{"id":975,"date":"2005-09-06T00:00:00","date_gmt":"2005-09-06T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=975"},"modified":"2005-09-06T00:00:00","modified_gmt":"2005-09-06T00:00:00","slug":"metas-do-milnio-o-voto-como-arma-de-gnero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/america-latina\/metas-do-milnio-o-voto-como-arma-de-gnero\/","title":{"rendered":"Metas do Mil&ecirc;nio: O voto como arma de g&ecirc;nero"},"content":{"rendered":"<p>Nair&oacute;bi, 06\/09\/2005 &ndash; As mulheres do Qu&ecirc;nia t&ecirc;m uma carta poderosa para lidar com os pol&iacute;ticos que ignoram a igualdade de g&ecirc;nero: votar em quem se preocupa com elas. Sessenta por cento das pessoas analfabetas s&atilde;o mulheres neste pa&iacute;s de 30 milh&otilde;es de habitantes. Por&eacute;m, as mulheres tamb&eacute;m constituem a metade do eleitorado e das que exerceram seu direito de voto nas &uacute;ltimas elei&ccedil;&otilde;es gerais de 2002. &quot;Se sensibilizarmos todas as mulheres sobre seu direito de pedir explica&ccedil;&otilde;es aos seus l&iacute;deres pelas promessas que n&atilde;o cumpriram, poderemos ter &ecirc;xito&quot;, disse M&ocirc;nica Amolo, diretora-executiva do Programa de Reabilita&ccedil;&atilde;o de Mulheres com Dificuldades S&oacute;cio-econ&ocirc;micas (Prowed, sigla em ingl&ecirc;s). &quot;Estamos cansadas de promessas vazias. O que as mulheres querem agora &eacute; a&ccedil;&atilde;o. Isto leva &agrave; intensifica&ccedil;&atilde;o de esfor&ccedil;os na &aacute;rea da educa&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica&quot;, acrescentou o Prowed trabalha com comunidades no Qu&ecirc;nia ocidental.<br \/> <!--more--> <br \/> Mesmo com a melhor boa vontade do mundo, podem o Prowden e outras organiza&ccedil;&otilde;es semelhantes dar &agrave;s mulheres do Qu&ecirc;nia a informa&ccedil;&atilde;o que precisam para tomar decis&otilde;es informadas nas urnas? E, em caso contr&aacute;rio, as mulheres seriam capazes de obter esta informa&ccedil;&atilde;o em outro lugar? Por exemplo, a imprensa pode parecer uma boa fonte para conhecer quais s&atilde;o os Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e a an&aacute;lise sobre o que fazem os pol&iacute;ticos para implement&aacute;-las. Entretanto, o analfabetismo impede que milh&otilde;es de mulheres se beneficiem dessa informa&ccedil;&atilde;o. Um desses oito objetivos, adotados pela comunidade internacional em 2000, estabelece a igualdade de g&ecirc;nero em todos os n&iacute;veis da educa&ccedil;&atilde;o, melhoria na sa&uacute;de materna e na infantil e a redu&ccedil;&atilde;o pela metade da propor&ccedil;&atilde;o de pessoas indigentes ou que passam fome no mundo, entre outros prop&oacute;sitos.<\/p>\n<p> Segundo os &uacute;ltimos dados dispon&iacute;veis (de 1999) do Departamento de Educa&ccedil;&atilde;o para Adultos do Minist&eacute;rio de G&ecirc;nero, Esportes, Cultura e Servi&ccedil;os Sociais, cinco milh&otilde;es de pessoas s&atilde;o analfabetas. Destas, 60% s&atilde;o mulheres. Pode-se argumentar que os meios de comunica&ccedil;&atilde;o deveriam preencher a brecha, j&aacute; que os programas de r&aacute;dio e televis&atilde;o sobre temas de desenvolvimento podem ultrapassar a barreira do analfabetismo. As r&aacute;dios comunit&aacute;rias, enfocadas nos problemas locais, parecem um caminho promissor, especialmente as que transmitem em l&iacute;nguas aut&oacute;ctones. Entretanto, a preocupa&ccedil;&atilde;o do governo pelos poss&iacute;veis efeitos de criar uma ativa rede de emissoras comunit&aacute;rias enfraquece o papel que tais meios podem ter em informar as mulheres sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio.