratificou o Protocolo de Kyoto sobre mudan&ccedil;a clim&aacute;tica.<\/p>\n<p>Esgotada a capacidade de suas hidrel&eacute;tricas, a Venezuela come&ccedil;ou a instalar usinas t&eacute;rmicas alimentadas com combust\u00c3\u00adveis l\u00c3\u00adquidos, &quot;quando deveria se voltar para o g&aacute;s, que pode gerar a mesma eletricidade com 40% menos emiss&otilde;es de CO\u00c2\u00b2&quot;\u009d, assinalou Centeno. As fontes consultadas pela IPS tamb&eacute;m indicam que a Venezuela deveria melhorar o rendimento de seu parque automotivo, introduzir motores de carros h\u00c3\u00adbridos e que usem etanol, e proporcionar trens e, em geral, transporte p&uacute;blico frente ao particular: de cinco milh&otilde;es de ve\u00c3\u00adculos que rodam por dia, 3,2 milh&otilde;es s&atilde;o autom&oacute;veis particulares.<\/p>\n<p>Quanto \u00c3\u00a0 gasolina existe uma ampla coincid&ecirc;ncia: o pre&ccedil;o, inalterado h&aacute; quase 15 anos gra&ccedil;as aos subs\u00c3\u00addios, liquida qualquer plano de economia, al&eacute;m de, pela diferen&ccedil;a com valores internacionais, representar uma perda de renda superior a US$ 12 bilh&otilde;es ao ano para o Estado, segundo a consultoria Ecoanal\u00c3\u00adtica.<\/p>\n<p>Centeno destacou que a deteriora&ccedil;&atilde;o das bacias de rios que levam &aacute;gua \u00c3\u00a0 popula&ccedil;&atilde;o deve parar e pede urg&ecirc;ncia para um plano de reflorestamento com esp&eacute;cies nativas de pelo menos dois milh&otilde;es de hectares, o que poderia retirar da atmosfera 1,1 bilh&atilde;o de toneladas de CO\u00c2\u00b2, quase tanta quanto a produzida por Brasil, M&eacute;xico e Venezuela em 2008. Junto ao dano puramente ambiental est&aacute; o econ&ocirc;mico: o mundo libera, em m&eacute;dia, 0,6 toneladas de CO\u00c2\u00b2 para cada US$ 1 mil de produto interno bruto.<\/p>\n<p>Com base em seus par&acirc;metros de efici&ecirc;ncia, na Europa essa rela&ccedil;&atilde;o &eacute; de apenas 0,28 toneladas por US$ 1 mil de PIB, nos Estados Unidos de 0,42 toneladas, e no conjunto das Am&eacute;ricas Central e do Sul de 0,53 toneladas. O registro para a China &eacute; de 2,20 toneladas por US$ 1 mil de PIB, para a \u00c3\u008dndia de 1,40, e, para os pa\u00c3\u00adses do Oriente M&eacute;dio com petr&oacute;leo, um leque que vai de 0,72 toneladas no Catar at&eacute; 2,52 no Ir&atilde;. Os sauditas lan&ccedil;am 1,25 tonelada para cada US$ 1 mil produzidos. Os venezuelanos e alguns vizinhos do Caribe que s&atilde;o intensivos em produ&ccedil;&atilde;o e consumo de petr&oacute;leo est&atilde;o acima da m&eacute;dia regional: Venezuela com 0,90 toneladas de CO\u00c2\u00b2 por US$ 1 mil de PIB, Trinidad e Tobago 2,45, e Antilhas Holandesas, que em 2008 inclu\u00c3\u00adam Cura&ccedil;ao e sua grande refinaria, 2,87 toneladas. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caracas, 29\/03\/2012 &ndash; Se a China &eacute; o pa\u00c3\u00ads que emite mais di&oacute;xido de carbono (CO\u00c2\u00b2) no planeta, a Venezuela e alguns de seus vizinhos no Caribe, empapados em petr&oacute;leo, a ultrapassam nessa destrutiva tarefa quando as emiss&otilde;es s&atilde;o medidas por habitantes. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/america-latina\/mudana%e2%80%a1a-clima%c2%81tica-venezuela-no-vermelho-por-causa-do-desperda%c2%adcio-de-petra%c2%b3leo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":90,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5,10],"tags":[],"class_list":["post-9687","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9687","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/90"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9687"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9687\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9687"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9687"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9687"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}