{"id":9782,"date":"2012-04-17T13:16:46","date_gmt":"2012-04-17T13:16:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9782"},"modified":"2012-04-17T13:16:46","modified_gmt":"2012-04-17T13:16:46","slug":"naes-unidas-o-fracasso-melhor-financiado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/mundo\/naes-unidas-o-fracasso-melhor-financiado\/","title":{"rendered":"Na&ccedil;&otilde;es Unidas: O &quot;fracasso&quot; melhor financiado"},"content":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 17\/04\/2012 &ndash; Apesar de ficar demonstrado que a privatiza&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua &eacute; prejudicial para os pobres, um quarto dos fundos do Banco Mundial v&atilde;o diretamente para empresas do setor, afirma um documento divulgado ontem. <!--more--> O estudo assegura que o Banco apoia as empresas privadas da &aacute;gua, passando por cima de governos e de seus pr&oacute;prios padr&otilde;es de transpar&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>As popula&ccedil;&otilde;es de muitos pa&iacute;ses do Sul em desenvolvimento t&ecirc;m dif&iacute;cil acesso a &aacute;gua pot&aacute;vel, e o enfoque para remediar este problema tem sido depender cada vez mais de empresas privadas. Entretanto, isto &eacute; pernicioso, segundo o informe da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental Corporate Accountability International (CAI), com sede nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A CAI exortou o Banco Mundial a deixar de financiar o setor privado da &aacute;gua e mudar a dire&ccedil;&atilde;o dos fundos para foc&aacute;-los em institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e democraticamente respons&aacute;veis. A divulga&ccedil;&atilde;o do informe, intitulado Shutting the Spigot on Private Water: Case for the World Bank do Divest (Fechando a torneira para a &aacute;gua privada: argumentos para que o Banco Mundial desinvista), coincide com o in&iacute;cio das reuni&otilde;es que esse organismo realiza com o Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI).<\/p>\n<p>A Corpora&ccedil;&atilde;o Financeira Internacional (CFI), ramo do Banco dedicado a fomentar o desenvolvimento econ&ocirc;mico por meio do setor privado, investiu US$ 1,4 bilh&atilde;o em empresas de &aacute;gua desde 1993, segundo o estudo. At&eacute; janeiro de 2013, os investimentos crescer&atilde;o US$ 1 bilh&atilde;o ao ano. O informe tamb&eacute;m assinala que, para cada d&oacute;lar que a CFI coloca em um projeto, ela atrai entre US$ 14 e US$ 18 em investimentos privados complementares.<\/p>\n<p>Isto explica porque o Banco Mundial e a CFI continuam financiando companhias privadas de &aacute;gua, mesmo quando cerca de um ter&ccedil;o de todos os contratos assinados entre 2000 e 2010 fracassaram ou est&atilde;o em risco de fracassar, quatro vezes mais do que no caso de projetos de infraestrutura nos setores de eletricidade e transporte, segundo a CAI.<\/p>\n<p>&quot;Em lugar de se concentrar em garantir o acesso a &aacute;gua pot&aacute;vel inclusive economicamente, o Banco Mundial promove medidas que deixar&atilde;o mais cara a &aacute;gua para os consumidores&quot;, diz, por outro lado, um informe de 2010 da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental Food and Water Watch. O alto custo tamb&eacute;m pode ser definido em termos humanos. O mesmo documento indica que a m&aacute; qualidade da &aacute;gua e do saneamento permite a propaga&ccedil;&atilde;o de parasitas que &quot;s&atilde;o a principal causa de doen&ccedil;as e mortes no mundo em desenvolvimento&quot;.<\/p>\n<p>A CAI tamb&eacute;m cr&iacute;tica v&aacute;rios conflitos de interesses, como o fato de o Banco Mundial ser dono de empresas do setor da &aacute;gua enquanto se apresenta como conselheiro imparcial. No fim das contas, o &quot;Banco Mundial &eacute; o motor por tr&aacute;s desta invas&atilde;o corporativa nos sistemas e nos servi&ccedil;os de &aacute;gua&quot;, afirmou a CAI em seu site. O Banco Mundial estimula os pa&iacute;ses a privatizarem seus sistemas de &aacute;gua ou modific&aacute;-los para que tenham por foco o lucro, acrescentou.