{"id":9696,"date":"2012-03-29T13:59:38","date_gmt":"2012-03-29T13:59:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9696"},"modified":"2012-03-29T13:59:38","modified_gmt":"2012-03-29T13:59:38","slug":"brasil-ja-sente-os-problemas-do-salva-vidas-chinaas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/america-latina\/brasil-ja-sente-os-problemas-do-salva-vidas-chinaas\/","title":{"rendered":"Brasil j&aacute; sente os problemas do salva-vidas chin\u00c3\u00aas"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 29\/03\/2012 &ndash; Na &uacute;ltima d&eacute;cada, a China passou a ser o primeiro s&oacute;cio comercial e investidor estrangeiro do Brasil. Mas esta aparente t&aacute;bua de salva&ccedil;&atilde;o em tempos de crise global poderia acentuar velhos problemas da maior economia da Am&eacute;rica Latina.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9696\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/BRASIL.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9696\" class=\"size-medium wp-image-9696\" title=\"Dutos para transporte de gr&atilde;os no Porto de Suape, no Nordeste. Ao fundo, o maior moinho de farinha de trigo do Brasil, da empresa Bunge. - Mario Osava\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/BRASIL.jpg\" alt=\"Dutos para transporte de gr&atilde;os no Porto de Suape, no Nordeste. Ao fundo, o maior moinho de farinha de trigo do Brasil, da empresa Bunge. - Mario Osava\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9696\" class=\"wp-caption-text\">Dutos para transporte de gr&atilde;os no Porto de Suape, no Nordeste. Ao fundo, o maior moinho de farinha de trigo do Brasil, da empresa Bunge. - Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>  Em 2009, a China roubou dos Estados Unidos o t\u00c3\u00adtulo de maior s&oacute;cio comercial brasileiro. Apenas dois anos depois, o interc&acirc;mbio comercial subiu para US$ 77 bilh&otilde;es, com saldo favor&aacute;vel ao Brasil de US$ 11,5 bilh&otilde;es.<\/p>\n<p>Esse foi um salto &quot;brutal&quot;\u009d, segundo o diretor da C&acirc;mara de Com&eacute;rcio e Ind&uacute;stria Brasil-China (CCIBC), Kevin Tang, se for tomado com base o ano de 2000, quando o com&eacute;rcio entre os dois pa\u00c3\u00adses chegava a apenas US$ 2,5 bilh&otilde;es. Pequim tamb&eacute;m come&ccedil;ou a investir alto no Brasil, uma tend&ecirc;ncia que se repete no Chile e em outros pa\u00c3\u00adses da Am&eacute;rica Latina. Um estudo da Ag&ecirc;ncia Brasileira de Promo&ccedil;&atilde;o de Exporta&ccedil;&otilde;es e Investimentos (Apex-Brasil) mostra, inclusive, fluxos de investimentos maiores do que os dados oficiais.<\/p>\n<p>Segundo o Banco Central do Brasil, os investimentos estrangeiros diretos procedentes da China somaram US$ 3 bilh&otilde;es entre 2005 e 2011. De acordo com os n&uacute;meros oficiais obtidos pela Apex-Brasil, o fluxo de investimentos em setores produtivos entre 2009 e 2011 foi de aproximadamente US$ 17 bilh&otilde;es, contando recursos canalizados atrav&eacute;s de Hong Kong e outras vias indiretas.<\/p>\n<p>Tanto no que compra quanto no que investe, o interesse da China &eacute; o mesmo que a levou a aumentar sua presen&ccedil;a em outras regi&otilde;es. Com popula&ccedil;&atilde;o de 1,3 bilh&atilde;o de pessoas (a maior do mundo), tem uma avidez crescente por mat&eacute;ria-prima e busca garantir para o futuro seu abastecimento b&aacute;sico com uma depend&ecirc;ncia m\u00c3\u00adnima de importa&ccedil;&otilde;es de um &uacute;nico pa\u00c3\u00ads.<\/p>\n<p>O estudo da Apex-Brasil &quot;A internacionaliza&ccedil;&atilde;o da economia chinesa, a dimens&atilde;o do investimento direto&quot;\u009d, diz que os investimentos &quot;come&ccedil;aram a se intensificar no per\u00c3\u00adodo p&oacute;s-crise financeira global&quot;\u009d, concentram-se em setores intensivos de recursos naturais como petr&oacute;leo e siderurgia. A crise financeira global, que se estende desde 2008, n&atilde;o freou esse processo. Ao contr&aacute;rio, &quot;&eacute; poss\u00c3\u00advel sugerir que a crise tenha criado a oportunidade de aquisi&ccedil;&atilde;o de ativos depreciados&quot;\u009d, analisa o estudo divulgado este m&ecirc;s.