{"id":9751,"date":"2012-04-12T11:50:13","date_gmt":"2012-04-12T11:50:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9751"},"modified":"2012-04-12T11:50:13","modified_gmt":"2012-04-12T11:50:13","slug":"angola-dez-anos-de-paz-e-um-futuro-frustrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/africa\/angola-dez-anos-de-paz-e-um-futuro-frustrado\/","title":{"rendered":"Angola, dez anos de paz e um futuro frustrado"},"content":{"rendered":"<p>Cidade do Cabo, \u00c3\u0081frica do Sul, 12\/04\/2012 &ndash; Angola comemorou no dia 4 uma d&eacute;cada de paz. Desde que em 2002 terminou uma guerra civil que durou 27 anos, o pa\u00c3\u00ads prosperou gra&ccedil;as ao petr&oacute;leo.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_9751\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/100497-20120404.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9751\" class=\"size-medium wp-image-9751\" title=\"Marcolino Moco - Kristin Palitza\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/100497-20120404.jpg\" alt=\"Marcolino Moco - Kristin Palitza\/IPS\" width=\"200\" height=\"129\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9751\" class=\"wp-caption-text\">Marcolino Moco - Kristin Palitza\/IPS<\/p><\/div>  Mas as pr&oacute;ximas elei&ccedil;&otilde;es parlamentares poder&atilde;o reviver a viol&ecirc;ncia e a instabilidade. Apenas uma elite se beneficia do boom econ&ocirc;mico neste pa\u00c3\u00ads da \u00c3\u0081frica austral, enquanto a maioria continua vivendo na pobreza.<\/p>\n<p>&quot;Houve crescimento, mas em mat&eacute;ria de democracia, direitos humanos e desenvolvimento social o pa\u00c3\u00ads retrocedeu&quot;\u009d, afirmou Elias Isaac, encarregado de Angola na n&atilde;o governamental Iniciativa Sociedade Aberta para a \u00c3\u0081frica Austral (Osisa) em um encontro com jornalistas na Cidade do Cabo, \u00c3\u0081frica do Sul, na v&eacute;spera do anivers&aacute;rio.<\/p>\n<p>Nesta d&eacute;cada, Angola se converteu na economia africana de maior crescimento. O Banco Mundial estima que este ano seu produto interno bruto crescer&aacute; 12%, sobretudo pela exporta&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo, do qual este pa\u00c3\u00ads &eacute; o segundo maior produtor do continente, depois da Nig&eacute;ria.<\/p>\n<p>No entanto, apenas uma pequena parte desse dinheiro chega ao grosso da popula&ccedil;&atilde;o. Dos 16,5 milh&otilde;es de habitantes, dois ter&ccedil;os vivem com menos de US$ 2 por dia, segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU). Entre os 187 pa\u00c3\u00adses medidos pelo \u00c3\u008dndice de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico 011, Angola est&aacute; em 148\u00c2\u00ba lugar.<\/p>\n<p>O recente impulso ao desenvolvimento da infraestrutura &quot;\u201c estradas, aeroportos, escolas e hospitais &quot;\u201c e a promessa de construir milh&otilde;es de moradias s&atilde;o, para a oposi&ccedil;&atilde;o, &quot;mero artif\u00c3\u00adcio&quot;\u009d para desviar a aten&ccedil;&atilde;o da opulenta riqueza que a pequena elite angolana acumula.<\/p>\n<p>&quot;A corrup&ccedil;&atilde;o, o nepotismo e o desprezo pelas leis s&atilde;o os principais problemas&quot;\u009d, admitiu o ex-primeiro-ministro Marcolino Moco (1992-1996), uma das poucas vozes cr\u00c3\u00adticas dentro do Movimento Popular de Liberta&ccedil;&atilde;o de Angola (MPLA), que dirige este pa\u00c3\u00ads desde 1975. &quot;N&atilde;o h&aacute; consulta, mas impunidade e poder absoluto&quot;\u009d. Um fato eloquente s&atilde;o os US$ 32 bilh&otilde;es que n&atilde;o aparecem no tesouro do pa\u00c3\u00ads e que o governo n&atilde;o pode dizer em que foram gastos.<\/p>\n<p>O norte-americano Revenue Watch Institute (RWI), um grupo n&atilde;o governamental que promove a transpar&ecirc;ncia em mat&eacute;ria de renda das ind&uacute;strias extrativistas, h&aacute; alguns dias cobrou do Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI) que retenha um desembolso de US$ 130 milh&otilde;es at&eacute; que as autoridades angolanas justifiquem plenamente o destino desses milhares de milh&otilde;es.<\/p>\n<p>&quot;O FMI deve insistir em que o governo se responsabilize por esses fundos antes de desembolsar os US$ 130 milh&otilde;es&quot;\u009d, defendeu a diretora do RWI, Karin Lissakers. O governo deve combater urgentemente a corrup&ccedil;&atilde;o e a m&aacute; administra&ccedil;&atilde;o, acrescentou. &quot;A falta de presta&ccedil;&atilde;o de contas &eacute; total&quot;\u009d concordou o pol\u00c3\u00adtico Hor&aacute;cio Junjuvili, da principal for&ccedil;a de oposi&ccedil;&atilde;o, a Uni&atilde;o Nacional para a Independ&ecirc;ncia Total de Angola (Unita).