<\/p>\n<p>O Banco Mundial tamb&eacute;m promove o desenvolvimento de infraestruturas que oferecem vantagens para os &quot;usu&aacute;rios de grandes corpora&ccedil;&otilde;es, acima dos interesses dos indiv&iacute;duos ou das comunidades&quot;, afirma a diretora-executiva da CAI, Kelle Louaillier. &quot;Em meio a uma crise mundial da &aacute;gua, o Banco est&aacute; desperdi&ccedil;ando os recursos necess&aacute;rios para salvar milh&otilde;es de vidas. Seus estatutos estabelecem que deve ajudar os que t&ecirc;m mais necessidade, mas sua aposta financeira nas corpora&ccedil;&otilde;es da &aacute;gua est&aacute; criando perversos incentivos que solapam a pr&oacute;pria miss&atilde;o do Banco&quot;, enfatizou.<\/p>\n<p>Segundo a CAI, as privatiza&ccedil;&otilde;es prejudicam os mais pobres, limitando o acesso ao recurso e afetando os direitos humanos, com ocorreu em Manila, Filipinas, onde o Banco Mundial ajudou o governo filipino a desenhar um plano de privatiza&ccedil;&atilde;o. &quot;Anos depois, muitos moradores de Manila ainda carecem de &aacute;gua, e os problemas de acesso se agravaram&quot;, disse Shayda Naficy, especialista da CAI. &quot;A CFI chama isso de &ecirc;xito, e foi, para seus investidores. Contudo, &eacute; um tremendo fracasso do ponto de vista dos moradores e seu direito &agrave; &aacute;gua&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>Por outro lado, um porta-voz do Banco Mundial disse &agrave; IPS que o informe da CAI desvirtua o papel do &oacute;rg&atilde;o e carece de profundidade. &quot;Os servi&ccedil;os de financiamento e assessoria da CFI asseguraram &aacute;gua pot&aacute;vel e saneamento a mais de 20 milh&otilde;es de pessoas at&eacute; 2011&quot;, afirmou. &quot;Se mudam as hierarquias, existe a possibilidade de o Banco mudar seu curso&quot;, disse Louaillier hora antes da elei&ccedil;&atilde;o, ontem, do novo presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, norte-americano de origem sul-coreana.<\/p>\n<p>O candidato de Washington prevaleceu sobre outros que receberam importante apoio pol&iacute;tico: a ministra das Finan&ccedil;as da Nig&eacute;ria, Ngozi Okonjo- Iweala, e o ex-ministro das Finan&ccedil;as colombiano Jos&eacute; Antonio Ocampo. O Banco Mundial sempre teve presidentes de nacionalidade norte-americana.<\/p>\n<p>H&aacute; um ano, seu ent&atilde;o presidente, Robert Zoellick, disse que o mundo necessitava de &quot;nova geopol&iacute;tica para uma economia multipolar, na qual todos estejam representados equitativamente em associa&ccedil;&otilde;es a favor das maiorias, e n&atilde;o em clubes para poucos&quot;. Para ele, a crise financeira global marcou o fim dos velhos modelos de economia e desenvolvimento. Como consequ&ecirc;ncia, categoriza&ccedil;&otilde;es como &quot;primeiro mundo&quot; ou &quot;terceiro mundo&quot;, &quot;doadores&quot; ou &quot;benefici&aacute;rios&quot;, &quot;l&iacute;deres&quot; ou &quot;liderados&quot;, j&aacute; &quot;n&atilde;o encaixam&quot;, destacou Zoellick. No entanto, estas ideias n&atilde;o parece se refletir dentro do pr&oacute;prio banco. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 17\/04\/2012 &ndash; Apesar de ficar demonstrado que a privatiza&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua &eacute; prejudicial para os pobres, um quarto dos fundos do Banco Mundial v&atilde;o diretamente para empresas do setor, afirma um documento divulgado ontem. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/mundo\/naes-unidas-o-fracasso-melhor-financiado\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1224,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,5,4],"tags":[28,27,25,26,21],"class_list":["post-9782","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","tag-africa-do-sul","tag-brasil","tag-ibsa","tag-india","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9782","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1224"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9782"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9782\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9782"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9782"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9782"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}