<\/p>\n<p>A maioria dos investimentos chineses no Brasil &quot;busca estabelecer ofertas para exporta&ccedil;&atilde;o ao seu pa\u00c3\u00ads de produtos b&aacute;sicos dos quais somos grandes produtores, como soja, min&eacute;rio de ferro e petr&oacute;leo&quot;\u009d, disse \u00c3\u00a0 IPS o economista Rodrigo Branco, da Funda&ccedil;&atilde;o Centro de Estudos do Com&eacute;rcio Exterior (Funcex). Os meios que a China tem para obter esses produtos se baseiam em quatro estrat&eacute;gias, segundo Branco.<\/p>\n<p>Primeiro, a assinatura de contratos e termos de compromisso com empresas brasileiras abastecedoras, a fim de estabelecer quantidades de bens export&aacute;veis ao longo de um determinado per\u00c3\u00adodo. Segundo, a cria&ccedil;&atilde;o de empresas de risco compartilhado (joint venture) entre s&oacute;cios chineses e brasileiros para exporta&ccedil;&atilde;o ou produ&ccedil;&atilde;o de certos bens. Terceiro, a compra, ou fus&atilde;o, de empresas brasileiras por parte de companhias chinesas. Quarto, aquisi&ccedil;&atilde;o de propriedades para produzir, sobretudo, bens agr\u00c3\u00adcolas.<\/p>\n<p>&quot;O principal motivo de investir no Brasil ainda &eacute; a obten&ccedil;&atilde;o de quantidades regulares de produtos b&aacute;sicos para abastecer sua demanda crescente&quot;\u009d, afirmou Branco. Al&eacute;m das mat&eacute;rias-primas, h&aacute; outros setores que atraem o interesse chin&ecirc;s, como o automobil\u00c3\u00adstico. Al&eacute;m de enviar ve\u00c3\u00adculos para o Brasil, a China tamb&eacute;m poderia construir f&aacute;bricas no pa\u00c3\u00ads. &quot;No entanto, este n&atilde;o &eacute; o foco dos investimentos chineses&quot;\u009d, acrescentou.<\/p>\n<p>Dados da CCIBC refor&ccedil;am o conceito que a China tem da &quot;internacionaliza&ccedil;&atilde;o&quot;\u009d neste pa\u00c3\u00ads sul-americano. As exporta&ccedil;&otilde;es brasileiras para a China s&atilde;o lideradas pelo min&eacute;rio de ferro (45% das vendas em 2011), soja (25%), petr&oacute;leo (11%), e &quot;finalmente alimentos&quot;\u009d, disse Tanga \u00c3\u00a0 Ag&ecirc;ncia Brasil de not\u00c3\u00adcias. Tang n&atilde;o descartou outros setores de interesse futuro nos quais a China tamb&eacute;m est&aacute; investindo, como a energia.<\/p>\n<p>O vice-presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Com&eacute;rcio Exterior, Augusto Jos&eacute; de Castro, afirmou \u00c3\u00a0 IPS que o objetivo nessas &aacute;reas &eacute; melhorar as condi&ccedil;&otilde;es e baratear os custos de exporta&ccedil;&atilde;o. Castro interpreta do mesmo modo o aumento dos empr&eacute;stimos de bancos estatais chineses \u00c3\u00a0 regi&atilde;o, que somam US$ 75 bilh&otilde;es desde 2005, em momentos nos quais as fontes de cr&eacute;dito escasseiam devido \u00c3\u00a0 crise financeira global, e pelas dificuldades espec\u00c3\u00adficas de obt&ecirc;-los que t&ecirc;m pa\u00c3\u00adses como Argentina, Venezuela e Equador. &quot;Infelizmente, temos uma depend&ecirc;ncia muito grande da China&quot;\u009d, ressaltou.<\/p>\n<p>&quot;A China registrou aumento no d&eacute;ficit comercial mensal. &Eacute; um fato novo que ningu&eacute;m esperava. Os chineses podem conter este d&eacute;ficit ou estimular suas exporta&ccedil;&otilde;es. Se isto ocorrer, v&atilde;o desalojar os pa\u00c3\u00adses que j&aacute; vendem para o mercado externo, como o Brasil&quot;\u009d, alertou Castro em uma confer&ecirc;ncia organizada pela Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas. Em sua opini&atilde;o, a &uacute;nica maneira de reverter este panorama &eacute; negociar com a China a compra de produtos manufaturados brasileiros, e n&atilde;o apenas de mat&eacute;rias-primas.<\/p>\n<p>&quot;&Eacute; evidente que, mantendo o rumo atual, a integra&ccedil;&atilde;o com a China aprofunda a depend&ecirc;ncia latino-americana da velha estrutura agroexportadora&quot;\u009d, explicou \u00c3\u00a0 IPS o economista Adhemar Mineiro, do Departamento Intersindical de Estat\u00c3\u00adsticas e Estudos Socioecon&ocirc;micos (Dieese) e assessor da Confedera&ccedil;&atilde;o Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras das Am&eacute;ricas.