{"id":9749,"date":"2012-04-12T11:45:03","date_gmt":"2012-04-12T11:45:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9749"},"modified":"2012-04-12T11:45:03","modified_gmt":"2012-04-12T11:45:03","slug":"esse-mar-intranquilo-que-desafia-cuba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/economia\/esse-mar-intranquilo-que-desafia-cuba\/","title":{"rendered":"Esse mar intranquilo que desafia Cuba"},"content":{"rendered":"<p>Havana, Cuba, 12\/04\/2012 &ndash; Um dos maiores desafios de Cuba na hora de definir pol\u00c3\u00adticas de adapta&ccedil;&atilde;o \u00c3\u00a0 mudan&ccedil;a clim&aacute;tica &eacute; preservar seus ecossistemas costeiros, diante do previsto aumento do n\u00c3\u00advel do mar e fen&ocirc;menos hidrometeorol&oacute;gicos mais intensos.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9749\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/100532-20120411.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9749\" class=\"size-medium wp-image-9749\" title=\"Jorge Luis Ba\u00c3\u00b1os\/IPS - \" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/100532-20120411.jpg\" alt=\"Jorge Luis Ba\u00c3\u00b1os\/IPS - \" width=\"200\" height=\"112\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9749\" class=\"wp-caption-text\">Jorge Luis Ba\u00c3\u00b1os\/IPS - <\/p><\/div>  Com mais de 5.500 quil&ocirc;metros de costa e quatro mil ilhas \u00c3\u00a0 flor da &aacute;gua e ilhotas, nesta na&ccedil;&atilde;o insular do Caribe &eacute; dif\u00c3\u00adcil encontrar algu&eacute;m que n&atilde;o sinta sua vida presa ao mar, de um modo ou de outro.<\/p>\n<p>&quot;&Eacute; lindo, mas tem seus perigos&quot;\u009d, disse Teresa Marcial, de 78 anos, moradora na localidade costeira de Santa F&eacute;, na periferia norte de Havana. Ela vive h&aacute; d&eacute;cadas com a &aacute;gua marinha quase lambendo o quintal de sua casa. Em 2005, uma inunda&ccedil;&atilde;o causada pelo furac&atilde;o Wilma deixou sua fam\u00c3\u00adlia, e outras da &aacute;rea, virtualmente na rua. &quot;Enormes ondas varreram tudo. Foi de surpresa. A &aacute;gua levou um arm&aacute;rio pesad\u00c3\u00adssimo que desapareceu&quot;\u009d, contou \u00c3\u00a0 IPS.<\/p>\n<p>Seu filho, Mart\u00c3\u00adn P&eacute;rez Marcial, contou que j&aacute; decidiram vender essa casa e mudar para um lugar menos perigoso. &quot;Imagine, com essa coisa de os pr&oacute;ximos furac&otilde;es poderem ser mais intensos devido \u00c3\u00a0 mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, ningu&eacute;m quer viver por aqui&quot;\u009d, disse um vizinho da fam\u00c3\u00adlia. A poucas ruas dali, alguns pedreiros trabalham na constru&ccedil;&atilde;o de uma casa que se eleva a mais de dois metros do ch&atilde;o, aproveitando parte de uma resid&ecirc;ncia antiga e de fortes colunas. &quot;Em caso de inunda&ccedil;&atilde;o a &aacute;gua vai circular por baixo da edifica&ccedil;&atilde;o&quot;\u009d, disse o chefe da obra, Jos&eacute; Luis Mart\u00c3\u00adnez.<\/p>\n<p>A parte de tr&aacute;s do im&oacute;vel, que &eacute; constru\u00c3\u00addo por &quot;esfor&ccedil;o pr&oacute;prio&quot;\u009d &quot;\u201c como se chama em Cuba o empreendimento privado nesta mat&eacute;ria &quot;\u201c, est&aacute; cercada por um muro de concreto maci&ccedil;o com pedra dura. &quot;Assim se economiza cimento. N&atilde;o leva a&ccedil;o, que oxida com o tempo&quot;\u009d, explicou Mart\u00c3\u00adnez. Este pedreiro mostrou que em sua parte inferior os muros de conten&ccedil;&atilde;o possuem uns &quot;aliviadores&quot;\u009d para a drenagem, que deixam que a &aacute;gua retorne. Os cantos dos muros se assemelham \u00c3\u00a0 proa de um barco &quot;para romper as ondas&quot;\u009d. V&aacute;rias casas da &aacute;rea t&ecirc;m barreiras semelhantes. &quot;Para isso &eacute; preciso ter muito recurso&quot;\u009d, alertou P&eacute;rez Marcial.