{"id":9761,"date":"2012-04-16T09:31:38","date_gmt":"2012-04-16T09:31:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9761"},"modified":"2012-04-16T09:31:38","modified_gmt":"2012-04-16T09:31:38","slug":"china-crescem-protestos-contra-expropriaes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/economia\/china-crescem-protestos-contra-expropriaes\/","title":{"rendered":"CHINA: Crescem protestos contra expropria&ccedil;&otilde;es"},"content":{"rendered":"<p>Pequim, China, 16\/04\/2012 &ndash; No meio da noite, algu&eacute;m bateu na porta da casa que Zhang Haxia e seu marido tinham no sudoeste da China. <!--more--> Os estranhos os tiraram a for&ccedil;a e os colocaram em uma caminhonete. Quando puderam regressar, n&atilde;o restavam nem escombros de sua casa. Esta foi mais uma das v&aacute;rias expropria&ccedil;&otilde;es feitas neste pa&iacute;s. Promotores imobili&aacute;rios e funcion&aacute;rios locais corruptos, e desejosos de embolsar dinheiro devido ao auge da constru&ccedil;&atilde;o civil, coagem a popula&ccedil;&atilde;o a abandonar terrenos valiosos em troca de uma m&iacute;nima indeniza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Este fen&ocirc;meno rapidamente se converteu na principal fonte de inquieta&ccedil;&atilde;o na China e ocupou as manchetes da imprensa esta semana com o an&uacute;ncio de duras penas de pris&atilde;o contra dois ativistas de direitos humanos que travaram prolongadas batalhas para ajudar as v&iacute;timas.<\/p>\n<p>Ni Yulan, de 52 anos, e seu marido, Dong Jiqin, foram detidos este m&ecirc;s por ajudarem os atingidos pela apropria&ccedil;&atilde;o ilegal de propriedade. Ela foi condenada a dois anos e oito meses de pris&atilde;o e o marido a dois. O casal, que perdeu uma batalha legal de seis anos para evitar a demoli&ccedil;&atilde;o de sua tradicional casa com jardim em Pequim, em 2008, foi acusado em dezembro de &quot;provocar disputas, incitar dist&uacute;rbios e destruir de forma deliberada propriedade privada e p&uacute;blica&quot;.<\/p>\n<p>Na audi&ecirc;ncia do veredito, que durou apenas dez minutos, segundo a organiza&ccedil;&atilde;o Defensores dos Direitos Humanos, o Tribunal Popular do distrito de Xicheng condenou o casal por &quot;criar dist&uacute;rbios&quot;. Ni Yulan ficou machucada devido &agrave;s torturas que sofreu em outras ocasi&otilde;es em que esteve presa, a primeira vez um ano e depois mais dois, segundo contou. Em 2002, foi por &quot;obstruir assuntos oficiais&quot; e em 2005 por &quot;danificar propriedade p&uacute;blica&quot; enquanto lutava para salvar sua casa.<\/p>\n<p>As expuls&otilde;es levaram milhares de pessoas a protestarem todos os meses. Muitos manifestantes enfrentaram a pol&iacute;cia. A hist&oacute;ria de Zhang (nome fict&iacute;cio) &eacute; uma entre milhares.<\/p>\n<p>&quot;No dia 4 de dezembro, &agrave;s tr&ecirc;s da manh&atilde;, funcion&aacute;rios do governo local, acompanhados de mafiosos, nos arrastaram, eu e meu marido, para fora de casa, nos colocaram em uma caminhonete e nos levaram para um lugar distante e desconhecido&quot;, contou &agrave; IPS a agricultora de 55 anos por telefone desde sua casa na cidade de Chengdu, capital da prov&iacute;ncia de Sichuan. &quot;Tropecei e ca&iacute;, e vi o filho do secret&aacute;rio do Partido (Comunista) local. Quatro horas depois nos trouxeram de volta. Nossa casa j&aacute; n&atilde;o existia, e os tijolos e as telhas haviam desaparecido&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Quando Zhang foi a Pequim reclamar junto ao governo central, a pol&iacute;cia a deteve junto com o marido e os enviou a uma delegacia de Sichuan, onde apanhou antes de ser liberada, afirmou. &quot;Nos obrigaram a assinar um papel. Eu n&atilde;o queria porque sabia que se assinasse estaria aceitando minha deten&ccedil;&atilde;o, ent&atilde;o me bateram. Meu marido chamou o superior e fomos liberados&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Zhang n&atilde;o &eacute; a &uacute;nica. H&aacute; poucos dias, um site de Sichuan informou o desaparecimento de tr&ecirc;s ativistas que reclamaram indeniza&ccedil;&otilde;es por serem expulsos de suas propriedades na prov&iacute;ncia de Jiangsu. Mao Jianzhong, Gu Xingzhen e Xia Kunxiang foram at&eacute; Pequim para reclamar com o governo central. Contudo, funcion&aacute;rios de Jiangsu os levaram de volta para sua cidade, Suzhou, e n&atilde;o se soube mais deles, informou a R&aacute;dio Free Asia.