{"id":969,"date":"2005-09-05T00:00:00","date_gmt":"2005-09-05T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=969"},"modified":"2005-09-05T00:00:00","modified_gmt":"2005-09-05T00:00:00","slug":"infncia-crianas-trabalham-como-garimpeiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/america-latina\/infncia-crianas-trabalham-como-garimpeiros\/","title":{"rendered":"Inf&acirc;ncia: Crian&ccedil;as trabalham como garimpeiros"},"content":{"rendered":"<p>Niamey, 05\/09\/2005 &ndash; Aos 15 anos, Abdou Adamou passa seus dias em um po&ccedil;o com profundidade entre 50 e 80 metros em Komabangou, uma mina de ouro 175 quil&ocirc;metros a sudoeste da capital do N&iacute;ger. Seu trabalho consiste em quebrar rochas e lev&aacute;-las &agrave; superf&iacute;cie. Estima-se que mais de cem crian&ccedil;as de 10 a 16 anos trabalham em Komabangou. Esta regi&atilde;o rica em minerais vive uma febre do ouro desde 2001 e atrai fam&iacute;lias inteiras. &quot;A cada manh&atilde; eles descem para o po&ccedil;o &agrave;s 8 horas, levando &aacute;gua e comida necess&aacute;rias para as pr&oacute;ximas 18 horas. No come&ccedil;o foi terr&iacute;vel, mas uma vez que se acostuma, se torna rotina&quot;, contou Adamou &agrave; IPS.<br \/> <!--more--> <br \/> &quot;Deixei a escola quando meus pais decidiram deixar nossa aldeia para procurar ouro em Komabangou. E como n&atilde;o tinham com quem me deixar, me trouxeram com eles&quot;. Disse Adamou. &quot;Se tivesse encontrado algu&eacute;m que cuidasse do meu filho, nunca o teria trazido. Deixaria que ele continuasse os estudos&quot;, disse &agrave; IPS o pai de Adamou. &quot;Na aldeia &eacute; duro para todos. As pessoas n&atilde;o querem cuidar dos filhos dos outros. Os alunos das escolas rurais sofrem o problema da cust&oacute;dia, principalmente se a escola n&atilde;o pode lhes dar alimenta&ccedil;&atilde;o. Inclusive em escolas secund&aacute;rias, quando o estudante n&atilde;o recebe uma subven&ccedil;&atilde;o do governo &eacute; dif&iacute;cil encontrar uma fam&iacute;lia que o mantenha. E isso explica porque abandonam a escola&quot;, disse Hrouna Sadou, uma soci&oacute;loga de Niamey.<\/p>\n<p> Segundo o c&oacute;digo de minera&ccedil;&atilde;o do N&iacute;ger, de 1993, 18 anos &eacute; a idade m&iacute;nima para trabalhar nas minas e nos canteiros. Mas nenhum inspetor foi designado para locais de minera&ccedil;&atilde;o de ouro. Apenas ocasionalmente chega uma equipe para fazer uma inspe&ccedil;&atilde;o de surpresa, disse Ibrahim Balla Souley, coordenador nacional para o Programa Internacional para a Elimina&ccedil;&atilde;o do Trabalho Infantil (IPEC-N&iacute;ger), com sede em Niamey. O IPEC, que se estabeleceu nesse pa&iacute;s em 2002, &eacute; dirigido pela Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho (OIT). O grupo procura acabar com o trabalho infantil no mundo. &quot;Para trabalhar em uma mina, n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio documento atestando sua idade. E o governo nada faz no momento de recrutar trabalhadores. &Eacute; basicamente o setor informal que opera aqui&quot;, explicou &agrave; IPS Daouda Kabani, secret&aacute;rio-geral da Associa&ccedil;&atilde;o de Buscadores de Ouro de Komabangou. Segundo ele, nem mineiros nem os pais jamais foram punidos por promoverem o trabalho infantil.<\/p>\n<p> Mais de 15 mil pessoas de v&aacute;rias nacionalidades da &Aacute;frica ocidental vivem na mina de Komabangou. A concess&atilde;o foi abandonada por uma empresa estrangeira em 2001 diante dos baixos lucros com sua explora&ccedil;&atilde;o. &quot;As pessoas de Benin, Burkina Faso, Gana, Mali e Togo trabalham junto como os nigerianos. Chegam para procurar ou comercializar ouro&quot;, segundo Kabani. &quot;Esta &eacute; a realidade. As crian&ccedil;as constituem uma for&ccedil;a de trabalho. Atuam em v&aacute;rios postos. Alguns ajudam a quebrar as rochas, outros trabalham na extra&ccedil;&atilde;o, outros no transporte de &aacute;gua para misturar &agrave; areia obtida da quebra das rochas&quot;, disse Kabani. Um grama de ouro deixa entre US$ 10 e US$ 12 para o mineiro, acrescentou.<\/p>\n<p> Segundo Kabani, alguns garimpeiros de ouro pagam cerca de US$ 20 por m&ecirc;s &agrave;s crian&ccedil;as que emprega, contra US$ 30 pagos a outras pessoas. Em troca d&atilde;o comida e alojamento para os que chegam sem os pais. Os adultos que fazem trabalho semelhante ganham o dobro porque s&atilde;o mais produtivos. O sal&aacute;rio m&iacute;nimo de um trabalhador do governo no N&iacute;ger &eacute; de aproximadamente US$ 50 por m&ecirc;s. Mahamadou Aboubacar, de 13 anos, fornece &aacute;gua na zona de busca de ouro, onde vive com sua m&atilde;e h&aacute; tr&ecirc;s anos. &quot;Comecei a trabalhar depois que meu pai morreu, para ajudar minha m&atilde;e. Cada dia encho uns tr&ecirc;s barris de 200 litros com &aacute;gua, que transporto no carro de meu empregador, que est&aacute; a um quil&ocirc;metro de dist&acirc;ncia&quot;, contou &agrave; IPS. Aboubacar ganha US$ 13 por dia.