{"id":9738,"date":"2012-04-10T10:13:32","date_gmt":"2012-04-10T10:13:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9738"},"modified":"2012-04-10T10:13:32","modified_gmt":"2012-04-10T10:13:32","slug":"ama%e2%80%b0rica-latina-economia-verde-ou-energia-limpa-com-equidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/america-latina\/ama%e2%80%b0rica-latina-economia-verde-ou-energia-limpa-com-equidade\/","title":{"rendered":"AM\u00c3\u2030RICA LATINA: Economia verde ou energia limpa com equidade"},"content":{"rendered":"<p>Caracas, Venezuela, 10\/04\/2012 &ndash; A Am&eacute;rica Latina e o Caribe formam uma regi&atilde;o com potencial para desacoplar seu crescimento do consumo de combust\u00c3\u00adveis f&oacute;sseis e passar para uma economia verde baseada em energias mais limpas, mas com a condi&ccedil;&atilde;o de reduzir as brechas sociais.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9738\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/100515-20120409.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9738\" class=\"size-medium wp-image-9738\" title=\" - Danilo Valladares\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/100515-20120409.jpg\" alt=\" - Danilo Valladares\/IPS\" width=\"200\" height=\"124\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9738\" class=\"wp-caption-text\"> - Danilo Valladares\/IPS<\/p><\/div>  &quot;Um em cada tr&ecirc;s latino-americanos vive na pobreza e quase 90 milh&otilde;es sobrevivem com menos de um d&oacute;lar por dia, por isso precisamos de um crescimento sustentado, mas com maior igualdade e ambientalmente sustent&aacute;vel&quot;\u009d, disse \u00c3\u00a0 IPS o secret&aacute;rio permanente do Sistema Econ&ocirc;mico Latino-Americano e do Caribe (Sela), Jos&eacute; Rivera.<\/p>\n<p>Para Rivera, &quot;n&atilde;o se trata de mudar da noite para o dia os padr&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o e consumo, mas de avan&ccedil;ar nessa dire&ccedil;&atilde;o, construindo consensos regionais para investimentos, pol\u00c3\u00adticas p&uacute;blicas, incentivos, subs\u00c3\u00addios, normas, trabalho de forma&ccedil;&atilde;o e conscientiza&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m da coopera&ccedil;&atilde;o internacional.<\/p>\n<p>O Sela, que re&uacute;ne 28 Estados latino-americanos e caribenhos, produziu um estudo que assume, como condi&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica para &quot;deixar verde uma economia marrom&quot;\u009d, o estabelecimento de uma nova matriz energ&eacute;tica na regi&atilde;o, apressando a passagem de uma economia baseada na energia de carbono para outra, de energias renov&aacute;veis e limpas.<\/p>\n<p>Ao examinar a atual matriz energ&eacute;tica, o estudo constatou que em 2009 a regi&atilde;o produziu o equivalente a 7,424 bilh&otilde;es de barris de petr&oacute;leo (de 159 litros cada), 80% dos quais baseados em hidrocarbonos e carv&atilde;o. A distribui&ccedil;&atilde;o por tipo de combust\u00c3\u00adveis foi a seguinte: 50,2% petr&oacute;leo, 23,9% g&aacute;s, 10,8% biomassa (lenha e cana, com 5,4% cada uma), 6,6% hidroenergia, 6% carv&atilde;o mineral, 1,3% o conjunto de e&oacute;lica, solar e outras renov&aacute;veis, 0,6% nuclear e 0,6% geot&eacute;rmica.<\/p>\n<p>Os principais pa\u00c3\u00adses produtores s&atilde;o M&eacute;xico com 24,7%, Brasil com 22,9%, Venezuela 20,4%, Col&ocirc;mbia 9,8%, Argentina 7,7%, Trinidad e Tobago 4,2%, e Equador com 2,8%. A Venezuela &eacute; l\u00c3\u00adder na produ&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo, seguida de M&eacute;xico e Brasil. O M&eacute;xico &eacute; l\u00c3\u00adder em g&aacute;s, seguido de Argentina e Trinidad e Tobago, enquanto a Col&ocirc;mbia produz tr&ecirc;s quintos do carv&atilde;o, o Brasil lidera na produ&ccedil;&atilde;o de lenha, cana, hidroenergia e outras energias renov&aacute;veis, o M&eacute;xico em geotermia, e Brasil e M&eacute;xico s&atilde;o produtores nucleares. Do conjunto da oferta energ&eacute;tica regional, 74,4% tem origem em fontes n&atilde;o renov&aacute;veis e 87,6% s&atilde;o de energias muito contaminantes, com altas emiss&otilde;es de di&oacute;xido de carbono (CO\u00c2\u00b2).<\/p>\n<p>A Am&eacute;rica Latina &quot;tem enormes possibilidades de contar com uma energia mais verde, come&ccedil;ando pelo grande potencial de energia hidrel&eacute;trica, primeiro no Brasil e depois na Venezuela, M&eacute;xico, Col&ocirc;mbia, Paraguai e Argentina&quot;\u009d, explicou \u00c3\u00a0 IPS o especialista Juan Carlos S&aacute;nchez, do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica (IPCC).<\/p>\n<p>S&oacute; a Venezuela, com capacidade h\u00c3\u00addrica e t&eacute;rmica para gerar 20 mil megawatts\/hora de eletricidade, poderia instalar capacidade para outros 100 mil megawatts\/hora de fontes h\u00c3\u00addricas, e&oacute;licas e de biomassa. Outras fontes para as quais h&aacute; grande potencial, segundo S&aacute;nchez, embora exijam fortes investimentos ainda muito incipientes, s&atilde;o as energias solar e e&oacute;lica.