{"id":9722,"date":"2012-04-04T11:03:03","date_gmt":"2012-04-04T11:03:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9722"},"modified":"2012-04-04T11:03:03","modified_gmt":"2012-04-04T11:03:03","slug":"a-legisladora-suu-kyi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/direitos-humanos\/a-legisladora-suu-kyi\/","title":{"rendered":"A legisladora Suu Kyi"},"content":{"rendered":"<p>Bangcoc, Tail\u00c3\u00a2ndia, 04\/04\/2012 &ndash; Com sua esmagadora vit&oacute;ria nas elei&ccedil;&otilde;es do dia 1\u00c2\u00ba, a dirigente pol\u00c3\u00adtica birmanesa Aun San Suu Kyi assume um novo papel como legisladora da oposi&ccedil;&atilde;o, deixando para tr&aacute;s 22 anos de exist&ecirc;ncia como a mais famosa presa pol\u00c3\u00adtica de seu pa\u00c3\u00ads.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9722\" style=\"width: 155px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e22.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9722\" class=\"size-medium wp-image-9722\" title=\"Cartaz do filme The Lady, do diretor franc&ecirc;s Luc Besson, sobre a vida de Aung San Suu Kyi. - \" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e22.jpg\" alt=\"Cartaz do filme The Lady, do diretor franc&ecirc;s Luc Besson, sobre a vida de Aung San Suu Kyi. - \" width=\"145\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9722\" class=\"wp-caption-text\">Cartaz do filme The Lady, do diretor franc&ecirc;s Luc Besson, sobre a vida de Aung San Suu Kyi. - <\/p><\/div>  A presen&ccedil;a no parlamento desta mulher de 66 anos ser&aacute; apoiada pela de outros legisladores de sua Liga Nacional para a Democracia (LND), que teria obtido pelo menos 40 das 45 cadeiras em disputa em um Poder Legislativo bicameral de 664 membros, segundo diferentes pesquisas de boca de urna. Os resultados oficiais ser&atilde;o divulgados no dia 8.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o &eacute; um &ecirc;xito nosso, mas do povo, que decidiu participar do processo pol\u00c3\u00adtico do pa\u00c3\u00ads&quot;\u009d, disse Suu Kyi a milhares de seguidores reunidos no dia 2 diante da sede da LND em Rangun, ex-capital do pa\u00c3\u00ads. &quot;Esperamos que isto seja o in\u00c3\u00adcio de uma nova era, que ponha &ecirc;nfase no papel do povo na pol\u00c3\u00adtica cotidiana&quot;\u009d, destacou.<\/p>\n<p>Os eleitores que lhe deram a vit&oacute;ria na terceira elei&ccedil;&atilde;o realizada na Birm&acirc;nia em 50 anos pertencem, sobretudo, \u00c3\u00a0 minoria &eacute;tnica karen. Suu Kyi se candidatou a uma das 440 cadeiras da Pyithu Hluttaw (c&acirc;mara baixa) como representante de Kawhmu, um empobrecido distrito dessa etnia, nos sub&uacute;rbios de Rangun.<\/p>\n<p>Ganhadora do Nobel da Paz em 1991, Suu Kyi tem entre suas prioridades a necessidade de instaurar um verdadeiro Estado de direito e reformar a Constitui&ccedil;&atilde;o de 2009. O Poder Legislativo em que est&aacute; entrando est&aacute; dominado pelo governante Partido da Uni&atilde;o, da Solidariedade e do Desenvolvimento, instrumento criado pela &uacute;ltima junta militar, e por um bloco parlamentar de oficiais n&atilde;o eleitos por voto popular. A Birm&acirc;nia sofre desde 1962 uma sucess&atilde;o de regimes militares.<\/p>\n<p>Na c&acirc;mara baixa, o partido governante ocupa 219 cadeiras que obteve nas elei&ccedil;&otilde;es gerais de 2010, acusadas de fraudulentas e boicotadas pela LND. E o bloco militar ocupa outras 110. Na c&acirc;mara alta, a Amyotha Hluttaw, o oficialismo conta com 123 legisladores e os militares 56.<\/p>\n<p>Os poucos assentos a derem repartidos na frente opositora incluir&atilde;o a For&ccedil;a Nacional Democr&aacute;tica (FND), uma cis&atilde;o da LND, e um punhado de partidos &eacute;tnicos e de figuras independentes. Embora a LND tenha apenas um peso marginal, a gest&atilde;o parlamentar de Suu Kyi &eacute; que determinar&aacute; quanto espa&ccedil;o existe para uma &quot;oposi&ccedil;&atilde;o leal&quot;\u009d ao presidente e general da reserva, Thein Sein, no inst&aacute;vel cen&aacute;rio pol\u00c3\u00adtico birman&ecirc;s.<\/p>\n<p>Al&eacute;m de exercer uma oposi&ccedil;&atilde;o construtiva ao reformista Sein &quot;\u201c cujo governo quase civil est&aacute; embarcado em desmantelar cinco d&eacute;cadas de opress&atilde;o militar &quot;\u201c, Suu Kyi ter&aacute; que lidar com o influente chefe da c&acirc;mara baixa, Shwe Man, tamb&eacute;m general da reserva que pretende liderar o movimento reformista.