<\/p>\n<p> &quot;Desde a morte do meu marido meu &uacute;nico apoio aqui &eacute; meu filho. &Eacute; ele o &uacute;nico que trabalha, me alimenta e me veste&quot;, disse &agrave;s IPS Mamata Gado, m&atilde;e de Aboubacar. &quot;Os pa&iacute;s tamb&eacute;m empurram os filhos para virem trabalhar aqui&quot;, afirmou Souley. &quot;Os menores est&atilde;o expostos a todo tipo de riscos, como envenenamento pelo p&oacute; e a possibilidade de acidentes nos t&uacute;neis&quot;, acrescentou. Tamb&eacute;m h&aacute; doen&ccedil;as ligadas &agrave; atividade f&iacute;sica, como lumbago e ferimentos com martelos e morteiros com os quais as crian&ccedil;as destroem as pedras.<\/p>\n<p> Bako Bagassi, m&eacute;dico do Programa Nacional contra Enfermidades Sexualmente Transmiss&iacute;veis e HIV\/aids em Niamey disse que freq&uuml;entemente as crian&ccedil;as est&atilde;o expostas e contraem v&aacute;rias infec&ccedil;&otilde;es. &quot;Muitos iniciam sua atividade sexual bem cedo. Em Komabangou, mais de 50% das trabalhadoras sexuais est&atilde;o infectadas com o HIV (v&iacute;rus da defici&ecirc;ncia imunol&oacute;gica humana, causador da aids)&quot;, disse Bagassi, se referindo a uma pesquisa de 2003 feita por um grupo de sa&uacute;de. Para combater a pandemia, a filial em N&iacute;ger da World Vision (Vis&atilde;o Mundial), uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental internacional, realiza campanhas de informa&ccedil;&atilde;o e treinamento desde 2004.<\/p>\n<p> &quot;Treinamos cerca de cem trabalhadores comunit&aacute;rios para realizarem campanhas em Komabangou e aldeias pr&oacute;ximas. Tamb&eacute;m criamos um centro de diagn&oacute;stico de HIV\/aids&quot;, disse &aacute; IPS Abdoulaye Soumana, da World Vision. O IPEC-N&iacute;ger tamb&eacute;m estabeleceu uma escola prim&aacute;ria em Komabangou em 2002 e capacita meninos e meninas em atividades que gerem renda, como vender &aacute;gua e usar carros como meio de transporte. &quot;Constru&iacute;mos a primeira escola prim&aacute;ria em uma &aacute;rea de minera&ccedil;&atilde;o e hoje temos cerca de 140 alunos&quot;, contou Souley, feliz porque alguns pais preferiram matricular seus filhos e mand&aacute;-los para a escola.<\/p>\n<p> &quot;O N&iacute;ger assinou v&aacute;rias conven&ccedil;&otilde;es internacionais para prote&ccedil;&atilde;o e promo&ccedil;&atilde;o infantil, incluindo a Conven&ccedil;&atilde;o sobre Direitos da Crian&ccedil;a&quot;, disse Zakari Hamadou, do Minist&eacute;rio de Servi&ccedil;o P&uacute;blica e Trabalho em Niamey. Al&eacute;m disso, as leis trabalhistas deste pa&iacute;s pro&iacute;bem o trabalho infantil. &quot;Estas crian&ccedil;as atuam em um ambiente informal que complica o trabalho dos inspetores do trabalho. Por isso temos que nos concentrar mais nas campanhas de informa&ccedil;&atilde;o&quot;, recomendou Souley, destacando a pobreza como a principal causa do trabalho infantil. Sessenta e tr&ecirc;s por cento da popula&ccedil;&atilde;o do N&iacute;ger vive abaixo da linha de pobreza, segundo o Informe Mundial sobre Desenvolvimento Humanos 2004 do Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Niamey, 05\/09\/2005 &ndash; Aos 15 anos, Abdou Adamou passa seus dias em um po&ccedil;o com profundidade entre 50 e 80 metros em Komabangou, uma mina de ouro 175 quil&ocirc;metros a sudoeste da capital do N&iacute;ger. Seu trabalho consiste em quebrar rochas e lev&aacute;-las &agrave; superf&iacute;cie. Estima-se que mais de cem crian&ccedil;as de 10 a 16 anos trabalham em Komabangou. Esta regi&atilde;o rica em minerais vive uma febre do ouro desde 2001 e atrai fam&iacute;lias inteiras. &quot;A cada manh&atilde; eles descem para o po&ccedil;o &agrave;s 8 horas, levando &aacute;gua e comida necess&aacute;rias para as pr&oacute;ximas 18 horas. No come&ccedil;o foi terr&iacute;vel, mas uma vez que se acostuma, se torna rotina&quot;, contou Adamou &agrave; IPS.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/america-latina\/infncia-crianas-trabalham-como-garimpeiros\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":167,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-969","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/969","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/167"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=969"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/969\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=969"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=969"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=969"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}