<\/p>\n<p>Santa F&eacute; est&aacute; em risco permanente de inunda&ccedil;&atilde;o por causa dos furac&otilde;es. Estudos oficiais situam esta localidade entre as &aacute;reas costeiras da capital que enfrentam o impacto direto destes fen&ocirc;menos extremos e, embora em menor magnitude ou de &quot;modo parcial&quot;\u009d, tamb&eacute;m poderia ser afetada pela eleva&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas marinhas.<\/p>\n<p>Carlos Rodr\u00c3\u00adguez Otero, pesquisador em ordenamento territorial e meio ambiente do governamental Instituto de Planejamento F\u00c3\u00adsico (IPF), situa em 577 os assentamentos humanos que podem sofrer o embate combinado de aumento do n\u00c3\u00advel do mar, supereleva&ccedil;&atilde;o pelas ondas e surg&ecirc;ncia associada aos furac&otilde;es. Surg&ecirc;ncia &eacute; um fen&ocirc;meno oceanogr&aacute;fico que consiste na eleva&ccedil;&atilde;o vertical de massas de &aacute;gua do leito marinho para a superf\u00c3\u00adcie.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00c3\u00a0 IPS, Otero disse que at&eacute; 2050 poder&aacute; ficar submersa uma &aacute;rea de 2.550 quil&ocirc;metros quadrados da costa cubana, segundo um estudo conjunto de v&aacute;rias institui&ccedil;&otilde;es cient\u00c3\u00adficas locais, o IPF entre elas, encabe&ccedil;adas pelo Minist&eacute;rio de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Meio Ambiente. Em 2100, &quot;essa superf\u00c3\u00adcie aumentaria para 5.600 quil&ocirc;metros quadrados, segundo o cen&aacute;rio de eleva&ccedil;&atilde;o do n\u00c3\u00advel do mar para nosso litoral&quot;\u009d, alertou o especialista.<\/p>\n<p>Dos 577 assentamentos identificados como vulner&aacute;veis, 262 possuem &aacute;reas situadas a menos de um metro acima do n\u00c3\u00advel do mar, no primeiro quil&ocirc;metro de terra adentro desde a linha da costa. &quot;S&atilde;o os que estamos conceituando como assentamentos costeiros por sua sensibilidade&quot;\u009d, explicou Otero. A sensibilidade define o grau em que um sistema natural ou humano se perturba pelas altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas.<\/p>\n<p>Por sua vez, desses 262, 122 podem ser afetados de diferentes formas apenas pela eleva&ccedil;&atilde;o do n\u00c3\u00advel do mar, com perda permanente de superf\u00c3\u00adcie, edifica&ccedil;&otilde;es, redes e servi&ccedil;os. &quot;Com esses assentamentos &eacute; preciso adotar desde j&aacute; medidas de regula&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o concretas&quot;\u009d, afirmou.<\/p>\n<p>Independente das medidas que forem adotadas, se d&aacute; como certo que 15 assentamentos humanos estariam destinados a desaparecer em 2050 e outros sete em 2100. Estes dever&atilde;o ser realocados, ou protegidos segundo suas caracter\u00c3\u00adsticas e interesses, embora, em geral, se trate de lugares de escassa popula&ccedil;&atilde;o residente, pois s&atilde;o basicamente praias de recrea&ccedil;&atilde;o, nas zonas mais baixas da costa.<\/p>\n<p>Otero insistiu que tamb&eacute;m devem ser previstas a&ccedil;&otilde;es de adapta&ccedil;&atilde;o para as &aacute;reas impactadas pela combina&ccedil;&atilde;o da eleva&ccedil;&atilde;o do n\u00c3\u00advel do mar e a sobreleva&ccedil;&atilde;o que pelas ondas e pela surg&ecirc;ncia ocorrem nas &aacute;reas costeiras. Neste caso, a adapta&ccedil;&atilde;o deve se voltar para a redu&ccedil;&atilde;o da vulnerabilidade dos im&oacute;veis, criar planos de prote&ccedil;&atilde;o, recuperar e implantar sistemas de drenagens, e realizar obras imprescind\u00c3\u00adveis para preservar a popula&ccedil;&atilde;o, entre outras medidas.