{"id":9699,"date":"2012-04-02T10:17:06","date_gmt":"2012-04-02T10:17:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9699"},"modified":"2012-04-02T10:17:06","modified_gmt":"2012-04-02T10:17:06","slug":"chade-desenterrando-formigueiros-em-busca-de-comida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/africa\/chade-desenterrando-formigueiros-em-busca-de-comida\/","title":{"rendered":"CHADE: Desenterrando formigueiros em busca de comida"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e2\u20ac\u2122Djamena, Chade, 02\/04\/2012 &ndash; &quot;S&oacute; Deus sabe o que acontecer&aacute; a mim e aos meus quatro filhos. H&aacute; dois meses que n&atilde;o temos nada para comer. Vivemos como mendigos&quot;\u009d, disse \u00c3\u00a0 IPS a chadiana Henriette Sanglar. <!--more--> Esta fam\u00c3\u00adlia vive no bairro Moursal desta cidade, capital do Chade. &quot;A fome est&aacute; ganhando terreno inclusive aqui, em N&quot;\u2122Djamena&quot;\u009d, afirmou Diane Nelmall Ko\u00c3\u00afd&eacute;r&eacute;, enfermeira de um centro de sa&uacute;de em Ardepdjoumal, na mesma cidade. &quot;Das 14 crian&ccedil;as que vi hoje, pouqu\u00c3\u00adssimas t&ecirc;m o peso normal para sua idade. Pode-se ver que n&atilde;o comeram nas &uacute;ltimas semanas. Os menores sofrem desnutri&ccedil;&atilde;o de maneira cruel&quot;\u009d, lamentou.<\/p>\n<p>Um sinal da severidade da fome &eacute; que est&aacute; afetando inclusive regi&otilde;es agr\u00c3\u00adcolas habitualmente produtivas, no sul do pa\u00c3\u00ads. Blandine Kar&eacute;bey vivia na pequena aldeia de B&eacute;pala, mas se mudou para a capital a fim de ficar com seu irm&atilde;o mais novo, Joseph Ngarmadji. Ela n&atilde;o quer voltar para sua aldeia com os dois filhos, de dois e cinco anos, nem mesmo quando as chuvas voltarem, porque os moradores esgotaram completamente suas reservas de comida e s&atilde;o obrigados a colher frutos silvestres e extrair ra\u00c3\u00adzes que em tempos melhores n&atilde;o se come.<\/p>\n<p>Os efeitos da fome s&atilde;o sentidos particularmente na &aacute;rea que rodeia a capital, considerada o celeiro do pa\u00c3\u00ads. Contudo, o impacto &eacute; ainda maior na regi&atilde;o do Sahel, que geralmente recebe menos de 300 mil\u00c3\u00admetros de chuva por ano durante a breve temporada chuvosa de tr&ecirc;s meses. Como ocorreu em 2011, quando as precipita&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m n&atilde;o chegaram, a fome atingiu duramente o oriente do pa\u00c3\u00ads, devastando comunidades nas regi&otilde;es semides&eacute;rticas de Kanem, Gu&eacute;ra e Salamat.<\/p>\n<p>As escassas chuvas levaram \u00c3\u00a0s m&aacute;s colheitas. Em muitos casos, tr&ecirc;s meses depois da colheita, os moradores dessas &aacute;reas j&aacute; haviam comido tudo, consumindo, desesperados, at&eacute; as sementes que seriam plantadas na temporada seguinte. Para sobreviver, ou recorrem \u00c3\u00a0 ajuda de organiza&ccedil;&otilde;es humanit&aacute;rias ou se dirigem a cidades e outros centros povoados onde possam encontrar trabalho como dom&eacute;sticos, lavadores ou jardineiros.<\/p>\n<p>Ao fazer uma escala na capital, Stephen Cockburn, coordenador regional de campanhas e pol\u00c3\u00adticas da Oxfam Internacional para a \u00c3\u0081frica ocidental, descreveu as medidas desesperadas que viu nas &aacute;reas rurais. Em Tassino, uma aldeia no distrito de Mangalm&eacute;, na parte central de Gu&eacute;ra, as mulheres desenterram formigueiros em busca de gr&atilde;os armazenados ali pelas formigas.<\/p>\n<p>&quot;Mulheres e crian&ccedil;as s&atilde;o as mais vulner&aacute;veis da sociedade. Uma situa&ccedil;&atilde;o como esta, onde a escassez de alimentos faz os pre&ccedil;os aumentarem entre 100% e 200%, tem efeitos devastadores e um impacto negativo sobre os mais fracos&quot;\u009d, disse Marcel Ouattara, representante do Fundo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Inf&acirc;ncia (Unicef) no Chade. &quot;A crise afeta fam\u00c3\u00adlias que t&ecirc;m acesso limitado a servi&ccedil;os b&aacute;sicos de sa&uacute;de e que enfrentam uma desnutri&ccedil;&atilde;o cr&ocirc;nica&quot;\u009d, afirmou.