{"id":9741,"date":"2012-04-11T10:03:01","date_gmt":"2012-04-11T10:03:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9741"},"modified":"2012-04-11T10:03:01","modified_gmt":"2012-04-11T10:03:01","slug":"mutilaa%c2%a7ao-genital-feminina-uma-pratica-difa%c2%adcil-de-erradicar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/africa\/mutilaa%c2%a7ao-genital-feminina-uma-pratica-difa%c2%adcil-de-erradicar\/","title":{"rendered":"Mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina: Uma pr&aacute;tica dif\u00c3\u00adcil de erradicar"},"content":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 11\/04\/2012 &ndash; &quot;Est&aacute; louca, Fauziya?&quot;\u009d, perguntou Cecilia. &quot;O que &eacute; isso de querer voltar para Togo?&quot;\u009d. <!--more--> Cecilia Jeffrey, tamb&eacute;m natural desse pa\u00c3\u00ads, n&atilde;o podia acreditar no que ouvia. Sua amiga e companheira de quarto Fauziya Kassinja lhe confessara estar disposta a parar com sua luta para ser a primeira mulher na hist&oacute;ria dos Estados Unidos a obter asilo pol\u00c3\u00adtico para evitar a mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina em seu pa\u00c3\u00ads.<\/p>\n<p>A fim de convencer a amiga a mudar de ideia, Cecilia lhe mostrou como seu corpo mudou para sempre quando teve suas genitais mutiladas no Togo. Mais tarde Fauziya contou que Cecilia conseguiu confront&aacute;-la com a possibilidade de que o mesmo acontecesse com ela. &quot;Me disse: se d&aacute; conta do que &eacute; isto e que tamb&eacute;m poder&atilde;o provocar em voc&ecirc;?&quot;\u009d.<\/p>\n<p>&quot;Eu nunca vira algo assim. Cecilia teve praticamente extirpadas as caracter\u00c3\u00adsticas externas dos genitais. N&atilde;o se via mais do que uma cicatriz, uma sutura, e apenas um pequeno orif\u00c3\u00adcio. Foram arrancados os l&aacute;bios da vulva e o clit&oacute;ris, e a deixaram mutilada para sempre. Fiquei horrorizada e perguntei como pode viver assim&quot;\u009d, descreveu Fauziya. &quot;Cecilia respondeu que sofre cada vez que v&ecirc; suas genit&aacute;lias mutiladas e chora, grita por dentro sua dor e se sente fraca e derrotada&quot;\u009d, contou a amiga.<\/p>\n<p>Mais de 140 milh&otilde;es de meninas e mulheres sofrem, contra sua vontade, terem sua roupa de baixo tirada, serem obrigadas a abrir as pernas e terem cortadas brutalmente as partes externas das genitais com pedras afiadas, facas, tesouras, aparelho de barba ou outros cru&eacute;is instrumentos. Raramente com anestesia.<\/p>\n<p>A maior parte das v\u00c3\u00adtimas dessa horrenda pr&aacute;tica sofre atrozes dores e hemorragias e em caso de gravidez t&ecirc;m complica&ccedil;&otilde;es que frequentemente levam \u00c3\u00a0 morte. Tamb&eacute;m &eacute; comum contrair HIV\/aids ou hepatite devido \u00c3\u00a0 utiliza&ccedil;&atilde;o de instrumentos sem esteriliza&ccedil;&atilde;o. As sobreviventes sofrem de estresse p&oacute;s-traum&aacute;tico, depress&atilde;o ou outros problemas psicol&oacute;gicos. A cada dia, oito mil meninas, com idade entre duas semanas de vida e 15 anos, correm o risco de serem v\u00c3\u00adtimas de mutila&ccedil;&otilde;es ou cortes dos genitais.<\/p>\n<p>Gra&ccedil;as aos esfor&ccedil;os de mulheres apoiadas por organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais, governos e as Na&ccedil;&otilde;es Unidas est&atilde;o fazendo algum progresso.<\/p>\n<p>Milhares de comunidades da \u00c3\u0081frica e do Oriente M&eacute;dio decidiram acabar com a mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina. Legisladores comprometidos aprovaram leis que a tornam ilegal. Gra&ccedil;as aos esfor&ccedil;os de muitos pa\u00c3\u00adses africanos e da It&aacute;lia, que h&aacute; muito tempo &eacute; l\u00c3\u00adder na luta contra essa pr&aacute;tica, do Fundo de Popula&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (UNFPA), do Fundo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Inf&acirc;ncia (Unicef) e da Assembleia Geral da ONU, se conseguiu que essa luta seja uma prioridade.<\/p>\n<p>Contudo, h&aacute; muito por fazer. Faltam mais m&eacute;dicos que eduquem os pacientes sobre os preju\u00c3\u00adzos causados pelo corte genital. Segundo a ONU, as v\u00c3\u00adtimas correm maior risco de recorrer a uma cesariana ou a uma episiotomia em seus partos e de sofrerem hemorragia p&oacute;s-parto. Tanto a mortalidade materna quanto a infantil &eacute; mais frequente nas m&atilde;es que sofreram mutila&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&Eacute; necess&aacute;rio que mais l\u00c3\u00adderes e militantes conven&ccedil;am as comunidades a se comprometerem a acabar com essa pr&aacute;tica. L\u00c3\u00adderes religiosos que pregam contra a mutila&ccedil;&atilde;o em suas igrejas ou mesquitas provocam significativos progressos. Na verdade, h&aacute; uma cren&ccedil;a comum de que a mutila&ccedil;&atilde;o tem uma origem religiosa, embora seja mentira que esteja citada na B\u00c3\u00adblia ou no Alcor&atilde;o.<\/p>\n<p>Os profissionais da sa&uacute;de devem desautorizar a pr&aacute;tica e se recusar a realiz&aacute;-la nos hospitais. H&aacute; uma preocupante tend&ecirc;ncia nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas \u00c3\u00a0 &quot;medicaliza&ccedil;&atilde;o&quot;\u009d da mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina.<\/p>\n<p>Uma melhor cobertura dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o poderia ter um papel importante. Televis&atilde;o, r&aacute;dio, jornais e revistas, bem como as artes, incluindo m&uacute;sica, teatro e outras express&otilde;es, t&ecirc;m um impacto positivo na campanha para eliminar a mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina.<\/p>\n<p>A ilegalidade implica a desaprova&ccedil;&atilde;o do Estado, permite que se compense as v\u00c3\u00adtimas e que se responsabilize pelo crime de viol&ecirc;ncia aqueles que o cometeram. &Eacute; dissuasivo para quem pratica e d&aacute; legitimidade a quem busca abandonar essa pr&aacute;tica. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Kerry Kennedy &eacute; presidente do Robert F. Kennedy Center for Justice and Human Rights.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 11\/04\/2012 &ndash; &quot;Est&aacute; louca, Fauziya?&quot;\u009d, perguntou Cecilia. &quot;O que &eacute; isso de querer voltar para Togo?&quot;\u009d. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/africa\/mutilaa%c2%a7ao-genital-feminina-uma-pratica-difa%c2%adcil-de-erradicar\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":305,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,13],"tags":[],"class_list":["post-9741","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-colunistas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9741","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/305"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9741"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9741\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9741"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9741"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9741"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}