<\/p>\n<p>&quot;Al&eacute;m disso, todo novo investimento, todo plano em &aacute;reas costeiras de nosso pa\u00c3\u00ads deve considerar obrigatoriamente estas proje&ccedil;&otilde;es. H&aacute; 20 anos n&atilde;o t\u00c3\u00adnhamos, como agora, o conhecimento sobre estes temas. N&atilde;o podemos reproduzir as vulnerabilidades, mas reduzi-las e aprender a viver com o risco&quot;\u009d, acrescentou Otero. Para este profissional, adaptar-se em termos de urbanismo significa aplicar solu&ccedil;&otilde;es de reacomoda&ccedil;&atilde;o na mesma localidade, a localiza&ccedil;&atilde;o de instala&ccedil;&otilde;es leves em espa&ccedil;os p&uacute;blicos em &aacute;reas de maior vulnerabilidade, em assentamentos e cidades j&aacute; existentes e a redu&ccedil;&atilde;o da densidade de constru&ccedil;&atilde;o e de habitantes.<\/p>\n<p>&Eacute; preciso ter em conta o traslado de parte das edifica&ccedil;&otilde;es para zonas mais altas, elevar as constru&ccedil;&otilde;es no pr&oacute;prio lugar e conseguir que os novos projetos incluam desde sua concep&ccedil;&atilde;o o uso de materiais mais resistentes e tetos mais seguros, que possam enfrentar a a&ccedil;&atilde;o conjugada de chuvas, ventos e surg&ecirc;ncias.<\/p>\n<p>&quot;Tamb&eacute;m h&aacute; solu&ccedil;&otilde;es de engenharia como diques de conten&ccedil;&atilde;o, embora estas obras sejam mais caras&quot;\u009d, sugeriu Rodr\u00c3\u00adguez, recordando que em todo o Caribe insular &eacute; preciso se preparar para o aumento das temperaturas, secas recorrentes e d&eacute;ficit de &aacute;gua, entre outros grandes desafios derivados da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica. &quot;Em Cuba, os maiores riscos se concentram nas zonas costeiras e na por&ccedil;&atilde;o oriental do pa\u00c3\u00ads&quot;\u009d, ressaltou.<\/p>\n<p>Em sua opini&atilde;o, Cuba pode oferecer \u00c3\u00a0 regi&atilde;o caribenha sua coopera&ccedil;&atilde;o em todas estas &aacute;reas. &quot;Ter os recursos humanos preparados, o conhecimento, uma sociedade organizada e vontade pol\u00c3\u00adtica, facilita a abordagem dos problemas e a identifica&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es poss\u00c3\u00adveis de se desejar, mesmo com nossas limita&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas&quot;\u009d, ressaltou Rodr\u00c3\u00adguez. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Havana, Cuba, 12\/04\/2012 &ndash; Um dos maiores desafios de Cuba na hora de definir pol\u00c3\u00adticas de adapta&ccedil;&atilde;o \u00c3\u00a0 mudan&ccedil;a clim&aacute;tica &eacute; preservar seus ecossistemas costeiros, diante do previsto aumento do n\u00c3\u00advel do mar e fen&ocirc;menos hidrometeorol&oacute;gicos mais intensos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/economia\/esse-mar-intranquilo-que-desafia-cuba\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":171,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,5,11],"tags":[15],"class_list":["post-9749","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica","tag-caribe"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9749","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/171"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9749"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9749\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9749"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9749"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9749"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}