{"id":9790,"date":"2012-04-18T09:42:39","date_gmt":"2012-04-18T09:42:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9790"},"modified":"2012-04-18T09:42:39","modified_gmt":"2012-04-18T09:42:39","slug":"sudo-do-sul-como-devolver-a-infncia-s-crianas-soldado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/africa\/sudo-do-sul-como-devolver-a-infncia-s-crianas-soldado\/","title":{"rendered":"SUD&Atilde;O DO SUL: Como devolver a inf&acirc;ncia &agrave;s crian&ccedil;as-soldado"},"content":{"rendered":"<p>Yuba, Sud&atilde;o do Sul, 18\/04\/2012 &ndash; Se o processo de reintegr&aacute;-los &agrave;s suas vidas normais for feito em tempo e forma, as crian&ccedil;as-soldado do Sud&atilde;o do Sul ter&atilde;o deixado de pertencer &agrave;s mil&iacute;cias deste pa&iacute;s em dois anos. <!--more--> O Ex&eacute;rcito de Liberta&ccedil;&atilde;o Popular do Sud&atilde;o (SPLA) havia se comprometido a liberar em mar&ccedil;o todas as crian&ccedil;as que combatiam em suas fileiras. Essa for&ccedil;a, que &eacute; a ala militar do partido pol&iacute;tico sul-sudan&ecirc;s Movimento de Liberta&ccedil;&atilde;o Popular do Sud&atilde;o, &eacute; uma das poucas no mundo que constam da lista da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) como parte de um conflito que recruta e usa crian&ccedil;as.<\/p>\n<p>O Fundo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Inf&acirc;ncia (Unicef) estima que no Sud&atilde;o do Sul h&aacute; duas mil crian&ccedil;as-soldado. Embora nenhuma esteja dentro do SPLA oficial, est&atilde;o nas mil&iacute;cias que o governo anistiou, e integradas &agrave;s For&ccedil;as Armadas nacionais. O pa&iacute;s pode ficar fora da lista em dois anos, se o SPLA seguir o plano de a&ccedil;&atilde;o que tra&ccedil;ou e assinou, que inclui retirar todas as crian&ccedil;as das mil&iacute;cias e trabalhar para lhes dar oportunidades educativas.<\/p>\n<p>Entretanto, o processo de reintegra&ccedil;&atilde;o pode demorar muito mais no caso dos meninos, na medida em que entrarem em escolas ou aprenderem habilidades para poderem ganhar a vida fora dos barrac&otilde;es militares. O processo come&ccedil;ar&aacute; com a identifica&ccedil;&atilde;o e a garantia de libera&ccedil;&atilde;o formal de todas as crian&ccedil;as-soldado, informou Fatuma H. Ibrahim, chefe da unidade de prote&ccedil;&atilde;o &agrave; inf&acirc;ncia do Unicef no Sud&atilde;o do Sul. Quando forem liberados, receber&atilde;o roupas civis, porque &quot;o que &eacute; militar fica com os militares&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Os garotos, com idades entre 12 e 18 anos, ser&atilde;o submetidos a sess&otilde;es de terapia de grupo com trabalhadores sociais para tentar entender como chegaram a se integrar &agrave;s mil&iacute;cias e para falar de qualquer tipo de viol&ecirc;ncia que possam ter enfrentado. Segundo Ibrahim, ser&aacute; cerca de 1% que &quot;realmente necessitar&aacute; de acompanhamento cl&iacute;nico&quot;, embora suas op&ccedil;&otilde;es sejam limitadas em um pa&iacute;s com poucos recursos psiqui&aacute;tricos. &quot;&Eacute; um problema muito grande. A maioria recebe p&iacute;lulas, e isso &eacute; tudo&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>Os familiares tamb&eacute;m se reunir&atilde;o com trabalhadores sociais para falar sobre a reintegra&ccedil;&atilde;o e garantir que as crian&ccedil;as ser&atilde;o bem-vindas em seu regresso, desestimulando-as a voltarem &agrave;s mil&iacute;cias. &quot;Os pa&iacute;s t&ecirc;m que estar prontos para receb&ecirc;-los&quot;, destacou Ibrahim. Em algumas comunidades do pa&iacute;s, isso inclui uma simb&oacute;lica cerim&ocirc;nia de transi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Em um pa&iacute;s que viveu em guerra durante mais de duas d&eacute;cadas, frequentemente a for&ccedil;a militar &eacute; uma das poucas oportunidades econ&ocirc;micas vi&aacute;veis para os homens jovens. Muitas das crian&ccedil;as que o Unicef e seus aliados tiram das fileiras militares seguiram esse padr&atilde;o, buscando um lugar em uma mil&iacute;cia para dar seguran&ccedil;a financeira &agrave;s suas fam&iacute;lias. Um dos grandes desafios dessa ag&ecirc;ncia da ONU &eacute; dar oportunidades que estimulem as crian&ccedil;as que abandonam essas for&ccedil;as.