<\/p>\n<p>&quot;Todas as partes ter&atilde;o que se adaptar \u00c3\u00a0s novas realidades para manter o ritmo das reformas&quot;\u009d, apontou Aung Naing Oo, subdiretor do Vahu Development Institute, um centro de estudos que pretende influenciar as pol\u00c3\u00adticas p&uacute;blicas birmanesas. &quot;O governo ter&aacute; que chegar a acordos pela primeira vez com uma voz poderosa como a de Suu Kyi no parlamento&quot;\u009d. E ela dever&aacute; negociar com o oficialismo e os militares se quiser &quot;crescer de parlamentar da minoria at&eacute; promotora de novas leis&quot;\u009d, disse o analista \u00c3\u00a0 IPS. &quot;Isso significa inclusive chegar ao chefe do ex&eacute;rcito (general Min Aung Hlaing), que dirige o bloco militar.<\/p>\n<p>A &quot;surpreendente&quot;\u009d presen&ccedil;a de legisladores reformistas dentro do oficialismo pode ser campo f&eacute;rtil para que Suu Kyi assente suas credenciais opositoras, acrescentou Win Min, especialista em seguran&ccedil;a nacional. &quot;Ela j&aacute; teve um encontro cordial com Shwe Man em uma recente visita \u00c3\u00a0 Naypidaw&quot;\u009d, na capital.<\/p>\n<p>Suu Kyi tamb&eacute;m poderia ter um papel de equil\u00c3\u00adbrio que &quot;contribua para aliviar a atual tens&atilde;o entre o parlamento e o presidente, pois ambos necessitam dela&quot;\u009d, disse Min em uma entrevista. &quot;O mandat&aacute;rio dela necessita para ajudar a levantar as san&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas (impostas pelos Estados Unidos e pela Uni&atilde;o Europeia), e do l\u00c3\u00adder da c&acirc;mara baixa para ampliar sua influ&ecirc;ncia&quot;\u009d.<\/p>\n<p>Para birmaneses como Zinn Linn, um exilado de 62 anos, residente em Bangcoc, uma oposi&ccedil;&atilde;o viva no parlamento recorda os tempos anteriores ao golpe de 1962. Os legisladores opositores &quot;eram conhecidos por seus apaixonados debates e abertos desafios ao ent&atilde;o primeiro-ministro U Nu. Os planos do governo estavam sob r\u00c3\u00adgida vigil&acirc;ncia&quot;\u009d, recordou.<\/p>\n<p>Os her&oacute;is opositores daquela &eacute;poca, entre eles o tio de Suu Kyi, Aung Than, integravam o bloco centro-esquerdista que desafiava o governo de U Nu, eleito chefe do primeiro governo nacional depois do fim do regime colonial. &quot;A cultura pol\u00c3\u00adtica e parlamentar de ent&atilde;o foi modelada pelas tradi&ccedil;&otilde;es brit&acirc;nicas, nas quais o papel opositor era aceito&quot;\u009d, explicou Linn \u00c3\u00a0 IPS.<\/p>\n<p>Depois das elei&ccedil;&otilde;es gerais de 2010 havia poucas expectativas de se reviver esse esp\u00c3\u00adrito. Depois de tudo, as tradi&ccedil;&otilde;es parlamentares brit&acirc;nicas acabaram conduzindo a uma cultura militar dominante que sufocou toda oposi&ccedil;&atilde;o desde 1962. Mas a chegada de Suu Kyi pode modificar a equa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&quot;O governo habilitou esse espa&ccedil;o e foi recebido positivamente&quot;\u009d, disse David Scott Mathieson, da organiza&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria Human Rights Watch, com sede em Nova York. &quot;A oposi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o est&aacute; nem perto de ser forte, mas o que conseguiu aproveitando este limitado processo legislativo surpreendeu a muitos. Que Suu Kyi se some ativamente \u00c3\u00a0s suas fileiras ajudar&aacute; nessa transi&ccedil;&atilde;o&quot;\u009d, afirmou \u00c3\u00a0 IPS. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bangcoc, Tail\u00c3\u00a2ndia, 04\/04\/2012 &ndash; Com sua esmagadora vit&oacute;ria nas elei&ccedil;&otilde;es do dia 1\u00c2\u00ba, a dirigente pol\u00c3\u00adtica birmanesa Aun San Suu Kyi assume um novo papel como legisladora da oposi&ccedil;&atilde;o, deixando para tr&aacute;s 22 anos de exist&ecirc;ncia como a mais famosa presa pol\u00c3\u00adtica de seu pa\u00c3\u00ads. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/direitos-humanos\/a-legisladora-suu-kyi\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11],"tags":[17],"class_list":["post-9722","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-politica","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9722","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9722"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9722\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9722"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9722"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9722"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}