{"id":9793,"date":"2012-04-19T03:26:06","date_gmt":"2012-04-19T03:26:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=9793"},"modified":"2012-04-19T03:26:06","modified_gmt":"2012-04-19T03:26:06","slug":"os-pigmeus-baka-nos-camares-em-busca-de-identidade-e-educao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/04\/africa\/os-pigmeus-baka-nos-camares-em-busca-de-identidade-e-educao\/","title":{"rendered":"Os Pigmeus Baka nos Camar&otilde;es em Busca de Identidade e Educa&ccedil;&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>Divis&atilde;o do Nyong Superior, Camar&otilde;es, 19\/04\/2012 &ndash; Kokpa Pascale Moangue, um pigmeu Baka no sudeste dos Camar&otilde;es, deu aos seus filhos a &uacute;nica coisa que sempre desejou mas que os pais n&atilde;o lhe conseguiram dar &#8211; uma educa&ccedil;&atilde;o. E conseguiu alcan&ccedil;ar este objectivo obtendo um simples papel: uma certid&atilde;o de registo de nascimento. <!--more--> As certid&otilde;es de nascimento s&atilde;o uma exig&ecirc;ncia b&aacute;sica para a inscri&ccedil;&atilde;o da escola prim&aacute;ria nos Camar&otilde;es. Mas aqui, entre os Pigmeus Baka, um povo ca&ccedil;ador-recolector que vive nas florestas equatoriais deste pa&iacute;s da &Aacute;frica Central Ocidental e cujo n&uacute;mero ascende aos 30.000, cerca de 98 por cento n&atilde;o registam os filhos &agrave; nascen&ccedil;a, segundo a Plan International, organiza&ccedil;&atilde;o de caridade internacional. <\/p>\n<p>Um sorriso ilumina a cara de Moangue enquanto os quatro filhos tagarelam no regresso a casa da escola em Lomie, uma cidade na Divis&atilde;o do Nyong Superior na Regi&atilde;o Leste dos Camar&otilde;es. &quot;Nunca fui &agrave; escola mas tenho grandes sonhos para os meus filhos,&quot; disse &agrave; IPS. <\/p>\n<p>O vizinho mais pr&oacute;ximo de Moangue, Anzuom Clarisse, conta uma hist&oacute;ria id&ecirc;ntica. Queria ir &agrave; escola quando era mais nova mas n&atilde;o p&ocirc;de porque n&atilde;o tinha uma certid&atilde;o de nascimento. <\/p>\n<p>Mas esta m&atilde;e gr&aacute;vida de 19 anos afirma que a vida para o seu beb&eacute; vai ser diferente. &quot;O fillho que teno na barriga ir&aacute; &agrave; escola,&quot; assevera. &#39;Vou garantir que o meu beb&eacute; tenha uma certid&atilde;o de nascimento.&quot; <\/p>\n<p>No entanto, ao contr&aacute;rio do que acontece com Clarisse e Moangue, poucos Baka est&atilde;o preparados para registar os seus filhos &agrave; nascen&ccedil;a.<\/p>\n<p>Em 2003, a Plan International iniciou o seu Projecto Para a Defesa da Dignidade e dos Direitos dos Baka nesta zona. O director nacional dquela organiza&ccedil;&atilde;o, Barro Famari, diz que o projecto tem por objectivo sensibilizar os pigmeus Baka acerca dos seus direitos e trabalhar com as autoridades locais no sentido de assegurar que esses direitos sejam respeitados.<\/p>\n<p>Embora n&atilde;o exista discrimina&ccedil;&atilde;o legal contra os Baka, t&ecirc;m circulado relatos sobre o tratamento inferior que lhes &eacute; concedido, especialmente quanto a pr&aacute;ticas laborais, de acordo com a organiza&ccedil;&atilde;o Vigil&acirc;ncia e Ac&ccedil;&atilde;o Internacionais pelos Direitos das Mulheres.<\/p>\n<p>O foco central do projecto &eacute; a &quot;Campanha de Registo Universal de Nascimentos&quot;, que procura obter certid&otilde;es de nascimento para todas as crian&ccedil;as nos Camar&otilde;es. Trabalhando em conjunto com o Minist&eacute;rio dos Assuntos Sociais, directores de centros de registo civil, presidentes de c&acirc;maras e outras organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais, a Plan International ajudou 12.000 crian&ccedil;as nos Camar&otilde;es a receberem as suas certid&otilde;es de nascimento em 2010 e 2011.<\/p>\n<p>No seu Relat&oacute;rio Anual de 2011, afirma-se que &quot;durante a campanha deste ano (2012), a Plan International tenciona registar e distribuir 20.000 certid&otilde;ess de nascimento atrav&eacute;s das suas seis unidades program&aacute;ticas.