<\/p>\n<p>Muitos queixosos, que costumam sofrer a crescente corrup&ccedil;&atilde;o de policiais e funcion&aacute;rios locais, n&atilde;o t&ecirc;m outra op&ccedil;&atilde;o, a n&atilde;o ser levar seu problema ao governo central. No entanto, costumam ser levados de volta &agrave;s suas localidades, segundo o ativista Huang Qi, quem primeiro denunciou o incidente em seu site na internet, Tianwang.<\/p>\n<p>Huang afirmou que muitos manifestantes s&atilde;o levados a uma das milhares de &quot;pris&otilde;es negras&quot; sem o devido processo ou detidos sob acusa&ccedil;&otilde;es falsas. As reclama&ccedil;&otilde;es costumam ser caladas no &acirc;mbito local por medo de as demandas e os dist&uacute;rbios prejudicarem a reputa&ccedil;&atilde;o dos funcion&aacute;rios, exporem a corrup&ccedil;&atilde;o ou impedirem sua promo&ccedil;&atilde;o. &quot;Desde o governo de Hu-Wen (pelo presidente Hu Jintao e o primeiro-ministro Wen Jiabao) aumentou a expropria&ccedil;&atilde;o, e tamb&eacute;m os casos por indeniza&ccedil;&otilde;es ou as demandas&quot;, contou &agrave; IPS.<\/p>\n<p>&quot;A apropria&ccedil;&atilde;o ilegal n&atilde;o acabou. Recebi um telefonema h&aacute; poucos dias de um agricultor de Sichuan cuja casa foi destru&iacute;da &agrave;s duas da manh&atilde;. As expuls&otilde;es costumam ocorrer durante a noite porque n&atilde;o querem que as pessoas fa&ccedil;am fotos nem gravem &aacute;udios ou v&iacute;deos como prova&quot;, detalhou Huang. &quot;As pessoas que n&atilde;o est&atilde;o informadas acreditam que os assuntos mais importantes da China s&atilde;o a Revolu&ccedil;&atilde;o Cultural ou a reforma da estrutura pol&iacute;tica. De fato, est&atilde;o mais preocupadas em proteger seus direitos&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>As repercuss&otilde;es dos dist&uacute;rbios rurais por apropria&ccedil;&otilde;es ilegais s&atilde;o comuns. Um site informou recentemente sobre choques com a pol&iacute;cia no norte e sudoeste da China. Alguns casos, como os protestos em Wukan, na prov&iacute;ncia de Guangdong, no sul, tiveram repercuss&atilde;o na imprensa internacional. Os ativistas de Wukan conseguiram expulsar os funcion&aacute;rios corruptos e o direito de realizar elei&ccedil;&otilde;es locais. O povoado se converteu no s&iacute;mbolo do protesto contra a expropria&ccedil;&atilde;o ilegal de terras na China e &eacute; considerado um exemplo vitorioso de como o governo deve agir para acabar com as reclama&ccedil;&otilde;es generalizadas.<\/p>\n<p>A mudan&ccedil;a est&aacute; em marcha, segundo a organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental Landesa, dedicada a defender o direito &agrave; terra dos agricultores das na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento. O grupo diz em seu site (www.landesa.org) que trabalha com o governo central para introduzir uma s&eacute;rie de melhorias legais hist&oacute;ricas. O governo come&ccedil;ou a garantir aos agricultores direitos de 30 anos sobre suas terras, segundo a Landesa, bem como a documentar e divulgar os direitos dos agricultores.<\/p>\n<p>No entanto, muitos cidad&atilde;os os desconhecem, e a lei &eacute; amplamente ignorada pelas autoridades locais, que costumam abusar de seu poder. Em Chengdu, Zhang comprou outro terreno e construiu outra casa. Segundo ela, o problema est&aacute; na cobi&ccedil;a dos funcion&aacute;rios locais, mais do que no governo central. &quot;Continuarei reclamando em Pequim porque tenho esperan&ccedil;as no governo. S&atilde;o as autoridades locais as corruptas. N&atilde;o pe&ccedil;o uma quantia rid&iacute;cula, apenas uma indeniza&ccedil;&atilde;o razo&aacute;vel&quot;, afirmou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pequim, China, 16\/04\/2012 &ndash; No meio da noite, algu&eacute;m bateu na porta da casa que Zhang Haxia e seu marido tinham no sudoeste da China. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/economia\/china-crescem-protestos-contra-expropriaes\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1006,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,5,11],"tags":[17],"class_list":["post-9761","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-economia","category-politica","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9761","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1006"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9761"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9761\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9761"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9761"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9761"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}