<\/p>\n<p>&quot;O presidente, Jos&eacute; Eduardo dos Santos, usa os fundos do Estado como se fossem de sua propriedade&quot;\u009d, denunciou Lissakers. Em sua opini&atilde;o, boa parte dos US$ 32 bilh&otilde;es que viraram fuma&ccedil;a devem estar depositados em contas de bancos estrangeiros. &Eacute; um segredo conhecido que a filha do mandat&aacute;rio, Isabel dos Santos, que cuida da fortuna familiar, realizou nos &uacute;ltimos anos investimentos multimilion&aacute;rios em seu pa\u00c3\u00ads e em Portugal.<\/p>\n<p>Os angolanos se sentem marginalizados da comunidade internacional, a qual, dizem, s&oacute; se interessa pelos neg&oacute;cios com este pa\u00c3\u00ads, mas n&atilde;o em pressionar para que melhorem o respeito aos direitos humanos e a governan&ccedil;a. &quot;O petr&oacute;leo tem um papel central na pol\u00c3\u00adtica. Os interesses internacionais se movem pelos neg&oacute;cios, n&atilde;o pela moral&quot;\u009d, alertou Isaac.<\/p>\n<p>Poucos acreditam que as elei&ccedil;&otilde;es parlamentares, que devem acontecer em agosto ou setembro, produzir&atilde;o alguma mudan&ccedil;a. &quot;Duvidamos que as elei&ccedil;&otilde;es sejam livres e limpas&quot;\u009d, disse Junjuvili. Com Santos no comando desde 1979, o pa\u00c3\u00ads que foi col&ocirc;nia portuguesa se converteu em uma autocracia. O governante do MPLA conta com uma maioria parlamentar mais do que folgada e os contrapesos constitucionais s&atilde;o poucos e d&eacute;beis.<\/p>\n<p>Santos ignorou uma lei pela qual um juiz independente deve encabe&ccedil;ar o &oacute;rg&atilde;o eleitoral, e colocou novamente nesse posto Susana Ingl&ecirc;s, uma advogada pr&oacute;xima a ele. Os partidos de oposi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o aceitaram a nomea&ccedil;&atilde;o e recorreram \u00c3\u00a0 Suprema Corte de Justi&ccedil;a, que ainda n&atilde;o se pronunciou.<\/p>\n<p>&quot;&Eacute; uma ditadura. Quase todo o poder se concentra nas m&atilde;os de uma pessoa, o presidente&quot;\u009d, indicou Isaac. &quot;Se as ilegalidades n&atilde;o acabarem, a oposi&ccedil;&atilde;o se mobilizar&aacute; e o pa\u00c3\u00ads poder&aacute; cair no caos&quot;\u009d. Nem a Uni&atilde;o Europeia e nem a Comunidade para o Desenvolvimento da \u00c3\u0081frica Austral acordaram estabelecer miss&otilde;es de observa&ccedil;&atilde;o para as elei&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>&Eacute; improv&aacute;vel que o presidente ceda seu lugar a novos dirigentes. O veterano lutador da guerra de independ&ecirc;ncia, de 69 anos, manifestou em dezembro sua disposi&ccedil;&atilde;o para conduzir o partido a uma nova elei&ccedil;&atilde;o, afirmando estar &quot;sempre dispon\u00c3\u00advel&quot;\u009d. Nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s meses, as pessoas come&ccedil;aram a se manifestar nas ruas, reclamando direitos econ&ocirc;micos e sociais e democracia. &quot;O risco de instabilidade pol\u00c3\u00adtica &eacute; elevado&quot;\u009d, alertou Moco.<\/p>\n<p>As autoridades reagiram reprimindo os protestos. Desde janeiro foram proibidas cinco manifesta&ccedil;&otilde;es contra o governo e 46 militantes foram presos. Embora a liberdade de express&atilde;o esteja formalmente garantida, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o independentes quase n&atilde;o existem. Praticamente todos os jornais e emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o s&atilde;o propriedade da fam\u00c3\u00adlia presidencial.<\/p>\n<p>O governo deve cessar o uso de for&ccedil;a excessiva contra manifestantes pac\u00c3\u00adficos, ativistas pelos direitos humanos e pol\u00c3\u00adticos de oposi&ccedil;&atilde;o, afirmou a organiza&ccedil;&atilde;o Human Rights Watch (HRW), com sede em Nova York. &quot;A crescente viol&ecirc;ncia contra manifestantes, observadores e militantes pol\u00c3\u00adticos indica a deteriora&ccedil;&atilde;o do ambiente na medida em que as elei&ccedil;&otilde;es se aproximam&quot;\u009d, destacou Leslie Lefkow, da HRW. &quot;Os que protestam est&atilde;o sendo torturados. A situa&ccedil;&atilde;o &eacute; terr\u00c3\u00advel. O futuro de Angola &eacute; obscuro&quot;\u009d, concluiu Moco. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidade do Cabo, \u00c3\u0081frica do Sul, 12\/04\/2012 &ndash; Angola comemorou no dia 4 uma d&eacute;cada de paz. Desde que em 2002 terminou uma guerra civil que durou 27 anos, o pa\u00c3\u00ads prosperou gra&ccedil;as ao petr&oacute;leo. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/africa\/angola-dez-anos-de-paz-e-um-futuro-frustrado\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":117,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,11],"tags":[],"class_list":["post-9751","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9751","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/117"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9751"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9751\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9751"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9751"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9751"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}