<\/p>\n<p> &quot;Quando se d&atilde;o informa&ccedil;&otilde;es sobre temas delicados como a governabilidade e se permite &agrave;s comunidades exporem seus pontos de vista sobre eles, se est&aacute; democratizando a informa&ccedil;&atilde;o, para desagrado do governo&quot;, disse &agrave; IPS Grace Githaiga, coordenadora da Rede de Meios Comunit&aacute;rios do Qu&ecirc;nia (Kcomnet, sigla em ingl&ecirc;s), que re&uacute;ne jornalistas e organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais, com sede em Nair&oacute;bi. &quot;O governo teme que uma audi&ecirc;ncia informada o desafie&quot;, acrescentou Githaiga. &Eacute; eloq&uuml;ente que o Qu&ecirc;nia tenha apenas uma emissora desse tipo, a R&aacute;dio Comunit&aacute;ria Mang`elete, localizada no leste do pa&iacute;s, que no ano passado foi autorizada a funcionar, depois de uma d&eacute;cada de intensa press&atilde;o por parte de ativistas.<\/p>\n<p> Mas mesmo se as mulheres conseguirem se informar sobre o que fazem os governantes para cumprirem promessas relativas ao desenvolvimento, seus votos podem ir para pol&iacute;ticos que n&atilde;o os merecem, alertou Amolo. &quot;A maioria das mulheres nas &aacute;reas rurais vota por qualquer um que lhes d&ecirc; esmolas como a&ccedil;&uacute;car, farinha e dinheiro, devido ao alto n&iacute;vel de pobreza&quot;, acrescentou. A informa&ccedil;&atilde;o sobre temas de desenvolvimento deve estar de m&atilde;os dadas com as iniciativas para aliviar a pobreza, se a inten&ccedil;&atilde;o &eacute; evitar que a fome e a necessidade sufoquem os esfor&ccedil;os para fazer com que os pol&iacute;ticos assumam suas responsabilidades, disse Amolo. &quot;Isto s&oacute; pode ter &ecirc;xito se embarcarmos em programas s&oacute;cio-econ&ocirc;micos para dar poder &agrave;s mulheres, especialmente as camponesas. Existe uma necessidade de coletar dados sobre quantas mulheres da &aacute;rea rural t&ecirc;m alguma fonte de renda e depois averiguar como se pode ajudar as que carecem deles para que se mantenham por si mesmas. Fica mais f&aacute;cil falar a algu&eacute;m que &eacute; capaz de ajudar a si pr&oacute;pria&quot;.<\/p>\n<p> As estat&iacute;sticas do governo indicam que aproximadamente 56% dos quenianos vivem com menos de um d&oacute;lar di&aacute;rio, limite internacional para medir a pobreza extrema. A quest&atilde;o &eacute;tnica pode prejudicar o trabalho dos ativistas e das r&aacute;dios comunit&aacute;rias. &quot;As pessoas n&atilde;o votam a partir de um ponto de vista informado. H&aacute; uma tradi&ccedil;&atilde;o de que o poder pertence ao homem, a pertin&ecirc;ncia &eacute;tnica determina que algu&eacute;m s&oacute; pode votar em algu&eacute;m de sua etnia, etc, etc&quot;, disse &agrave; IPS Winnie Mitullah, pesquisadora do Instituto de Estudos de Desenvolvimento na Universidade de Nair&oacute;bi. Qu&ecirc;nia tem v&aacute;rias dezenas de grupos &eacute;tnicos, dos quais o kikuyu &eacute; o maior, com cerca de um quinto da popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> Os oito Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio foram estabelecidos pela comunidade internacional durante a C&uacute;pula realizada em Nova York em 2000. A data fixada para cumprir a maior parte deles &eacute; 2015. Os objetivos se centram em reduzir &agrave; metade a propor&ccedil;&atilde;o de pessoas com fome e em situa&ccedil;&atilde;o de pobreza extrema, conseguir a educa&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria universal e promover a igualdade de g&ecirc;nero (que se medir&aacute; pelo acesso de meninos e meninas &agrave; educa&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria e se recebem ensino igual na escola prim&aacute;ria e secund&aacute;ria). Os objetivos tamb&eacute;m pretendem reduzir a mortalidade infantil e materna, combater a aids e outras importantes enfermidades, garantir a sustentabilidade ambiental e abordar problemas de desenvolvimento, como os desequil&iacute;brios comerciais e os altos n&iacute;veis de endividamento.<\/p>\n<p> Entre os dias 14 e 16 deste m&ecirc;s, outra c&uacute;pula acontecer&aacute; na sede da ONU para avaliar o progresso dos objetivos. Espera-se que as discuss&otilde;es d&ecirc;em novo &iacute;mpeto &agrave; campanha, colocando as mulheres do Qu&ecirc;nia &#8211; e do resto do continente em uma posi&ccedil;&atilde;o em que possam &quot;usar seus votos inteligentes&quot;, como afirmou a ativista pelos direitos humanos Yassine Fall. Fall fez este coment&aacute;rio em maio, durante uma confer&ecirc;ncia organizada pela Iniciativa para o Mil&ecirc;nio das Mulheres Africanas sobre Pobreza e Direitos Humanos, uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental com sede em Dacar, no Senegal, a qual preside. Este encontro abordou a implementa&ccedil;&atilde;o dos objetivos. &quot;Antes de votar, as mulheres devem cobrar de seus l&iacute;deres o direito de saber quando ser&atilde;o implementadas as leis ou os tratados assinados a seu favor&quot;, disse Fall a IPS. &quot;Deveria ser algo como &acute;se quer meu voto, me diga o que vai fazer por mim e quando&quot;, acrescentou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nair&oacute;bi, 06\/09\/2005 &ndash; As mulheres do Qu&ecirc;nia t&ecirc;m uma carta poderosa para lidar com os pol&iacute;ticos que ignoram a igualdade de g&ecirc;nero: votar em quem se preocupa com elas. Sessenta por cento das pessoas analfabetas s&atilde;o mulheres neste pa&iacute;s de 30 milh&otilde;es de habitantes. Por&eacute;m, as mulheres tamb&eacute;m constituem a metade do eleitorado e das que exerceram seu direito de voto nas &uacute;ltimas elei&ccedil;&otilde;es gerais de 2002. &quot;Se sensibilizarmos todas as mulheres sobre seu direito de pedir explica&ccedil;&otilde;es aos seus l&iacute;deres pelas promessas que n&atilde;o cumpriram, poderemos ter &ecirc;xito&quot;, disse M&ocirc;nica Amolo, diretora-executiva do Programa de Reabilita&ccedil;&atilde;o de Mulheres com Dificuldades S&oacute;cio-econ&ocirc;micas (Prowed, sigla em ingl&ecirc;s). &quot;Estamos cansadas de promessas vazias. O que as mulheres querem agora &eacute; a&ccedil;&atilde;o. Isto leva &agrave; intensifica&ccedil;&atilde;o de esfor&ccedil;os na &aacute;rea da educa&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica&quot;, acrescentou o Prowed trabalha com comunidades no Qu&ecirc;nia ocidental.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/america-latina\/metas-do-milnio-o-voto-como-arma-de-gnero\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":472,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-975","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/975","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/472"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=975"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/975\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=975"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=975"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=975"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}