{"id":9779,"date":"2012-04-17T09:46:50","date_gmt":"2012-04-17T09:46:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9779"},"modified":"2012-04-17T09:46:50","modified_gmt":"2012-04-17T09:46:50","slug":"argentina-descobre-a-frica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/america-latina\/argentina-descobre-a-frica\/","title":{"rendered":"Argentina descobre a &Aacute;frica"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 17\/04\/2012 &ndash; Sob a bandeira da coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul, a Argentina se lan&ccedil;ou a consolidar seus la&ccedil;os com a &Aacute;frica, come&ccedil;ando por pa&iacute;ses de sustentado crescimento econ&ocirc;mico, como Angola e Mo&ccedil;ambique, mas tamb&eacute;m com outros de menor desenvolvimento. <!--more--> O FO-AR opera dentro da Dire&ccedil;&atilde;o Geral de Coopera&ccedil;&atilde;o Internacional do Minist&eacute;rio das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores. Boriosi acompanhou em mar&ccedil;o o chanceler argentino, H&eacute;ctor Timerman, em sua viagem a Angola e Mo&ccedil;ambique. Na pr&aacute;tica esta visita foi uma pr&eacute;via da viagem que a presidente Cristina Fern&aacute;ndez realizar&aacute; em maio a Angola.<\/p>\n<p>Timerman foi recebido pelos mandat&aacute;rios dos dois pa&iacute;ses e destacou, na oportunidade, que essa primeira visita oficial de um chanceler argentino &agrave;s duas na&ccedil;&otilde;es refletia &quot;uma mudan&ccedil;a de modelo e um novo olhar sobre o mundo&quot;. Boriosi explicou que, por raz&otilde;es hist&oacute;ricas, at&eacute; h&aacute; alguns anos os pa&iacute;ses da &Aacute;frica tinham mais rela&ccedil;&atilde;o com suas ex- metr&oacute;poles (Fran&ccedil;a, Gr&atilde;-Bretanha e Portugal). Agora est&atilde;o mais dispostos a se relacionar com a Am&eacute;rica Latina, acrescentou.<\/p>\n<p>O interesse &eacute; comum. Em entrevista &agrave; IPS o especialista em rela&ccedil;&otilde;es internacionais Javier Surasky, professor da Universidade Nacional de La Plata, recordou que o Brasil j&aacute; iniciou, &quot;com &ecirc;xito, um processo de proje&ccedil;&atilde;o para a &Aacute;frica de l&iacute;ngua portuguesa&quot;. Esta estrat&eacute;gia foi impulsionada fortemente pelo ex-presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva, que viajou dez vezes &agrave; &Aacute;frica e visitou 20 pa&iacute;ses. Este la&ccedil;o foi mantido mesmo depois de passar o cargo a Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>Essa aproxima&ccedil;&atilde;o foi fundamental na designa&ccedil;&atilde;o do primeiro latino-americano &agrave; frente da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Agricultura e a Alimenta&ccedil;&atilde;o (FAO), o brasileiro Jos&eacute; Graziano da Silva, que ao assumir o cargo este ano prometeu priorizar o combate &agrave; fome na &Aacute;frica. O objetivo brasileiro &eacute; &quot;liderar o mundo de fala portuguesa, algo que j&aacute; conseguiu deslocando Portugal dessa posi&ccedil;&atilde;o&quot;, disse Surasky, especialista em temas de coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul.<\/p>\n<p>Boriosi disse que a Argentina &quot;compartilha o interesse&quot; de maior aproxima&ccedil;&atilde;o com a &Aacute;frica, mas esclareceu que o v&iacute;nculo que procura &quot;n&atilde;o tem a intensidade&quot; do brasileiro, &quot;por raz&otilde;es culturais&quot;. A ideia &eacute; colocar &quot;a Argentina como uma cooperante de n&iacute;vel global&quot;, ressaltou. Tradicionalmente, na Argentina a coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul se centrava em pa&iacute;ses da regi&atilde;o. Esse eixo se mant&eacute;m como o principal, destacou Boriosi, mas agora a pol&iacute;tica de ajuda m&uacute;tua se ampliou para a &Aacute;frica e o sudeste da &Aacute;sia.<\/p>\n<p>Novos projetos v&atilde;o se consolidando na China, Tail&acirc;ndia, Indon&eacute;sia, no Laos ou Camboja, em &aacute;reas t&atilde;o diversas com agricultura, com&eacute;rcio, fortalecimento da governabilidade ou direitos humanos. Neste novo cen&aacute;rio, os espor&aacute;dicos projetos de coopera&ccedil;&atilde;o que havia com a &Aacute;frica nas d&eacute;cadas de 1980 e 1990 come&ccedil;aram a ganhar maior relev&acirc;ncia e, sobretudo, agora passam a estar acompanhados de uma vontade de aproxima&ccedil;&atilde;o e conhecimento m&uacute;tuo.