&quot; <\/p>\n<p>&quot;A Plan International ajudou-me a arranjar certid&otilde;es de nascimento para os meus filhos,&quot; explicou um sorridente Moangue. &quot;Agora sei que o futuro deles ir&aacute; ser melhor.&quot; <\/p>\n<p>Apesar disso, cerca de 98 por cento dos Baka n&atilde;o s&atilde;o registados na altura do nascimento, de acordo com as estat&iacute;sticas do gabinete local da Plan International. Os motivos para esta situa&ccedil;&atilde;o v&atilde;o desde a dist&acirc;ncia a percorrer at&eacute; aos registos civis at&eacute; &agrave; ignor&acirc;ncia quanto &agrave; necessidade de se adquirir as certid&otilde;es de nascimento. <\/p>\n<p>&quot;J&aacute; n&atilde;o tenho uma certid&atilde;o de nascimento porque o meu pai a utilizou como qualquer outro peda&ccedil;o de papel, para fazer um cigarro de papel,&quot; contou Sandra Neckmen, de 14 anos. No entanto, teve sorte por isso ter acontecido depois de se ter matriculado na escola. Neckman &eacute; agora aluna do terceiro ano da escola governamental de Mindourou, na Regi&atilde;o Leste. <\/p>\n<p>A atitude de Denis Njanga &eacute; t&iacute;pica de alguns Baka. Njanga, de Yokadouma na Regi&atilde;o Leste, diz que &quot;esse peda&ccedil;o de papel n&atilde;o coloca comida na mesa.&quot;<\/p>\n<p>Por&eacute;m, a quest&atilde;o do registo dos nascimentos &eacute; um assunto nacional. Menos de 34 por cento dos nascimentos s&atilde;o registados nos Camar&otilde;es. Segundo um relat&oacute;rio de 2007 sobre o sistema de registo civil nos Camar&otilde;es elaborado pelo Instituto de Forma&ccedil;&atilde;o e Pesquisa Demogr&aacute;fica (IFORD), os Camar&otilde;es enfrentam um verdadeiro problema ao n&atilde;o concretizar o direito de cada crian&ccedil;a de ter um nome e uma nacionalidade.<\/p>\n<p>O estudo indica que a situa&ccedil;&atilde;o ainda &eacute; pior nas regi&otilde;es norte e leste to pa&iacute;s, onde nove em cada 10 nascimentos n&atilde;o s&atilde;o registados no per&iacute;odo exigido de 30 dias, conforme estipulado na lei.<\/p>\n<p>A baixa taxa de registo nacional de nascimentos &eacute; atribu&iacute;da &agrave; falta generalizada de sensibiliza&ccedil;&atilde;o e &agrave; m&aacute; gest&atilde;o dos centros de registo civil, onde um simples processo de registo normalmente leva mais de 30 dias. <\/p>\n<p>&quot;&Eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o muito complicada,&quot; afirmou Kaldaussa Faissam, director adjunto para assuntos administrativos, o servi&ccedil;o que &eacute; directamente respons&aacute;vel pelas certid&otilde;es de nascimentos junto do Minist&eacute;rio da Administra&ccedil;&atilde;o Territorial e Descentraliza&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>&quot;A maior parte dos nascimentos nas zonas rurais tem lugar em casa. As certid&otilde;es de nascimento s&atilde;o emitidas apenas nos hospitais e o processo &eacute; moroso,&quot; explicou. <\/p>\n<p>Kaldaussa adiantou que o seu Minist&eacute;rio est&aacute; a formular novas leis para tornar o processo de registo de nascimentos mais f&aacute;cil. Contudo, recusou-se a tecer coment&aacute;rios acerca do fundamento da nova legisla&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>&quot;A certid&atilde;o de nascimento &eacute; a primeira liga&ccedil;&atilde;o que um cidad&atilde;o tem com o seu governo. Indica onde a crian&ccedil;a nasceu e quem s&atilde;o os pais, e define a nacionalidade da crian&ccedil;a,&quot; afirmou Kaldaussa. Acrescentou ainda que a n&atilde;o exist&ecirc;ncia da certid&atilde;o de nascimento pode levar ao abuso das crian&ccedil;as em caso de casamento precoce e trabalho infantil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Divis&atilde;o do Nyong Superior, Camar&otilde;es, 19\/04\/2012 &ndash; Kokpa Pascale Moangue, um pigmeu Baka no sudeste dos Camar&otilde;es, deu aos seus filhos a &uacute;nica coisa que sempre desejou mas que os pais n&atilde;o lhe conseguiram dar &#8211; uma educa&ccedil;&atilde;o. 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