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s a realiza&ccedil;&atilde;o das novas rodadas de libera&ccedil;&atilde;o, ser&aacute; dada aos jovens a oportunidade de escolher entre ir &agrave; escola ou aprender um of&iacute;cio. O limitado mercado de trabalho do pa&iacute;s propicia que os jovens de mais idade se sintam incentivados a aprender habilidades como carpintaria, que tem cada vez maior demanda em localidades de r&aacute;pido crescimento. No futuro lhes ser&atilde;o ensinadas duas habilidades, caso a primeira n&atilde;o seja rent&aacute;vel.<\/p>\n<p>O Unicef e outras organiza&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m trabalham para dar incentivos a fim de impedir que as crian&ccedil;as-soldado voltem a se alistar. Ibrahim mencionou um projeto de cria&ccedil;&atilde;o de gado em que os rapazes recebem uma cabra para criar. Se o programa funcionar, os incentivos ser&atilde;o &quot;significativos&quot;, afirmou. O novo plano de a&ccedil;&atilde;o para o Sud&atilde;o do Sul foi assinado oficialmente em 16 de mar&ccedil;o pelo Minist&eacute;rio da Defesa, pela for&ccedil;a de paz da ONU no pa&iacute;s e pela representante especial do secret&aacute;rio-geral para a Quest&atilde;o das Crian&ccedil;as e dos Conflitos Armados, Radhika Coomaraswamy.<\/p>\n<p>Desde que ficou independente no ano passado, o Sud&atilde;o do Sul experimentou epis&oacute;dios espor&aacute;dicos de viol&ecirc;ncia em todo seu territ&oacute;rio. No norte, se mant&ecirc;m as hostilidades com o Sud&atilde;o. E em outras partes, especialmente no Estado de Jonglei, h&aacute; conflitos intertribais pelos direitos &agrave; terra e ao gado. Coomaraswamy informou que a maior parte das crian&ccedil;as-soldado do pa&iacute;s est&atilde;o no norte, onde a viol&ecirc;ncia foi mais consistente.<\/p>\n<p>O Sud&atilde;o do Sul est&aacute; na lista da ONU muito antes de sua independ&ecirc;ncia, em julho de 2011. Em 2006, um Acordo Exaustivo de Paz foi assinado entre o norte e o sul do Sud&atilde;o, pondo fim a d&eacute;cadas de enfrentamentos e cimentando o caminho para a independ&ecirc;ncia sul-sudanesa. Nesse momento, o SPLA se comprometeu com um plano de a&ccedil;&atilde;o para liberar suas crian&ccedil;as-soldado, embora n&atilde;o o tenha cumprido totalmente. Em 2009, as organiza&ccedil;&otilde;es de vigil&acirc;ncia n&atilde;o haviam encontrado crian&ccedil;as-soldado em fileiras centrais do SPLA, embora ainda existissem nas mil&iacute;cias.<\/p>\n<p>Segundo Coomaraswamy, o renovado compromisso do pa&iacute;s procede do &quot;poder da lista&quot; e da press&atilde;o dos s&oacute;cios internacionais. E, embora a ONU nunca tenha punido o Sud&atilde;o do Sul pela inclus&atilde;o nesta lista, a representante declarou que sempre havia a possibilidade de que isto ocorresse. A Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo, por exemplo, sofreu san&ccedil;&otilde;es por figurar na lista. Seu escrit&oacute;rio negocia atualmente com a Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo, com a Birm&acirc;nia e com a Som&aacute;lia, os &uacute;nicos governos militares que ainda n&atilde;o assinaram um plano de a&ccedil;&atilde;o. (Envolverde\/IPS)<\/p>\n<p>* Andrew Green informa do Sud&atilde;o do Sul no contexto de uma bolsa do International Reporting Project, um programa de jornalismo independente com sede em Washington, Estados Unidos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Yuba, Sud&atilde;o do Sul, 18\/04\/2012 &ndash; Se o processo de reintegr&aacute;-los &agrave;s suas vidas normais for feito em tempo e forma, as crian&ccedil;as-soldado do Sud&atilde;o do Sul ter&atilde;o deixado de pertencer &agrave;s mil&iacute;cias deste pa&iacute;s em dois anos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/africa\/sudo-do-sul-como-devolver-a-infncia-s-crianas-soldado\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":999,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,6,11],"tags":[],"class_list":["post-9790","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-direitos-humanos","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9790","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/999"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9790"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9790\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9790"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9790"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9790"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}