<\/p>\n<p>No come&ccedil;o de janeiro, as autoridades reconheceram o perigo iminente e anunciaram a disponibilidade de gr&atilde;os a pre&ccedil;os subsidiados, enquanto simultaneamente divulgaram um pedido de ajuda \u00c3\u00a0 comunidade internacional. O governo acumulou reservas de quatro mil toneladas de gr&atilde;os no estatal Escrit&oacute;rio Nacional para a Seguran&ccedil;a Alimentar (Onasa). Quando, no come&ccedil;o deste ano, a fome foi formalmente declarada, o pre&ccedil;o de uma saca de cem quilos de gr&atilde;os (milho, sorgo) girava em torno de US$ 80, por&eacute;m, o Onasa agora vende estes mesmos cereais ao pre&ccedil;o subsidiado de US$ 20.<\/p>\n<p>Entretanto, as pessoas afetadas pela fome veem apenas benef\u00c3\u00adcios limitados nesta ajuda do governo. Isto tem dois motivos. Por um lado, muitos simplesmente n&atilde;o contam com dinheiro para comprar alimentos, nem mesmo a um pre&ccedil;o t&atilde;o reduzido. E por outro, os comerciantes atacadistas aproveitam a oportunidade para se abastecer com grandes quantidades destes alimentos, que podem revender a pre&ccedil;o de mercado, triplicando seus lucros.<\/p>\n<p>O governo implanta mecanismos para controle de pre&ccedil;os, mas n&atilde;o age contra os comerciantes que tiram vantagem do sistema, e os ministros parecem conformados em divulgar comunicados de advert&ecirc;ncia. Os analistas criticam a apatia do governo, dizendo que assim incentiva a corrup&ccedil;&atilde;o. No dia 19 de mar&ccedil;o, o ministro da Agricultura e Irriga&ccedil;&atilde;o, Adoum Djimet, tentou tranquilizar o p&uacute;blico diante da &quot;imagem muito negativa que a m\u00c3\u00addia internacional d&aacute; \u00c3\u00a0 fome que afeta partes do pa\u00c3\u00ads. O governo est&aacute; tomando medidas para resgatar nossos compatriotas amea&ccedil;ados pela fome&quot;\u009d.<\/p>\n<p>Diante da cont\u00c3\u00adnua aus&ecirc;ncia da assist&ecirc;ncia adicional anunciada pelo governo &quot;\u201c que n&atilde;o deu detalhes do que far&aacute; nem explicou o atraso &quot;\u201c e com ag&ecirc;ncias humanit&aacute;rias que atuam com lentid&atilde;o, a popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode fazer nada mais do que se desesperar. Um agente do Programa Mundial de Alimentos da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), que pediu para n&atilde;o ser identificado, disse \u00c3\u00a0 IPS que os fornecimentos estavam a caminho da N&quot;\u2122Djamena, mas foram retidos no Porto de Douala, em Camar&otilde;es.<\/p>\n<p>V&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais expressaram sua preocupa&ccedil;&atilde;o pela imin&ecirc;ncia da temporada de chuvas, alertando que, se a distribui&ccedil;&atilde;o da ajuda n&atilde;o come&ccedil;ar logo, as &aacute;reas mais afetadas ficar&atilde;o inacess\u00c3\u00adveis, j&aacute; que as estradas estar&atilde;o intransit&aacute;veis. &quot;A desnutri&ccedil;&atilde;o continuar&aacute; sendo profunda enquanto o governo e as ag&ecirc;ncias humanit&aacute;rias n&atilde;o derem uma resposta en&eacute;rgica&quot;\u009d, afirmou Codjo Edoux, chefe da miss&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o M&eacute;dicos Sem Fronteiras presente no Chade. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e2\u20ac\u2122Djamena, Chade, 02\/04\/2012 &ndash; &quot;S&oacute; Deus sabe o que acontecer&aacute; a mim e aos meus quatro filhos. H&aacute; dois meses que n&atilde;o temos nada para comer. Vivemos como mendigos&quot;\u009d, disse \u00c3\u00a0 IPS a chadiana Henriette Sanglar. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/africa\/chade-desenterrando-formigueiros-em-busca-de-comida\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,12,5],"tags":[21],"class_list":["post-9699","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-desenvolvimento","category-economia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9699","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9699"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9699\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9699"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9699"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9699"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}