<\/p>\n<p>&quot;Contudo, ao se tratar de fontes chamadas verdes, independente de serem renov&aacute;veis ou n&atilde;o, &eacute; imprescind\u00c3\u00advel considerar todas as implica&ccedil;&otilde;es, como &eacute; o caso dos agro ou biocombust\u00c3\u00adveis, como bioetanol ou biodiesel, causadores de problemas terr\u00c3\u00adveis de posse e uso da terra, mais contamina&ccedil;&atilde;o por agroqu\u00c3\u00admicos, o que tamb&eacute;m leva a problemas sociais muito s&eacute;rios&quot;\u009d, destacou S&aacute;nchez.<\/p>\n<p>O agr&ocirc;nomo Edgar Jaimes, professor titular da venezuelana Universidade de Los Andes, observou que &quot;a economia verde constitui uma nova vis&atilde;o capitalista do mundo, cujo objetivo principal &eacute; utilizar a biomassa terrestre com a finalidade &uacute;ltima de continuar potencializando os sistemas produtivos, que nos &uacute;ltimos 50 anos depredaram e exploraram os bens naturais e o pr&oacute;prio homem&quot;\u009d. &quot;A produ&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria do planeta ultrapassa os 250 bilh&otilde;es de toneladas de biomassa ou mat&eacute;ria viva. Apenas 62 bilh&otilde;es de toneladas s&atilde;o usadas para atender as necessidades humanas e industriais atuais. A diferen&ccedil;a fica para o novo modelo &quot;\u02dcverde&quot;\u2122, com fins de renda ou lucro capitalista&quot;\u009d, afirmou.<\/p>\n<p>Com essas advert&ecirc;ncias, a regi&atilde;o da Am&eacute;rica Latina e do Caribe &quot;deve buscar a forma de passar para um crescimento sustent&aacute;vel. Existe consenso de que a economia baseada em carbono est&aacute; chegando ao seu limite&quot;\u009d, afirma o Sela. Julio Centeno, tamb&eacute;m professor na Universidade de Los Andes, resume que &quot;se trata de desacoplar a energia do consumo de combust\u00c3\u00adveis f&oacute;sseis e lev&aacute;-la para energias mais limpas, um desafio para na&ccedil;&otilde;es como as da Organiza&ccedil;&atilde;o de Pa\u00c3\u00adses Exportadores de Petr&oacute;leo (Opep)&quot;\u009d, cujos s&oacute;cios regionais s&atilde;o Venezuela e Equador.<\/p>\n<p>O Sela alerta que &quot;&eacute; necess&aacute;ria a interven&ccedil;&atilde;o direta do Estado por meio de pol\u00c3\u00adticas p&uacute;blicas que facilitem e incentivem a transi&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o s&oacute; isso: o tema est&aacute; na necessidade de fazer uma transi&ccedil;&atilde;o inclusiva&quot;\u009d, pois &quot;s&atilde;o precisos ajustes para garantir o emprego e a capacita&ccedil;&atilde;o&quot;\u009d a fim de trabalhar na economia verde. Tamb&eacute;m se necessitar&aacute; dar aten&ccedil;&atilde;o especial aos setores produtivos que poderiam perder viabilidade ao se desfazerem dos combust\u00c3\u00adveis f&oacute;sseis e abra&ccedil;arem energias mais limpas.<\/p>\n<p>O Sela prop&otilde;e aos Estados da regi&atilde;o come&ccedil;ar um invent&aacute;rio dos elementos que devem integrar uma matriz de economia verde, para poder elaborar pol\u00c3\u00adticas que sustentem a transi&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m recomenda elaborar um estudo sobre o capital natural (bens e servi&ccedil;os ambientais dispon\u00c3\u00adveis) na regi&atilde;o e sua rela&ccedil;&atilde;o com a energia do carbono, e definir &aacute;reas tem&aacute;ticas e projetos que possam somar as vantagens comparativas tanto regionais como de cada pa\u00c3\u00ads.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, a regi&atilde;o deveria estabelecer mecanismos de acompanhamento destas pol\u00c3\u00adticas e destes projetos, coordenar suas a&ccedil;&otilde;es, desenvolver programas de coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul sobre economia verde e identificar fontes de financiamento para seus novos projetos. A caminho da Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (Rio+20), que acontecer&aacute; entre 20 e 22 de junho no Rio de Janeiro, Rivera prop&otilde;e que a regi&atilde;o adote e desenvolva seu pr&oacute;prio dec&aacute;logo de marcha para uma economia verde no contexto da nova Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caracas, Venezuela, 10\/04\/2012 &ndash; A Am&eacute;rica Latina e o Caribe formam uma regi&atilde;o com potencial para desacoplar seu crescimento do consumo de combust\u00c3\u00adveis f&oacute;sseis e passar para uma economia verde baseada em energias mais limpas, mas com a condi&ccedil;&atilde;o de reduzir as brechas sociais. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/america-latina\/ama%e2%80%b0rica-latina-economia-verde-ou-energia-limpa-com-equidade\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":90,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5,10],"tags":[21],"class_list":["post-9738","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9738","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/90"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9738"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9738\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9738"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9738"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9738"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}