<\/p>\n<p>A chancelaria &quot;gera a oportunidade do v&iacute;nculo, marca a agenda, planta a semente&quot;, definiu Boriosi, depois, se necess&aacute;rio, &quot;se d&aacute; um novo empurr&atilde;o&quot; &agrave; rela&ccedil;&atilde;o com uma viagem como a liderada pelo ministro. A visita a Angola teve um acentuado cunho comercial. Timerman foi acompanhado por cerca de 300 empres&aacute;rios e foram identificadas &aacute;reas de coopera&ccedil;&atilde;o em temas de desenvolvimento econ&ocirc;mico.<\/p>\n<p>No caso de Mo&ccedil;ambique, tamb&eacute;m houve aproxima&ccedil;&atilde;o de &oacute;rg&atilde;os t&eacute;cnicos da Argentina, que podem dar assessoria e coopera&ccedil;&atilde;o aos seus pares nesse pa&iacute;s, como o Instituto Nacional de Tecnologia Agropecu&aacute;ria. Paralelamente, outros Minist&eacute;rios, com ou sem apoio financeiro do FO- AR, tamb&eacute;m v&atilde;o consolidando seus pr&oacute;prios v&iacute;nculos. Neste ponto, houve contatos da pasta da Defesa com a &Aacute;frica do Sul e da Agricultura com esse pa&iacute;s e o Qu&ecirc;nia. Boriosi afirmou que a coopera&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m objetiva pa&iacute;ses do Magreb, na faixa norte da &Aacute;frica, e a Nig&eacute;ria, onde j&aacute; se trabalha com a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de em capacita&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica para campanhas contra a poliomielite.<\/p>\n<p>Para Surasky, &quot;esta aproxima&ccedil;&atilde;o com a &Aacute;frica faz parte de uma pol&iacute;tica externa argentina que busca refor&ccedil;ar seus la&ccedil;os com outros pa&iacute;ses do Sul, uma posi&ccedil;&atilde;o que no ano passado lhe deu a presid&ecirc;ncia do Grupo dos 77&quot;, atualmente formado por 130 membros, inclu&iacute;da a China. a coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul foi um dos eixos centrais do programa de a&ccedil;&atilde;o apresentado por Buenos Aires para ganhar a presid&ecirc;ncia anual do grupo que, desde 1964, representa os interesses do mundo em desenvolvimento nos f&oacute;runs das Na&ccedil;&otilde;es Unidas.<\/p>\n<p>Os motivos do atual interesse argentino na &Aacute;frica e na &Aacute;sia fazem parte, segundo Surasky, da &quot;voca&ccedil;&atilde;o do governo para consolidar poder desde o Sul&quot;. Para este especialista, &quot;n&atilde;o menos importante &eacute; que resulta em um exerc&iacute;cio reativo diante da pol&iacute;tica externa do Brasil&quot;. Al&eacute;m disso, &quot;existe a necessidade de ampliar mercados frente &agrave; retra&ccedil;&atilde;o de pa&iacute;ses desenvolvidos, em raz&atilde;o da crise. O mercado dos pa&iacute;ses ricos da &Aacute;frica &eacute; extremamente atraente para algumas empresas argentinas&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>De todo modo, Surasky expressou d&uacute;vidas quanto ao longo prazo. &quot;Embora hoje a voca&ccedil;&atilde;o argentina de se projetar na &Aacute;frica seja clara, minha d&uacute;vida &eacute; o que acontecer&aacute; com o tempo com uma pol&iacute;tica externa que nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas se caracterizou pelas descontinuidades&quot;. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 17\/04\/2012 &ndash; Sob a bandeira da coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul, a Argentina se lan&ccedil;ou a consolidar seus la&ccedil;os com a &Aacute;frica, come&ccedil;ando por pa&iacute;ses de sustentado crescimento econ&ocirc;mico, como Angola e Mo&ccedil;ambique, mas tamb&eacute;m com outros de menor desenvolvimento. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/america-latina\/argentina-descobre-a-frica\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5,11],"tags":[],"class_list":["post-9779","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9779","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9779"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9779\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9779"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9779"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9779"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}