<\/p>\n<p>Segundo Mineiro, salvo algumas variantes, a estrutura de com&eacute;rcio com a China replica o modelo que existe com Europa e Jap&atilde;o, no qual o Brasil &eacute; vendedor de produtos b&aacute;sicos agr\u00c3\u00adcolas, minerais e energ&eacute;ticos, e comprador de manufaturas e outros bens industriais. &quot;Se o crescimento das rela&ccedil;&otilde;es com a China seguir esse padr&atilde;o, significar&aacute; uma maior e nova depend&ecirc;ncia&quot;\u009d, alertou.<\/p>\n<p>Em geral, os governos latino-americanos deveriam buscar alternativas para n&atilde;o &quot;aprofundar a estrutura de rela&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas que existem hoje com a China&quot;\u009d, recomendou Mineiro, acrescentando que &quot;o modelo prim&aacute;rio-exportador mostrou historicamente na Am&eacute;rica Latina sua caracter\u00c3\u00adstica de concentra&ccedil;&atilde;o de renda, riqueza e poder nas m&atilde;os de poucos, o que contr&aacute;ria a busca de op&ccedil;&otilde;es de aprofundamento da democracia e de distribui&ccedil;&atilde;o de renda na regi&atilde;o&quot;\u009d.<\/p>\n<p>Uma advert&ecirc;ncia semelhante foi feita em 2010 pela Comiss&atilde;o Econ&ocirc;mica para a Am&eacute;rica Latina e o Caribe (Cepal). A presen&ccedil;a da China se percebe tamb&eacute;m na introdu&ccedil;&atilde;o gradual de sua moeda, o yuan, por meio de empr&eacute;stimos.<\/p>\n<p>Esse fato poderia ter influ&ecirc;ncia na economia regional dependendo do volume de neg&oacute;cios nessa moeda, segundo o economista. Contudo, &quot;a quest&atilde;o &eacute; que reduz ainda mais o poder econ&ocirc;mico do Brasil para negociar com os chineses, em um momento em que v&aacute;rios setores industriais enfrentam dificuldade na competi&ccedil;&atilde;o com produtos chineses&quot;\u009d, como cal&ccedil;ados, t&ecirc;xteis, vestu&aacute;rio e componentes eletr&ocirc;nicos, destacou.<\/p>\n<p>Branco alertou para o risco futuro de fixar quantidades para vendas \u00c3\u00a0 China diante da possibilidade de mudan&ccedil;as no cen&aacute;rio externo que afetem a volatilidade dos pre&ccedil;os. &quot;Se isto ocorrer, poderia haver mudan&ccedil;as de interesses na manuten&ccedil;&atilde;o de contratos e na inten&ccedil;&atilde;o dos investimentos, o que afetaria o efeito multiplicador desses investimentos na economia brasileira&quot;\u009d, ressaltou o economista.<\/p>\n<p>Segundo Branco, o problema &eacute; que n&atilde;o se pode esperar que os investimentos chineses garantam por si s&oacute; a mudan&ccedil;a do perfil exportador para produtos com maior valor agregado. &quot;Se h&aacute; rentabilidade de bens b&aacute;sicos, logicamente haver&aacute; maior interesse de investir neles, seja por parte de estrangeiros ou de brasileiros&quot;\u009d, afirmou. O Brasil deve melhorar as condi&ccedil;&otilde;es internas para seu crescimento industrial exportador.<\/p>\n<p>O informe da Apex-Brasil ratifica que o rumo estrat&eacute;gico da China &quot;\u201c apostar em pa\u00c3\u00adses ricos em recursos naturais &quot;\u201c &eacute; o mesmo na Am&eacute;rica Latina e outras regi&otilde;es do Sul em desenvolvimento, como \u00c3\u0081frica e Oriente M&eacute;dio. O volume de interc&acirc;mbio comercial entre a regi&atilde;o latino-americana e a China passou de US$ 12 bilh&otilde;es em 2000 para US$ 188 bilh&otilde;es em 2011. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 29\/03\/2012 &ndash; Na &uacute;ltima d&eacute;cada, a China passou a ser o primeiro s&oacute;cio comercial e investidor estrangeiro do Brasil. Mas esta aparente t&aacute;bua de salva&ccedil;&atilde;o em tempos de crise global poderia acentuar velhos problemas da maior economia da Am&eacute;rica Latina. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/03\/america-latina\/brasil-ja-sente-os-problemas-do-salva-vidas-chinaas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[27,25],"class_list":["post-9696","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","tag-brasil","tag-ibsa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9696","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9696"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9696\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9696"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9696"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9696"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}